sentido da vida

Sentido da vida: a falta e o conflito do ser

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Qual o sentido da vida? Todos nós vivenciamos a falta de algo em diferentes momentos da vida. A busca por um sentido da vida é parte do humano. Mas, e quando a falta de sentido se torna patológica, no sentido que criar conflitos internos, beirando o desespero, e, em algumas situações chegando inclusive ao suicídio?

Falando dessa forma, até parece bobagem e exagero, mas essa situação tem sido mais comum do que podemos imaginar. Basta refletir quantos casos de suicídios foram apresentados em reportagens apenas neste ano. E estamos falando de pessoas conhecidas na mídia, imagina aquelas que não conhecemos! Os índices só aumentam.

E qual será o real motivo? Por que chegamos a esse ponto?

O sentido da vida

Existem inúmeras explicações para os atos contra a própria vida: o abandono, separação, a morte de um ente querido, perder emprego, dívidas, ter sido vítima de violência, ser alvo de constante preconceito ou bullying, enfim, podemos narrar fatos diversos, mas nunca chegaremos ao cerne da questão; por uma simples razão. Há pessoas que passam por alguma dessas situações (ou por várias) e não tiram a própria vida.

Dessa forma, entendemos que cada um tem uma maneira única de ver a vida, a partir de suas vivências e experiências anteriores.

É bem verdade que somos um emaranhado de sentimentos, dúvidas e conflitos, que estão relacionados diretamente com nossa vida desde a infância. No entanto, esses sentimentos, dúvidas e conflitos vêm de alguma frustração, ou seja, não é tão simples quanto pensamos.

O sofrimento é positivo e o sentido da vida

Considerado um pessimista, Arthur Schopenhauer acreditava que o sofrimento era algo positivo, pois se fazia sentir com facilidade; enquanto a felicidade, considerada negativa, era apenas a interrupção momentânea da dor e do tédio, que eram uma condição inerente à existência.

Sim, condição inerente, uma vez que o ser humano nunca está satisfeito, sempre está a buscar e conquistar algo que julga faltar. E quando conquista o que quer, a felicidade dura pouco, até perceber que quer algo além do que foi conquistado. E assim vive a vida. Pequenos momentos de felicidade e longos momentos de sofrimento, de falta.

A revolução industrial e a corrupção da alma

Fazendo um retrocesso, é importante considerar que os fatos históricos têm interferência direta na forma em que vivemos na contemporaneidade.

A revolução industrial trouxe grandes mudanças não apenas no modo de produção, mas também no comportamento humano.

Fortaleceu ainda mais o capitalismo, criando condições e possibilidades de acesso a bens de consumo e materiais que antes não eram possíveis; roupas, TVs, rádios, carros, etc. adquiriam grande importância na vida das pessoas. De repente, os bens materiais tornaram-se mais importantes do que as relações.

E de onde vem a falta?

Acostumados ao novo modo de viver (trabalhar – produzir, receber – adquirir), a sociedade entrou em um ciclo vicioso, ter, ter e ter. Assim vivemos. Somos produtores e consumidores.

A cada novo bem adquirido ou nova conquista, nos sentimos motivados a ir além, vivendo nessa eterna busca. Ou seria eterna falta?

Porém, engana-se quem pensa que o sofrimento pela falta está relacionado aos bens materiais. Mesmo aquelas pessoas que têm tudo, grande riqueza, podem sentir essa falta. Isso porque a falta que sentimos é um vazio, algo difícil de explicar. Um vazio na alma, que tentamos compensar com bens materiais.

Relações superficiais e o sentido da vida

Hoje, as relações são superficiais, ou como diria Zygmunt Bauman “as relações escorrem pelo vão dos dedos”; as pessoas mantêm contato e até relacionamento pelas redes sociais. Postam uma vida ilusória, como uma competição de quem é mais feliz ou realizado, mas em quatro paredes o sofrimento vem à tona.

A frustração está presente em nossas vidas.

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    E a pergunta “qual é o sentido da vida?” tem razão de existir.

    Afinal, qual o sentido da vida?

    Ainda que não haja uma resposta clara e objetiva para esse questionamento, sabemos que faz todo o sentido (sem trocadilhos), pois é a partir daí que começamos a pensar em “ser” e não apenas em ter.

    Talvez seja uma reflexão que levaremos para o resto da vida, mas enquanto isso, durante o processo de busca por uma resposta, estaremos sendo mais fiéis aos nossos sentimentos e às nossas faltas.

    Entendendo nossas faltas, aceitaremos que não precisamos parecer felizes a todo momento, pois podemos ser felizes verdadeiramente, ainda que tenhamos que passar por situações difíceis.

    Conclusão

    Na busca por ter bens materiais, conquistar posições, sucesso e dinheiro, deixamos de lado nossa essência, e, essa essência é o que nos mantém conectados com algo maior. Pode ser uma crença, uma religião, ou apenas uma forma de ver a vida, não importa, a questão é que precisamos ir além do que nossos olhos são capazes de ver. Entender que somos inteiros e integrados, e que não precisamos do que vem de fora para nos sentirmos realizados.

    A falta sempre existirá, mas a diferença entre quem tira a própria vida pelo sofrimento da falta e quem aprende a ser resiliente, está em como lidar com essa falta, e como usá-la a nosso favor, para o crescimento enquanto “ser”.

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    Este artigo sobre o sentido da vida, a falta e o conflito do ser foi escrito por Cristiane Carminati Maricato. Sou pedagoga especializada em educação especial e inclusiva, psicopedagogia, neuropsicopedagogia e psicomotricidade. Mestra em Intervenção Psicológica no desenvolvimento e na educação e Doutoranda em Psicanálise, além de ser aluna do IBPC.

    3 thoughts on “Sentido da vida: a falta e o conflito do ser

    1. O sentido da vida está em você deitar na cama e ouvir RBD com as bochechas encharcadas de lágrima.

    2. Janaina+Mariza+Fraga disse:

      Gratidão, artigo maravilhoso

    3. Cláudio Lopes disse:

      Obrigado por dividir suas percepções sobre o “sentido da vida”. Ótimo artigo.

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