síndrome de asperger

Crianças com Síndrome de Asperger

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A definição para Síndrome de Asperger surgiu por meio do DSM-4 (Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais) sendo que ainda no DSM-3 já tínhamos o princípio dessas classificações feitas em relação ao Transtorno do Espectro Autista – TEA.

O TEA antigamente não era conhecido dessa forma. Digamos que não era uma constante ou que não era considerado um contínuo da mesma Síndrome do Espectro Autista.

Entendendo a síndrome de asperger

Os psiquiatras classificavam a criança como autista, mas a colocavam em diferentes categorias, sejam: autismo não especificado; autismo clássico ou justamente a Asperger. Hoje em dia esse nome não é mais utilizado formalmente. Não existe também mais o diagnóstico de Asperger, porém nos fica a pergunta: se não existe mais diagnóstico com essa nomenclatura por que ainda se ouvi falar tanto nela? Simples. Porque ficou conhecida como sendo a parte mais leve do espectro. Leve no ponto de vista de sintomas. Outra pergunta que muitos fazem: quer dizer que uma criança portadora da Síndrome de Asperger tem um prognóstico melhor porque o autismo é leve? Depende.

Portar o autismo leve não quer dizer que a criança não viverá certas dificuldades relacionadas àquelas diferenças. Na prática, o que é a síndrome de Asperger? A maioria das crianças que estão classificadas com o autismo leve tem uma inteligência ou cognição bastante preservada dentro da média de seus pares. Essa é a primeira característica. Muitas vezes até um pouco superior a essa média, mas nem sempre. Essa criança pode estar na média de inteligência das outras crianças da mesma idade e possuir algumas habilidades em que ela é extraordinariamente desenvolvida.

Como exemplo cito um caso de uma criança com Síndrome de Asperger com pouco mais de três anos de idade, em que já havia aprendido a ler e escrever sozinha. Mais uma pergunta: quer dizer que podemos considerá-la como criança gênia em todas as áreas? Definitivamente a resposta é não. Ela possui algumas habilidades que estão acima da média para a idade dela, como explicado anteriormente. Os autistas leves possuem a inteligência preservada e próxima da média típica da idade. Essa é uma característica bem preponderante para o transtorno.

Características da síndrome de asperger

Segunda característica: a criança geralmente é verbal. Ela fala e é capaz de se comunicar através das palavras e frases, sendo que muitas vezes não existe um atraso significativo em relação a parte fonológica. Muitas vezes apresentará outras alterações na fala que será apresentado mais adiante. Pensemos: se a criança fala isso significa que é o autismo é considerado leve? Na maioria dos casos, a criança que tem uma linguagem um pouco mais rebuscada, mais complexa e fala palavras que não eram esperadas para a sua idade.

Possui um linguajar elaborado demais, além de compreendê-las e usá-las em um formato quase formal. Isso é muito frequente. Mais uma vez é importante ressaltar que isso não é uma máxima. Não é generalizado a todos, mas é um sintoma extremamente significativo. Outra característica é que as crianças com o Espectro Autista Leve têm um repertório de jogo um pouco mais amplo. Elas não possuem tanta tendência em brincar somente de uma forma ou duas, mas sim com ampla gama de jogos. Vejamos: se a criança comunica e possui uma inteligência acima da média, então qual é o problema? Por que ela recebeu um diagnóstico de autismo?

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A resposta vai além do que é possível enxergar, já que alguns aspectos são assintomáticos e comportamentais. Muitas vezes a criança sabe brincar com um conjunto mais amplo de possibilidades, mas ela não necessariamente tem o interesse em brincar com os outros colegas. Na verdade, preferem brincar sozinhas. Em alguns momentos quando brincam com seus pares têm a tendência em querer controlar as regras do jogo ou em brincar à sua maneira, apresentando problemas de regulação emocional quando os colegas querem brincar de forma diferente.

Um estigma a ser quebrado

Há crianças que gostam muito de dinossauros e outras de avião. Sabem muito sobre aquele único assunto, falam e conversam sobre isto de forma incessante e não percebem que a outra criança está ou não participando da conversa. Por gostarem de controlar as brincadeiras, há uma certa dificuldade em se relacionarem. Em muitos momentos fazem com que certas crianças não queiram interagir ou apresentem essa dificuldade com o outro que tenha o transtorno. Lembrando que não é uma doença.

Considerá-la como tal é um estigma que precisamos quebrar em nossa sociedade. São crianças completamente normais, mas que são suscetíveis a comportamentos considerados ‘diferentes’. Em relação a fala, algumas crianças terão alteração na prosódia e na melodia da voz. Talvez tenham a voz mais monótona ou muito teatral, exagerada ou robótica. Esse é o ponto ligado de certa forma a comunicação. Quando falam costumam não olhar diretamente nos olhos do outro.

A criança tem a tendência em controlar a interação e não a busca frequentemente, porém quando sente a necessidade de se relacionar tende que o acontecimento ocorra dentro de certos parâmetros já preestabelecidos. Querem que as regras sejam claras e que todos as cumpram. Chegam até a brigar com o colega porque estão fazendo a coisa errada. E mais uma vez acaba prejudicando a socialização. Além dessas características mencionadas, as crianças muitas vezes têm preferência por rotina, por compreender melhor a transição e por saberem previamente o que acontecerá. O foco é ter mais previsibilidade. Novamente isso é um agravante para alterar a capacidade em interagir. Isso já é o suficiente para causar estigmatização para dificultar as relações.

Conclusão sobre a síndrome de asperger

Então, portar o autismo leve não quer dizer que a criança não precise de suporte. Síndrome de Asperger não é sinônimo de genialidade em certas áreas. Muitas vezes sim, quer dizer habilidades extraordinárias, mas não que aquela criança não precise de apoio para ser um adulto com mais qualidade de vida no futuro. Interessante que muitos pais com crianças com o transtorno acabam descobrindo que eles também têm características de autismo leve e percebem que tiveram dificuldades de relacionamento e até de interação social; percebem que possuem dificuldade em compreender regras sociais mais sutis.

Enfatizo que a nomenclatura “Síndrome de Asperger” não existe mais em relação ao diagnóstico que usamos popularmente para associar a crianças que tenham autismo leve, o correto é Autismo de alto funcionamento. Em um outro momento, falarei sobre o diagnóstico tardio em adultos. Quero já deixar um spoiler que a descoberta não é simples e não são todos os profissionais mentais que conseguem descobri-lo.

Chegam aos consultórios de neuropsicólogos ou neuropsicanalistas com dizeres de que foram crianças isoladas e começam a mencionar as dificuldades apresentadas ao longo da juventude, como a questão de fazer amigos e se aproximar das pessoas.

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O presente artigo foi escrito por Wallison Christian Soares Silva ([email protected]), Psicanalista, Economista, especialista em Neuropsicanálise e Gestão de Pessoas. Estudante de Letras e Literaturas.

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