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Oneomania: consumo compulsivo e endividamento crônico

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Neste texto entenderemos juntos sobre a oneomania. Como a Psicanálise pode Ajudar Pessoas com Consumo Compulsivo e Endividamento Crônico: Oneomania à luz da Psicanálise. Iremos tratar de como a psicanálise pode ajudar pessoas com consumo compulsivo e endividamento crônico.

Introdução à oneomania

A Psicanálise Freudiana nos ensina que, em essência, a vida humana é movida pelo princípio do prazer o qual direciona toda a ação psíquica e orgânica (Freud, 1920). Nada teríamos a opor ao indivíduo que pauta sua vida pelo princípio do prazer, materializado, por exemplo, no consumo. Afinal, o ser humano, como se sabe, não consome apenas para satisfazer suas necessidades básicas de sobrevivência e proteção.

Não se pode negar que o consumo atende a um desejo que o ser humano tem de sentir-se merecedor do prazer de consumir, ou seja, existe uma sensação de prazer e de satisfação adquirida no momento da compra, pois ao comprar um objeto o indivíduo não está comprando apenas aquela coisa, mas todas as propriedades simbólicas que existem por trás daquela aquisição. Nem precisamos nos deter na explicação de que todo a propaganda e toda forma de marketing explora essa característica humana.

O marketing vai extrapolar todos os limites dessa necessidade humana para tentar convencer a todos de que o mais necessário consumo deve ter uma recôndita sensação de prazer. Bem, mas não somos todos escravos do marketing. A condição humana não é só de escravo de prazer, mas também de racionalidade e, espera-se, que tenhamos filtragem e consciência crítica para escapar das armadilhas do marketing. Se assim não fosse, todos nós seríamos viciados em qualquer droga (álcool, cocaína, cigarro).

O consumo pode ser uma droga, um vício?

Sim. Se ele extrapola os limites razoáveis e racionais da satisfação prazerosa e torna-se um fim em si mesmo, é, sim, uma droga. E para tal, sempre aparecem os mais diversos remédios. Os principais estão em jornais e revistas que se baseiam num aconselhamento tão frívolo quanto a própria droga que tentam atacar.

Alguns (maus) exemplos assim expressados:

  • “para retomar as rédeas da saúde financeira, é fundamental que o indivíduo faça uma análise crítica de sua situação e analise as possibilidades de renegociação e quitação de compromissos financeiros vencidos e a vencer”;
  • “o problema está na falta de educação financeira; existe pouca educação financeira; educação que se forma a partir da casa, da estrutura familiar, e que a escola deveria reforçar”;
  • “o consumidor precisa colocar tudo na ponta do lápis, todas as despesas, como as contas fixas e as parcelas, além de fazer a previsão de gastos do mês seguinte; se todos tivessem essa visão, possivelmente não assumiriam novos compromissos que vão se sobrepor aos anteriores”.

Tais conselhos, que são tomados como os remédios perfeitos, de fato, em nada resolve o problema do consumidor compulsivo, pois eles não atacam as raízes do problema. São conselhos dados por economistas, financistas e jornalistas que pouco ou nada entendem sobre o que é Psicanálise e, portanto, dos motivos inconscientes e subjacentes que levam ao consumo compulsivo.

Oneomania e o consumo compulsivo

Para identificar um consumidor compulsivo e as raízes do seu problema seria preciso examinar os seguintes tipos de constatações: A Organização Mundial da Saúde (OMS), em seu último relatório sobre saúde mental, de fevereiro de 2017, mostrou que 9,3% da população brasileira sofre de ansiedade, são mais de 18,6 milhões pessoas. Outros 11,5 milhões convivem com a depressão, hoje, a principal causa de incapacidade em todo o mundo (ONU, 2017). Quando eu percebo que estou no limite, eu tento parar de gastar, mas é agoniante, tenho que ficar me segurando. Não gosto, não consigo, sinto muita necessidade mesmo de comprar.

Eu gosto da sensação da compra. Tudo fica feliz. Não importa se o dia está ruim, quando eu compro me, sinto bem. A ansiedade também faz com que eu queira estar sempre comprando algo. (Depoimento de um paciente: anonimato respeitado) Nestes dois relatos, o primeiro institucional e o segundo pessoal, identificamos o que pode estar na raiz do consumo compulsivo: ansiedade, depressão, insatisfação pessoal. São apenas três possíveis causas, que podem ser apenas pedaços da parte de cima do iceberg.

O que está por detrás de uma ansiedade, uma depressão ou uma insatisfação pessoal é algo bem mais complexo e que só pode ser descoberto mediante o tratamento psicanalítico. A Psicanálise vai à raiz do problema, levando-nos ao campo das compulsões, que têm origem psíquica em traumas e fixações formados na infância física ou psíquica do indivíduo. E só voltando a tais traumas e fixações é que a pessoa poderá começar a sair desse imbróglio.

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Oneomania e o vício

Ao comportamento vicioso de pessoas que convivem com o consumo compulsivo e exagerado, não conseguindo controlar a vontade de comprar mais e mais, dá-se o nome de oneomania. Compras em excesso tendem a fazer parte do comportamento da pessoa consumista. Acontece que a oneomania é uma progressiva e gradual mudança de atitude onde o consumo prazeroso vai se transformando em vício (compulsão).

Algo incontrolável e capaz de gerar as mesmas sensações psicológicas do que qualquer outra dependência, onde , por exemplo, as compras, por um lado, causam euforia e um constante prazer, e, de outro, geram inquietação, ansiedade e mudanças bruscas de humor quando essa necessidade não pode ser consumada.

Não se deve confundir a oneomania com um simples desejo consumista. Quem sofre com a oneomania tende a misturar as emoções. Após a compra, a sensação de vergonha, frustração ou mesmo de repetir aquela aquisição podem surgir. Alguns sintomas podem ser observados para mostrar indícios de um distúrbio, tais como o desequilíbrio financeiro, onde a pessoa continua a consumir, endividar-se e participar de um ciclo interminável de compras e dívidas. Após o diagnóstico, exemplos de manifestação e tentativa de justificação do distúrbio serão muitos.

Porém, o tratamento é único: terapia psicanalítica, porquanto a raiz do problema está muito bem escondida e para o que sofre, está no seu inconsciente. A psicanálise enquanto um método terapêutico tem por principal objetivo desvendar o inconsciente, pois é ali que os conteúdos armazenados causam sofrimento mental. Lembranças, desejos reprimidos e impulsos são fatores que influenciam os comportamentos.

Conclusão: sobre oneomania

Por estarem em nosso inconsciente, não conseguimos compreendê-los completamente. Portanto, o tratamento da oneomania remete a um tratamento psicanalítico. Por meio da análise das palavras, ações, pensamentos e sonhos dos pacientes, o psicanalista pode ajudar o paciente a encontrar a origem dos seus problemas e amenizar seus sofrimentos psíquicos.

Além de aumentar o autoconhecimento e melhorar o controle emocional, a terapia da psicanálise pode ser utilizada para resolver traumas da infância, depressão, transtornos de ansiedade, problemas sexuais e, é claro, a oneomania.

Referências bibliográficas

FREUD, Sigmund. Além do princípio do prazer [1920]. In: _______ Além do princípio do prazer, psicologia de grupo e outros trabalhos. (1920-1922). Direção-geral da tradução de Jayme Salomão. Rio de Janeiro: Imago, 1969. (Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, 18).

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    ONU News. OMS: mais de 300 milhões de pessoas sofrem de depressão no mundo. Disponível em: https://news.un.org/pt/story/2017/02/1578281-oms-mais-de-300-milhoes-de-pessoas-sofrem-de-depressao-no-mundo. Publicado em: 23 fev. 2017. Acesso em 14 abr. 2022.

    RÁDIO CÂMARA. Reportagem Especial. Especial Consumo 3 – A oneomania e os tratamentos disponíveis. (07’56”). Disponível em: https://www.camara.leg.br/radio/programas/306430-especial-consumo-3-a-oneomania-e-os-tratamentos-disponiveis-0756/. Acesso em: 12 abr. 2022.

    SILVA, Pâmela. A doença do século. Disponível em: https://www.revide.com.br/editorias/gerais/oneomania-doenca-do-seculo/. Acesso em: 12 abr. 2022.

    O presente artigo sobre oneomania ou compulsão por compras (consumo compulsivo) foi escrito por Romilson Rodrigues Pereira. É diretor-presidente da Clínica Juluso de Psicanálise Integral. Fez o Curso Livre de Formação em Psicanálise Clínica do IBPC, que aliou aos seus mais de vinte anos de experiência como analisando e professor para atuar como psicanalista. Além da formação em Psicanálise, é bacharel e mestre em Economia e pós-graduado em Avaliação de Políticas Públicas, Política e Estratégia e Governança e Accountability. Contatos: WhatsApp: (61) 99973-6135; e-mail: [email protected]; Instagram: @julusopsicanalise.

    2 thoughts on “Oneomania: consumo compulsivo e endividamento crônico

    1. Não é raro, em especial na fila das cestinhas, alguém tirar um produto que havia colocado nela, como da última vez um senhor colocou no freezer de refrigerantes, embalagem de doze latinhas de cerveja que estava na cesta dele! Porque esse gesto? Despertar piedade como se não pudesse levar tudo que havia posto na cestinha e ai alguém se prontificasse a pagar? “Freud explica”?

    2. Artigo muito interessante! Infelizmente há muitas pessoas com essa doença. O difícil é convencer essas pessoas que atitude delas é uma doença que está relacionada com a psique.

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