o que é síndrome de Cotard

Síndrome de Cotard ou síndrome do cadáver ambulante

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Síndrome de Cotard é uma doença mental rara, em que a pessoa acredita que está morta, que seus órgãos não existem ou estão em estado de putrefação. Geralmente esta grave doença está associada também a outros transtornos psiquiátricos.

Quem sofre de Síndrome de Cotard pode estar em grande risco de vida. Pois, ao pensar que está morto, tendem à autoagressão ou, no pior dos casos, a suicídio. Além disso, a pessoa, pela ilusão de morte, não possui cuidados básicos, como, por exemplo, não se preocupa com sua higiene pessoal.

O que é síndrome de Cotard?

Síndrome de Cotard, que também é conhecida como síndrome do cadáver ambulante, delírio niilista ou delírio de negação, é uma rara doença psiquiátrica que a pessoa tem crenças delirantes que está morta, em putrefação ou que não tem mais sangue ou órgãos internos.

Em 1880 foi identificada pelo neurologista francês Jules Cotard, de onde surgiu o nome da doença. Descobriu existência da doença por uma paciente que sofria de transtornos mentais, como delírios hipocondríacos incomuns.

Nesse sentido, esta então, primeira paciente diagnosticada com a doença, era uma mulher de 43 anos, acreditava fielmente que não possuía nenhum órgão.

Logo após, diversos casos foram surgindo no meio da medicina neurológica e psiquiátrica. Nesse sentido, a doença foi diagnostica por graus de gravidade e nos mais variados sintomas, os quais verá a seguir. Porém, ainda não é determinada, especificamente, a etimologia da palavra.

Vale informar que este distúrbio mental não é descrita no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), nem tampouco no CID-10 da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Sintomas da Síndrome de Cotard

Como dito, acerca dos sintomas da Síndrome de Cotard, existem os mais leve, até casos de extrema gravidade. Demonstraremos abaixo, os mais comuns, progressivamente, quais sejam:

  • pessimismo;
  • transtorno de ansiedade;
  • alucinações;
  • afastamento do convívio social e familiar;
  • não ter higiene pessoal;
  • acreditar que está morto;
  • confia que não pode morrer, pois assim já está;
  • crê que não possui órgãos ou que eles estão apodrecendo;
  • delírio de negação, ou seja, negam a sua própria existência;
  • insensibilidade a dores;
  • tendência suicida.

A pessoa acometida pela Síndrome de Cotard tem uma visão distorcida acerca do mundo externo, devido a sua crença de inexistência. Em resultado, acaba por isolar-se, sem qualquer tipo de convívio social. Além de que o convívio social e familiar se impossibilita, sobremaneira, este convívio, pela ausência de higiene pessoal.

Fases da síndrome do cadáver ambulante

Em suma, é característico da Síndrome de Cotard o delírio de negação. Em outras palavras, o doente nega alguma parte do seu corpo. Ou, nos casos mais graves, como dito, nega o corpo na totalidade, pois tem a crença de estar morto.

Nesse sentido, no desenvolvimento da doença, a Síndrome de Cotard possui três fases:

  1. Germinação: depressão psicótica, principalmente sendo uma pessoa hipocondríaca;
  2. Florescimento: aqui a Síndrome de Cotard já foi desenvolvida, onde a pessoa tem delírios de negação;
  3. Crônica: delírios graves, com depressão crônica. Ou seja, uma doença em que o tratamento será longo, para poder estabilizar-se.

Tratamento da Síndrome de Cotard

A má notícia, até o momento, é que a Síndrome de Cotard não tem cura, mas pode ser tratada para diminuição dos sintomas. Assim, trazendo equilíbrio para que o paciente consiga se controlar em meio a crises da síndrome.

Para tanto, os tratamentos que possuem maior efetividade são psicoterapias. Nos casos mais graves, é fundamental consultar-se com médico psiquiatra, que, dentre as prescrições de medicamentos, estão, por exemplo, ansiolíticos, antipsicóticos e estabilizadores de humor.

Casos de Síndrome de Cotard

Betwixt Life and Death: Case Studies of the Cotard Delusion” (1996)

Em um artigo americano, intitulado “Betwixt Life and Death: Case Studies of the Cotard Delusion” (1996), em tradução literal para o português, “Entre a vida e a morte: estudos de caso do delírio de Cotard”, é descrito um caso que se tornou famoso entre os estudiosos de saúde mental. 

No artigo são descritos os sintomas de um paciente que apresentava delírios, destoantes da realidade, logo após ter sofrido um acidente de moto. O homem, que após o acidente, mudou-se para África do Sul, um local de extremo calor, tinha a crença de que havia sido levado ao inferno, após a sua morte.

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Recurrent Postictal Depression with Cotard Delusion (2005)

Neste artigo é contada a história de um menino epilético de 14 anos, que tinha uma compreensão distorcida da realidade. Ao que foi descrito pelos registros do paciente, ele demonstrava temas sobre morte, tristeza prolongada.

Além disso, ele recusava-se a brincar, lhe prejudicando pela ausência de convívio social. E pelo fato de não praticar atividades físicas, o menino tinha deturpadas suas funções biológicas.

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    O menino, duas ou três vezes ao ano, sofreu episódios de crise que duravam certa de 3 semanas, ou nos piores momentos, até 3 meses. Onde ele dizia que todos estavam mortes (todos seres vivos, como árvores). Ele se descrevia como um cadáver e alegava que o mundo acabaria em poucas horas.

    Fisiopatologia da Síndrome de Cotard

    Em suma, a síndrome do cadáver ambulante possivelmente se relaciona a problemas delirantes sobre a identidade pessoal. O doente nega sua existência, o desconectando do seu ambiente.

    Neurologicamente, estudiosos acreditam que a Síndrome de Cotard tem relação com à Síndrome de Capgras, onde o doente acredita que foram substituídas por impostores.

    Nesse sentido, as pessoas que possuem síndrome do cadáver ambulante são acometidas por psicoses, como esquizofrenia, depressão, tumor cerebral, transtornos neurológicos e mentais e enxaqueca.

    Embora a Síndrome de Cotard seja uma doença rara e muitos a desconhecem, você, com o que aprendeu aqui, poderá ajudar na identificação da doença de alguma pessoa que lhe é próxima.

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    One thought on “Síndrome de Cotard ou síndrome do cadáver ambulante

    1. Me parece ser o que os Espíritas apregoam que “todo médium é louco, mas nem todo louco seja médium”, ou seja, as virtudes como a caridade permitem que um corpo seja “habitado” ou “conduzido” por outra Alma ou Espírito, Independente de haver o dom da Mediunidade, pelo “ser encarnado” naquele corpo! Me fez lembrar quando uma colega disse que o marido havia encontrado uma pessoa e ela disse: “Como? se ela faleceu”! Ele disse que não difere uma pessoa encarnada da que desencarnou, de fato, pode acontecer, mas se a gente focar bem percebemos que a pessoa se “desfaz” semelhante ao recurso das câmeras digitais que permitiu ao SBT, mostrar o personagem “Android, Pinoquio” andar numa perna só! A Espiritualidade e sua interação com a Ciência ainda é pouco reconhecida por várias pessoas, ainda mais quem não segue a Doutrina Espírita, logo, sem um “alibe” para justificar o conhecido “Estado de Consciência, Alterado”! Me comove quando assisto, a Literatura Psiquiatrica, em videos, mostrando a aflição, de internos de manicômios, à época do eletrochoque! Com os avanços da Ciência, desde o final do Século XX, muitos pacientes, de diferentes graus de alienação mental, podem a tempo, ir ao consultório médico, ao perceberem “saindo de si” e evitar a patologia, assim como, outros passarem por checkup periódico para mensurar o efeito, atualizado, da medicação!

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