Síndrome do Peter Pan: o que é, quais características?

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Você conhece alguém que parece ter dificuldade de crescer? É alguém que insiste em ser imaturo, narcisista e um crianção? Bom, você parece estar diante de alguém sofrendo com a síndrome do Peter Pan. Neste artigo você vai encontrar informações sobre o que constitui esse problema, além de saber mais sobre as características da mesma, suas causas e possibilidades de tratamento. Confira!

O que é a Síndrome de Peter Pan?

Em linhas gerais

Primeiramente, a síndrome do Peter Pan não tem nada a ver com ser fã dos contos do Peter Pan. Porém, o nome de fato refere-se ao conto de J.M. Barrie e seu famoso personagem que acredita em fadas. Esse garoto em destaque na história não aceita crescer e prefere continuar no mundo da infância para sempre.

No entanto, no tocante à síndrome, trata-se de um problema comportamental que atinge boa parte das pessoas. Inclusive, pode atingir tanto homens quanto mulheres e atrapalha bastante os relacionamentos. Ela é caracterizada pela imaturidade psicológica acompanhada de narcisismo para algumas pessoas. Ademais, os indivíduos que sofrem dessa síndrome geralmente recusam-se a envelhecer.

A menção clínica acerca do assunto se deu a partir da publicação de um livro escrito em 1983. Esse livro se chama: “The Peter Pan Syndrome: Men Who Have Never Grown Up” (“A síndrome de Peter Pan: Homens que nunca cresceram”) e seu autor é o doutor Dan Kiley. Porém, não há evidências de que esta síndrome seja uma doença psicológica real. Dessa forma, ela não está referenciada nos manuais de transtornos mentais, como o DSM IV.

Surgimento

Em relação ao seu surgimento, a síndrome do Peter Pan costuma ser identificada em torno dos 20 ou 25 anos de um indivíduo. Isso porque é nesse período que a pessoa está enfrentando suas primeiras responsabilidades como uma pessoa adulta.Contudo, é preciso dizer que a síndrome do Peter Pan não tem qualquer relação com a inteligência. A grande questão dessa síndrome é a maneira imatura de tratar as emoções.

Características

No livro de Dan Kiley citado mais acima, o autor descreve os sete principais sintomas que caracterizam as pessoas afetadas. Abaixo listamos essas características:

  • Incapacidade de expressar as emoções sentidas;
  • Procrastinação (em relação a períodos difíceis);
  • Dificuldade em fazer amizades verdadeiras;
  • Recusa em assumir suas responsabilidades (nunca é sua culpa);
  • Um sentimento de raiva e culpa em relação à mãe;
  • Um desejo de estar perto do pai;
  • Distúrbios sexuais (pouco interesse pela sexualidade).

Como detectar a Síndrome do Peter Pan

Além de ficar atento às características, há pontos que ajudam a detectar se uma pessoa tem síndrome do Peter Pan. Inclusive, essas atitudes levadas ao extremo levam a transtornos ou síndromes graves.

Medo do compromisso

A pessoa com síndrome do Peter Pan apresenta um medo atroz do compromisso. Porém, isso não quer dizer que uma pessoa não quer ter um parceiro. A pessoa pode participar de um relacionamento, mas sempre haverá momentos em que ela não vai querer ir mais longe. Em algum momento irá querer ser livre.

São manipuladores

Pessoas com síndrome do Peter Pan parecem seres encantadores. Afinal, superficialmente parecem pessoas extrovertidas, engraçadas e inteligentes. Mas, debaixo disso, existe um tipo manipulador com um grande medo de mudanças.

Detalhistas e interesseiros

Outra característica que devemos ficar atendo é que essas pessoas são extremamente detalhistas com elas mesmas. Além disso, quando presenteiam alguém, esse tipo de indivíduo pensa no que ele mesmo gostaria de receber. Contudo, não é apenas isso, uma pessoa assim geralmente dá coisas com o interesse de obter algo posteriormente.

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São mimadas

Uma pessoa com síndrome do Peter Pan é extremamente mimada. Porém, ela não se apega ao que ganha, sendo capaz de trocar um presente com facilidade.

Possíveis Causas

Em relação as causas, as pessoas com síndrome do Peter Pan vão diretamente da infância à idade adulta. Ou seja, elas não passam pelo estágio da adolescência. Essa chegada precoce à vida adulta geralmente é causada por um trauma ligado à primeira infância.

Além disso, a causa também pode estar ligada a crianças que tiveram que arcar com grandes responsabilidades muito cedo. Um exemplo: crianças que assumiram um papel de responsabilidade pelo sustento de sua família. Por fim, a falta de amor durante a infância também pode causar a síndrome de Peter Pan.

Como superar a Síndrome do Peter Pan

Agora que vimos sobre as características da síndrome do Peter Pan, vamos te dar dicas de como superá-la ou ajudar alguém a superá-la.

Encarar a realidade

O passo principal para que você supere a síndrome do Peter Pan é encarar a realidade. Para isso, você deve entender o problema, identificar-se com ele e admitir que tem a síndrome.


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Em seguida, é necessário chegar ao entendimento de que permanecer com o problema é ruim.

Estabelecer limites

A imaturidade só consegue ser trabalhada através de limites. O problema é que não adianta ouvir isso dos outros; você precisa ter consciência das situações. Dessa forma, antes de você ouvir um não severo de alguém, diga a você mesmo um “não”. Internamente. Com isso, você evita desgastes e consegue antecipar seus problemas.

Assumir a culpa

Assumir a culpa pelos erros é algo complicado para qualquer pessoa. Porém, pessoas que sofrem de síndrome do Peter Pan tem mais dificuldade ainda com isso. Afinal, assumir a responsabilidade dos seus atos e as consequências dos seus erros exige coragem e maturidade.

Por isso, é preciso que você se conscientize que nada adianta você apontar os outros e fingir que é perfeito. Nossa evolução se dá através de crescimento e o crescimento muitas vezes imerge do erro. Além disso, se queremos receber os louros das vitórias, precisamos entender e honrar o caminho até lá. Ademais, parar de responsabilizar o outro ajudará a construir um relacionamento mais saudável.

Deixar os hábitos infantis de lado

O apego aos hábitos infantis é outra característica de uma pessoa que tem essa síndrome. Esses hábitos não condizem com sua idade cronológica, círculo social, ou estilo de vida. Por isso, é importante deixar essas atitudes no passado para poder seguir em frente. A partir disso, se deve agir com mais maturidade frente às situações do dia a dia.

Fazer terapia

É importante salientar que fazer terapia é algo que ajuda realmente todas as pessoas a evoluírem. Porém, nem sempre há condições financeiras de realizar o tratamento em uma clínica particular, o que pode ser remediado buscando alternativas públicas ou acessíveis. No entanto, em casos mais agudos de síndrome do Peter Pan, a ajuda psicológica ou psiquiátrica é fundamental.

Comentários finais sobre a Síndrome do Peter Pan

A síndrome do Peter Pan é algo que pode interferir negativamente na vida de uma pessoa. Afinal, conforme crescemos, nós precisamos assumir responsabilidades, crescer e conquistar nossas coisas. Contudo, uma pessoa com essa síndrome pode ficar estagnada em um mundo fantasioso que não a ajuda a evoluir.

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Nesse contexto, fica evidente o quanto a nossa mente é algo fantástico e por isso precisamos sempre cuidar dela. No caso da síndrome do Peter Pan, nós precisamos admitir o problema e nos tratar. Porém, essa não é a única síndrome que afeta nosso comportamento e mente. Se você tem interesse de conhecer mais sobre essas síndromes, conheça nosso curso 100% online de Psicanálise Clínica com início imediato!

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