sobre o luto

Sobre o Luto: definição e conceito na Psicanálise

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Esta abordagem sobre o luto é relevante e sempre será atual, faz parte da nossa vivência, é a única certeza que se tem e ainda assim, quando acontece ninguém se sente preparado para enfrentar essa situação. É tanto que quando acontece o falecimento de alguém, nem sabemos o que falar, ou um “Sinto muito” é falado de forma desconfortável, um assunto tabu na nossa sociedade.

Entendendo sobre o luto

Algumas pessoas buscam a psicanálise como forma de terapia para esse processo e por isso é um tema relevante. A “perda de um ser amado não é apenas a perda do objeto, é também a perda do lugar que o sobrevivente ocupava junto ao morto, lugar de amado, de amigo, de filho, de irmão”. (Freud, 1917). Freud escreveu um livro no qual falava sobre o luto, anos depois ele vivenciou essa experiência. Será que sua teoria equivale ao que ele sentiu quando perdeu a sua filha por causa de um vírus?

Como hipótese, parte-se do princípio que, será que o descrito na obra do pai da psicanálise está de acordo com o que ele vivenciou quando passou pelo processo do luto, a sua teoria foi equivalente a sua vivência? Como objetivos, neste trabalho é de demonstrar se é válida a hipótese, teoria e experiência de vida de Freud em relação ao luto, comparar e validar o conceito do mesmo.

Na primeira parte do trabalho, será abordado a bibliografia do livro “Luto e Melancolia”, de Freud, com enfoque no luto. Na segunda parte, o foco será a experiência do processo do luto pelo pai da psicanálise. Para atingir esses objetivos, a metodologia empregada foi de pesquisa bibliográfica, do livro de Freud, “Luto e Melancolia”. Além desse, uma pesquisa sobre o processo de luto dele a partir da perda da sua filha. ”,

Luto e Melancolia sobre o luto

Durante a nossa vida vivenciamos experiências de perdas significativas e podem ser traumáticas, principalmente, quanto maior o apego afetivo, maior o processo da dor. Uma perda que marca uma pessoa de forma profunda e singular é o luto. O luto é a única coisa que temos certeza na vida e ainda assim, não queremos passar por esse processo, não queremos perder alguém, não queremos morrer. Há um receio de falar sobre o assunto, constrangimento ao falar com alguém que perdeu alguém. No entanto, é real.

Freud, em um dos seus trabalhos, a definição de luto é que é a perda de um objeto de valor, é processo demorado e que causa muito sofrimento (podendo até causar dores físicas), há um desligamento da libido (no que causa prazer ao indivíduo), o ego se vê abstraído pela hipercatexia (colocar a energia de pensamentos direcionado ao objeto perdido), choque de realidade com a certeza que de fato esse objeto não existe mais, distanciamento de qualquer atividade que não esteja ligado ao objeto perdido, desinteresse pelo mundo externo, o objeto de valor é insubstituível e com isso, é feita a “adoção” de um novo objeto de amor, que necessariamente tem ser uma pessoa, pode ser: um animal de estimação, um novo trabalho, um novo lugar para morar, mudança de emprego, um novo relacionamento, novos ciclos de amizade, viagens, conhecer outros lugares, dentre outros.


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A psicanálise também cita o Luto Narcísico, é quando a pessoa não sai da perda, foca naquilo que ela perdeu, não no outro, sente como se ele estivesse ido com o outro, sente um vazio sem lugar, não consegue elaborar o processo do luto, como se tivesse perdido algo nele mesmo. De acordo com Freud, 1917, o luto é um trabalho da saúde psíquica, o estado de um enlutado “a perda de um ser amado não é apenas a perda do objeto, é também a perda do lugar que o sobrevivente ocupava junto ao morto, lugar de amado, de amigo, de filho, de irmão”, você carrega um pedaço do outro em você. O que significa essa perda? O que se perde com essa perda?

Freud sobre sobre o luto

Há muitos sonhos, planos, expectativas, rotina, companhia, atividades que faziam juntos, ambientes, saídas, grupo de amigos, estabilidade financeira, significado de porto seguro para aquele que está sofrendo a perda. Perde-se junto a pessoas amada todo o seu significado. De acordo com Freud, o enlutado tem consciência do que perdeu, alguém que está em luto sente que o mundo a sua volta está sem cor, “se torna pobre e vazio”, como se tivesse perdido a graça, ficado sem sentido, perde o interesse pelo mundo externo, e ainda, perda da capacidade de amar, depreciação de si mesmo, excesso do objeto.

Um dos mecanismos de defesa apresentados pelo indivíduo, é a fantasia, freia um pouco o real e pulsão de morte. Outros que podem apresentar: negação, menosprezar ou aumentar o valor do significado. O processo de luto é necessário e natural para a elaboração dessa perda. Reorganização dos pensamentos e a volta à rotina em decorrência da sua nova realidade sem causar maiores danos. É uma fase muito difícil, deixa uma marca para toda a vida, se permitir vivenciar todo o processo é uma forma de acolher essa dor, os sentimentos reprimidos aparecem de alguma forma depois.

Na psicanálise, há muitas pessoas que a procuram por estarem passando por um momento de luto ou de perda e não sabem como lidar. É importante que o profissional estude sobre o assunto, pois devido a pandemia, muitos casos de mortes, então, a procura por esse motivo aumentaram. No livro de Freud, “Luto e Melancolia”, ele afirmou que “o apego do enlutado ao seu morto diminui aos poucos”, ele diz que com o tempo pode ser algo superado. Será? O luto de fato é um ciclo com suas fases?

Luto vivido por Freud

Em 1920, Freud perde sua quinta filha, Sophie morreu com pneumonia, e estava grávida do terceiro filho. Na época estava acontecendo o surto da virose, chamado na época de gripe espanhola. Freud enviou uma carta a seu genro, Max Halberstadt: “A morte é um ato de destino brutal e absurdo (…) pelo qual não é possível culpar ninguém (…), mas apenas abaixar a cabeça e receber o golpe como os pobres e indefesos seres que somos, submetidos ao jugo de uma força maior”.

Nessa escrita dele fica visível a dor que ele estava passando naquele momento de perda e ao mesmo tempo, sentiu-se sem poder reagir. Freud não conseguiu participar dos últimos momentos da sua filha, não conseguiu chegar para o momento fúnebre, o que torna difícil a elaboração do luto, é necessário vivenciá-lo em todas as suas etapas.

Após nove anos da perda da Sophie, Freud descreve para Ludwig Binswanger, seu amigo, através de uma carta, contando-lhe o quanto estava difícil superar a perda: “Eu trabalho o máximo que posso e sou grato pelo que tenho. Mas a perda de um filho parece ser uma lesão grave. O que é conhecido como luto provavelmente durará muito tempo”. Percebe-se o quanto esse processo é doloroso e não importa o tempo, superar não é uma regra, talvez seja uma questão de aprender a conviver.

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Teoria X Experiência

“O apego do enlutado ao seu morto diminui aos poucos”, citação no livro “Luto e Melancolia”, Freud, 1917, ele afirmou que com o tempo pode ser superado. Será? O luto de fato é um ciclo com suas fases? Há fim para esse sofrimento? Em sua obra, Freud fala sobre o tempo, que o mesmo ajudaria no processo de cura/superação de uma perda, por motivo de morte ou outro tipo. Em uma carta para um amigo, descreve sobre o sofrimento de perder sua filha, após nove anos da morte dela. Freud, inclusive, compara a uma grave lesão.

Quando se fala em lesão, imagina-se uma ferida aberta, algo que dói muito, ao usar o adjetivo grave, associa-se a um processo duradouro, que há dor em todo esse processo até chegar a cura e que há dia para começar, no entanto, sem prazo para findar. Quando fala-se em “nove anos”, questiono: quanto tempo dura o luto? Quando Freud afirma: que o tempo cura, quanto tempo é esse tempo que cura essa dor? Quem já teve a perda de um objeto de valor sabe que essa dor não é aliviada com o tempo e falar isso para uma pessoa enlutada é algo duro de se ouvir.

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    Nove anos para alguns pode ser muito, para outros, como Freud, é pouco. Na psicanálise, fala-se sobre o luto e suas fases, há momentos de desorientação, negação e isolamento, anseio e busca da figura perdida, dor profunda e desespero, e por fim, reorganização e re-elaboração. O luto elaborado vai passar por essas fases, não necessariamente nessa ordem acima, até porque o processo do luto não é linear. Haverão dias bons, dias ruins e dias piores. E quem vai dizer a alguém enlutado que nove anos é tempo demais e que é tempo suficiente para superar a dor de perder um grande amor?

    Luto e Melancolia

    Freud, na teoria, afirmou a cura através do tempo, na prática, o tempo não o curou, quando comparou a sua dor como uma ferida aberta em estado grave após nove anos da perda de sua filha, é provar que sua teoria não estava correta.

    Que dor é essa, que tem nome, tem cheiro, tem saudade, que não tem regra e que nenhuma teoria consegue explicar? Em sua obra, “Luto e Melancolia”, afirmou que o objeto de valor é insubstituível, em uma carta escrita a seu amigo, descreveu o que estava sentindo: “Sabemos que a dor aguda que sentimos após uma perda continuará e também permanecerá inconsolável e nunca encontraremos um substituto.

    Não importa o que aconteça, não importa o que façamos, a dor está sempre lá. E é assim que deve ser. É a única maneira de perpetuar um amor que não queremos abandonar”. Conclui-se, que o luto é o preço que se paga por se permitir amar.

    Conclusão

    Neste artigo foi apresentado questões sobre o luto, é importante enfatizar, que é a única certeza que temos na vida e ainda assim, ficamos receosos em falar sobre esse assunto ou falar com alguém que está passando por um processo de perda significativa. É um dos motivos que algumas pessoas procuram um psicanalista, ou pode está com algum sintoma que foi desenvolvido justamente pelo processo de luto.

    O profissional precisa está preparado para receber essa demanda e ainda mais agora devido o número de pessoas mortas pela covid, imagina quantas pessoas estão enlutadas por cada morte. No livro, “Luto e Melancolia”, de Freud, 1917, o mesmo falou que o tempo curaria a dor da perda, quando o mesmo perdeu a sua filha, em uma carta escrita a um amigo, ele afirmou, em outras palavras, que era uma dor insuportável e que dura muito tempo, como se não houvesse um tempo exato para fim dessa dor.

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    Segundo Freud, 1017, o objeto de valor é insubstituível e a dor do luto é permanente, é inconsolável, e não há nada que se faça independente do que aconteça, ela, simplesmente, insiste em ficar lá. Nas palavras de Freud, 1917, “é a única maneira de perpetuar um amor que não queremos abandonar”.

    Este artigo Sobre o Luto segundo a psicanálise foi escrito por Samara Pereira da Silva, concluinte do Curso de Formação em Psicanálise.

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