sonhos são a via régia

Sonhos são a via régia para o eu profundo

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Os sonhos são a via régia, eles são temas de estudos de diversas áreas que integram a ciência e os demais campos de conhecimento, desde a antiguidade até a era moderna, sendo a Psicanálise, com a abordagem de Freud e posteriormente de Jung, a ciência que vem dedicando intensos estudos acerca do universo onírico.

Entendendo os sonhos são a via régia

A Neurociência, com as pesquisas do prof. Dr. Sidarta Ribeiro (publicadas na obra “O Oráculo da Noite”, 2019), vem apresentando nas últimas décadas descobertas valiosas sobre o sonho e os estados de consciência, entrelaçando uma abordagem multidisciplinar, da própria Neurociência com a Psicanálise e a Antropologia. A

priori, podemos afirmar que o sonho é uma experiência que possui significados diferentes, quando ampliado para um debate que envolva a religião, ciência e cultura. Em muitos povos e religiões o sonho é visto como uma forma de comunicação entre o mundo humano e o espiritual ou divino, como indicam algumas passagens do livro da Torá e da Bíblia, como a história de José interpretando o sonho do faraó, e a aparição em sonho do anjo anunciando a São José que sua esposa estava grávida de uma criança divina.

Em outras tradições, como indígenas da Amazônia por exemplo, compreendem que os sonhos fazem parte da iniciação dos pajés e curadores, que recebem por meio das experiências oníricas os saberes ancestrais e os cantos de cura.

A neurociência e os sonhos são a via régia

Por muitos anos a neurociência defendeu que os sonhos eram apenas uma espécie de tráfego de informação sem sentido cuja função principal era manter o cérebro em ordem. Essa tese ainda tem embasamento hoje, contudo os avanços dessa ciência ao lado da Psicanálise, já afirmam que os sonhos representam muito mais do que apenas uma função organizadora da mente, sendo inclusive de grande importância para a saúde psíquica e física do indivíduo.

Existem duas fases do sono, a primeira é o sono de ondas lentas, em que a atividade cerebral é baixa e não se formam “filmes” ou histórias em nossa mente, apenas pensamentos, imagens ou alguns “insights”; e a segunda fase é considerada de alta atividade cerebral, conhecida como fase REM (sigla em inglês que quer dizer “movimento rápido dos olhos”). E é durante esta fase que os sonhos ocorrem. Pesquisas recentes apontam que os bebês no útero apresentam também sono REM e sonham, mas não se sabe com o quê…

Os sonhos são a via régia para o inconsciente

Foram a partir dos estudos de Sigmund Freud, e especificamente em 1900 com a publicação do livro “A interpretação dos Sonhos”, que a análise dos sonhos passou a ter uma nova perspectiva, para além da visão estritamente religiosa (e de alguma forma supersticiosa) e para além da visão unicamente biológica e cartesiana. Segundo Freud, os sonhos representam a realização de um desejo reprimido ou demonstram um conteúdo inconsciente do sonhador.

No enredo onírico, Freud aponta que há o sentido manifesto e o sentido latente (o significado). O sentido manifesto (ou a fachada) consiste em um despiste do superego (a parte da psique que escolhe o que se torna consciente ou não dos conteúdos que emergem do inconsciente), enquanto o sentido latente, por meio da interpretação simbólica, revela o desejo do sonhador por trás das imagens oníricas. Se Freud abriu o caminho para uma nova compreensão dos sonhos, então Jung foi quem expandiu mais profundamente essa visão.

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Ele foi discípulo de Freud por muitos anos, até o ponto em que suas perspectivas divergiram em alguns aspectos e seus caminhos tomaram rumos distintos. Jung, baseando-se na observação de seus pacientes (analisandos) e em suas próprias experiências, por meio da autoanálise, afirma que o papel dos sonhos é muito mais abrangente e não se limita a apenas revelar desejos ocultos. De acordo com a abordagem de Jung, o sonho é também uma ferramenta da psique em busca do equilíbrio, por meio da compensação, em que personagens arquetípicas interagem nos sonhos em um conflito que busca levar ao consciente os conteúdos do inconsciente.

A análise Junguiana ou Arquetípica

Algumas dessas personagens são a anima (força feminina na psique dos homens), o animus (força masculina na psique das mulheres) e a sombra (força que representa aspectos não aceitos de nossa personalidade). Na Análise Junguiana ou Arquetípica, os sonhos são encarados como forças naturais que auxiliam o ser humano em seu processo de individuação, ou seja, em sua jornada de alcançar a própria singularidade e tornar-se quem se é, integrar-se ao Self.

O que foi entendido por Freud como fachada ou o conteúdo manifesto do sonho, para Jung é a linguagem própria do inconsciente, a qual se expressa de maneira profundamente simbólica. Segundo os estudos de Jung, há dois tipos principais de sonhos: os comuns e os arquetípicos, envoltos em grande poder revelador a quem sonha. A contribuição de Jung para o campo da Psicanálise e de outras ciências é enorme, trazendo além dos conceitos elaborados por Freud, como o do Inconsciente, apresenta-nos sobre o Inconsciente individual e o coletivo, os Complexos e os Arquétipos (sendo este, um dos principais temas da obra de Jung).

De um modo geral, tanto a psicanálise freudiana como a junguiana defendem que a interpretação dos sonhos parte do individual, ou seja, um mesmo símbolo ou imagem onírica pode ter diferentes significados para pessoas diferentes. Isso implica dizer que os típicos “dicionários de sonhos” são interpretações generalizadas e muitas vezes equivocadas, pois ao analisar um sonho deve-se levar em consideração a vivência e as representações do próprio sonhador.

Conclusão

Na grande maioria das situações, a mensagem e a compreensão mais profunda do sonho só cabe a quem sonha, e ao terapeuta resta a função de auxiliar o indivíduo a encontrar em si mesmo esta compreensão.

O estudo sobre os sonhos continua despertando interesse nas diversas áreas da ciência e da cultura, e cada vez mais se abrem possibilidades de novas descobertas e compreensões a respeito do mundo onírico, tão imenso e complexo como é a própria alma humana.

O sonho talvez não seja a única, mas certamente é uma das principais e mais fascinantes vias de acesso ao nosso consciente profundo.

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    O presente artigo foi escrito por Mayra Faro, Mestra em Ciências da Religião (UEPA), especialista em Psicologia Analítica Junguiana/Arquetípica (Unyleya/DF), Psicanalista em formação, pelo IBPC. Atualmente reside em Belém/PA. Realiza estudos a respeito da dança circular e sagrada, dançaterapia, espiritualidade e o arquétipo do Feminino Ancestral. Email p/ contato: [email protected]

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