ofício de psicanalista

Ofício de psicanalista: algumas principais dificuldades

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Árduo é o caminho e o ofício de psicanalista, sem embargo, gratificante. Inúmeras são as dificuldades. Antes do que mais nada, estamos nos lidando com uma ciência que é, ao mesmo tempo, relativamente recente e, ainda assim, sólida, robusta, comprovadamente eficaz e riquíssima, no que diz respeito às contribuições teóricas, além da quantidade e qualidade de dicionários e vocabulários específicos.

A eficácia da Psicanálise é um fato científico, principalmente, no que diz respeito à cura das neuroses histérica e obsessiva. “Cura” é um termo que precisamos colocar entre aspas, não por falta de pertinência, e sim, pela simples razão que, como bem sabemos, a cura efetiva vem de dentro da pessoa.

Entendendo o ofício de psicanalista

O ofício de psicanalista é facilitador, alguém que conduz o processo, através do qual, o outro membro do par analítico encontra a cura dentro de si, por meio da soltura de “nós” psíquicos, advindos da retenção inconsciente, ou recalque, de afetos aflitivos previamente expulsos da mente consciente. De fato, o recalque é peculiar do quadro clínico conhecido como histeria. Fala-se em “par analítico”, diferente do entendimento dos primórdios dessa ciência, porque o analista é, com Lacan, “sujeito suposto saber”, logo, não se trata de nenhum magister (mestre), guru, oráculo, e nem mesmo de um doutor, com todo o respeito para quem o é, ou assim se faz chamar. Etmilogicamente, o termo doutor remete para alguém douto, isto é, dotado de conhecimento. O estudante de Medicina é chamado doutor, assim como aquele de Direito, ao conseguir o título de Bacharel.

Evidentemente, o ofício de psicanalista trata-se de papeis sociais muito importantes, dos quais todos nós precisamos, principalmente dos bons, éticos e realmente capacitados. Outros profissionais ligados à área de saúde, também, tendem a ser chamados de doutores, a saber: os fisioterapeutas e os psicólogos. Permanecendo no campo Psi, vemos que os nossos colegas psicólogos, assim como os médicos psiquiatras, são denominados de doutores. Embora no ofício de psicanalista, a Psicanálise seja uma ciência, fundada por um médico neurologista (logo, doutor), Herr Sigmund Freud, o também médico Jaques Lacan, um psiquiatra fascinado pela teoria freudiana e pela práxis que a suscitou – sim, no caso da Psicanálise, primeiro veio a práxis e, depois, a teoria, sendo que, só em um segundo momento as duas começaram a se influenciar reciprocamente e avançar de mãos dadas – fez questão de criar a expressão acima (“sujeito suposto saber”).

Evidentemente, quando vamos até um médico ou um psicólogo, ou mesmo, um fisioterapeuta, esperamos de nos encontrarmos perante um sujeito supostamente douto e competente. No caso da Psicanálise, contudo, a suposição lacaniana não só se refere ao fato, até banal de se dizer, que o paciente espera estar sob os cuidados de alguém dotado de conhecimento suficiente para resolver ou, ao menos, amenizar os seus problemas. Lacan aponta para algo bem mais profundo e…revolucionário. Isso mesmo, trata-se de uma ruptura de paradigma e, portanto, uma revolução, de acordo com a teoria do conhecimento de Thomas Khun. Segundo Lacan, a suposição não diz respeito ao fato, óbvio, do paciente esperar ser acompanhado por um profissional competente.

Ofício de psicanalista e psiquiatra

O psiquiatra e psicanalista francês sugere que, se o ofício de psicanalista se considerar “sábio aos seus próprios olhos” (para citar uma passagem Bíblica), ele será refém de seus próprios (pré)conceitos e não conseguirá alcançar a verdadeira causa etiológica, a raiz patogênica, enfim, a origem dos males que afligem o paciente. O grande e ético Sócrates já dizia: “só sei que nada sei”, ou pelo menos, isso lhe é atribuído e nós repetimos, repetimos e ainda, repetimos. Repetimos, porque, de fato, é bonito. E porque, além de ser bonito, é justo. O saber, que o diga um simples doutor PhD como quem vos escreve (daquele que ninguém chama de doutor…graças a Deus), assim como a realidade, é infinito, e ponto final.

Se, em outras áreas do conhecimento, incluindo a Medicina e a Psicologia, dizer “só sei que nada sei”, pode ser um sinal (mais uma vez, bonito) de humildade (verdadeira ou falsa que seja), no contexto da Psicanálise, é uma obrigação. Qual o motivo do ofício de psicanalista? Porque na Psicanálise, longe de nos termos pretensões de (falsa) modéstia, a expressão lacaniana aponta para um modus operandi que não é optativo, e sim, necessário. Basicamente, os médicos e psicólogos podem não precisar desse pressuposto que é tão fundamental no âmbito da nossa ciência. Nisso, podemos nos atrever a esboçar uma forçosa comparação com as delegadas ou os delegados, ou mesmo os inspetores policiais. Sim, porque tanto na Psicanálise, o ofício de psicanalista, como nas investigações criminais, acreditar estar sabendo alguma coisa pode ser fortemente prejudicial.

Cada caso é um caso e, coincidência ou não, a Psicanálise é a grande ciência – a maior, dizem alguns – da subjetividade humana. Enfim, é sempre um recomeço. E para se começar, é preciso ter ciência de não saber absolutamente nada. Analisar é mergulhar no abismo dos outros, e isso é possível somente para quem já fora levado (acompanhado) a conhecer as repercussões do inconsciente em sua própria mente consciente, enfim, em seu funcionamento psíquico racional corriqueiro. Não há como o analista se apegar a algum indício ou pista prévia e se empolgar compulsivamente a partir disso, pois a análise seria forçada por uma “fixação”. Por sinal, essa “atitude” poderia sinalizar um analista neurótico obsessivo, estrutura psíquica que deveria, por bem, ser trabalhada dentro de sua análise pessoal. Herr Freud, já em seus primórdios autorais – falo na belíssima obra escrita a quatro maõs com Bleuer, referente aos estudos sobre histeria – já alertava para não se fixar em um ou outro sintoma, ou “indício”.

A obra sobre a histeria

Voltarei mais adiante para essa magistral e densa obra sobre histeria, escrita entre 1893 e 1895, quando falarei, ou melhor, irei pedir emprestadas a Freud, algumas considerações sobre as resistências. Logo, a primeira grande dificuldade, para o analista, é entrar na dimensão, se conscientizar, enfim, admitir que tanto estudou e estuda, se atualiza, investe, gasta, fadiga-se, para, afinal das contas, não saber de nada. E nem mesmo de doutor vão lhe chamar!!! E a esse respeito vale sublinhar que Jaques Lacan, médico psiquiatra e logo, doutor, fez questão de criar a mencionada expressão e de se tornar, de fato, um sujeito suposto saber, descendo do pedestal atrelado à psiquiatria para aderir a essa jovem ciência, a qual não exige maiores obséquios para com seus especialistas.

Em algum momento anterior, nesse texto, falei que no ofício de psicanalista, o profissional precisa formar um par analítico com o paciente. Isso comporta o fato de a análise não dizer respeito apenas ao analisando, e sim, ao par formado pelo analista e o paciente. Isso também parece algo banal, mas não é. Ser um par significa que o setting psicanalítico não é definido apenas por uma enfermidade, nem por um ofício, mas antes do que mais nada, é o “lugar” no qual se estabelece uma relação, uma interação humana. É a partir dessa interação que a descoberta de si, a partir do “monologo a dois” que é a análise, levará o “paciente” a se tornar ciente de seu inconsciente, trazendo à superfície aquilo que estava oculto. E que – por estar oculto, mas vivo, ativo, e operante – perturbava o sujeito.

No ofício de psicanalista, o analista, como sabemos, dispõe de diversos recursos para facilitar o processo de emersão de conteúdos inconscientes na mente consciente, libertando, assim, o paciente, de seus fantasmas, monstros e “malassombros”. Há os sonhos do analisando, conteúdos simbólicos, chistes e atos falhos. E há a livre associação de ideias, baseada na regra fundamental da análise, isto é, o fato de o paciente não censurar, não selecionar e nem ocultar conteúdos, e não se preocupar em manter um discurso coerente. A coerência lógico-racional é coisa da mente consciente, que, de acordo com a primeira tópica, é apenas a parte superficial do aparelho psíquico. Porém, o que mais importa é a emersão, ou afloramento, de conteúdos inconscientes.

“Um charuto pode ser apenas um charuto”

Logo, o logos (lamento o trocadilho linguístico) não é tão importante. Não somos psicólogos preocupados em avaliar a capacidade cognitiva, o raciocínio e a coesão lógica presente no discurso do paciente, embora implícita ou explicitamente, consideremos, também, a capacidade do paciente de articular um discurso minimamente coeso. Ao prestarmos atenção flutuante, deixamos que esses conteúdos subam para a superfície do aparelho psíquico, e então deixamos que eles nos digam respeito a si mesmos e, mais provavelmente, a outros conteúdos, por meio das associações. Sem embargo, ao flagrarmos o conteúdo inconsciente, réu de ter permanecido recalcado até então, não nos podemos exaltar ou deixar levar pela euforia (que é o alter ego da disforia).

Precisamos esfriar a cabeça e permanecer cientes de que nada sabemos. Afinal, como dizia Freud, “um charuto pode ser apenas um charuto”. E um conteúdo inconsciente pode ser apenas um conteúdo inconsciente, assim como pode ser o elo de uma cadeia de significantes que ainda desconhecemos. A associação serve, justamente, para desvendar a estrutura inconsciente gerada pelo afeto aflitivo recalcado (real ou imaginário). Voltemos, por um momento, à comparação, inconveniente e, ainda assim, útil, entre analista e inspetor policial: sabemos o quão arriscado e prejudicial seria para um agente ou delegado, jogar-se como um felino de grande porte que visa devorar a presa na savana, apenas com base em uma pista ou indício que seja. Para todas as coisas tem um tempo e um modo. E, se o agente ou delegado não souber esperar o momento oportuno, toda a investigação pode ir “água abaixo”.

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Dar o “bote” certo, na hora ideal, é uma arte, mas antes, uma necessidade. Porquanto a comparação seja forçosa, se considerarmos apenas a capacidade analítica de juntar indícios (cadeias de significantes) antes de chegarmos a qualquer conclusão, ela pode nos ajudar a compreender melhor o papel e o ofício do analista a partir da referida exemplificação. Na medida em que a análise ocorre a partir da formação de um par analítico, é fundamental que o analista saiba criar rapport, mas é importante frisar que fazer rapport não significa que o analista deva se tornar um entertainer ou comediante, e nem precisa bajular o analisando. No ofício de psicanalista, a Psicanálise não é nenhum “terapia Nutella” voltada para a gratificação do paciente, de seus caprichos, de sua necessidade de estar certo, de seu egocentrismo, de suas convicções acerca de si mesmo.

Programação Neurolinguística e o ofício de psicanalista

E aqui preciso abrir parêntese. Se, com Freud, a mente consciente é a ponta do iceberg, é necessário ressaltar que, de acordo com a PNL (Programação Neurolinguística), vislumbramos essa ponta do iceberg através dos chamados canais representacionais, a saber: auditivo, visual e cinestésico. Ou seja, a realidade – e nós fazemos parte dela – é infinita e caótica. Só absorvemos uma ínfima quantidade de informações ou bits por segundo, e os absorvemos através dos nossos “filtros”. É como quando ouvimos a nossa voz gravada e, ao ouvi-la, estranhamos. Enfim, nós nos ouvimos de dentro para fora e, de uma forma geral, nós também nos percebemos de dentro para fora, de maneira igualmente distorcida. Fechando parêntese, rapport é empatia.

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    A simpatia é opcional e, pelo visto, nem sempre é benéfica. Pois há pacientes que podem te confundir por um amigo, e isso não facilita a análise, para não dizer que trava o processo e pode até levá-lo ao término. Após uma análise é possível se tornar amigo da pessoa, não durante. Empatia é compaixão, sentir aquilo que o outro sente, ou, sentir através do outro, deixando de lado os próprios filtros. “O mapa não é o território”, é um dos pressupostos da PNL. Um bom analista precisa se afastar, ou melhor, esquecer o próprio “mapa” e prestar atenção flutuante no mapa do outro, para adentrá-lo, não a partir do próprio mapa e sim, por meio do mapa desse “outro”. Não há como conectarmos com o outro sem compreender seus filtros, seu mapa.

    Não podemos nos colocar a nós mesmos e ao nosso mapa como parâmetro para medir o “outro”, que é o paciente. Lamentavelmente, alguns pacientes reclamaram acerca dessa “atitude” por parte de alguns colegas, inclusive doutores. Desde o século XIX, Freud nos alerta sobre a necessidade de fazermos rapport, mas Psicanálise não equivale a alisar a cabeça de ninguém, pelo menos a análise de pessoas dotadas de uma forma de organização psíquica neurótica. O fato de não alisarmos a cabeça do paciente não significa que, passando para um extremo oposto, devamos ser rudes, inconvenientes, agressivos, ou, de uma forma geral, faltarmos de empatia, cordialidade e respeito, inclusive, respeito para com os tempos e modos, os limites do paciente, e até mesmo suas resistências.

    O psicanalista precisa criar rapport

    Todavia, na busca pelo justo equilíbrio quanto à nossa postura diante do paciente, precisamos, desde o começo, deixar claros alguns pontos. Aqui cabe mais um parêntese: Jaques Lacan costumava repelir pacientes que buscassem apenas autoconhecimento. Ele exigia que o aspirante analisando trouxesse uma dor. Nada de busca por autoconhecimento, que é consequência, mas, segundo o psiquiatra e psicanalista francês, não pode ser o motivo único de se buscar um acompanhamento psicanalítico. Claro, cada analista tem um conceito diferente. Entre os pontos a serem frisados, em minha modesta opinião, podemos enumerar os seguintes, que o analista precisa ter bem claro em sua mente e, pelo menos alguns deles, devem ser comunicados ao aspirante analisando, desde as primeiras sessões: 1. No ofício de psicanalista, o psicanalista precisa criar rapport, ser empático e acolher o paciente e as dores que ele lhe trouxer para dentro do setting analítico.

    Todavia, no ofício de psicanalista, o analisando também deverá “acolher” o analista e lhe permitir partilhar de seu universo interior, caracterizado por suas aflições, perturbações e angústias, como também, pelos seus sonhos, fantasias e desejos. O paciente deverá se conectar com o analista e permitir que este se conecte com ele. A conexão é fundamental. E conexão comporta uma boa dose de confiança e respeito. Dito em outras palavras, o paciente deverá permitir que o processo analítico ocorra, ou seja, deverá ter disposição, pelo menos em nível consciente. 2. Cada pessoa tem uma ideia sobre si mesmo/a, a qual se refere apenas à ponta do iceberg e, ainda assim, é uma “imagem”, obtida por meio de um elaborado trabalho de “pós-produção” (metáfora fílmica ou fotográfica), ou seja, está cheia de filtros.

    Ao entrar em análise, a pessoa precisa saber que será impelida, não pelo analista, e sim, pelo processo analítico, a rever essa “imagem”, e a assumir não tanto o lado A, e sim, o lado B, inconsciente, de seu ser. Quem não tiver essa disposição, é melhor que procure uma “terapia Nutella”, por meio da qual, alguém venha a desempenhar o papel de babá, apenas confortando a pessoa. Claro, há pessoas que precisam ser inicialmente confortadas, principalmente quando passaram por traumas severos, ou simplesmente, devido à sua sensibilidade acima da média. Essas pessoas supostamente demorarão mais tempo para “ver com seus próprios olhos”, e forçar essa visão, antecipando-a, seria fortemente prejudicial do ponto de vista psicoterápico. O que precisamos lembrar é que, com Freud, todo e qualquer transtorno psicopatológico é oriundo de um ego fragilizado, isto é, dominado pelas outras duas instâncias psíquicas (ID e Superego) e, possivelmente, em conflito com a realidade exterior.

    Ofício de psicanalista e o ego do paciente

    Logo, a psicanálise – e nesse sentido, vejo uma convergência com as demais psicoterapias – tem por objetivo principal o fortalecimento do Ego do paciente. Surge então uma pergunta: como posso ajudar o paciente a fortalecer o Ego, na medida em que estou tornando esse meu paciente completamente dependente do meu próprio Ego? Pois é isso que ocorre se o analista ou psicoterapeuta se colocar em uma posição de magister, oráculo, guru, enfim, alguém sempre pronto a dizer ao paciente aquilo que este último precisa fazer ou não fazer. Mais uma vez, compreende-se que há indivíduos que necessitam de orientação e o aconselhamento é uma das responsabilidades do analista. Entretanto, vale frisar que, ao se tratar de alguém totalmente dependente de sugestões alheias, aos poucos será preciso levar essa pessoa a adquirir a capacidade de gerenciar a si mesmo e, caso se trate de uma pessoa já suficientemente emancipada, e ainda assim, atormentada por alguma dor, será necessário auxiliar esse indivíduo para que o mesmo possa se emancipar ainda mais.

    No ofício de psicanalista, contribuir com a acomodação do paciente, ou melhor, torná-lo dependente do ponto de vista emocional e operativo, é de fato, uma postura anti-ética e deplorável. A simples razão disso é que, o paciente acomodado e que encontra respostas para toda e qualquer inquisição em seu analista, ou terapeuta-oráculo, não terá como fortalecer o Ego, que permanecerá fragilizado e dependente. 3. No ofício de psicanalista, o psicanalista não tem todas as respostas que a pessoa está buscando, ao invés disso, um bom profissional ajudará o paciente a buscar e, possivelmente, encontrar, as respostas dentro de si mesmo (do paciente). Mais uma vez, Sócrates (e sua maiêutica, principalmente) manda lembranças!

    4. Quanto mais a análise estará avançando, e mais ela se aproximará da causa patogênica, mais as resistências do paciente se tornarão ferrenhas. Sim, vale a penas falar antes para o analisando, eu acredito. Talvez, quando isso acontecerá (porque isso vai acontecer), o paciente se lembrará das palavras do analista, ainda nas entrevistas preliminares ou tratamento de ensaio que se queira, e evitará deixar de comparecer às sessões, ou evitará revoltar-se contra quem está tentando ajudá-lo (e se esforçando muito para tal fim). 5. A Psicanálise é uma práxis voltada para a resolução de traumas profundos, encrustados na esfera inconsciente do aparelho psíquico. Segundo David Zimerman, esse ofício surgiu, com Freud, por meio de um modus operandi bem específico: atendimentos diários, para cada paciente, durante seis dias por semana, começando na segunda-feira, até o dia de sábado.

    A seleção dos pacientes de Freud

    O próprio Zimerman nos lembra que Freud atendia “apenas” três dias por semana somente os pacientes em estado avançado de análise. O autor recomenda que, na atualidade, deveríamos atender pelo menos três dias por semana. Entretanto, essas condições são bastante improváveis, sem contar os problemas financeiros de muitas pessoas. Além dos problemas em termos de limites orçamentários, múltiplas sessões semanais ultrapassam o tempo livre (ou disponível) da maioria das pessoas. Dito em outras palavras, a Psicanálise surgiu e comprovou a sua eficácia, em circunstâncias ideais. A saber: Freud selecionava seus pacientes a dedo, com base em inteligência e erudição e, muito provavelmente, na disposição deles com relação a mergulhar no abismo da própria psiquê, acompanhados pelo analista.

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    E, outra questão implícita, mas quanto menos provável, é que Herr Freud não queria pacientes que almejassem uma “terapia-Nutella”, e sim, pessoas dispostas a engolir o remédio amargoso que é a compreensão ou conscientização acerca do próprio inconsciente, ou, com Jung, a integração da própria sombra. 6. Aqui vou passar para outro ponto, embora se trate da continuação do anterior, ou para melhor dizer, de anteriores: voltemos à imagem que cada pessoa tem de si mesmo/a. Como já foi evidenciado acima, trata-se de uma imagem filtrada, distorcida, por ser percebida de dentro para fora. O maior medo do ser humano é a morte. Apesar de ser um acontecimento natural, assim como o nascimento, a morte é temida, do ponto de vista simbólico, por remeter ao desconhecido, pois à escuridão, ao abismo. É isso que as pessoas temem com relação à morte.

    O desconhecido gera inúmeros pavores no ser humano e, apenas para exemplificar, o preconceito para com o “outro”, o diferente, o estrangeiro, o forasteiro, ou simplesmente, o estranho, é fruto desse pavor, muitas vezes obsessivo, para com o desconhecido. A esse respeito, vale mencionar o texto freudiano acerca do heimlich (familiar) e unheimlich (estranho), cujos conceitos, fizeram com que o Pai da Psicanálise obrigasse o leitor a ir além de lugares comuns, apontando para a presença do familiar no estranho e do estranho no familiar. Todavia, o desconhecido (estranho) é algo que apavora o ser humano e o pavor, afinal, é inerente a si mesmo, ou seja, ao desconhecido que encontra-se dentro do ser humano: the dark side of the moon, lembrando o título da famosa música da banda inglesa Pink Floyd. Resta o básico: vá explicar para as pessoas!!!

    Defesas do ego

    Não é um caso que uma das defesas do ego mais comuns seja a projeção, mecanismo através do qual um indivíduo, literalmente, projeta no outro aquilo que não tolera em sua esfera inconsciente. É útil frisar que, ao entrar em análise, a pessoa precisa necessariamente ter certa disposição para enfrentar o tão temido mergulho (ou rappel!), no abismo de seu aparelho psíquico, ou melhor (já que o inconsciente é inacessível por vias diretas), deixar que o desconhecido possa aflorar, emergir e se tornar conhecido. Por essa e por outras razões, vê-se com Zimerman que a análise às vezes demora muito tempo, devido à profundidade da psiquê, e também, à necessária preparação do analisando para que ele possa, finalmente, ver por si só, aquilo que, antes, estava oculto dentro de si. Se a esfera consciente é a mais superficial, a “ponta do iceberg”, é interessante observar como a maior parte do nosso aparelho psíquico seja inconsciente (e pré-consciente) e, portanto, desconhecido.

    Trata-se de algo muito natural, afinal, é assim que somos feitos, porém, muitas pessoas (talvez a maioria) não querem saber de ir além daquela imagem de si, enfeitada por filtros e distorções, enfim, uma mera ilusão que, orgulhosa e ingenuamente, chamam de “eu”. E disso resulta que muitas pessoas acreditam que, ao entrar em análise, elas encontrarão respaldo para essa ilusão sobre si mesmas, exigindo essa postura do analista e, encontrando, portanto, uma frustração dolorosa, que provocará resistências… 7. Disso resulta que o processo analítico é algo necessariamente disruptivo, um processo que instaura uma espécie de “revolução” dentro da pessoa, algo que leva o sujeito a rever tudo, a entrar em “crise”, no bom sentido da palavra, já que: 1. as crises vêm para nos deixar mais fortes. 2. E, adquirindo força, será possível tornar o inconsciente consciente.

    A esse respeito, aprendemos com Jung que, se não tornarmos o inconsciente consciente, acabaremos chamando-o de destino, nos condenando à condição de reféns (dele, do inconsciente). E sabe-se que o fatalismo leva a pessoa a viver de maneira inerte, abusando de lamúrias e reclamações, incapaz de tomar atitudes, e por sua vez, a reclamação prende a pessoa em uma areia movediça feita de pensamentos que geram sentimentos, que por sua vez produzem comportamentos e, enfim, os mesmos resultados de sempre, por meio de um enredo sinistro composto de laços auto-hipnóticos negativos. Abrindo parêntese (sim, minha mente é associativa, levemente digressiva), quanto à referida inércia, a constelação familiar, aponta para a falta do pai, falta simbólica, intrapsíquica. Fazer as pazes (perdão, gratidão…) com a figura paterna introjetada, nos permite seguir adiante, entrar em movimento, e lutar para a consecução dos próprios objetivos. Trata-se, é verdade, de outra abordagem teórica, já que na nossa ciência a figura paterna, simbolicamente, está atrelada à autoridade.

    O ofício de psicanalista e práxis psicoterápica

    Apesar da constelação sistêmica ser outra práxis psicoterápica, fiz questão de traçar esse paralelo, já que a Psicanálise é uma ciência profundamente dialógica, e é bem que assim seja, inclusive do ponto de vista prático, ao invés de se espelhar em si mesma, porque esse viés interativo e dialógico, ao invés de descaracterizar a Psicanálise, permite o enriquecimento desse campo do saber. A boa notícia, enfim, é que a referida “revolução” é um processo que nos liberta da condição intrapsíquica de sermos reféns de nós mesmos, ou melhor, do desconhecido que habita dentro de nós. 8. Os pontos anteriores nos levam a reiterar aquilo que já foi dito desde Herr Freud, ou seja: o analista precisa sim, selecionar seus pacientes. Isso evitará muitos problemas.

    Tratando-se de um par, é necessário estabelecer a “par-ceria” com alguém que seja idôneo, de acordo com os pontos de 1 a 7. Longe de se tratar de esnobismo, a capacidade de escolha, que é direito do analista, evitará inúmeras dores de cabeça, e a frustração de ver processos analíticos interrompidos pelos mais variados leques de fatores, tais quais as resistências do paciente, transferências negativas, etc. Porquanto o analista só acompanhe o paciente durante a sessão, e não o carregue (simbolicamente) em seus ombros fora do setting (pois isso nos faz adoecer), de certa forma, ao acolher um indivíduo como analisando, no ofício de psicanalista, o psicanalista investe muita energia no processo analítico e, por óbvias razões, além da sincera preocupação para com o paciente, o analista almeja ter resultados positivos, gratificação essa que representa novo combustível para continuar nesse difícil e desafiador ofício clínico.

    Logo, para evitar a frustração de se ver processos inacabados (e inacabáveis), o analista precisará selecionar os pacientes de acordo com sua experiência, competência e…intuição. Sim, porque, muitas vezes, as pessoas não se revelam logo, mostram uma face e, enfim, revelam outra, quando já o profissional investiu muita energia no processo analítico. Disso resulta que, desde as primeiras sessões, é importante se esforçar para compreender se a pessoa que nos veio procurar está apta para o acompanhamento psicanalítico e, caso não esteja, cordialmente, a convidaremos a buscar o auxílio de outro profissional. Tomar essa atitude é muito difícil, principalmente para quem está começando no ofício e, evidentemente, tende a alegrar-se, ao ser procurado por alguém que venha a solicitar o seu acompanhamento. 9. As questões enumeradas nesse artigo enfatizam a importância do analista poder contar com um/a supervisor/a à altura da situação, pois é muito provável que, no decorrer de uma análise, o analista com pouca experiência, venha a enfrentar situações já notórias para o/a colega que, há mais tempo, se depara com esse mesmo ofício.

    Uma grande ciência da subjetividade

    Vale reiterar, também, que a Psicanálise é a grande ciência da subjetividade, que cada caso é um caso, e que, portanto, um/a bom/boa supervisor/a deverá atentar para não enxergar analogias forçadas com casos prévios enfrentados em sua trajetória clínica, lá onde as mesmas podem não ser cabíveis, por se tratarem de pessoas e situações diferentes. 10. Outra questão relevante é advinda do fato que, pelo visto, é comum recebermos analisandos que já foram pacientes de outros profissionais do campo Psi ou, até mesmo, alguns que já foram atendidos por outros analistas. Disso resultam hábitos, vícios, preconceitos e fenômenos transferenciais que já foram ativados na mente do sujeito e que foram respondidos com fenômenos contra-transferenciais por parte desses nossos colegas.

    Ouvem-se diversas queixas e, dependendo do paciente, é provável que, em certo momento, essa pessoa acabe por se desligar também do nosso acompanhamento, e que faça de nós mais um argumento para futuras queixas com uma lista interminável de novos analistas ou terapeutas que se queira. Basicamente, há pessoas que enxergam o próprio problema no outro (já falei da projeção e já disse que é muito comum); E há outras que, ainda que se proceda com a leveza peculiar de uma borboleta, em determinado momento, na medida em que a análise se aproxime do núcleo patogênico e, portanto, da causa etiológica, terão como reação a confrontação do analista e/ou o abandono da análise. Como já destaquei anteriormente, a Psicanálise funciona a partir do estabelecimento de um par analítico.

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    Evidentemente, não se trata de um casal, e o analista é alguém preparado para enfrentar situações e até mesmo pessoas difíceis, sem contar que, sendo impedido de se envolver sentimentalmente, ou de acompanhar pessoas pelas quais alimente afetos, ele manterá um olhar, justamente, analítico, isso é, suficientemente “neutro”, clínico, sobre o analisando. De uma forma geral, é aceitável que o analisando desabafe com o analista, mas não deve-se permitir que desconte nele. E por descontar, entende-se canalizar nele (no analista) as próprias frustrações e perturbações, rancores e mágoas, tornando-o uma espécie de bode expiatório. Isso é intolerável e, se ocorrer, a análise pode vir ao fim imediatamente, sem rancores, desejando tudo de bom, mas não há mais condições de continuar o acompanhamento, já que, lembremos, além da transferência existe a contratransferência, ou seja, o analista, porquanto sentimentalmente (suficientemente) equidistante do paciente, não está obrigado a ser confrontado ou hostilizado por ele (paciente), já que, afinal das contas, o está ajudando, e para que possa ajudá-lo, é preciso que o setting represente um ambiente de relativa harmonia.

    Ofício de psicanalista e a antagonista de aluguel

    Dito isso, sabe-se que, ao confrontar o analista, o paciente acometido por algum transtorno psicopatológico está, em realidade, confrontando a si mesmo, de fato “alugando” o analista para brigar “a sós”. Em tudo, porém, existem limites, e cabe a cada analista avaliar se aceita, ou menos, ser envolvido – não como espectador, e sim, como “antagonista de aluguel” – na guerra intrapsíquica do analisando, se tornando vítima de alguma represália, principalmente quando, movido pelas resistências, o analisando começa a colocar em discussão o (árduo) trabalho do analista. Poder-se-ia forçar uma comparação com o paciente trabalho dos monges tibetanos e suas lindas mandalas (que segundo Jung apontam para uma crise interior), sendo que, diferente dos monges, que terminam as mandalas e depois assopram nelas para fortalecer o desapego, alguns dos nossos pacientes é que, quando o desenho começa a tomar formas definidas, resolvem assoprar e acabar com o acompanhamento, a análise e tudo mais.

    É preciso que o analista tenha ciência dessa possibilidade. Todo e qualquer profissional que investe energia e esforça-se para atingir determinado objetivo, só vai obter verdadeira gratificação ao ver o fruto de seu trabalho. Em nosso ofício, nem sempre isso é possível, e por óbvias razões, isso não depende apenas da gente. Lembremos, trata-se de um par. Disso, mais uma vez, resulta a necessidade de se escolher bem, selecionar os pacientes, apesar de, como qualquer outro profissional, o analista precisar ter um retorno financeiro de seu ofício. Pensar apenas em dinheiro, contudo, pode resultar em dores de cabeça e frustrações, como é o caso de análises inacabadas, nas quais, não canso de repetir, o profissional investiu grandes quantidades de energia. Vale frisar, enfim, que nesse artigo apenas tenho focado em pacientes dotados de uma organização psíquica neurótica.

    Com o psicótico, por um lado, é mais complicado, no sentido que qualquer nosso olhar, gesto, ou palavra pode levar o paciente a se levantar e sair do consultório para nunca mais voltar, e isso quando o nosso gesto/olhar/palavra não resulta em um surto psicótico. Ressalva: enquanto psicanalistas, lembremos que existem psicóticos e psicóticos, graus, nuanças, condições e disposições diferentes, enfim, vale repetir que a nossa é a grande ciência da subjetividade humana, e não uma ciência voltada para a padronização de tipos ideais e outras abstrações, embora nós, também, sintamos a necessidade de definir minimamente algumas fronteiras, na medida que isso for possível. Fechando parêntese, com o psicótico a coisa é diferente, no sentido em que o grau de exigência, por nossa parte, é outro.

    A Literatura e o ofício de psicanalista

    A Psicanálise, de acordo com a literatura e o exemplo de grandes analistas, quais Lacan, Bion e Klein, teve e tem ótimos resultados com pacientes psicóticos, e já proporcionou até mesmo curas definitivas, embora se trate de um fato raro. No mais, por meio do nosso ofício, podemos auxiliar psicóticos a conviver melhor com eles mesmos e com a realidade (inclusive com o não-eu, o “outro”). Nesse sentido, a análise é mais suave, é um acompanhamento que, muitas vezes, nos torna parecidos com “secretárias”, ou mesmo – nesse caso sim é cabível – com “babás”. 11. Se houvesse apenas pessoas nitidamente neuróticas e outras definidamente psicóticas, a coisa seria relativamente simples (apesar das dificuldades já relatadas até agora), porém, existem pessoas que, supostamente neuróticas, subitamente se revelam psicóticas em decorrência de algum acontecimento de forte impacto emocional.

    Existem pessoas dotadas de núcleos psicóticos, os quais, todavia, permanecem latentes até emergir de maneira abrupta, ou até violenta. Além disso, existe o sujeito borderline, que pode confundir o analista (e até mesmo psicólogos e psiquiatras) pelo aparente quadro neurótico, sendo que os traços psicóticos vêm à tona principalmente no âmbito das relações sentimentais ou familiares. Como tenho comentado anteriormente, há pacientes neuróticos que, em determinado momento da análise, movidos por fenômenos transferenciais negativos, resistências e uma enxurrada de defesas do ego, começam a hostilizar ou confrontar o analista quando, em realidade, estão brigando consigo mesmos. A esse respeito, vale frisar que a pessoa que se enquadra no âmbito da personalidade borderline é especialista, aliás, “pós-doutora”, em envolver quem quer que seja em seus conflitos interiores, principalmente cônjuges ou familiares com quem residem, principalmente através de negação e projeção, uma projeção “brava”, onde o sujeito não se limita a projetar sua sombra no outro, mas sim, acaba por atacar esse outro em quem projetou aquilo que, inconscientemente, não aceita em si mesmo (ao invés de assumir, aceitar e tentar resolver).

    Outra defesa do ego detectada no sujeito borderline é a identificação projetiva, devido ao traço manipulador que caracteriza aquele que é portador dessa personalidade, principalmente no que diz respeito à relação com os filhos. A ambivalência, também, é um traço característico, o que pode vir a se manifestar também dentro do setting analítico e, no caso, ser canalizado para a pessoa do analista. Sim, a ambivalência é um traço peculiar da inconsciente de nosso aparelho psíquico, e todos somos, leve ou moderadamente ambivalentes. Todavia, o grau de ambivalência peculiar do sujeito borderline é de fato superior, chegando a ser severa, o que atrapalha, quando não destrói, os relacionamentos – sem contar o prejuízo psíquico sofrido por quem quer que seja o parceiro ou a parceira, o familiar, enfim, a pessoa que venha a conviver com o tal do sujeito borderline.

    Conclusão

    Além do que foi debatido nesse artigo, é preciso lembrar do magistral livro de Anna Freud (autora tão genial quanto o pai) acerca dos mecanismos de defesa do ego, onde a autora ressalta o problema que nós, psicanalistas, muitas vezes estamos demasiado concentrados no ID e despercebemos o que acontece no Ego, cujas características e funcionamentos são por nós pouco conhecidas, principalmente no que diz respeito à parte inconsciente dessa instância psíquica. Anna Freud afirma tratar-se da questão mais difícil a ser enfrentada por parte do analista. Não cabe, nesse contexto, aprofundar esse ponto, mas senti a necessidade de, ao menos, mencionar a tão necessária contribuição da autora, a qual, na época de seu lançamento, representou a quebra de um paradigma. Enfim, filha de peixe…e Anna foi tão revolucionária quanto Herr Freud!

    As ponderações acima representam apenas algumas das dificuldades a serem enfrentadas pelo analista em seu ofício, onde vale reiterar a obrigação do profissional, no que diz respeito ao tripé psicanalítico, constituído, além da práxis, pela constante atualização teórica, e pela análise pessoal. Porquanto óbvio, é importante, ao concluir esse texto, sinalizar o fato que o analista, assim como qualquer outro profissional do campo Psi, também é um ser humano e, portanto, sujeito às defesas do Ego (implícitas, enquanto a resistência, segundo Anna Freud, é explícita), entre as quais, a projeção. O analista precisa ter tornado o seu inconsciente consciente, ao menos parcialmente, e é proporcionalmente à sua integração da sombra que poderá acompanhar outra pessoa, auxiliando-a no processo de libertação dos afetos aflitivos recalcados.

    Apesar das tantas e tamanhas dificuldades, a gratificação em vermos nossos pacientes evoluir, ou até mesmo libertar-se de seus respectivos traumas e “fantasmas”, é o que faz valer a pena todo o nosso trabalho, inclusive as frustrações que nos ensinam e, profissional e humanamente, também nos fazem evoluir e compreender melhor a nós mesmos, ao outro, e ao ofício psicanalítico. É extremamente gratificante, inclusive, ouvir pela boca dos próprios pacientes que, na atualidade, encontram-se em outro patamar a respeito do começo do acompanhamento. Lembro daquela frase que, corriqueiramente, encontra-se nas postagens de várias pessoas nas redes sociais, segundo a qual, o ideal é que ao entrarmos na vida de alguém, possamos fazer com que aquela pessoa se sinta melhor de quando nos encontrou. Ajudar pessoas a conviver (com) e, possivelmente, a resolver seus traumas e conflitos, é sem dúvida um caminho desafiador, mas extremamente gratificante.

    O presente artigo foi escrito por Riccardo Migliore. Psicanalista Clínico formado (pelo) e filiado ao IBPC, Master em Hipnoterapia, PNL Practitioner, Prof. de Meditação e PhD em Letras pela UFPB. Atende presencial no Espaço Terapêutico VC de Campina Grande (PB), e também, atende pacientes online.

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