superego na clínica psicanalítica

Significado de superego

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Neste artigo iremos abordar o superego na clínica psicanalítica .Desde o início de sua obra, Freud pensou e trabalhou muitas das funções que depois atribui ao superego. Em alguns momentos nomeou como consciência, em outros como ideal do ego, como agente especial ou mesmo instância.

Mas, é a clínica da neurose obsessiva que lhe forneceu um verdadeiro banquete de evidências, tanto que em 1909, no trabalho “Notas sobre um caso de neurose obsessiva”, observou a existência de uma instância que se impõe ao ego em sua face mais cruel.

Freud e superego na clínica psicanalítica

A visão inicial de Freud do superego enfatizou suas origens pré-edipianas no ideal do ego – no desejo da criança de recuperar o narcisismo primário perdido da infância por meio da identificação com imagens parentais idealizadas.

A persistência dessa visão se reflete em seu uso dos termos ego ideal e superego mais ou menos indistintamente ao longo de seus escritos, mesmo após a introdução do último termo em 1923. A mudança para o termo superego marcou uma importante reviravolta na conceituação de Freud do sistema psicológico interno que lida com questões de consciência e moralidade.

Começando nesse ponto e continuando mais ou menos consistentemente depois disso, ele enfatizou a centralidade do complexo de Édipo, das identificações edipianas e da função agressiva e punitiva do sistema “superego” em sua abordagem a ele como uma organização metapsicológica dentro da mente. Ele agora descreveu o superego como “o herdeiro do Complexo de Édipo”.

Cultura e superego na clínica psicanalítica

A voz que os pais direcionam aos filhos, cria tendências descoordenadas e heterogêneas. É a voz que incorpora e os subjetiva, de forma absolutamente singular. A natureza complexa do superego, devido ao relações que tem com o id e o ego, é a instância que recolhe essas vozes. O superego é uma instância subjetiva, uma lei básica da ordem social, uma vez que resulta da identificação com o pai, que é o portador cultural da lei da interdição de incesto.

Baseia-se em uma primeira identificação organizadora, posterior às demais. É a demanda insatisfeita que precipita o bebê à primeira identificação, comandado por um primeiro significante que se completará em três momentos. O superego é uma instância que acomoda as vozes parentais ouvidas pelo sujeito sobre sua primeira infância. A voz será o veículo do significante que apoiará o passo para a palavra.

Por isso, o superego é o substituto do id, a voz que transforma o fragmento da fala em pulsão, a voz que corta o reservatório pulsional e o traduz em um mandato, muitas vezes tirânico, para com o sujeito e para com os outros. As vozes dos pais muitas vezes são feitas de pedidos e frases mal compreendidas; embora essas vozes nem sempre sejam dirigidas exclusivamente à criança, ela acabará por captar eles.

Superego e relações com o id

As vozes de maior significado para a criança são aquelas que ela reteve porque foram não compreendidos, mas adquiriram significado posteriormente, entrelaçando-se com representações de coisas que foram vistas, misturando o que foi ouvido com o que foi visto. Desta forma, é na fantasia que o passado dos pais e dos antepassados combina.

Nos textos freudianos, notamos certa vacilação, às vezes a noção de superego apresenta-se como integrante do ego e, em outras, apresenta-se como entidade separada do ego. Contudo, se o ego e o id não são noções que devem se manter rigidamente separadas, de acordo com a segunda tópica freudiana, o superego se apresenta como um mediador entre essas duas instâncias, pois, ao mesmo tempo em que castiga o ego, aproxima–se do id.

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Então, essa instância aparece como parte do ego e em outros momentos como parte do id. Seguindo a vertente de definir o superego como representante do id, a parte mais obscura do inconsciente, onde se encontra a energia pulsional. Assim, o id pertence ao campo puramente pulsional e se faz presente no psiquismo do sujeito desde o início de sua constituição. Nesse caminho, acentua-se a irracionalidade e a crueldade que o superego pode assumir, perdendo seus laços com os ideais e com a moralidade.

O e go e o superego na clínica psicanalítica

É o id incitando o ego a violar a proibição, ir em busca do seu desejo extremo e dissolver-se num êxtase que ultrapasse qualquer prazer, mas impossível, pois sabemos que jamais atingirá o gozo pleno, uma vez que não existe gozo pleno.

Portanto, esta ligação do superego com o id diz da pulsão e nos demonstra que no superego reina uma pura cultura da pulsão de morte, numa lei inconsciente e insensata que impele o ego ao desejo até o seu o fim. Como se pode perceber, não há mais nenhuma relação com aquele superego do bem moral. Estamos no campo do próprio gozo, ele ordena e o sujeito obedece sem saber, mesmo que implique na perda ou destruição do que lhe é mais caro.

Instigador inconsciente e perverso, esse superego subjuga o ego com o feitiço de um ideal de gozo. Nessa faceta reside o sadismo, a crueldade, a severidade, a ferocidade, a irracionalidade e todos os adjetivos a mais que possamos encontrar para o superego!

Considerações finais

Todas as pessoas têm um superego, mas nem todas o chamam assim. Algumas o chamam de consciência ou mesmo de consciência pesada; outros lhe dão o nome de moral. Algumas o reconhecem como aquela voz dentro da cabeça que não as deixa fazer coisas erradas (ilegais, imorais, grosseiras etc.), mesmo que ninguém fique sabendo. E que, lá de dentro, as pune quando cedem a alguma tentação, fazem o que não deveriam ter feito, ou mesmo, sem nada ter feito.

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    Desta forma, vamos percebendo uma relação muito pequena entre o que se pensa conscientemente ser permissível e aquilo que o superego, de fato, permite. Muitos se sentem culpados ou têm a sensação de serem maus sem que saibam, exatamente, o que fizeram para se sentirem assim.

    Deste modo, algumas pessoas procuram tratamento pois sofrem, justamente, de um superego muito severo, elas nem sabem que essa severidade pode ser a causa do seu sofrimento, de suas dificuldades. Em alguns pacientes o superego atua com uma ferocidade implacável, em outros pode ser menos violento, porém, deixa suas marcas na vida e em seu sofrimento.

    O PRESENTE ARTIGO FOI ESCRITO POR PAULO CESAR SANTOS, ALUNO PARTE PRATICA DO IBPC, GRADUANDO EM PEDAGOGIA E PSICOLOGIA, EMAIL [email protected]

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