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Teoria da Luta de Classes e relação com a Psicanálise

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A avaliação do impacto da Teoria da Luta de Classes, (TLC), na Psicanálise e demais áreas do conhecimento humano, em escala global, começa aos poucos sofrer um revisionismo sobre seus resultados, onde pesquisadores querem tentar entender e compreender bem se foi algo realmente bom ou muito ruim para as ciências humanas, exatas e saúde e, em especial, para a saúde mental universal.

O Impacto da Teoria da Luta de Classes na Psicanálise

As perguntas são formuladas para que possamos tentar pelo menos, abordar alguns aspectos periféricos emergentes e buscar, passo a passo, por etapas chegar no núcleo da indagação suscitada por especialistas bem atilados que começaram a indagar: Afinal, o que é a TLC ? Quem sistematizou a teoria ? Como aplicaram a TLC nas várias esferas dos saberes humanos ? O que desejavam com a TLC ? E, ainda, em especial, porque a Psicanálise foi um alvo predileto da ‘práxis’ da TLC ? São perguntas que não querem calar.

Conhecer a estrutura da TLC de forma capilar nacional e sua real motivação já seria um passo imenso comentam analistas e especialista para a correta compreensão de todo o tecido social. Porém, a questão não é pacífica e harmonizada. Existem os convergentes e os divergentes e a busca de uma terceira via de análise que seja convincente e explique porque a TLC foi a bola da vez, de 1950 até meados de 2015.

E ainda, em certos lugares do planeta, a TLC continua seduzindo mentes e corações e sendo um desafio para o espectro futuro. São questões emergentes e instigantes colocadas como pré-questionamentos num momento que já começam a chamar de pós-moderno dos tempos líquidos e das disrupturas sociais. Muita coisa começa, de fato e de direito a ruir e se dissolver; outras estão se reafirmando e emergindo.

Uma nova visão da teoria da Luta de Classes

A questão da luta de classes não é algo novo, já existia na Antiguidade uma visão do que seria a luta de classes, assim como já havia uma percepção de que existia o inconsciente. Com o amadurecimento dos conhecimentos humanos as percepções, concepções e conceitos foram se estruturando melhor com o surgimento das faculdades e universidades, com defesas de dissertações e teses de doutorados e PhD’s, edição de livros, eventos, debates e discussões nas mídias que iam surgindo, como a televisão, nova visão do rádio, o uso do telex, telefone, e aos poucos surgindo uma internet.

A TLC, a Teoria da Luta de Classes, foi sistematizada por Karl Marx (1818-1883) que se formou em filosofia na Universidade Friedrich Schiller, de Jena que era uma universidade alemã situada na cidade de Jena, na Turíngia, sendo uma das dez universidades mais antigas da Alemanha, criada em 2 de fevereiro de 1558, pelo príncipe João Frederico I, da Saxônia. E Karl Marx ingressou na filosofia que foi a porta de acesso para depois montar a TLC.

Fez sua formação recorrendo a vários referenciais, em especial ao defensor da dialética do pensamento e conhecimento, o Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831), que era também um filósofo germânico e tinha escrito uma obra chamada de ‘Fenomenologia do Espírito’ considerada um marco na filosofia mundial e alemã. Marx conheceu em seguida Friedrich Engels (1820-1895) um empresário industrial, que era um teórico prussiano também da Alemanha e ambos se uniram para criar a TLC num viés e prisma científico usando a dialética.

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Teoria da Luta de Classes e a nova dialética

Substituíram na dialética o conhecimento pelo lado materialismo formando uma nova dialética não mais chamada de dialética do conhecimento, mas, dialética do materialismo histórico. A História passa a ser percebida como um motor de luta de classes e não de transformação do pensamento e conhecimento. E para tentar provar a validade da teoria estruturaram as sociedades em classes: nobreza, burguesia, pequena burguesia (classe média), proletários (urbanos, que são os industriais e, os rurais, que são os camponeses), e os lumpemproletários (os mendigos e desvalidos).

Estava já em curso uma primeira fase da revolução industrial quando sistematizavam a TLC. E cada uma dessas esferas de classes, possuem, na visão da TLC, do Marx/Engels, suas ideologias peculiares. Para eles, quando uma classe domina impõe sua ideologia dominante a todos as demais. Marx e Engels desejavam romper com os utópicos e formar uma teoria científica que nominaram de socialismo científico do materialismo histórico.

Para consolidar a TLC, Marx e Engels lançaram em 21 de fevereiro de 1848, um manifesto chamado de Manifesto Comunista. O documento começa expressando que um ‘fantasma’ passaria a rondar a Europa e o mundo todo. O documento foi traduzido para várias línguas e virou uma coqueluche mundial e a TLC foi se infiltrando em todos os setores da vida humana. As pessoas ficaram convencidas de que a História é uma luta de classes e que a posição de classe define uma sociedade.

Teoria da Luta de Classes e o feudalismo

Não tardou para a TLC adentrar em todos os campos dos conhecimentos humanos. Entretanto, a TLC pós ao óbito de K. Marx (1883) começou a sofrer modificações e a teoria ganhou aportes teóricos. Não era só a nobreza, a burguesia, a pequena burguesia, o proletariado e lumpemproletariadão, mas, surgira o sub-proletariado, que são os informais e os caudilhos, os fazendeiros que seriam os oligarcas ou oligarquia ou burgueses rurais. A aristocracia seria a pequena burguesia que por sua vez teria a estamental (paga pelo erário do Estado) e os profissionais liberais.

O servo do feudalismo seria o novo camponês e proletário suburbano e rural. E os demais conceitos como modo de produção, que seria o modelo de como circula a riqueza e a taxa de mais-valia (taxa de lucro) foram se adaptando com o fim da pré modernidade na nova emergentes modernidade. A Rússia aderiu a TLC e tentou criar uma nova realidade, a URSS, bloco soviético que após 2ª grande guerra construiu o muro de Berlim e tornou-se a cortina de ferro com seus satélites.

Em 1989, cai o muro de Berlim e a URRS se torna Federação Russa implantando teses liberais em seu território, privatizando. A TLC sofre um revês por defender partido único, proletários no poder pelas armas e fim da moeda. Não dá certo a planificação da economia estatizada e a miséria e a escassez emergem. Estavam socializando a precariedade e os donos do poder com dachas (casas finas/sitios) e o nomenclatura (burocracia estatal) em mãos e se auto intitulando porta vozes do proletariado mas seriam pequenos burgueses estamentais.

O aparelhamento estatal

A Psiquiatria na antiga URSS é cooptada e usada como instrumento de combate político, os famosos laudos negativos e internações compulsórias com diagnósticos fabricados e força da dependência pelos psicofármacos nos pacientes burgueses indomados ou pequenos burgueses aliados da burguesia. Em vários países notadamente em França e na Argentina desejavam criar um polo psíquico forte e aplicaram a TLC, mas, se revelou um fracasso.

A depressão, a angustia, a ansiedade, os pânicos, fobias, as neuroses, as perversões e as psicoses não eram doenças apenas da nobreza e alta burguesia. Mas, de todas as pessoas e estruturas, de forma capilar e universal. A elitização do conhecimento psíquico e os altos custos levaram as ciências ‘psi’ a ficarem reféns do ‘establishment’ (elites) das sociedades. O acesso a livros e tratamentos ficou caro demais e limitou as pessoas.

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    E, com o surgimento da nova modernidade, a televisão superando o rádio, a psiquiatria e a psicologia colocam em xeque algumas psicoterapias, como a psicanálise por causa de mercados. E a TLC contribuiu de certa forma para tentarem empurrar a Psicanálise para o ostracismo como algo somente da nobreza e burguesia que em certas sociedades como a inglesa se harmonizaram. E outras sociedades, agudizaram os conflitos.

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    A aplicação da TLC e Teoria da Luta de Classes

    As colônias inglesas tentavam se livrar da chamada nobreza e da chamada burguesia e criar algo apenas pequeno burguês (classe média) com proletários como argumentavam alguns pesquisadores. Nos EUA, negavam aplicar a TLC e optavam pelo pragmatismo e horizontalização máxima possível das relações humanas.

    A aplicação da TLC numa tentativa de polo de estudos psíquicos na Argentina se revelou muito ruim gerando uma clivagem social profunda e a Psicanálise seria considerada burguesa. No Brasil, ocorreram reações para que as ciências ‘psi’ não ficassem reféns da TLC e se livrassem do estigma burguês e tentaram levar para as classes médias e, se possível, por planos de saúde, aos trabalhadores, considerados os proletários.

    Os subproletários entendidos como os informais, o cara da banca e ambulante, sem emprego formal e o lumpemproletario (mendigo) estavam literalmente alijados do processo. Com a tentativa de estruturação de uma Assistência Social e cadastros de mendigos e uso de bolsas subsidiadas pelo Estado, diante do surgimento da drogadição geral, os pontos de confluência ou ‘point’ de drogados, como as cracolândias começaram a ter um acesso muito fraco a ciências ‘psi’.

    Conclusão

    Por fim, resta saber a motivação que levou intelectuais serem seduzidos pela TLC e os seus reais propósitos. Porque não ocorreram na prática, mudanças realmente eficazes. Seria uma melhor forma de dominar pessoas e instituições e ter qualidade de vida a grupos fechados ou bolhas ? Seria a busca de uma pseudojustiça terrena para todos malograda ? Seria uma forma de tirania opressiva para evitar a dor social ?

    Seria um meio de excluir Deus e coloca-lo como um ópio do povo no meio social ? Seria negar aos outros participação democrática ? Seria uma fase da humanidade que tem natureza cruel e comunga de uma hipocrisia inata ?

    A questão ainda permanece em estudos para se entender porque aplicaram a TLC de forma fervorosa nas ciências psíquicas. Só o tempo poderá nos gerar as respostas num futuro vindouro. A aplicação e o impacto da TLC nas ciências psíquicas se revelou um completo fracasso humano.

    O presente artigo foi escrito por Edson Fernando Lima de Oliveira ([email protected]) é licenciado em Filosofia e História. Possui PG em Ciências Políticas, realizando PG em Psicanálise e acadêmico e pesquisador de Psicanálise Clinica e Filosofia Clinica.

     

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