teoria topográfica

Teoria topográfica e teoria estrutural em Freud

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Neste texto entenderemos sobre a teoria topográfica e como ela funciona. A mente humana é uma máquina poderosa, capaz de processar e armazenar uma série de informações ao longo da existência de um indivíduo.

A capacidade de pensar e atribuir um valor às coisas é inerente ao ser humano que, atuando socialmente, vai, aos poucos, desde seu nascimento, aprendendo comportamentos e formas de atuar em sociedade.

Freud e a teoria topográfica

Foi Freud quem popularizou o método de escuta do paciente como forma de buscar e encontrar soluções para os problemas psicológicos deste, submersos num local inacessível, uma espécie de segunda mente, a qual veio a chamar de inconsciente. De forma inteligente, Freud dividiu a mente humana em estruturas distintas, apresentando-as como um iceberg, no qual a parte visível corresponderia ao plano consciente.

Dentro desta imagem, o pré-consciente seria a porção que ora se apresenta submersa, ora se mostra no topo, sendo que a parte totalmente encoberta seria o inconsciente. Com esta analogia do iceberg, Freud demonstra o que denominou Teoria Topográfica (ou Modelo Topográfico).

Num segundo momento, apresentou o que chamou de Teoria Estrutural, na qual apresenta uma divisão da mente em três elementos distintos: o Id, o Ego e o Superego. Tais elementos serão apresentados com alguns pontos importantes e algumas de suas principais características, a seguir.

Entendendo a teoria topográfica

No Modelo Topográfico (do grego tópos, que significa ‘lugar’), Freud organizou o aparelho psíquico em lugares e com funções específicas interligadas entre si, que representam os diferentes níveis da consciência humana. Nesse modelo inicial, formulou três sistemas distintos, a saber: o inconsciente, o pré-consciente e o inconsciente.

O inconsciente e a teoria topográfica

Conforme dito anteriormente, o inconsciente é a parte da mente ‘submersa’, aquela que oculta tudo que não pode passar para o plano consciente, pois recalca situações traumáticas que não fariam bem se fossem lembradas. O inconsciente possui a importante função de estabilizar, ou melhor, de proteger a mente humana de possíveis dores e contradições que se encontram ocultas nessa parte mais profunda da mente humana.

Freud entendeu com seus estudos que o inconsciente não é uma estrutura lógica, sendo, pois, atemporal e, também, sem noção de espaço, o que significa dizer que conteúdos que pertencem a épocas distintas podem se apresentar próximos e sem lógica alguma (conforme ocorre nos sonhos). Cabe ressaltar, que a maior parte da vida psíquica habita nesta parte profunda da mente humana.

O pré-consciente

Neste reservatório se encontram como que arquivadas algumas memórias, que podem ser acessadas e trazidas à mente consciente quando evocadas.

O pré-consciente atua como um filtro, ou seja, uma espécie de fronteira com o inconsciente, vez que pode enviar a este alguma memória traumática que não deseja que seja recebida pelo plano consciente.

De acordo com Lima, “o pré-consciente seria uma parte do inconsciente que pode tornar-se consciente com relativa facilidade, ou seja, seus conteúdos são acessíveis e podem se evocados e trazidos à consciência” (LIMA, 2010).

Consciente e a teoria estrutural

É a parte da mente que observa, capta e compreende a realidade imediata, ou seja, é através do consciente que o indivíduo processa e compreende o que é recebido do mundo exterior. É a parte que abarca os fenômenos que são originados fora do sujeito e por este percebidos.

Nesta estrutura estão os pensamentos lúcidos, a memória, as ideias, enfim, tudo que é acessível a nível consciente está presente nesse sistema. Todavia, não se trata de um reservatório capaz de reter informações como um arquivo, tendo em vista que essa função é atribuição do pré-consciente. 

De acordo com Carvalho, Freud inconformado com a limitação de sua primeira tópica, por não conseguir inserir nelas as instâncias psíquicas, sintetizou a teoria da Segunda Tópica, denominada Modelo Estrutural ou Dinâmico (CARVALHO, 2021). Foi a última teoria sobre a constituição da mente elaborada por Freud, na qual três instâncias estariam integradas, a saber: o Id, o Ego e o Superego.

O ID e o EGO

Foi concebido por Freud como um conjunto de conteúdos de natureza genética e pulsional, e funcionaria como a parte instintiva, ilógica e atemporal da psique. Nele ficam armazenadas a energia psíquica, bem como os instintos mais primitivos do ser humano. O Id corresponde àquela parte do iceberg que é totalmente submersa, não reconhecendo, portanto, qualquer regra social e não aceitando nenhum ditame moral.

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É a parte irracional do sistema, sem qualquer limite, sendo, também, impulsivo e antissocial. O EGO Segundo Lima, “o Ego se desenvolve a partir da diferenciação das capacidades psíquicas em contato com a realidade exterior” (LIMA, 2010).

Sendo o Ego guiado pela racionalidade, este possui a capacidade de controlar os impulsos, atuando como moderador entre os instintos do Id e as interações do sujeito com o meio ambiente. Este sistema é o assegurador da personalidade e da integridade do ser humano.

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    O Superego

    É a instância que tem como função censurar os impulsos oriundos do Id. É a estrutura psíquica que impõe comportamentos ideais, bem como barreiras ao ego. “O superego atua como um juiz, como um sensor moral” (LIMA, 2010).

    É a instância que guarda os valores morais recebidos dos pais e reprime os desejos dos indivíduos, de forma a possibilitar que estes atuem no cumprimento das regras sociais.

    Considerações finais sobre a teoria topográfica

    Coube a Freud desvendar a mente humana e atribuir-lhe sistemas que, integrados, concederam à Psicanálise o mérito de conhecer um pouco do vasto mundo inconsciente, evocando os traumas escondidos neste universo, como forma de tratar as psiconeuroses escondidas no fundo da alma do paciente.

    Conforme demonstrado linhas acima, Freud com suas teorias buscou compreender a personalidade dos indivíduos, criando um arcabouço teórico que muito contribuiu para o entendimento da psique humana.

    Bibliografia

    LIMA, Andréa Pereira de. O modelo estrutural de Freud: uma proposta de integração entre a psicanálise e a neurofisiologia. Archives of Clinical Psychiatry. São Paulo: 2010, v. 37, nº 6 (on line). Acesso em 21/03/2022. CARVALHO, Alana. Modelo topográfico e modelo estrutural: diferenças. In Teoria Psicanalítica. https://www.psicanaliseclinica.com. Acesso em 22/03/2022.

    O presente artigo foi escrito foi escrito por Vany Leston Pessione([email protected]). Advogada criminal, Mestre em Criminologia e Direitos Humanos, Graduanda em Psicologia, Graduanda em Psicanálise. Contato: [email protected]

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