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Tipos de amor: definição e diferenças dos quatro amores

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Existem tipos de amor! A palavra amor é uma das mais utilizadas entre os seres humanos, e talvez uma das mais importantes. As pessoas nomeiam muitas coisas de amor: o ato sexual, o sentimento dos enamorados, o cuidado com os filhos, o cuidado com os pets, a relação com Deus.

Mas será que existe diferença entre esses sentimentos? Será que existe diferença de intensidade: amar mais, ou amar menos, ou apenas gostar? Existiria uma diferença entre gostar e amar? Qual seria o contrário do amor?

Tipos de amor e a obra de Lewis

No livro de C.S. Lewis “The Four Loves” ou traduzindo “Os quatro amores”, o escritor explora a natureza do amor na perspectiva cristã. Na obra, Lewis explica das naturezas mais básicas do amor até as mais complicadas, baseadas nas quatro palavras gregas para o amor: storge, philia, eros e ágape.

Ao analisar o dito amor storge (amor fraternal e familiar), observa-se que, esse tipo de relacionamento tem um pressuposto de sentimento pré-fabricado, os pais em algum momento conceberam aquela criança (fruto do seu amor/sexo), logo, esse filho foi previamente desejado, esperado e idealizado desde a gestação uterina.

Esse tipo de amor surge naturalmente, e independente do que os pais ou os filhos façam (atitudes de desprezo ou violência), dificilmente esse amor se quebra, existe uma forte tendência ao perdão e a superação de conflitos.

Tipos de amor e graus de parentesco

Não é incomum encontrar mães em filas de presídios, levando coisas para os filhos, surge daí a expressão de que “mãe vai até no inferno atrás do filho”. Outros graus de parentesco como tios, avós, e primos, carregam essa característica de amor natural, primos tendem a serem melhores amigos (amor philia), por ter laço sanguíneo e porque na maioria das vezes passaram bons momentos juntos na infância.

Storge tem tendencias a se tornar philia, mas se tornar-se Eros estaríamos diante de uma relação de incesto. O amor philia (amor de amigos), é aquela afeição que surge na jornada da vida, amigos do bairro que brincaram juntos na infância, amigos de colégio, ou na universidade. Esse tipo de amizade surge normalmente entre pessoas que compartilham de interesses de vida em comum: clube dos motoqueiros, clube do vinho, grupos de igreja e no trabalho por exemplo.

Muitas profissões como médicos, enfermeiros e professores, que passam longas jornadas juntos durante o trabalho, acabam fazendo muitos colegas de trabalho e de profissão, e desenvolvem laços mais profundos com alguns, criando assim alguns amigos verdadeiros ao longo da vida. Esse amor pode as vezes acabar se transformando em amor Eros, relacionamentos amorosos podem surgir de boas amizades.

O Amor romântico

Eros, está relacionado com a sexualidade e seus desdobramentos. É aquele amor de atração física, desejo sexual, e coração acelerado. A priori surge também de uma idealização (paixão), com o passar dos anos, quando aparecem os defeitos, existem então duas opções, a primeira é o rompimento da relação, por não suportar mais o outro, outra opção seria uma análise madura de que os defeitos do outro são suportáveis, então, sobrevive esse relacionamento.

Talvez essa seja uma definição interessante entre gostar e amar. Em uma “escala” de amor, primeiro sente-se atraído, começa a gostar, sentir afeição, e se esse relacionamento perdura vira amor. Por último, o amor ágape (amor incondicional/divino), é considerado por Lewis o mais importante dos amores, e uma virtude cristã.

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Naturalmente por ter sido um apologeta cristão, Lewis descreve que todos os amores emanam desse “amor maior”, que por ser incondicional é um amor de sacrifício, desinteressado, capaz de inclusive dar a vida no lugar de quem se ama como fez o líder cristão Jesus Cristo.

Tipos de amor: Amor sexual

Fernando Pessoa, poeta e intelectual português, escreve que: “Nunca amamos ninguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso – em suma, é a nós mesmos – que amamos. Isso é verdade em toda a escala do amor. No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio de um corpo estranho.

No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma ideia nossa.” Com isso, Pessoa quer dizer que, muitas das vezes os sentimentos e relações que descrevemos como amor, são tão somente idealizações narcisistas, criadas e idealizados por nós mesmos.

Seguindo esse raciocínio, Lacan também aponta que amar é na verdade uma busca por si mesmo, amar verdadeiramente alguém seria uma busca por uma verdade interna. Amar outra pessoa, ajudaria a dar respostas sobre si mesmo.

Freud e os tipos de amor

Freud também observou em sua vasta obra, que o amor funciona como um modelo de busca da felicidade, e reconhece sua natureza ilusória que cumpre o papel de consolar e ajudar a tolerar o mal-estar próprio do desejo humano. Freud também colocou o amor ao lado da pulsão sexual, não como parte dela, mas paralela no sentido de ser uma pulsão tão forte quanto a sexual e que faz um movimento do eu na direção do objeto para além da relação de puro prazer. Mas na ausência do amor o que ocuparia o seu lugar?

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    O principal antagonista do amor acaba sendo o ódio, casais que se amavam podem passar por determinadas situações de desentendimento e traição, que pode culminar em agressões e crimes passionais. Logo, pode se considerar que quando um relacionamento termina em condições adversas as pessoas não acabam por se gostar menos (como um amor menor), mas na verdade esse amor acaba virando rapidamente um sentimento de ódio (uma pulsão negativa).

    Os filhos por mais que amem os pais naturalmente, se passarem por situações de abandono, abuso, ou incontinência familiar podem passar a odiar seus pais. Os pais em situações extremas também podem “desistir” de seus filhos, após decepções consecutivas com filhos envolvidos com drogas e crimes por exemplo.

    Gostar e amar

    Ao contrário, na construção do amor, aí sim pode-se identificar uma diferença entre gostar e amar. Como dito anteriormente, a paixão é uma maneira de demonstrar sentimentos ao outro, entretanto, não é algo maduro, é ainda um sentimento não provado pelas adversidades de um relacionamento duradouro, ninguém começa a namorar amando a ponto de morrer no lugar do outro, depois de casados, compartilhando filhos e família talvez isso possa acontecer.

    Igualmente, haverá sempre entre os amigos aquele se ama mais, colegas de trabalho que se odeia, e outros que se alimenta indiferença. Na família alguns primos desenvolverão mais afinidade com os outros, tios e avós também, de forma que não se odeia os outros, mas tem-se mais afinidade com uma pessoa do que com a outra.

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    Em síntese, como disse Zygmunt Bauman: “Vivemos tempos líquidos. Nada é para durar”.

    Considerações finais

    As pessoas chamam muitas coisas de amor, sentimentos diversos, talvez isso gere tanta dúvida. Simpatia, empatia, compaixão, identificação, atração, prazer sexual, afeto, carinho, companheirismo, coleguismo, tudo isso muitas das vezes é nomeado como amor, talvez porque esses sejam comportamentos esperados de quem diz amar.

    Mas, como nem sempre esses sentimentos isolados podem ser considerados amor, então utiliza-se uma palavra com valor semântico inferior: “gostar” para dizer que se ama menos.

    Não existe uma medida, uma maneira para mensurar o amor, vai além das concepções humanas, talvez essa característica transcendente e metafísica do amor seja o que faz dele belo, e inspiração para os poetas e amantes.

    Este artigo foi escrito pelo autor Igor Alves ([email protected]). Igor é Psicanalista pelo IBPC, é licenciando em Letras e Filosofia.

     

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