Transtorno Explosivo Intermitente

Transtorno Explosivo Intermitente (TEI): causas, sinais e tratamento

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O Transtorno Explosivo Intermitente, também popularizado como a “Síndrome de Hulk”, é uma condição psicológica que consiste em explosões de raiva e comportamentos agressivos.

Entendendo o Transtorno Explosivo Intermitente

Pessoas com essa condição não consegue controlar seus impulsos violentos e descontam sua frustração em pessoas ou objetos. São indivíduos incapazes de controlar seus impulsos agressivos ou ataques de fúria, sendo totalmente desproporcionais. Em um ataque normal de raiva a pessoa sente vontade de acabar com a situação que a levou àquele sentimento, porém esse impulso é rapidamente freado.

No Transtorno Explosivo Intermitente, a situação que levou ao sentimento é totalmente desproporcional à explosão de fúria, com agressões e quebra de objetos. A diferença está na intensidade da raiva e frequência de explosões. A raiva é um sentimento normal, é uma resposta emocional à situações em que a pessoa se sente frustrada, ameaçada, injustiçada ou magoada. Já o TEI (Transtorno Explosivo Intermitente) é um quadro em que a pessoa tem explosão de raiva com frequência, cerca de 2 a 3 vezes na semana, durante aproximadamente 3 meses, e com reação exagerada ou desproporcional em relação à explosão de fúria.

Geralmente nessas crises a pessoa não consegue domar seus ímpetos, podendo quebrar objetos, jogar coisas no chão ou perder o controle sobre a agressividade verbal ou física da outra pessoa. As pessoas com TEI são pessoas de “pavio curto”, que parecem gostar de briga devido a quantidade de conflitos que causam por onde passam.

Transtorno Explosivo Intermitente e o descontrole emocional

Uma conduta muito irritável é um indicativo de um descontrole emocional extremo, especialmente em relação à raiva. São pessoas que também fazem interpretações erradas dos acontecimentos em razão da raiva. Por isso parece estarem sempre brigando com alguém ou irritados com alguma situação. São vistos como pessoas difíceis nos ambientes que frequentam.

Os sintomas mais comuns são danos corporais ou morais sem motivo justo, ataques de ira, aceleração da respiração e dos batimentos cardíacos, descontrole de atitudes, suor e tremores no corpo, impaciência, fácil irritabilidade e surtos de raiva repentinos. Normalmente após uma crise a pessoa se arrepende do ocorrido.

Ela se dá conta de que o evento foi totalmente desproporcional, e se sente desconfortável com os feitos, e pode ter medo de acontecer o problema novamente. Os ataques de raiva podem estar ligados ao estresse, depressão, Transtorno de personalidade Bipolar e outros problemas. Acredita-se que a causa do Transtorno Explosivo Intermitente seja o componente genético. Ele é transmitido de pais para filhos, especialmente em famílias com outros transtornos, como o Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade e Ansiedade generalizada.

Quando surge o Transtorno Explosivo Intermitente

Esse transtorno tende a aparecer com as mudanças da adolescência, geralmente após os 16 anos, e se consolida na vida adulta. Em alguns casos, os primeiros sintomas podem aparecer mais tarde, entre os 25 e 35 anos, e é mais recorrente em homens. O TEI costuma aparecer concomitantemente a outros transtornos mentais, como depressão, transtorno bipolar e ansiedade. O uso prolongado de substâncias também leva a essa condição. As crianças também podem desencadear os sintomas de TEI ou de outros transtornos que causam irritabilidade e comportamentos impulsivos.

Os pais devem ficar atentos a esses comportamentos dos filhos. É normal as crianças resolverem conflitos com atitudes violentas por não ter um bom controle emocional. Cabe aos pais ensinar maneiras mais eficientes de resolver problemas a eles. A criança que se demonstra estar sempre irritada e parece ser incapaz de aprender a resolver conflitos de outras formas deve ser levada ao psicólogo.

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O profissional avaliará o estado emocional da criança, identificando a presença de elementos patológicos. Como o TEI é mais comum em adolescentes, é provável que os desajustes comportamentais da criança estejam ligados a outras condições psicológicas, como TDAH (Transtorno de deficit de atenção e hiperatividade) ou transtorno de conduta. Foi identificado que a maioria das pessoas que têm esse transtorno cresceram em famílias ou frequentavam ambientes onde o comportamento agressivo era visto como normal.

Conclusão

O contato recorrente faz com que alguns indivíduos internalizem essas atitudes como comum. Para uma pessoa ser diagnosticada com TEI, as suas condutas e sentimentos precisam corresponder a uma série de critérios. Os ataques de fúria são fatores observados pelos profissionais de saúde. Essa avaliação é necessária para determinar se o comportamento da pessoa raivosa é, de fato, patológico. Algumas pessoas ficam com raiva mais facilmente que as outras, mas não significa que tenham transtorno explosivo intermitente.

O Manual diagnóstico de transtornos mentais classifica a raiva em 2 categorias. As consideradas leves são ameaças, xingamentos, ofensas, gestos obscenos, e agressões verbais. As consideradas graves incluem destruição de propriedade, e ataques físicos com lesões corporais. Essas manifestações de fúria podem acontecer, pelo menos, 3 vezes ao longo do ano.

Em ambos os casos, grande parte dos acessos de raiva devem ser motivados por questões superficiais e ocorrências do cotidiano. O TEI tem tratamento. O indivíduo deve fazer acompanhamento com o psicólogo para aprender a controlar suas emoções e expressar a raiva de modo saudável. O tratamento também pode ocorrer com o auxílio de medicamentos psiquiátricos, prescritos pelo psiquiatra, para suavizar a intensidade dos sintomas. A necessidade de ingestão de fármacos é definida ao longo do tratamento.

O presente artigo foi escrito por Thaís de Souza([email protected]). Carioca, 32 anos, Estudante de Psicanálise do IBPC.

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