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Transtornos alimentares, estilo de vida e depressão

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De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil tem hoje 12 milhões de pessoas com depressão que podem apresentar relação direta com transtornos alimentares.

Cada vez mais observamos pessoas acima do peso, com problemas de saúde e sendo tratadas com cirurgias de redução de estômago para emagrecer. Até que ponto reduzir o estômago, uma ação apenas no corpo físico, iria auxiliar a diminuir a compulsão de comer em excesso?

Fatores que causam a depressão e transtornos alimentares

A depressão está relacionada com fatores genéticos (cerca de 40%), ambientais e psicológicos. Entre os fatores de risco estão a história de depressão na família, alterações significativas na vida, determinados medicamentos, problemas de saúde crônicos e consumo de drogas. Estudos relatam que a depressão é associada a um desequilíbrio em certas substâncias químicas no cérebro, principalmente a serotonina.

Esta substância atua regulando o humor, sono, apetite e ritmo cardíaco, por isso quando está em baixa concentração pode causar mau humor, insônia, ansiedade e depressão. A ingestão de alimentos ricos em triptofano (chocolate preto, vinho tinto, banana, abacaxi, abacate, leite e derivados, tomate e cereais integrais) e praticar exercícios físicos são recomendações dadas por psiquiatras para ajudar no balanço químico do cérebro como complemento do tratamento medicamentoso para ansiedade.

Cerca de 70% da serotonina é produzida no intestino, por isso manter o bom funcionamento do intestino com alimentos ricos em fibra e ingerir bastante água afetam na sua produção. Alguns estudos apontam que ouvir uma boa música e estar em contato com a natureza aumentam os níveis de dopamina (responsável pela motivação, impulso e foco) e endorfina (responsável pelo bem estar e prazer) que são outras substâncias relacionadas a sensação de bem estar.

Capitalismo e transtornos alimentares

O sistema capitalista, através de suas propagandas e produção de alimentos em larga escala, incentiva que as pessoas consumam cada vez mais alimentos processados e ricos em aditivos com alto teor de sódio e açúcar, além de conservantes e outras substâncias das quais não são divulgados estudos científicos sobre os seus verdadeiros malefícios para a nossa saúde.

Em busca de uma alimentação mais rápida, para compensar o pouco tempo que sobra entre o trabalho e as refeições, acabamos consumindo alimentos industrializados de rápido preparo e baixo custo como biscoito, hambúrguer, salsicha, salgadinho à base de milho, macarrão instantâneo com alto teor de sódio e calorias. Até que ponto este modelo de sociedade está contribuindo para o bem estar de seus indivíduos?

Sistema no qual propagandas nos estimulam ao consumo, a todo o momento, com suas falsas promessas de bem estar momentâneas. Promovendo a felicidade que está apenas restrita na aquisição de bens e exageros alimentares, fora os vícios de bebidas açucaradas e alimentação rica em açúcar e sódio que são socialmente aceitos. Até que ponto estamos psicologicamente preparados para este marketing realizado por profissionais que criam algoritmos que analisam a psicologia de cada indivíduo verificando a forma mais eficaz de realizar suas vendas?

“O Dilema das Redes” e os transtornos alimentares

Já existem empresas contratando pessoas que analisam cada pessoa através do estudo de seus históricos de acesso a páginas de internet, músicas e sites de compras para saber qual a forma mais efetiva de abordar o cliente para que ele esteja propenso a comprar determinado produto, como relatado no documentário da NetFlix “O Dilema das Redes”.

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O valor das coisas simples A depressão tão em alta no século atual é o fruto de uma sociedade estruturada em valores fúteis. Que não valoriza as qualidades individuais e o valor das coisas simples. Atualmente com a pandemia as pessoas aprenderam a fazer o seu próprio alimento.

Nestes tempos de reclusão podemos relembrar o prazer de reunir a família no horário das refeições e de preparem o seu alimento juntos. Muitas pessoas até começaram a plantar, construindo hortas, já que estariam mais tempo em casa para cuidar, cultivando estes momentos de conexão com a natureza e produzindo verduras frescas e com maior teor de vitaminas e minerais.

Estilo de vida e depressão

Estes momentos são únicos e nos enriquecem por um inesperado bem estar de conexão com uma essência que até então estava perdida. No entanto, ao irmos ao mercado é inconsciente o nosso impulso em comprar determinados alimentos processados, pela propaganda que está em nosso inconsciente, suas embalagens chamativas, as cores, letras, formas, localização nas prateleiras, tudo muito bem estudado para incentivar o consumo.

Uma sociedade criada utilizando aplicativos com ferramentas de filtro que nos fazem ser totalmente diferentes do que realmente somos, cria pessoas inseguras, aumentando o número de cirurgias plásticas e outros procedimentos de alteração de aspectos físicos. Estas cirurgias que até então eram utilizados apenas em alguns casos, hoje se tornaram frequentes, devido a busca por uma beleza ideal que é mostrada em revistas, com imagens que quando não são editadas, são fruto de vidas de privação e exercício intensos com a obsessão da forma ideal, inclusive com retirada de costelas para afinar a cintura.

Podemos observar o aumento de adeptos de dietas ricas em proteínas e sem carboidratos que são tomadas como estilo de vida por pessoas que possuem a preocupação em certos padrões de beleza, como uma fuga de algo que escondem sobre a sua personalidade neurótica de perfeição.

A busca da beleza ideal

Estes opostos, obesidade e busca pela beleza ideal, são transtornos alimentares extremos que podemos observar na sociedade em muitos casos como uma resposta a pressão exercida pela mídia e seus padrões de beleza e consumismo. Mas o diagnóstico nem sempre é assim tão fácil, pois quando estamos vivendo a situação tudo parece normal, o ato de comer como fuga ou gratificação por um dia difícil ou o prazer em estar se exercitando e cuidando de seu corpo.

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    A ida incessante para a academia na busca de um bem estar que não encontramos em outro lugar, quando não estiver prejudicando o nosso convívio social está tudo bem, mas quando sentimos a necessidade diária, nos sentindo mal quando não estamos na academia, pode ser um tipo de transtorno alimentar, caracterizado pelo medo excessivo de ganhar peso. Dentre os principais sintomas do transtorno do exercício compulsivo ou anorexia atlética podemos citar: passar a maior parte do tempo em atividades relacionadas à academia e diminuição do interesse por outros aspectos afetando a vida social, profissional e relacionamentos.

    Trabalho voluntário diminui a depressão Além do tratamento medicamentoso para a depressão, a terapia cognitivo-comportamental nos mostra que o que influencia sobre nós não está diretamente relacionado aos acontecimentos ou ações diárias, mas sim a forma que interpretamos estas situações. Estudos publicados na BioMed Central afirmam que envolver-se em trabalho voluntário reduz os sintomas da depressão, aumenta o bem estar e reduz o risco de mortalidade em 22%.

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    Estilo de vida natural no combate aos transtornos alimentares

    Acredito que buscando uma vida mais natural, com alimentação mais saudável e maior contato com a nossa essência, sem forçar a maquiagem, tanto física como de nossa personalidade, ao aprendermos a expressar sem medo quem nós realmente somos, e acabaremos com esta necessidade de buscarmos fora o que sempre esteve dentro de cada um de nós, uma essência que é puro amor, um alento, um centro de forças que nos conecta com todos e tudo, que faz com que não nos sintamos sós, mas integrados e com um sentido de querer ajudar a diminuir a dor do outro.

    Não nos sentimos bem ao ver o outro sofrer, a dor do outro não nos passa mais despercebida, e este sinal de pertencimento e de auxílio nos faz um bem que não sabemos explicar. Cada vez mais as pessoas estão se isolando e precisamos voltar a viver em integridade com as outras pessoas, mas com uma troca verdadeira de bem sentir, vendo o lado positivo de cada um.

    Por isto temos que a sensação de que ajudar nos auxilia a melhorar, percebemos nossas dores nos outros, ou notamos como a nossa dor é menor, e ao ajudar, nos esquecemos de nossos problemas, e criamos uma relação de afeto, um vínculo com o outro ser que nos preenche de profunda alegria e integração.

    A depressão

    Na depressão nos tornamos mais egoístas, vemos o mundo apenas do nosso ponto de vista, estamos ali, em nossa casa, com nossos fantasmas, alimentando nossos medos e traumas, mas ao nos abrirmos, ao sairmos para ver o mundo e viver cada instante desta existência, sentimos que tudo está integrado, e que podemos fazer a diferença na vida das outras pessoas, pois cada um de nós é um ser único.

    Cada um de nós possui um papel fundamental nesta existência e somos especialmente preparados para desenvolver este papel, sejamos felizes, sejamos úteis, cada um na sua especialidade.

    Considerações finais

    Um pouco de cada, equilíbrio e apoio – auxílio do Psicanalista Não estou afirmando aqui que devamos parar de cuidar de nossa saúde, alimentação e a beleza física em nossas vidas, mas o que me preocupa é quando estes aspectos que deveriam fazer parte de um todo, acabam sendo a parte principal de nossas vidas, e acabamos nos tornando narcisistas, preocupados demais com uma perfeição que às vezes é difícil de ser alcançada e deixamos de ver o outro, de ver a nossa parte psicológica, os nossos sentimentos e passamos a buscar estes aspectos físicos como uma fuga para não agir e pensar em emoções que podem estar inconscientemente nos angustiando.

    Por isso a importância de buscarmos um psicanalista para rompermos estes padrões que podem estar nos distraindo de reflexões mais profundas que precisamos trabalhar, para que possamos ser guiados por profissionais que nos auxiliem neste caminho de autoconhecimento e bem estar.

    O presente artigo foi escrito por Stela Raupp([email protected]). Nasceu em Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul e atualmente mora em Torres, R.S. Trabalha com terapia e nos últimos anos está se dedicando à psicanálise clínica.

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