transtornos sexuais

Tratamento de transtornos sexuais pela Psicanálise

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Para começar este texto sobre transtornos sexuais, é preciso pensar em sexualidade além dos órgãos genitais e, sim todas as atividades realizadas que gerem satisfação e prazer.

A sexualidade é um processo natural do desenvolvimento humano desde o nascimento e, deve ser tratada com naturalidade, diferente do tabu acerca do assunto que ocorre. Ela não está voltada somente para aparelho genital e, sim todas as atividades que dão prazer e satisfação.

Os transtornos sexuais

Desde Freud, deixou de ser considerar que a sexualidade existente na vida do ser humano só “aparece” na adolescência e, sim desde o nascimento. A […] “sexualidade” não designa apenas as atividades e o prazer que dependem do funcionamento do aparelho genital, mas toda uma série de excitações e de atividades presentes desde a infância que proporcionam um prazer irredutível à satisfação de uma necessidade fisiológica fundamental (respiração, fome, função de excreção, etc.), e que se encontram a título de componentes na chamada forma normal do amor sexual (LAPLANCHE; PONTALIS, 1991, p. 476).

A sexualidade se encontra totalmente aberta a explicações, pesquisas, informações, mesmo que questões relacionadas a ela sejam ainda tratadas como tabu, com receio, induzindo o pensamento a algo sujo, escondido, imoral, quando na verdade é através do prazer que muitas questões são solucionadas. A sexualidade é algo multifatorial, que atravessa a psicologia, filosofia, antropologia, biologia, sociologia, na busca de responder, conceituar e pensar. É um processo natural de desenvolvimento do indivíduo.

Podemos dizer, que mesmo que a passos lentos, muitas transformações vêm acontecendo não somente no campo psicanalítico como também na psiquiatria. A última edição do Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais, modifica diversos de transtornos classificados anteriormente. Por exemplo, a homossexualidade não é considerada um transtorno mental desde a década de 70, com isso sumiu do Manual.

Os transtornos sexuais para a Psicanálise

Podemos citar como grandes colaboradores desta investigação sobre o tema da sexualidade pensadores como Freud, Scruton, Laplanche, Reuben, Sadock, Desprats-Pequignot e Roudinesco. A Psicanálise olha para a sexualidade em seu sentido mais amplo, ligando-as às necessidades mais básicas do ser humano.

A sexualidade funciona como o início do entendimento de mundo. Por exemplo, se o leite materno não gerasse sensação de prazer ao ser ingerido, seria muito difícil fazer um bebê amamentar e se nutrir.

Assim, como se o sexo tivesse como objetivo apenas a procriação, seria feito apenas para sobrevivência. Para a psicanálise a sexualidade está diretamente ligada ao desenvolvimento do indivíduo desde seu nascimento, trazendo facilidade em realizar atividades básicas como comer e respirar, devido ao prazer e felicidade que geram.

O que são os Transtornos sexuais?

Uma pessoa portadora de parafilia é alguém que causa a si próprio ou a sociedade danos, por ter um comportamento sexual anormal. Atualmente a medicina considera normal as relações envolvendo dois seres humanos adultos e vivos de forma consensual. Com isso podemos dizer que os parafílicos são os pedófilos, necrófilos e zoófilos. Podemos dizer que a sexualidade “normal”, desenvolve-se de forma natural a partir dos estágios de desenvolvimento.

Quando ocorre a fixação, o indivíduo para em determinado estágio e se fixa nele. Já quando ocorre regressão o sujeito avança normalmente durante os estágios de desenvolvimento e, regride a fase anterior, ficando fixado nela. Essas situações podem futuramente mostrar disfunções ou psicopatologias na sexualidade quando o indivíduo for adulto. Dizemos que a sexualidade infantil é perversa, pois há grande variedade de zonas erógenas geradoras de prazer, tanto ligado a um objeto externo quanto ao desejo auto erótico.

O termo perversão relacionado a estruturação de personalidade não deve ser visto em sentido negativo ou de forma preconceituosa. Inclusive, a psiquiatria tem deixado de usar este termo e, passa cada vez mais a usar o termo PARAFILIA. No Complexo de Édipo podemos dizer que o perverso sacia a falta do objeto de desejo, no caso a mãe, com um objeto substituto, onde o retorno ocorre no simbólico. “Na linguagem leiga, a expressão “perversões sexuais” são rapidamente associadas à crueldade, por isso a palavra “parafilias” parece mais adequada para designar os transtornos do comportamento sexual “ (ROUDINESCO; PLON, 1998, p. 583; DALGALARRONDO, 2008, p. 360). Atualmente, perversões sexuais ou parafilias, como o incesto, pedofilia e necrofilia são proibidas por quase todo mundo, sendo condutas criminosas.

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Como a Psicanálise pode atuar contra os transtornos sexuais

A sexualidade na clínica psicanalítica se inicia através da interpretação dos sintomas trazidos pelo paciente. É através da fala que o psicanalista consegue identificar (interpretar) o sofrimento do paciente e, assim, sugerir um diagnóstico. A partir do diagnóstico é possível elaborar o caminho terapêutico específico para aquele paciente. Muitas vezes na clínica psicanalítica os sintomas se manifestam no corpo.

Quando falamos de sexualidade por exemplo, pois muitas vezes os sintomas sexuais se manifestam no corpo, por isso não podemos negar que tenha suas raízes psíquicas. O sexo possui fundamentos psíquicos para que ocorra uma relação sexual. Por exemplo, a vergonha de um homem durante uma relação sexual não conseguir uma ereção. Isto faz com que o sujeito sinta que perdeu poder. Nas mulheres podemos citar como exemplo a infertilidade. Causa na mulher uma sensação de incapacidade, que não se estende apenas ao sexo e reprodução, mas sim para diversas áreas de sua vida.

Lacan diz que os desejos sexuais podem ser direcionados a diversos objetos. Sendo assim, impossível a ideia de serem complementares entre os desejos sexuais e que não é possível desvendar este mistério que é a diferença sexual. Antes de focarmos nos sintomas para que sumam, a psicanálise deve ir mais profundo, no inconsciente do indivíduo e buscar lá a causa. Elaborando junto com o paciente suas questões internas, os sintomas sumirão. Lacan diz que o sintoma é a realidade do sofrimento que acomete o sujeito.

Paciente em foco

Na clínica psicanalítica, o foco é o paciente, fazer com que ele elabore seus processos de conflito. Nesse processo o indivíduo revive seus conflitos e passa a encará-los de maneira diferente. Lembrando que muitos desses conflitos existentes estarão extremamente escondidos no inconsciente com relação direta do Complexo de Édipo, ainda na época da infância, transformando-se em sintomas sexuais.

Recentemente estudos mostram resultados significativos em formas de tratamentos um pouco diferentes. Como no caso onde o analista foca em por qual motivos o aquele indivíduo não consegue ter uma relação normal, com outra pessoa (viva, adulta e humana). O paciente é estimulado a pensar em como ocorre o contato dele com os impulsos sexuais convencionais, a partir daí é possível identificar em que momento do desenvolvimento sexual foi bloqueado. Geralmente pacientes parafílicos tem bloqueios com pessoas que fizeram parte da criação de sua identidade sexual (mãe, pai ou substitutos).

Ao fazer o paciente conversar sobre o motivo pelo qual não consegue se relacionar de forma normal, identifica-se a origem e a partir daí ele é tratado por meio da terapia. É preciso que cada vez mais se fale sobre sexualidade e, a tire deste lugar de segredos e mistérios. O desenvolvimento psicossexual inadequado, traz como resultado uma personalidade desviante.

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    Conclusão

    A psicanálise busca equilibrar esses conflitos decorrentes de repressões, mas, não para que o sujeito caiba em uma suposta normalidade pregada pela sociedade, que sabemos muito bem não existir. Mas para colocar o indivíduo no lugar do impossível ser dito. O desejo humano é extremamente complexo, somente a interdisciplinaridade irá conseguir uma compreensão total da sexualidade.

    É possível que através da Psicanálise o indivíduo apresente melhora no comportamento, rejeitando menos o parceiro convencional. Por exemplo, um pedófilo passa a evitar menos, relacionamentos com adultos. Ainda que não sejam curados, o paciente passa a ver e entender novas formas de se relacionar.

    Este artigo sobre transtornos sexuais foi escrito por Pamela Gualter(pamellagualterleite201[email protected]). Estudante de Psicopedagogia e Psicanálise. Amo descobrir e conhecer como funciona a mente humana para a partir disso junto com o indivíduo chegarmos a um equilíbrio entre o que se é e, o que precisa ser para a sociedade.

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