visão histórica da psicanálise

Visão Histórica da Psicanálise

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Hoje entenderemos mais sobre a visão histórica da psicanálise.

A visão histórica da psicanálise

Após o centenário do lançamento do livro “A interpretação dos sonhos” (Freud 1900); que é um marco sobre as teorias sobre o inconsciente; a psicanálise ainda é pouco compreendida na sociedade, e entre os que a conhecem, ela carrega um dualismo de amor e ódio. Se faz assim necessário, trazer um resumo do método psicanalítico para esclarecer e ajudar a compreensão dessa abordagem clínica.

Sigmund Freud considerado o “pai da psicanálise”, foi um médico neurologista austríaco que propôs este método para compreensão e análise da psique humana, como uma opção psicoterápica frente as abordagens da psiquiatria tão precárias no século passado. Historicamente, as doenças da mente sempre foram tratadas com medo e preconceito, dadas como espirituais, bruxaria e parcamente estudadas e conhecidas. O movimento renascentista não trouxe benefícios aos doentes psíquicos, pelo contrário, exacerbou as práticas de perseguição e desrespeito.

Três séculos depois (no Iluminismo), os doentes mentais ainda viviam em condições de precariedade, mal alimentados e submetidos a maus tratos, trancafiados em asilos ou hospícios. Foi somente com o ápice das ideias humanistas da revolução francesa, principalmente na figura do médico francês Philippe Pinel que o cenário da psiquiatria começa a mudar e ter uma abordagem mais humanizada. A escola Francesa de psiquiatria, desponta então como referência no assunto, nomes como Philippe Pinel, Pierre Janet, e Jean-Martin Charcot (com quem Freud fez estágio), são responsáveis por essa revolução no cenário do tratamento da doença mental.

Visão histórica da psicanálise e o pensamento psiquiátrico

As ciências naturais influenciaram grandemente o pensamento psiquiátrico da época, especialmente os trabalhos de Charles Darwin e Louis Pasteur. Além dos impactos no pensamento científico vindos dos cientistas, acrescentou-se também concepções sociológicas do “materialismo histórico” elaboradas por Karl Marx e Friedrich Engels, que mudaram profundamente a estrutura das relações sociais. A psiquiatria também foi influenciada pelo positivismo naturalista que caracterizou o final do século XIX e persistiu até a Primeira Guerra Mundial.

Esse cenário social, faz com que o recém-formado médico Freud, partisse em busca de um tratamento efetivo para pacientes com sintomas neuróticos ou histéricos. Ao escutar seus pacientes, Freud acreditava que seus problemas se originavam da não aceitação cultural, ou seja, seus desejos eram reprimidos, recalcados ao inconsciente. Notou também que muitos desses desejos eram fantasias de natureza sexual. O método da psicanálise trabalha com foco catártico, basicamente é o manejo da transferência e da resistência.

O analisado, numa postura relaxada (de preferência deitado no divã), é convidado a dizer tudo o que lhe vem à mente (método de associação livre). Suas aspirações, angústias, sonhos e fantasias são de especial interesse na escuta, como também todas as experiências vividas são trabalhadas em análise. Escutando o analisado, o analista tenta manter uma atitude empática de neutralidade – uma postura de não julgamento, visando a criar um ambiente seguro.

O setting analítico

Existem alguns requisitos para se formar o “setting analítico” como: a transferência e contratransferência, a existência de material que dê condições de se considerar o paciente “analisável” e a habilitação prévia do analista seguindo o tripé psicanalítico (teoria, supervisão e análise pessoal). A originalidade do método psicanalítico é justamente a novidade em dar voz ao doente que sofre dos transtornos da mente.

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O conceito de inconsciente introduzido por Freud propõe a existência de uma realidade psíquica, caracterizada por processos inconscientes, e que foge do controle do homem. A partir de Freud a mente humana foi dividida na seguinte topografia: consciente, pré-consciente e o inconsciente, que segundo a sua teoria trabalha em três estruturas dinâmicas entre si: o ID, EGO e SUPEREGO. Durante o século XX, surgiram muitos modelos clínicos e teóricos diferentes da psicanálise.

A psicologia do ego por exemplo, foi inicialmente sugerida por Freud em “Inibições, sintomas e ansiedade” (1926) e posteriormente foi ampliada através do trabalho de Anna Freud sobre os mecanismos psíquicos de defesa, publicado pela primeira vez em seu livro “O Ego e os Mecanismos de Defesa”. Já a moderna teoria do conflito, uma variação da psicologia do ego, é uma versão revisada da teoria estrutural, mais especificamente por alterar conceitos relacionados ao local onde os pensamentos reprimidos foram armazenados.

A psicoterapia institucional e a visão histórica da psicanálise

A teoria moderna do conflito trata dos sintomas emocionais e traços de caráter como soluções complexas para o conflito mental. A teoria da relação de objetos tenta explicar os altos e baixos das relações humanas por meio de um estudo de como as representações internas do “eu” e dos “outros” são organizadas. A psicanálise lacaniana integra a psicanálise com a linguística estrutural e a filosofia hegeliana, e é tida como um afastamento da psicanálise tradicional britânica e americana. A psicoterapia institucional é uma abordagem de terapia em grupo que reinseriu a psicanálise à prática psiquiátrica.

Começou a ser desenvolvida a partir dos anos 50, durante a reforma psiquiátrica francesa. A psicoterapia institucional é destacada por sua transformação radical na relação entre os profissionais da saúde e pacientes, bem como pela transformação do próprio hospital psiquiátrico como instituição. Está fundamentada em teorias multidisciplinares, tendo sido influenciada por elementos da psicanálise freudiana, lacaniana, por ideais marxistas baseados no centralismo democrático.

Em síntese, desde seu surgimento com Freud, passando por Lacan e tantos outros teóricos, a psicanálise tem se mostrado uma ferramenta em três áreas: primeiramente, a psicanálise é um campo clínico e de investigação teórica da psique humana e de seu funcionamento, independente da Psicologia. A psicanálise também é um sistema teórico sobre a vivência e o comportamento humano que tem suas raízes e ressonâncias nas ciências humanas.

Conclusão

Por último a psicanálise é um método de tratamento psicoterápico caracterizado pela aplicação da técnica da livre associação. Resumidamente a psicanálise é uma teoria da personalidade e um procedimento de psicoterapia; a psicanálise desde sempre influenciou muitas outras correntes de pensamento e disciplinas das ciências humanas, gerando uma base teórica para uma forma de compreensão da ética, da moralidade e da cultura humana.

Freud faz uma ferida narcísica na História da humanidade ao tirar o homem de seu antropocentrismo racionalista e afirmar que “o inconsciente é o grande senhor do homem”.

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    O presente artigo foi escrito por Igor Alves([email protected]). Formado em psicanálise pelo IBPC, graduado em letras e filosofia.

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