o xadrez e o inconsciente

Xadrez e o Inconsciente

Posted on Posted in Conceitos e Significados

Hoje falaremos sobre o xadrez e o inconsciente. Todas as informações, conhecimentos, situações vividas boas e ruins enfim tudo que acontece conosco desde de a nossa concepção até o dia da nossa morte estão gravadas, armazenadas e guardadas no reservatório que chamamos de inconsciente.

O xadrez e o inconsciente

Observe o formato arquitetônico das Igrejas. Quando estamos ali dentro sentimos uma sensação de paz, tranquilidade, segurança, sendo que as formas arquitetônicas das igrejas são sempre cúpulas ovais. Essas sensações e sentimentos vem da lembrança do local onde vivemos os melhores momentos das nossas vidas, o útero materno e que possui a forma de uma cúpula de igreja.

Outro exemplo, é a cor que mais nos chama atenção, vermelha. Isso ocorre pois durante os milhares de anos que o ser humano foi apenas coletor, a cor vermelha era a cor das frutas maduras e essa cor ficou relacionada com a sobrevivência e gravada no nosso inconsciente que nesse caso chamamos de inconsciente coletivo conforme o conceito da psicologia analítica criada pelo psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, sendo a camada mais profunda da psiquê humana.

Conforme Jung, “o inconsciente tem um conteúdo que pode ser levado à esfera do consciente e isso significaria um enorme aumento do fluxo de conhecimento.” No ano de 2022 vários fatos relacionados a genialidade humana chamaram atenção. No concurso de música Internacional Città di Penne um menino de apenas 5 anos Alberto Cartuccia Cingolani tocou Mozart com perfeição inimaginável.

O mestre, o xadrez e o inconsciente

O norte- americano Abhimanyu Mishra com apenas 12 anos tornou-se o mais novo grande mestre(GM) de xadrez de todos os tempos, sendo que em todo o mundo um pouco mais de 1500 jogadores de xadrez atuais alcançaram o titulo de GM. O brasileiro de 5 anos Theo Costa Ribeiro também em 2022 entrou para sociedade mundial de gênios com um QI (quociente de inteligência) dos mais completos que existe.

Qualquer pessoa, seja um pianista profissional, um jogador de xadrez, um estudante, um médico-cirurgião depende de anos de prática para chegar ao topo da carreira. Cerca de dez anos de prática – ou 10 mil horas de treino, conforme o psicólogo Anders Ericsson, da Universidade da Flórida Mas como é possível tornar-se um gênio em tão tenra idade?

Essa resposta está nas teorias de Freud e Jung que afirmam que o acesso ao Id(inconsciente) é o que torna as mentes humanas especiais. Freud em seu livro, Estudos sobre Histeria, de 1895:” O inconsciente é uma espécie de porão onde fica guardado o que não se quer mostrar, mas que pode revelar seu conteúdo com a ajuda de uma lanterna.” Esta lanterna seria os psicanalistas. Mas tarde em 1933, na Conferência XXXI, profere a frase "woeswar, sollichwerden", traduzida por "onde estava o id, o ego deve advir&quot.

O Inconsciente

Freud afirma que podemos acessar o inconsciente através dos sonhos, da análise, da associação livre, mas como trazer este conhecimento que está lá no porão do inconsciente a luz do consciente de maneira que se torne um “aumento do fluxo de conhecimento”?

O inconsciente não é um órgão e nem possui um lugar no cérebro, mas é um método de trabalho mental usado muito mais vezes que o próprio consciente, pois lida com funções que não precisam ter que tomar decisões. A maior parte do cérebro é ocupado pelo inconsciente e ele controla quase tudo o que fazemos. O caminhar, o falar, o ler, o escrever são exemplos de funções inconscientes pois não precisamos selecionar conscientemente as funções para estes atos, elas simplesmente vêm do inconsciente e são realizadas.

Por esta razão que é mais difícil aprender uma língua estrangeira. Mas de 90% dos processos cerebrais são inconscientes. No texto O EGO E O ID (1923), Freud usa o cavaleiro, o cavalo e as rédeas para explicar a relação entre os Id, Ego e o Superego: “A importância funcional do ego se manifesta no fato de que, normalmente, o controle sobre as abordagens à motilidade competem a ele.

A relação com o ID

Assim, em sua relação com o id, ele é como um cavaleiro que tem de manter controlada a força superior do cavalo, com a diferença de que cavaleiro tenta fazê-lo com a sua própria força, enquanto que o ego utiliza forças tomadas de empréstimo. A analogia pode ser levada um pouco além.

Leia Também:  O que são traumas humanos universais

Com frequência um cavaleiro, se não deseja ver-se separado do cavalo, é obrigado a conduzi-lo onde este quer ir; da mesma maneira, o ego tem o hábito de transformar em ação a vontade do id, como se fosse sua própria.”, portanto o eu tenta domar os instintos do isso(Id), o Cavalo é o isso, cavaleiro como o eu e as rédeas como superego e quando temos uma harmonia entre os três, o inconsciente se torna acessível ao consciente.

Podemos aqui fazer uma analogia com a felicidade descrita pelo filósofo francês Gilles Deleuze na intermitência do surfista, o mar/onda e a prancha de surf. Logo o que nos torna gênio é a capacidade de acessar o inconsciente na busca da resposta certa. Mas para que isso ocorra devemos estar em equilíbrio com os outros aspectos da psique humana.

Vasculhando o Porão, o xadrez e o inconsciente

O cavaleiro (Ego) tem que dominar o cavalo (ID) com o controle das rédeas (superego). O inconsciente não é apenas um depósito de traumas reprimidos, mas também de habilidades incríveis. O atual campeão mundial de xadrez Magnus Carlsen desenvolveu uma capacidade de acessar as informações contidas no inconsciente e transforma-las em vitorias, tornando-se o maior jogador de todos os tempos.

Isso se torna claro quando calculamos que numa partida de xadrez a partir do 33º lance o número de combinações é o mesmo do número de átomos do universo observável elevado ao quadrado. O número de átomos é algo em torno de 10 80 , portanto (10 80 ) 2 é o número de combinações possíveis no 33 ª lance, um número inimaginável. Entre 12 e 13 anos participei do meu 1ª torneio de xadrez.

Esse evento ficou registrado no meu inconsciente como se tivesse acontecido recentemente, apesar de já ter se passado várias décadas. Lembro do clube onde ocorreu o evento, meu adversário, o local, a temperatura que estava naquele dia, o local onde ficava a mesa que caso vencesse ficaria entre os primeiros colocados.

Conclusão

Consigo ver a posição de algumas peças, e certamente se fizer um esforço conseguiria recordar exatamente toda a posição que me daria a vitória. Acabei perdendo e é certamente por isso que esse evento ficou registrado na minha memória, caso tivesse ganho ela iria para um outro compartimento no porão do inconsciente e ali ficaria para sempre .

    NÓS RETORNAMOS PARA VOCÊ



    Quero informações para me inscrever na Formação EAD em Psicanálise.

    Agora podemos entender as palavras do Grande Mestre de xadrez cubano José Raúl Capablanca “se aprende muito mais nas partidas perdidas que nas partidas ganhas.” A seguir uma posição que é bem próxima ao que ocorreu naquele torneio de décadas atrás, e o mate que perdi de realizar e assim ficar entre os 1ª colocados é parecido com esse diagrama a seguir.

    Lembro que meu adversário que era bem mais velho que eu ter comentado que perdi de dar o “mate do fundão”. Eu estou com as peças negras e o meu próximo lance me dá a vitória, mas se errar este lance as brancas ficam ganhas, agora cabe a você resolvê-lo.

    xadrez

    Este artigo sobre Xadrez e Inconsciente foi escrito por Emilio Mansur, Engenheiro Civil-Eletricista, e estudante de psicanálise pelo Instituto de Psicanálise Clínica (IBPC), contato: [email protected]

    5 thoughts on “Xadrez e o Inconsciente

    1. Que texto maravilhoso e retrata muito bem como nossa consciência tem suas particularidades.

    2. Dama D7, sacrificando a dama ganha o jogo. Assim, a torre branca é obrigada a capturar a dama negra e depois que for jogada torre C8 na linha do rei, a torre branca é obrigada a voltar para defender e assim será capturada pela torre negra. Dando xeque mate.

    Deixe um comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado.