Resumo e análise da história A Cigarra e a Formiga

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As fábulas têm como objetivo entreter e ensinar algum tipo de lição. A cigarra e a formiga é uma das mais conhecidas e difundidas por todo o mundo. A narrativa traz elementos próprios da condição humana e sua relatividade.

Enredo

A cigarra e a formiga é uma fábula que narra a interação entre dois animais: formiga e cigarra, como dedutível pelo título. Vivendo num bosque, ambas dão às suas vidas o seguimento próprio de sua orientação animal. Enquanto a formiga diligentemente trabalha durante todo o dia, a cigarra canta divertidamente.

Assim, durante o verão, a cigarra questiona a formiga porque ela não cessa o trabalho para se divertir. Então a formiga lhe alerta dizendo que é preciso acumular provisões para a chegada do inverno. Porém, a cigarra não se convence dessa necessidade e continua a aproveitar a estação quente.

Eis que chega o inverno e a cigarra, como era de se esperar, sofre com frio e com a fome. Lembra-se então de pedir auxílio à formiga, pois esta tinha construído abrigo e acumulado alimentos. Entretanto, a formiga, em zombaria, dá a ela uma orientação. Quem havia cantado no verão deveria dançar no inverno.

Analisando A cigarra e a formiga

As fábulas condensam em si uma infinidade de simbologias comportamentais que se adequam ao contexto humano. Elas tratam de virtudes, de vícios, e exploram lições que o reino animal, predominantemente, pode nos passar. Assim, é de analogias que a maioria delas se vale para nos causar uma impressão instrutiva.

Com isto, a cigarra e a formiga não poderia ser diferente. As duas personagens representam dois perfis comportamentais completamente opostos definidos por valores igualmente contrários. A extrapolação deste contexto para o social humano nos coloca como espectadores de nossos próprios padrões.

A diligência da formiga

A formiga é o símbolo do trabalho e da organização. Pequenina, mas dotada de uma força muitas vezes superior ao próprio peso ela lidera o ranking de animais laboriosos. Não haveria exemplo mais apropriado para se adequar à narrativa que este.

Na fábula, a formiga está a juntar provisões para o período do inverno. Passa boa parte do enredo carregando folhas e outros itens naturais que serão utilizados na fortificação de seu abrigo. Além disso, carrega consigo também alimentos para serem estocados e servirem de sustento durante a estação fria.

Pensar no amanhã é importante

Assim, a cigarra e a formiga aponta para a necessidade de não optarmos pelo imediatismo. Nos leva a querer pensar no dia de amanhã, popularmente falando. Nos deixa longe do acaso e de esperar pelo que quer que esteja reservado.

É uma questão de planejamento: de mensurar necessidades vindouras e se permitir a tranquilidade de atendê-las sem sacrifícios. Assim, a formiga vai passar muitas vezes pela cigarra cantarolando e curtindo o verão, mas seguirá seu caminho de labor.

Somos conhecidos pelo hábito de deixar tudo para última hora. Em geral, é comum sentir o desejo de não pensarmos a longo prazo e nos manter fixos ao hoje de forma displicente. Porém, a lição não é viver para o futuro esquecendo-se do presente, mas ser sábio na dedicação a ambos.

Se é esperado que eu tenha necessidade x no futuro, preciso mover esforços agora para que possa cumpri-la. Contar com a sorte ou com o auxílio alheio diante da necessidade não é inteligente. Afinal, são condições fora do seu universo de ação.

Essa é a lição da formiga: se preparar, estar preparado. As oportunidades que tanto almejamos por vezes batem em nossa porta e as desperdiçamos porque não estamos aptos. A formiga é prudente, guarda o que precisa para que não venha lhe faltar.

A displicência da cigarra

Em A cigarra e a formiga é à representação da primeira que se destina o aprendizado da narrativa. Sendo assim, aqui ela quem simboliza o espírito da displicência e descaso para com a realidade. Imprudente e insensata ela curte todo o verão cantando e ignorando a aproximação do inverno.

Além disso, não se presta a ouvir os conselhos da formiga sobre a questão. Julga que a formiga esteja perdendo tempo com o trabalho árduo enquanto poderia estar se divertindo. Ela sequer se permite mensurar as consequências de sua negativa em não providenciar suprimentos para o tempo frio.

O bichinho de cantoria típica é aqui a figura da vadiagem. Mesmo com o exemplo e conselhos da formiga ela crê que a vida deve ser levada numa boa. Contudo, ela provará com a chegada certa do inverno que é preciso pensar no tempo vindouro.

Sem ter como se aquecer ou com o que se alimentar, ela vai pedir ajuda à formiga. Entretanto, na versão original, a formiga lhe nega abrigo de forma debochada.Não cantou durante todo o verão, pois agora dance durante o inverno”, é o que ela diz.

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Ou seja, o valor do trabalho fica aqui explícito. Seu fruto deve ser colhido por aqueles que fizeram por merecer. Da mesma forma, aquele que nada semeou não deve almejar aproveitar do trabalho alheio. Toda ação gera uma reação, e é preciso estarmos prontos para assumir as consequências de nossas escolhas.

Conclusão

As fábulas são lições quanto ao caráter e moral inseridos em histórias tipicamente infantis. Por meio delas, o ensinamento de modelos comportamentais saudáveis é transfundido entre seus leitores. Assim, o exemplo da história A cigarra e a formiga é mais uma dessas histórias a serem exploradas.



A previsão é de que a formiga seja o exemplo a ser seguido. Afinal, durante o verão trabalhou sem descanso para se manter durante o inverno. Mesmo sendo convidada a curtir a estação quente, ela se nega o direito à diversão pensando no futuro.

Por outro lado, o enredo da formiga pode ser visto como uma vida sem prazer, na qual apenas se trabalha. A vida ditada pelo acumular e pelo ter, onde o trabalho é a única engrenagem que faz a vida girar. Assim, a formiga apenas trabalha e nunca se diverte, sempre preocupada em juntar.

Enquanto isso, a cigarra despreocupada vive seu verão tranquilo. Canta e aproveita a vida de maneira alegre e festiva. Representando o perfil a não ser seguido, pois representa a diversão em oposição à responsabilidade do trabalho. Ela não se preocupa em acumular nada para o inverno que vem, apenas vive.

Porém, a que ponto as lições mostradas aqui podem ser assimiladas pelas crianças da forma como são? A vida é apenas trabalho e mecanização? É condenável vivenciar a liberdade e o prazer da vida? E o que dizer da atitude nada solidária e cruel da formiga?

Todas essas abordagens precisam ser pensadas no momento de explorar a história. São valores muito fortes e eleger um perfil ideal dentro da narrativa para crianças, por exemplo, pode distanciar a razoabilidade. O bem e o mal, a velha dualidade, precisa ser explorada em seu todo.

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