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A obra de Freud em 4 grandes fases

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Para Fine (1981), a obra de Freud pode ser dividida em 4 grandes períodos. Para entendermos essas fases e os livros de Freud, comecemos com os primórdios dos estudos de Freud sobre a mente humana.

O início da carreira de Freud

Sigmund Freud (1856 -1939), fez da sua vida um ciclo de descobertas, com suas análises clínicas, teorias e a busca incansável pelo entendimento das idéias, dos comportamentos oriundos da mente.

As experiências vividas em sua infância, sua formação familiar são bases para toda a obra de Freud.

e é nítido que toda a influência desta fase de sua vida contribuíram de alguma forma para seu estilo de pensamento.

A busca pelo significado e um desejo pela pesquisa, além do ensino, transforma-se em uma dedicação incansável por descobertas e o estímulo pelo reconhecimento.

Estudos e Descobertas

Quando ganhou a bolsa de estudos, Freud transferiu-se para Paris para ser auxiliar do renomado médico francês Charcot e acompanhar seus estudos sobre histerias e os efeitos da sugestão hipnótica.

Esta experiência começa a direcionar Freud para a psicopatologia.

A obra de Freud não teria sido possível sem o relacionamento de conhecimento e negação de Freud para com Charcot.

As lições que aprendeu durante sua fase de assistente da clínica de Charcot foram de grande valia, pois começou a entender que a histeria teria uma ligação com um distúrbio nervoso.

Ele também conheceu e usou a hipnose. No entanto, mais tarde lançou mão desta prática, ao descobrir que ao questionar seus pacientes sobre as origens de seus sintomas, a eficácia em relação às sugestões hipnóticas não tinham aceitação satisfatória.

A autoanálise

Entender a psique humana para Freud era um fator muito importante. A compreensão de discursos e pensamentos, detalhar os significados, o que implicava cada parte e a repercussão na vida de cada ser humano.

A criação de um sistema em 1897, que Freud chamou de “esplêndido isolamento”, deu início a estruturação da psicanálise e neste contexto começa a chamada “auto-análise”.

Freud em sua auto-análise se conduziu por meios de sonhos, memórias de sua infância e a associação livre (atenção em relação a construção da fala, seus significados, intenções para descobrir seus reais propósitos). A auto-análise de Freud foi a base na qual toda a ciência psicanalítica se desenvolveu.

Os 4 grandes períodos da obra de Freud

Fine (1981) divide a obra de Freud em 4 grandes períodos.

  • Estudos voltados para Histeria: estudos de Freud com Charcot, Breuer e Jung;
  • Autoanálise: Freud analisa sua própria mente, sua história e a teoria cultural;
  • 1ª tópica ou Teoria Topográfica: a mente humana se divide em inconsciente, pré-consciente e consciente;
  • 2ª tópica ou Teoria Estrutural: a mente humana se estrutura em id, ego e superego.

A função desta divisão era organizar o pensamento de Freud e conseguir compreender a extensão e a importância que a sua obra tinha para a construção psicanalítica.

Até hoje a obra de Freud influencia e orienta as análises da mente humana.

As estruturas da mente

A partir da sua obra publicada em 1900, “ A interpretação de sonhos” é apresentado a idéia de estruturas que organizam a mente em três sistemas ou como também é conhecido “instâncias”:o inconsciente (Ics),o pré-consciente (Pcs),o consciente (Cs)

A ideia é que este modelo estrutural, dividido em sistemas, ocupariam lugares e funções determinadas criando a dinâmica do funcionamento da mente.

A questão de determinação de lugar não é ligado fisicamente e sim virtualmente, ou seja, para organizar as funções de cada sistema e as características dentro do aparelho psíquico como é conhecido.

O Inconsciente primitivo

Esta instância como é denominado por Freud é o tema principal da estrutura da mente. O seu funcionamento foge ao nosso entendimento convencional e da razão consciente.

A parte inconsciente da mente é responsável pelas lembranças primitivas, pelas recordações de experiências vividas na infância e sua relação com o mundo por meio dos sentidos.

A atemporalidade do inconsciente

A complexidade do entendimento do inconsciente é devido a não apresentação de uma “lógica racional”, por exemplo: algo feito em determinado “tempo”, uma “causa” para determinar uma situação ou tamanho para determinar “espaço”.

O que existe no inconsciente são apenas afirmações, incertezas ou dúvidas que não recebem atenção. As representações são misturadas, amor e ódio são apresentadas ao mesmo tempo e também de uma forma atemporal, ou seja, não existe ordem cronológica de vida para os fatos.

O filtro pré-consciente

A instância pré-consciente é o filtro das informações que determinam quais conteúdos ou informações devem ser elevadas ao estágio consciente.

O pré-consciente funciona como uma “barreira de contato” entre inconsciente e consciente, portanto, todas as informações armazenadas podem ou não ter acesso ao nível da realidade.

A estrutura da linguagem é determinada com “representações das palavras”, ou seja, um conjunto de informações gravadas e significadas na infância.

Nesta etapa pré-consciente é apresentado uma significação dentro das lembranças infantis e primitivas, tratando os conteúdos de forma controlada antes de impulsionar energia para o consciente, permitindo desta forma experiências mentais que direcionam diferentes caminhos no sentido da satisfação.

Consciente é a consciência das coisas

É a interpretação da realidade, se diferencia do inconsciente pela forma como é identificado seus dados e informações recebidas. O consciente se desenvolve pela união da representação das coisas e das palavras, dando sentido para determinado objeto.

O processo de funcionamento se baseia em pequenas representações gravadas do inconsciente e organizadas em forma de comunicação. Através de linhas de raciocínio, percepções e ponderações visualiza a realidade, sendo capaz de avaliar sua satisfação, investindo energia ou não em determinadas situações, tolerando momentos de dor ou prazer.

As linhas de defesa da mente

Freud atribuiu um conceito onde a mente cria alguns mecanismos de defesa. A estas ferramentas da mente denominou recalcamento ou também nomeado como repressão.

Na primeira linha de defesa da mente, são criados barreiras que impedem a lembrança de conteúdos angustiantes marcados no inconsciente, resultado de experiências traumáticas.

Estes conteúdos insuportáveis são limitados e sem essas restrições, o indivíduo não conseguiria se constituir como ser ou pessoa de forma satisfatória. No entanto, esse mecanismo pode apresentar algumas falhas, quando essa censura se enfraquece.

O enfraquecimento do mecanismo de defesa

O enfraquecimento é proveniente de energia pulsional onde o conteúdo que está reprimido no inconsciente transita pelas outras instâncias e ganha o acesso ao consciente.

A esse acesso ao consciente e falha do mecanismo de defesa Freud denominou como retorno do recalcado ou reprimido. A descarga de energia pulsional é visualizado em forma de sintomas físicos. Ela pode se transformar em medos, ansiedades, hábitos excessivos que podem se categorizar como fobias, histeria ou obsessão.

Conclusão

Conforme o que foi apresentado, concluímos que as análises, pesquisas e experiências que Freud promoveu pelo seu impulso ao conhecimento das idéias e comportamentos, nos projeta à um universo de possibilidades que a mente pode nos proporcionar.

A obra de Freud é a fundação da Psicanálise. Representa uma das mais ricas fontes de saber para quem estuda mente, comportamento e cultura.

Autor: Márcio Amaral Jr., exclusivo para o blog Psicanálise Clínica.

 

 

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