alice no país das maravilhas

Alice no País das Maravilhas: resumo interpretado

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Alice no País das Maravilhas é um dos contos infantis mais populares de todos os tempos. A história de uma menina que cai em um buraco e se encontra em um mundo fantástico tem sido apreciada por crianças e adultos por gerações.

A história de Lewis Caroll reúne elementos dos mais diversos da composição humana e, por isso, é um grande clássico da literatura infantil.

No entanto, Alice no País das Maravilhas é mais do que apenas um simples conto de fadas. A história também pode ser interpretada como uma alegoria para a psique humana. Os personagens e eventos da história podem ser vistos como representações de aspectos da mente humana, como a razão, a emoção, o subconsciente e o ego.

Neste artigo, vamos explorar a análise psicanalítica de Alice no País das Maravilhas. Vamos discutir os símbolos e arquétipos usados na história, bem como como eles se relacionam com a psique humana!

Por que você deveria se interessar por Alice no País das Maravilhas?

Para começo de conversa, além de todos aspectos que já dissemos mais acima, o simbolismo da narrativa bem como seus personagens ajuda a imaginação e aguça a curiosidade pela correspondência ideal. Ou seja, este não é um livro apenas para crianças!

Viajar para um mundo fantástico pode ser uma experiência com a qual muitos adultos podem se identificar. Ademais, vão poder ainda atribuir até novas explicações e leituras para o que estão lendo. Indagações como:

  • será que Alice caiu em sono profundo?
  • está sonhando acordada?
  • Ou será que ela está vivendo aquela experiência mesmo?.

Cabe ao leitor dar à narrativa o trato que melhor lhe caiba. Contudo, é notável que a psicanálise avalie como processo a história da menina que desce às terras profundas.

As ações, os personagens, as falas, tudo deixa claro a expressão profunda da análise psicanalítica que é latente nessa história. Vamos falar sobre isso em seguida!

Quem é Alice

Em Alice no país das maravilhas, a menina é descrita como doce, gentil, e bem ávida em desvendar a realidade à sua volta. Segundo a análise que fazemos, o conto nada mais é do que a simbologia do mundo fantástico da dualidade consciente/inconsciente.

É óbvio que a pequena Alice é a mente racional e inquieta por respostas de todos os tipos. É ainda quela pessoa que segue adiante sendo levada pelos instintos a fim de descobrir o que vem à frente.

Assim, a curiosidade nata e o desejo do conhecimento pleno estão aqui representados pela menininha.

Alice quebra os padrões, se dignifica a pensar, refletir, avaliar coisas, condições e pessoas. Sendo assim, ela não aceita que lhe entreguem verdades prontas, pois ela quer buscá-las por si mesma.

É a consciência que a leva a tirar suas próprias conclusões, independente da narrativa que é entregue.

Mais sobre Alice no País das Maravilhas e inconsciente, consciente e subconsciente

A menina doce mergulha no mundo subterrâneo seguindo ao seu coelho branco. O mundo do fantástico se revela para ela. Aqui, podemos interpretar que tal realidade alternativa se trate do próprio subconsciente humano, o lugar onde tudo é possível.

Sendo assim, de forma lógica, ela encontra por lá seus medos e anseios mais profundos.

Podemos tomar nosso subconsciente como o mundo subterrâneo em Alice, você sabia disso? Oculto e guardado pelos sentidos diversos, ele reúne todas as nossas fraquezas e possibilidades. No entanto, é possível acessar esse lugar tão restrito e maluco com algumas ferramentas.

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    Os sonhos, por exemplo, para Freud são manifestações involuntárias do que habita por lá. Com sessões de terapia, por outro lado, também podemos ver muita coisa.

    Tendo dito isso, vamos olhar com mais atenção para o a história dessa narrativa.

    Mais sobre o enredo

    O mundo subterrâneo

    Na narrativa de Alice no País das Maravilhas, a menina desce ao mundo subterrâneo por meio de uma longa queda. A descida ao subconsciente amedronta, afinal, nos põe diante de nossos maiores medos. Porém, estamos nos voltando para nossa transformação, para o autoconhecimento.

    Mundo inferior, denso, desconhecido, de desconfortável acesso, essa é a definição para  que se passa em nossa mente. O que tem por lá pode nos amedrontar, da mesma forma que pode nos libertar para a plenitude a nível consciente.

    Entretanto, este acesso não se dá sem esse desconforto inicial de se encontrar.

    “Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo” (Sócrates). Nós somos o universo e o universo somos nós.

    Estamos conectados com a energia cósmica, todos fazemos parte da grande comunidade universal. Assim, todos nós podemos ter acesso a essa grandeza de poder.

    A importância do autoconhecimento

    Diante da profundidade do inconsciente humanos, há um poder muito grande na decisão de despertar para o autoconhecimento. Se trata de abrir as portas da mente subconsciente onde todas as potencialidades estão armazenadas e, de forma contraditória, bloqueadas.

    Assim como Alice desceu ao mundo inferior para buscar respostas, você também vai descobrir aspectos importantes.

    Podemos equiparar o dizer “assim na terra como no céu” com “como é no consciente assim seja no subconsciente”. É ele quem nos molda, é ele quem determina quem somos. Sendo assim, ter acesso a ele é encontrar a chave para a plenitude existencial, é se conhecer por completo desde sua formação.

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    Os arquétipos

    Ao longo da jornada de Alice no País das Maravilhas, ela se depara com inúmeros seres fantásticos. Alguns seres são antropomórficos, outros inanimados com personalidade, figuras humanas excêntricas como o Chapeleiro Maluco e a Rainha de Copas.

    No caminho de se aprofundar em suas próprias emoções, buscando o fundamento de sua realidade, a menina ainda faz amigos. Estes tanto podem ser a representação de seus próprios sentimentos quanto aspectos de sua psiquê. Ao longo da história, tudo se descortina dentro do contexto em que a menina está.

    Personagens

    Se a gente enxergar os personagens como elementos inerentes à própria Alice, a vilã Rainha de Copas é impulsiva, urgente, intensa. Seria ela a própria emoção dominando a razão.

    A menina Alice ainda ignora a sua realidade, tomada pelos seus conceitos harmônicos de sentimentos. Com isso, notamos a profundidade de se vê diante de quem de fato é.

    Já o Chapeleiro Maluco seria o aspecto masculino de Alice ainda confuso. Ao mesmo tempo em que se identifica com ela pela sua trajetória, lhe serve como condução intuitiva. Ele tem conselhos e dicas para lhe dar, representando certa autoridade naquele lugar (o subconsciente) como poder de condução (intuição).

    Além destas figuras bem caracterizadas e notáveis, há séries de outros arquétipos e elementos figurativos. Avaliado desta forma, o conto perde a conotação infantil e se mostra conto para gente grande. O país das maravilhas é o país das possibilidades, é nele que tudo pode existir e ser realizado.

    Expandindo a interpretação

    O conto ingênuo de uma menina que cai num buraco e percorre um mundo de maravilhas não é apenas mais um conto. Sendo assim, ele trata do mergulho nas verdades ocultas profundas, uma viagem externa representando uma interna. E tudo isso se descortina diante do tédio e da improdutividade de Alice.

    É a partir daí que a menina se sente chamada justamente pelo Coelho Branco, rápido e apressado, como a imaginação de Alice. Assim, com imaginação fértil e inquieta, que a menina se lança na aventura fantástica de redescobrir sua própria realidade.

    No universo que a espera o intelecto e racionalidade não dominam, o tempo é independente, as leis são alheias. Sendo assim, nada mais poderia haver se não o fantástico que se apresenta, a menina precisa enfrentar o sobrenatural. A ilusão real é a que está fora do buraco. E assim, Alice no País das Maravilhas vai enfrentar seus confrontos internos para descobrir qual o real sentido.

    A menina encontrará, enfim, seu lugar através do caminho surreal percorrido. Deixando de lado o tédio, a insegurança, a dúvida e se tornando autêntica, ela há de se deparar com seu novo eu.

    Comentários finais sobre Alice no País das Maravilhas

    A história de Alice no País das Maravilhas pode ser interpretada como uma jornada de autoconhecimento. Alice representa o ego, que está tentando entender a si mesmo e o mundo ao seu redor.

    Os personagens que Alice encontra no País das Maravilhas podem ser vistos como representações de diferentes aspectos da psique humana. Por exemplo, o Coelho Branco representa o instinto, a Lagarta representa a sabedoria, e o Chapeleiro Maluco representa a criatividade.

    Os eventos que acontecem na história representam os desafios que o ego enfrenta em sua jornada de autoconhecimento. Por exemplo, quando Alice fica presa em uma sala com uma porta que é muito alta ou muito baixa, isso representa a dificuldade de encontrar o equilíbrio entre o consciente e o inconsciente.

    No final da história, Alice acorda e percebe que a jornada que ela teve no País das Maravilhas foi apenas um sonho. No entanto, esse sonho a ajudou a aprender muito sobre si mesma.

    Alice no País das Maravilhas é um conto que transmite nas suas entrelinhas mais do que alcança o público infantil. Aliás, como em boa parte das histórias infantis onde habita o fantástico, o mundo psíquico está simbolicamente representado.

    Afinal, é ele quem determina nossa realidade tangível e intangível.

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