O que é amor para a Psicanálise?

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Uma palavra carregada por tamanha ternura, o amor tem significados diversos, a depender de quem o olhe. Desde um sentimento de admiração até uma entrega total ao outro, é uma forma de estabelecer relações com o que acreditamos ser o ideal a nós. Veja o que a Psicanálise tem a falar sobre isto.

Conceito

Embora tenha vários significados, todos convergem numa mesma direção. Amor é um sentimento de afeto a outro ser, objeto ou até mesmo a uma ideia. Bastante primitivo, se manifesta desde o nosso nascimento e continua a medida que crescemos, acompanhando nossas complexidades e as refletindo.

Psicanalistas afirmam que, quando estamos apaixonados, procuramos refletir a nossa imagem no outro. Embora seja focado ao outro, é visto como uma forma egoísta de enxergar a nós mesmos. Ele serve para reforçar a imagem que cultivamos da gente, entretanto projetada em alguém.

Além dessa visão clínica, alguém enquanto ama tende a proteger e cuidar desse ente querido, dedicando-se a manter essa ligação forte que os une. É um sentimento não linear, manifestando-se de várias formas e em vários estados. Mesmo que enfezado, quem nunca cedeu o guarda-chuva ao parceiro quando este estava vulnerável à chuva?

Primeiro amor

Certamente, a nossa primeira manifestação desse sentimento é direcionada à nossa mãe. Desde a concepção, nutrimos um forte vínculo com ela e o mesmo é reforçado durante nosso crescimento. Ainda que não verbalizemos, demonstramos através de gestos e, principalmente, através do sorriso. Em casos exagerados, faz-se comparação com a tragédia de Sófocles, o “complexo de Édipo”.

Na infância, é mais fácil sentirmos e o demonstrarmos. Isso porque estamos mais receptivos às experiências proporcionadas pelo mundo e podemos devolvê-las. A visão inocente de uma criança é capaz de receber e entender o afeto sem questioná-lo ou suspeitar, diferente de um adulto.

Excessos

Embora seja um sentimento de entrega e cuidado com o outro, também pode ser prejudicial se ofertado de maneira excessiva. O chamado “amor patológico” se assemelha com uma dependência química e pode envenenar cada uma de nossas relações no cotidiano. Confira abaixo alguns dos fatores mais notáveis:

Ciúmes

Ao encontrarmos uma figura que instigue esse sentimento, nos dedicamos de forma quase que incondicional a ela. Por colocarmos ela num Olimpo idealizado, em determinado momento passamos a nos sentir inadequados a seu lado. Reconhecendo seus atributos ou idealizando sua perfeição, passamos a cobrar a sua presença e atenção excessivamente.

A cobrança constante leva a desentendimentos e até ataques, já que alguém ciumento não permite a interação do parceiro com outras pessoas. Ela se sente ameaçada por terceiros.

Depressão

Devido a sua personalidade fragilizada, um indivíduo depressivo se sente abandonado com facilidade pelo parceiro. Para suprir ou prevenir essa falta, o mesmo tende a se sentir dependente do afeto do outro, demonstrando sinais constantes de apego excessivo.

Ansiedade

Sempre presente em transtornos mentais, a ansiedade pode levar ao amor patológico. Antecipar frequentemente situações ou pensamentos inadequados podem fazer com que peque pelo zelo. Isso porque, basicamente, são hipóteses levantadas pela insegurança.

Extremos

Devido a incapacidade de se desvincular da imagem que ela tem desse objeto, um indivíduo pode recorrer ao suicídio. O despreparo psicológico diante da ideia de perder alguém sentimentalmente é algo inconcebível a ela. Recusando-se a viver com a dor do que acredita como rejeição, alguns indivíduos interrompem o ciclo de vida de maneira abrupta.

Benefícios

Sentir o amor é uma das melhores coisas que existem. Além do fato em poder dividir uma relação com alguém, isso traz excelentes benefícios à sua saúde física e mental. Começa pela:

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Saúde

A feniletilamina é apelidada de “hormônio da paixão”. Predominantemente em alguém que mantém o hábito de amar, ela provoca uma sensação de bem-estar no indivíduo. É bastante comum encontrarmos alguém que ama feliz, pois o mesmo se sente acolhido e importante para o parceiro.

Resistência

Uma pessoa que está apaixonada tende a adoecer menos. Isso porque os hormônios liberados nesse estado reforçam a saúde do corpo, combatendo rapidamente qualquer toxina que macule o organismo. Ainda que o indivíduo venha a adoecer, ele poderá se recuperar mais rapidamente.

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Mente

Devido ao estado otimista em que um amante se encontra, ele nutre e mantém pensamentos positivos a respeito de si mesmo. Desse modo, evita que pensamentos destrutivos o levem a um quadro de depressão e ansiedade, sem contar a redução no estresse.

Coração

Apesar de parecer um pouco clichê, amar faz bem ao coração, literalmente. Isso acontece porque, com os níveis de estresse reduzidos, a carga emocional negativa que atinge o sistema cardiovascular é quase nula.

Dados da Sociedade de Cardiologia do Rio de Janeiro confirmam que esse sentimento pode evitar a mortalidade de pacientes que tem problemas cardíacos.

Autoestima

Embora cuide mais da aparência por estar amando, toda a mudança e manutenção de visual é primeiramente para você. Devido ao sentimento, você se sente desejado e atraído pelo outro. Desse modo, os cuidados consigo mesmo são reflexos dos bons sentimentos que você procura nutrir com o parceiro.

Sociabilidade

Amar te torna um indivíduo mais receptivo a conviver em grupo. Não é uma regra, mas é um comportamento bem notável na maioria dos amantes. Por ser retribuído e nutrir um bom relacionamento com o parceiro, a maioria das pessoas tende a expandir esse comportamento. Assim, se tornam mais sociáveis e mais encaixados em um grupo.

Na mitologia

Na mitologia, o amor era uma personificação divina, avassaladora e adorada por pessoas comuns. Dependendo de onde se encontravam, as pessoas o nomeavam conforme suas crenças, atribuindo um sentido mítico a ele.

Veja a Grécia, por exemplo. Esse sentimento é personificado pela imagem da deusa Afrodite na mitologia grega. Os gregos acreditam que ela exerce forte influência nos seus relacionamentos amorosos, contribuindo também ao prazer sexual. A imagem dela é construída baseando-se na visão que eles mantém do amor: algo belo, divino, lascivo e atraente.

Na mitologia romana, por outro lado, existe a imagem da Vênus, equivalente à Afrodite. Ela é a deusa do amor e o ideal de beleza feminino, sendo cultuada há muitos séculos. Assim como sua contraparte, esse ideal era representado por uma figura que cedia e se entregava aos desejos que sentia em relação ao amor. Teve vários filhos, entre eles o Cupido, no qual podemos associar a ideia de que “o amor transborda”.

Considerações finais sobre o sentimento do amor

Um sentimento tão bruto é capaz de fazer mudanças radicais em nossas vidas. Independente da visão, aceitar amar e ser amado pode trazer bons frutos à sua vida e cotidiano. Dividir com alguém o monte Olimpo dos sentimentos pode ajudar a nos transformar em alguém mais feliz e, por que não, sucedidos?

Embora seja algo maravilhoso, ressalto que nada de exageros. Como vimos acima, sentimentos de posse em relação ao parceiro nos torna pessoas desagradáveis e facilmente chegamos assim ao estado de amor patológico. Isso afasta o outro e nos torna destrutivos e até agressivos.

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Agora que mergulhou a fundo no assunto, que tal tomar um fôlego e dividir experiências conosco? Conta para gente como o amor mudou o seu comportamento e visão em relação à vida. Seu relato pode inspirar outras pessoas que buscam a motivação necessária para se abrir a esse sentimento. Por fim, caso queira estudar os sentimentos humanos como um profissional, matricule-se em nosso curso online de Psicanálise Clínica!

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