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O Ato falho como objeto da psicanálise

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Hoje entenderemos mais sobre o ato falho. Quem nunca em um determinado momento da vida esqueceu de entregar algum objeto? Ou em algum momento esqueceu de fazer uma ligação para alguém? Ou, de repente, em uma conversa entre amigos, acabou falando algo que colocou as suas ideias em questionamento?

Esses e muitos outros exemplos são conhecidos em psicanálise como atos falhos.

O Ato falho

Essas “falhas” podem acontecer de três formas diferentes: na linguagem; no esquecimento e no comportamento. Mas, diferente do que muitos pensam, o ato falho pode ser entendido como uma ação protetora da nossa mente para conosco já que, é a partir desses lapsos, que toda verdade sobre o que está recalcado em nosso inconsciente pode está presente, possibilitando uma análise mais assertiva acerca de determinados problemas.

A clínica psicanalítica leva em consideração o relato daquele que está sendo analisado e, no momento dessa fala, algo de diferente ou surpreendente pode surgir, trazendo à tona o que realmente o inconsciente guarda. Na verdade, isso significa que mesmo que alguém tenha toda uma intenção de construir um sentido, alguma coisa do ponto de vista inconsciente insiste e surge.

Mas, nem sempre um ato falho terá um valor do ponto de vista clínico. Cabe ao analista perceber se, naquele momento, tal ato abrirá caminho para descortinar uma outra possibilidade de compreensão para que se possa chegar a algum tipo de elaboração psíquica.

O Ato falho e a análise

No momento da análise, as lembranças de sonhos e de situações no período da infância também são de extrema importância, pois costuma-se perceber escolhas de palavras não aleatórias, apresentando uma sobre determinação que pode ter a ver com o registro inconsciente, onde várias representações se cruzam interagindo entre si produzindo um ato falho e, dessa maneira, aproximar o analista dos verdadeiros sintomas de um determinado sofrimento que aquele paciente possa esta passando. O ato falho não tem um sentido único.

Ele pode ter um sentido em um primeiro momento e pode ter outro muito tempo depois já que não existe uma linha de causa e efeito específica. Nesse sentido, podemos dizer também que o ato falho é o cruzamento de várias representações psíquicas que interagem de forma a produzir algo que faça o analista entender o que está por trás de tudo aquilo que está sendo exposto através das palavras escritas; relatadas via linguagem oral ou por gestos corporais.

Sendo assim, pode-se dizer, por exemplo, que o relato dos sonhos acaba ganhando muito mais importância, do ponto de vista da análise, do que o próprio sonho em si, pois, no momento em que se conta o que se passou no sonho, as palavras que são ditas são escolhidas pela pessoa que fala e, essas escolhas acabam dando uma pista do que, de fato, pode está guardado no inconsciente da mesma.

O duplo sentido

Nesse momento o analista deve está atento, pois é quando aparecem as verdadeiras angústias e sofrimentos do sujeito e isso, de uma maneira ou de outra, acaba demonstrando coisas às quais ele não sabe ou não quer lidar e, nesse contexto, os equívocos surgem em forma de algum duplo sentido ou na troca de expressões, gerando uma ruptura com a ideia original, criando novos sentidos ou novas linhas associativas que revelam quem é de fato a pessoa que está falando e o que verdadeiramente está guardado em seu inconsciente.

Quando o que está recalcado é exposto e a pessoa que está sendo analisada sente isso, podemos dizer que há o efeito clínico e é, a partir disso, que Freud acaba percebendo que toda ideia ou representação que nos causa incômodos, conflitos e angústias é, por nós, protegida.

Mas podemos entender o ato falho também como uma forma de insistência do inconsciente para com essa proteção imposta pelo consciente, de forma que isso cause uma quebra e exponha os verdadeiros desejos daquele que está sendo analisado.

Ato falho e Psicanálise

Em psicanálise clínica a medida em que o paciente se submete a associação livre, o mesmo não deve se preocupar com todo sentido daquilo que é consciente, possibilitando uma menor defesa e, como resultado, uma aproximação maior, por parte do analista, para aquilo que está escondido na mente do analisado.

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Vale ressaltar também a elaboração que Freud faz a respeito dos chistes, já que esses são mecanismos de linguagem criados para provocar risos ou incômodos. Porém devemos pensar o seguinte: por que os chistes provocam risos ou desagrado?

Essas narrativas geralmente falam de algo ou de alguém, nos remetendo a situações que estão guardadas em nossa mente. Isso pode ser engraçado ou fazer com que a pessoa que esteja ouvindo fique chateada. Mas qual a relação dos atos falhos com os chistes?

Conclusão

Como dito anteriormente, os atos falhos podem vir a partir da livre associação daquilo que está sendo dito pelo analisado no momento da análise e o chiste pode acontecer em vários momentos da vida cotidiana e ambos acabam tendo o uso da linguagem como forma de alcançar o inconsciente.

De acordo com“Zimerman” em seu “Vocabulário contemporâneo de psicanálise” Freud disse o seguinte: “um chiste nos permite explorar algo de ridículo em nossos inimigos, algo que, por causa de certos obstáculos, não poderíamos revelar aberta ou conscientemente”.

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    Pode-se dizer então que, assim como a mente humana é capaz de construir uma série de defesas para proteger o inconsciente, o analista deve ter a sensibilidade para perceber quando isso acontece e criar estratégias para alcançar a verdade, possibilitando, dessa maneira, um melhor entendimento sobre o problema do outro e a construção de caminhos para se chegar a soluções daquilo que o aflige.

    Referência bibliográfica

    ZIMERMAN, David. Vocabulário contemporâneo de psicanálise. Porto Alegre: Artmed Editora, 2001. 460 p.

    O presente artigo foi escrito por Humberto Santos de Andrade, psicanalista clínico pelo IBPC (Instituto Brasileiro de Psicanálise Clínica), especialista em grafologia e neuro escrita. Contato: [email protected] Visitem também a home page: sites.google.com/view/ciclipsi

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