A psicanálise winnicottiana aborda o autismo como uma dificuldade no amadurecimento emocional, resultado da falha do ambiente em atender às necessidades da criança autista.
Em vez de focar na interpretação verbal tradicional, a abordagem enfatiza a importância do holding (a sustentação emocional do ambiente) e da figura da “mãe suficientemente boa” para a constituição do self da criança.
Autista e o Brincar
A clínica com crianças autistas busca o uso de vínculos sensoriais não-verbais e do brincar, permitindo ao analista acompanhar o desenvolvimento do “aqui e agora” da criança em vez de focar no passado.
Donald Winniccott, pediatra e psicanalista inglês, fluente no campo do desenvolvimento psicológico, seus princípios defendidos são: o holding, handing e a apresentação de objetos.
Há o conceito de função de “mãe suficientemente boa” (ou a pessoa que cuida) para os cuidados do bebê.
Apresentar a tendências de Winniccott é como um processo de amadurecimento pessoal, nos faz compreender problemas que nos pareciam insolúveis.
Ambiente Suficientemente Bom
A integração do ponto de vista único de winnicotiano é espontâneo ao crescimento para realização, ou seja, é o que constituímos como a pessoa está, e se realiza no ambiente suficientemente bom.
Tal expressão não exige um ambiente perfeito, e sim, um ambiente que atenda cuidados minimamente ou suficiente bom.
Negligência em um ambiente que não cumpre funções que deveria, não acolhendo a criança com o papel de cuidadores primários os quais Winniccott chamam cuidados de mãe.
Se um ambiente invasivo exerce de forma super protetora, por exemplo, a mãe amamenta a criança e decide ou não quando o bebê tem fome e estabelece horários de alimentação.
Uma mãe não tira o seio da boca do bebê, o bebê abandona o caminho natural de desenvolvimento de tendência de integração e reage ao ambiente.
Falso Self
No processo de reação a ambiente o bebê desenvolve uma espécie de falsa personalidade onde Winniccott chama de falso self, uma espécie de carapaça que permite ele se defender e adaptar ao ambiente caótico.
Ele acompanha o ritmo natural da criança, o falso self pode acompanhar a organização psíquica do adulto futuramente.
O Holding, a sustentação é a capacidade do ambiente de sustentar o bebê de forma incondicional e adaptar às suas necessidades.
No autismo, a falta de um holding adequado pode interromper o desenvolvimento emocional e a integração do self.
Mãe suficientemente boa é o modelo de cuidado materno que consegue se adaptar às necessidades do bebê e, gradualmente, ir falhando de forma suportável, permitindo que a criança desenvolva sua autonomia.
QUERO INFORMAÇÕES PARA ME INSCREVER NA FORMAÇÃO EM PSICANÁLISEErro: Formulário de contato não encontrado.
Na clínica, o analista assume um papel semelhante ao da “mãe suficientemente boa”, oferecendo uma sustentação segura.
Super Proteção
No falso self, o autismo pode estar ligado a um desenvolvimento do “falso self” como forma de proteção, em que a criança se adapta ao ambiente em vez de expressar sua espontaneidade e singularidade.
A análise busca fortalecer o verdadeiro self.
Na relação transferencial, a análise com crianças autistas muda o foco do analista de apenas um “intérprete” para um “sustentador”.
A clínica se concentra nos vínculos sensoriais e não verbais, já que a interpretação verbal pode não ser útil ou até mesmo prejudicial para a criança.
O brincar e a utilização de objetos transicionais são vistos como atividades cruciais para a criança autista construir sua capacidade de se relacionar com o mundo.
Saindo da união primitiva com a mãe para se reconhecer como um ser único.
Autista e Comportamento
A abordagem de Winnicott foca no presente da criança, buscando entender seu desenvolvimento no ambiente atual, em vez de se prender a traumas passados.
A análise se volta para o “acontecer da criança” em seu comportamento.
O amadurecimento depende do desenvolvimento primário e de suas condições básicas em uma ambiente suficientemente bom com a criança com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).
Um ambiente onde a acolha, e atenda as suas funções e necessidades, esses processos acontecem desde do primeiro momento de vida, até mesmo em teoria o bebê humano não existe sem a mãe, pois há de se ter os cuidados primários.
Tem uma dependência absoluta, é a necessidade de ambiente suficientemente bom, caso contrário sendo negligente ou invasivo compreender e acolher as dificuldade da criança autista.
O Ego
É fundamental se adaptar o ambiente oferecido, na psicanálise há trauma que escapa da onipotência do indivíduo, está interligado sobre o controle do ego.
O analista não ajudará o analisando se disser “sua mãe suficientemente boa, uma vez que a mãe se culpabiliza geneticamente à saúde da criança, é um tabu ainda enraizado.
As intepretações precisam ser feitas em projeções que o analisando traz sem posicionamento e desenvolver a capacidade conviver.
É necessário ser capaz de controlar quaisquer sentimentos de um mau ou bom ambiente.
A ajuda qualificada do analista de desenvolver o brincar, procurando compreender as atividades lúdicas da criança com TEA dentro de uma perspectiva psicanalítica.
A atividade lúdica da criança consiste em um dos aspectos mais autênticos dos comportamentos infantis, não verbais, respetivos e/ou restritos.
As Interpretações
A análise comportamental e ambiental permite que a psicanalise infantil trabalhe com criança autista, como o método de condicionando de reforços positivo e negativo.
Ressaltamos que os jogos mostram que a organização do jogo representativo também pode ser considerada como uma forma de organização psíquica.
Na clínica infantil, o jogo é o veículo que dá acesso ao inconsciente da criança e permite que se estabeleça uma análise dentro daquele contexto.
Ele adquire um caráter particular na psicanálise, a partir do momento que o analista fornece interpretações do material do que surge nas atividades lúdicas.
Ao analisar o fenômeno da interpretação dentro da psicanálise para que, em um próximo momento, seja possível a articulação desses dois fenômenos.
O brincar e a interpretação psicanalítica junto a criança autista podem ser capazes de observar as características individuais e únicas desta condição e desta forma auxiliar no melhor manejo.
Artigo escrito por Elane Araújo com exclusividade para o Blog do Instituto Brasileiro de Psicanálise Clínica.
