Como Freud fez sua autoanálise

Como Freud fez sua Autoanálise: o paciente mais importante

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Algum tempo após o período de estudos na França, com Jean-Martin Charcot, conectado com os princípios hipnóticos, novas visões e entendimentos de como Freud fez sua autoanálise e sobre a histeria e uma abordagem mais analítica sobre a psique humana. Freud, também após aprofundar seus estudos sobre a histeria e compreender que transtornos psíquicos, entende que a histeria surge a partir de repressões psíquicas de experiências vividas, sob forte influência da sexualidade. Freud decide, então, realizar sua autoanálise, entrar no que ele mesmo denominou de “Esplêndido Isolamento”.

Entendendo como Freud fez sua autoanálise

Nesse seu período, Freud mergulha em um isolamento e autoanálise constantes. Começa, a partir da análise de suas próprias experiências, anseios e influência de seu aparelho psíquico, a estruturar as bases da Psicanálise. Por meio do estudo e interpretação de seus sonhos, associação livre, questionamentos e memórias, Sigmund Freud fundamenta as estruturas da ciência psicanalítica, usando a si mesmo como analista e paciente.

Durante esse seu tempo de autoanálise (de 1893 até 1899), Freud fundamenta e escreve diversos textos sobre neurose, sexualidade e histeria, enquanto avançava na elaboração e escrita de seu livro mais importante (segundo até ele próprio), “A Interpretação dos Sonhos”, que fora publicado em 1900. Marcando o início de um dos séculos mais emblemáticos, custosos, penosos e complexos da história da humanidade.

A autoanálise de Freud significa: Freud como paciente de Freud. O homem que enfrentando seus demônios por conta, a ponto de, além de toda essa busca, essa Odisseia interna acerca de suas lembranças, anseios, traumas e sentimentos, fundamenta uma das teorias mais importantes e influentes de todos os tempos.

Assim, Freud nos mostra mais um caminho, além do que é demonstrado nos caminhos profundos e estruturados da Psicanálise. Mostra o caminho da busca e questionamento interno, que gera frutos, compreensão e visão sobre as influências que possui e as mecânicas do próprio ser.

A compreensão interna e como Freud fez sua autoanálise

O exemplo e o sucesso de Sigmund Freud em sua autoanálise demonstram a importância da compreensão interna, do autoconhecimento, da necessidade do homem, do indivíduo, de atingir compreensão sobre si, seus males e sua história e, ainda como o maior exemplo, aqui evidenciado, da compreensão do mundo, da humanidade e das bases fundamentais a que todos estamos, as influências, seja do meio, dos nossos medos ou anseios, da nossa história ou dos nossos amores, mas, a busca pelo autoconhecimento trouxe a Freud o conhecimento do mundo e dos deuses.

Como demonstrado no Templo de Apolo, a máxima latina Nosce Te Ipsum (Conhece-te a ti mesmo), derivada da máxima hermética “Conhece-te a ti mesmo e conhecerás os deuses e o universo”, são só alegorias oculto-filosóficas que demonstram a importância desse caminho de introspecção, questionamento e autoanálise. Este precurso propicia uma viagem dentro de si, passando pelo seu próprio Inferno, Paraíso e Purgatório, e sairá mais esclarecido e sábio.

Freud usou essa sua saga para estruturar as bases da Psicanálise e, com a sua ciência, mudar a forma como o mundo interpreta os processos psíquicos, como as estruturas sociais funcionam, os traumas, medos e anseios. E não somente saiu mais sábio, mas trouxe mais sabedoria à humanidade como um todo.

O funcionamento do indivíduo e da mente

A teoria de Freud se aperfeiçoa no processo de autoanálise de Freud. Trouxe esclarecimento sobre o funcionamento do indivíduo e da mente e, consequentemente, passamos a entender nosso próprio passado (não só como indivíduo, em nossos traumas e lembranças, mas como humanidade, com sábios, civilizações e impérios anteriores, tão como as bases das religiões). Também nos permite visualizar o futuro com maior clareza, já que conseguimos vislumbrar de onde viemos e de quais influência sofremos.

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A análise nada mais é do que esse passeio interno, essa compreensão das instâncias que nos compõem, com o auxílio de um Virgílio nota, ouve e interpreta enquanto o indivíduo descobre suas próprias estruturas, investigando o seu inconsciente e sua própria história. Assim, a autorreflexão e a introspecção para autoanálise demonstram-se parte de um caminho fundamental do processo psicanalítico, pois evidencia o quanto que, para que haja compreensão dos aspectos que compõem nossa psique e que conheçamos as influências que fazemos e que o meio faz sobre nós, é necessário o retorno a si mesmo para que haja a consciência das influências, das forças e dinâmicas do nosso ser que nos afetam.

O caminho e a estrutura deixada por Sigmund Freud e os outros teóricos da Psicanálise nada mais são do que um mapa, um meio para se atingir o autoconhecimento e a ampliação da consciência, a metafórica Pedra Filosofal que os alquimistas medievais e tanto alegorizavam, e em seus textos mais profundos teimavam em dizer que estava mais perto do que qualquer um podia imaginar.

Considerações finais

Como Dante Alighieri, Sigmund Freud caminhou pelas entranhas do seu próprio ser e, portanto, também pelas estruturas do mundo e das forças que constituem as civilizações e nos deixou esse mapa e sua história desse por esse seu caminho.

Dante de forma mais artística e poética, Freud, de forma mais cientifica, moderna e estruturada. A busca em si mesmo é o único caminho para o esclarecimento e a consciência.

A compreensão das forças ctônicas que nos influenciam (muitas vezes criadas por nós mesmos, e a incapacidade de compreender a si mesmo) é o meio que nos levará a sofrer menos com essas forças, a porta que nos levará à convivência pacífica do individuo consigo mesmo, e, claro, devemos ser sempre gratos àqueles que fizeram o caminho e retornaram com a chave que nos ajudará a abrir esta porta em direção a nós mesmos.

O presente artigo foi escrito por Michael Sousa ([email protected]). Possui MBA em Gestão Estratégica pela FEA-RP USP, é graduado em Ciência da Computação e especialista em Gestão por Processos e Six Sigma. Possui extensão em Estatística Aplicada pelo Ibmec e em Gestão de Custos pela PUC-RS. Entretanto, rendendo-se aos interesses pelas teorias freudianas, foi formar-se em Psicanálise no Instituto Brasileiro de Psicanálise Clínica, e procura diariamente especializar-se cada vez mais no assunto e na clínica. É também colunista do Terraço Econômico, onde escreve sobre geopolítica e economia.

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    2 thoughts on “Como Freud fez sua Autoanálise: o paciente mais importante

    1. Ótimo texto, Michael! Entendo que alçar esta noção dantesca seja fundamental, a priori, já que estamos engendrados em todas estas condições herméticas composta por você, por ele, e até mesmo, por Freud.

    2. Lamentável a escrita desse autor. Dedicado, ousado, desejoso de profundidade, mas, se não resolver seu problema com a Língua Portuguesa, não irá para frente. Impossível. Não dá pra entender um texto quebrado e fragmentado como este. Infelizmente, porque o autor demonstra vontade de saber, dedicação e leitura.

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