Carapuça serviu

Carapuça serviu: significado e exemplos da expressão

Posted on Posted in Comportamento, Conceitos e Significados, Psicanálise, Psicanálise e Cultura

Já ouviu a expressão “a carapuça serviu“?  Em nossa pauta de hoje, vamos conversar sobre ela. Trataremos de seu significado, explicaremos em quais contextos ela pode ser dita e ainda fazemos algumas ressalvas contra seu uso em alguns contextos.

Se você gosta de conhecer curiosidades sobre a língua e aprecia conhecer de verdade o significado por trás de expressões idiomáticas, não deixe de conferir este conteúdo até o final!

Para começo de conversa, o que significa afirmar ou perguntar se “a carapuça serviu”?

“A carapuça serviu” é uma expressão que usamos no português brasileiro para os contextos em que uma pessoa se identifica com algo ruim que falamos.

Explicamos melhor: imagine um contexto em que você está conversando com três pessoas acerca de uma quarta que não está presente na conversa. Nessa conversa, você menciona algo que a pessoa ausente fez e que você não gostou.

Acontece que uma das pessoas presentes também faz a mesma coisa, então ela reclama com você sobre a maneira como você fez uma acusação não sobre ela, mas sobre uma ação que ela também faz. 

Nesse contexto, você pode dizer: “Eu não estava falando sobre você, mas se a carapuça serviu eu não posso fazer nada”. 

Ou seja, o comentário que você fez não era sobre essa pessoa, mas ela se feriu com o que você disse mesmo assim.

O que é uma carapuça?

A carapuça é uma espécie de gorro com formato de cone. Esse chapéu era usado principalmente por pessoas condenadas em julgamentos no período da Inquisição. 

Logo, se uma carapuça serve em você, isso sugere que você também é culpado da acusação que alguém fez mesmo quando não era o acusado inicial.

E o significado da expressão “se a carapuça serviu, vista”? É diferente?

O significado é parecido. Quando você diz “se a carapuça serviu, vista” a alguém que se feriu com um comentário, a mensagem é uma indireta para que a pessoa assuma a culpa diante de uma acusação.

Em alguns casos, realmente é possível que a pessoa ofendida tenha “culpa no cartório”. No entanto, tudo dependerá do tipo de acusação.

Alguns exemplos para você aprender como usar a expressão “a carapuça serviu” adequadamente

Agora que você já sabe o que a expressão quer dizer, é hora de aprender os melhores contextos para empregá-la no dia a dia. Confira!

1 – Quando você estiver fazendo uma crítica a alguém

Como dissemos mais acima, um dos momentos mais típicos para usar a expressão “a carapuça serviu” é ao fazer uma crítica indireta a uma pessoa e perceber que ela entendeu que a crítica foi feita pensando nela.

Em geral, o interessante é usar a expressão em forma de pergunta, como em “A carapuça serviu?”.

2 – Quando você estiver se defendendo de uma crítica infundada

Uma situação em que você pode precisar usar essa expressão é quando você ocupar a posição de quem recebeu uma crítica infundada. Contudo, nesse caso, você usará a negativa, afirmando que a carapuça não serviu. 

    NÓS RETORNAMOS PARA VOCÊ



    Quero informações para me inscrever na Formação EAD em Psicanálise.

    3 – Quando você percebe que alguém se sentiu criticado sem motivo

    Um terceiro contexto de uso que pode ser interessante é quando você não está fazendo uma crítica a alguém presente no local, mas outra pessoa resolve tomar as dores dessa crítica no lugar.

    Leia Também:  O que é logoterapia? Definição e aplicações

    Esse é o contexto por excelência para usar essa expressão.

    Exemplos da Mídia

    Caso ainda não tenha ficado claro como usar a expressão “a carapuça serviu” no dia a dia, trouxemos alguns exemplos midiáticos a fim de mostrar como as pessoas trazem essas palavras para a sua comunicação.

    4 – Discussão dos BBBs Gustavo e Larissa

    Na edição atual do reality show Big Brother Brasil, os participantes Gustavo e Larissa se envolveram em uma breve discussão.

    O conflito se deu no momento em que Gustavo ouviu uma conversa entre Larissa e outras participantes do reality e resolveu confrontá-la ao sentir que elas estavam falando mal dele. Por essa razão, ele disse a Larissa: “Quem quiser falar algo pra mim fala na cara.”.

    Em resposta, Larissa afirmou: “Meu amor, se a carapuça serviu, não posso fazer nada.”

    Para respondê-la, Gustavo disse: “Carapuça, Larissa? Eu peguei você falando de mim na cara.”

    5 – Glória Groove fala sobre a canção ‘A Queda’

    Um segundo contexto interessante de observar o uso da expressão é na entrevista que a cantora Glória Groove deu acerca de sua música sobre cancelamento, intitulada “A Queda“.

    Na canção, a artista fala sobre comportamentos típicos de quem gosta de “cancelar” uma pessoa quando ela comete um erro. Ou seja, são pessoas acostumadas a criticar e isolar uma pessoa quando ela erra.

    De acordo com Groove, alguns artistas entenderam que a música era uma indireta para eles. Sobre isso, ela diz: E se artistas se manifestaram por terem se identificado com a letra, isso não significa que eu estou defendendo o que eles fizeram, só que a carapuça serviu (risos).

    Advertências contra o uso de “se a carapuça serviu” em alguns contextos

    Para finalizar, damos algumas instruções sobre o uso da expressão, pois nem sempre usá-la é de bom tom.

    Evite usar esse tipo de expressão no ambiente de trabalho

    Por exemplo, no ambiente de trabalho, é importante evitar esse tipo de comunicação, pois o fundo dela guarda uma certa agressividade dispensável.

    Seria um grande erro lançar indiretas contra um superior e até mesmo contra seus colegas, tornando a convivência com você difícil.

    Cuidado com o uso nos seus relacionamentos

    O uso de “a carapuça serviu” também não é interessante em seus relacionamentos mais íntimos justamente pelo caráter agressivo. 

    Indícios de passivo-agressividade

    Alertamos que você preste atenção nos contextos em que usa esse tipo de comunicação porque ela carrega agressividade, mas não qualquer tipo de agressividade.

    Trata-se de um gesto característico de pessoas passivo-agressivas, isto é, que disfarçam a agressividade da fala por meio de estratégias linguísticas.

    Considerações finais sobre a expressão “carapuça serviu”

    Esperamos que este conteúdo sobre falar que “a carapuça serviu”. Você aprendeu bastante sobre a origem da expressão, os melhores contextos de uso e ainda descobriu quando não é de bom tom dirigir-se dessa maneira a alguém. 

    Veja como um simples comentário pode revelar tanto sobre as verdadeiras intenções de uma pessoa, pois expressões como essa sugerem a construção de uma personalidade que se vale de passivo-agressividade para se comunicar. Assim sendo, esse hábito na comunicação revela a necessidade de investigar o porquê de mascarar as próprias palavras, o que pode ser feito com um tratamento psicoterapêutico. 

    Para conferir outros textos sobre expressões do dia a dia como “a carapuça serviu“, não deixe de conferir os demais artigos aqui do Psicanálise Clínica. Ademais, para mergulhar mais a fundo nas nuances e profundezas do comportamento humano, confira a grade de conteúdos do nosso curso de psicanálise clínica online. Ele é completo, oferece certificado de psicanalista e conta com uma série de opções de pagamento para você. Confira!

    Deixe um comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado.