Ciências Humanas e Sociais: Um olhar Psicanalítico

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No século XV, o conhecimento humano estava voltado para as tradições sociais e religiosas da época. Após as guerras, as grandes navegações e as reformas sociais, o homem procurou novas bases para apoiar o seu conhecimento. Desse modo, a subjetividade passou a ser priorizada, dando lugar às ciências humanas.

Na busca pela razão, a ciência foi sendo estruturada, pois só por meio dela se atingiria a verdade. Freud, no final do século XIX, elaborou a formulação de um novo conhecimento, uma nova disciplina científica, em sintonia com as noções de Descartes.

No campo da investigação científica, existia um paradigma entre a Psicanálise e as ciências humanas (ou sociais). O esforço de Freud na procura do método científico mostra o desejo de atestar que existe apenas uma ciência humana. Ao contrário, então, do que se pensava que existia: uma humana e outra natural.

A intenção principal do psiquiatra era tentar estabelecer e provar leis e causas para explicar cientificamente os fenômenos psíquicos.

As ciências humanas e o cientificismo da psicanálise

Em sua busca pelo cientificismo da psicanálise, Freud foi influenciado pelos filósofos do Romantismo. Com isso, ele gerou uma relação de amor e de desprezo com a filosofia tentando mostrar o que ela abordava, intuitivamente.

Ao afirmar que não se trata de uma “ciência do espírito”, Freud fez com que muitos contemporâneos questionassem essa postura, pois considerava a Psicanálise uma ciência de associação. No entanto, ele fugia das associações entre a Psicanálise as “atividades espirituais do homem”, assumindo uma posição epistemológica naturalista.

Na atividade constante entre observação e técnica surgiram hipóteses para determinar os conceitos de pulsões, desejos, defesas, entre outros. Freud se utilizou desses conceitos para construir sua Teoria Psicanalítica e orientar a prática do analista. A ideia era permitir uma formulação diferente da que o positivismo apresentava.

A defesa do método clínico

As observações sobre os quadros clínicos, de certa forma, mostraram-se insuficientes para caracterizar como ciência. Em seu desenvolvimento, estão implícitas muitas outras ciências, pois tentaram especificar uma grande gama de fenômenos.

Como evidências em suas práticas, os casos não podem ser considerados causais. Antes, pode haver um cruzamento de observações e práticas nos tratamentos que evidenciam eficácia.

Na defesa do método clínico, muito foi catalogado, reformulado e, mesmo assim, não foi possível argumentar cientificamente e racionalmente. Isso acontece pelo fato de não existir ainda um método que dialogue tão profundamente com a psique humana.

O positivismo não permitiria uma convivência com os chamados desvios da psicanálise. Esses desvios deram origem às teorias sobre pulsão, id, ego e superego. Dessa forma, algumas metáforas, necessárias à fundamentação desses conceitos, impediriam seu uso, levando à falta de conteúdo empírico próprio.

A postura de Lacan e as ciências humanas

Necessário se faz uma referência à postura de Lacan, ao questionar se a ciência comporta a experiência psicanalítica. O cientista não costumava tolerar o erro e buscava racionalizar o que já era real na procura de fatos que podiam ser explicados segundo determinadas leis.

Kant dizia ser possível o conhecimento pelo fato da natureza permitir fatos regulares observáveis e, a partir dessa observação, as leis seriam formuladas. No entanto, Freud, um pesquisador nato que questionava até suas próprias teorias, afirmava existir apenas um tipo de ciência.

Na busca por desfazer constelações e proporcionar rearranjos psíquicos, a psicanálise explorou o mundo psíquico e fez associações na tentativa de intervir nele, interpretar seus processos e entender seu sujeito gerador. A ciência não conseguiu chegou perto disso pois usava normas e convenções.

A medicina da época fazia uma relação entre corpo da doença e corpo doente e a prática em escutar o inconsciente, dando uma especificidade a todo o conhecimento que construiu desafiadoramente aos empecilhos da sociedade científica.

A psicanálise como ciência

As generalizações colocaram a psicanálise no lugar comum. Ademais, criaram uma dualidade entre a razão da filosofia cartesiana e as neurociências. Desse modo, deixaram clara a incapacidade da biologia em tornar exatos os assuntos referentes à psique.

Levando em conta a ideação de Freud pela busca de um novo saber científico, seus progressos, erros e acertos, pode-se questionar a vantagem da psicanálise em ser uma ciência ou não. Além disso, saber se Freud se importaria com isto após os grandes rumos que sua teoria tomou ao longo dos anos.

A linguística, com seu estruturalismo, buscou uma alternativa que pudesse explicar o dualismo existente entre as ciências. Desse modo, dando às sociais meios para análise, teorização e formulação que poderiam ser comparadas às das ciências da natureza.

Sendo assim, influenciou muitas outras disciplinas e correntes do pensamento humano. Isso gerou uma base teórica na compreensão e análise do homem enquanto sujeito do inconsciente, seu comportamento e vivência.



A grandeza da teoria freudiana

Na discussão entra também o fato de muitos psicanalistas não conseguirem empreender na sua prática uma ação científica e ainda baseados em afirmações de Lacan, afirmam não ser a psicanálise uma ciência.

Tendo início com o “Projeto” ou não, Freud elaborou uma teoria que desvendou parte do aparelho psíquico. Isso trouxe uma grande contribuição quantitativa e qualitativa, presente em todo o seu trabalho posterior.

Desta forma, deixando de lado as críticas radicais, o discurso científico é evidente ao demonstrar com coerência seu método investigativo e técnico. Além disso, as inúmeras e indevidas tentativas de apropriação e adaptação do método e da teoria freudiana deixam claro sua grandeza e embasamento.

Qual é a sua opinião sobre o tema?

E você, leitor? Qual é a sua opinião em relação ao assunto? Qual é o papel das ciências humanas e sociais dentro da psicanálise? Comente aqui embaixo o que você pensa sobre o tema.

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Texto escrito pela aluna do curso Ana Paula Ribeiro, exclusivamente para o nosso blog Psicanálise Clínica.

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