egocentrismo e narcisismo

Ego, Egocentrismo e Narcisismo: conceitos

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Atualmente é muito comum ouvirmos expressões “você está com o ego inflado” ou “Isso é o seu ego” ou “eu não tenho ego” ou ainda “você precisa combater os desejos do seu ego”… mas, será que essas frases representam de fato o significado do que é o ego? Continue a leitura e entenda o egocentrismo e narcisismo e seus conceitos.

Ego, Egocentrismo e Narcisismo de acordo com Freud

Ego, de acordo com a Segunda Tópica de Freud, temos o Modelo Estrutural dividido nas instâncias Id, Ego e Superego, onde o ego é a instância que tem por função equilibrar as descargas e as excitações libidinais.

De acordo com o princípio da realidade, “filtra” os desejos oriundos do Id (que não se preocupa nem um pouco se seus desejos podem ser realizados ou não) e toda a restrição moral do Superego, organizando os processos mentais a fim de evitar uma sobrecarga psíquica que cause sofrimento extremo.

Para Freud, o ego nada mais é do que uma parte do Id modificada por estímulos internos (pulsões) ou externos. Ou seja, coordena todo o sistema do sujeito a fim de que ele possa se expressar no mundo sem conflitos. Assim, usa de alguns mecanismos de defesa para domar os desejos do Id e reprimir os sinais de angústia.

O ego e o senso de realidade

O Ego é responsável pela construção do senso de realidade que se dá de acordo com a moção de desejo formada no processo primário. A partir desse desejo, o Ego tenta construir caminhos possíveis para satisfazê-lo. Este desejo não conhece proibições e não tem limites sendo, por isso, o Ego tão importante (por atuar de acordo com a realidade).

O desejo, o egocentrismo e o narcisismo

O desejo é então, formatado como possível (de acordo com a realidade) e aceito moralmente pelo Superego como um caminho permitido. Ou então, o desejo não é factível por razões lógicas, como por exemplo, um homem ficar invisível, e essa energia terá vazão em algum sonho, por exemplo. Normalmente a realização dos desejos pelo Ego serão através de trabalho, processos artísticos, somatizações ou sonhos.

O Ego se confunde com o que sabemos de nós mesmos, uma vez que se forma sempre posterior ao ambiente onde estamos inseridos, ou seja, se confunde porque toda a moralidade imposta ao Ego pelo Superego se baseia no ambiente ao qual o sujeito é exposto e de acordo com cada grupo social, são formados esses valores “individuais e exclusivos”.

O influência do ego

O Ego carrega em si o pensamento lógico e técnico, a memória e detém o domínio sobre a locomoção do indivíduo, por exemplo. Essa capacidade relacionada à motilidade que mostra ser possível, quando há um enfraquecimento do Ego, que capacidades motoras fiquem descontroladas (síndrome das pernas inquietas ou paralisia temporária, por exemplo, em casos de alguma instabilidade emocional).

O Ego organiza o simbolismo e a linguagem, de modo que as informações que chegam à mente racional possam ser estruturadas e organizadas para uma comunicação efetiva. E, quando alguém relata estar com alguma angústia, é no Ego que esse sintoma é percebido, mesmo que tenha sua origem no Id.

Sendo assim, é impossível que uma pessoa anule seu Ego, uma vez que ele é a base de “eu” do indivíduo.

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Id, Ego e Superego no egocentrismo e narcisismo

O Ego pode ser resumido como a consciência que temos de nós mesmos, que é construída ao longo das nossas vivências e de acordo com os grupos sociais aos quais fazemos parte (família, amigos, trabalho, etc.).

A partir dessa construção do Ego é que o mundo é reconhecido, por isso cada pessoa é única, pois vivencia as suas experiências de acordo com o seu olhar, com o seu Id, Ego e Superego. Pessoas egocêntricas não conseguem enxergar o outro, pois estão voltadas às suas próprias questões, onde somente o seu universo pessoal importa, não havendo qualquer nível de empatia pelo próximo.

Contudo, nem sempre o egocentrismo é algo negativo. Para Piaget, crianças de 3 a 6 anos são naturalmente egocêntricas, por não haver ainda de forma consolidada a estrutura mental que controle esse impulso.

O transtorno de personalidade narcisista

Com o passar dos anos e ao longo do desenvolvimento, se esse processo de olhar para si não for estruturado, o indivíduo desenvolverá características narcisistas chegando, em casos extremos ao transtorno de personalidade narcisista.

Neste transtorno, o sujeito apresenta um senso inflado de sua própria importância, uma profunda necessidade de atenção e admiração excessivas, relacionamentos conturbados e falta de empatia pelos outros.

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    A criança é regida pelo desejo e, se os pais tiverem dificuldades para colocar limites a fim de estruturar o egocentrismo natural da primeira infância, este se transformará em egoísmo e imaturidade emocional no futuro incluindo dificuldades em lidar com as frustrações e com a hierarquia nas futuras empresas onde este jovem egocêntrico trabalhará.

    Considerações finais

    Não é papel dos pais colocar barreiras na vida dos filhos, mas sim inserir algumas tarefas na rotina da casa (respeitando a capacidade de acordo com a faixa etária), como levar as roupas sujas para lavar, levar o lixo para fora, guardar as roupas limpas nas gavetas, organizar os próprios brinquedos, a fim de que os filhos valorizem o que têm e desenvolvam a empatia e construam um Ego forte e equilibrado com o senso moral de seu Superego.

    O presente artigo foi escrito pela autora Renata Barros([email protected]). Terapeuta Holística do Mundo Gaia – Espaço Terapêutico em Belo Horizonte, Bióloga e Psicanalista em formação do Curso de Psicanálise Clínica!

     

    3 thoughts on “Ego, Egocentrismo e Narcisismo: conceitos

    1. Já me relacionei com um narcisista e, mesmo que na época não tivesse ideia de tratar-se de um distúrbio e do quanto podem ser nocivos eu sentia que tinha algo que não encaixava, em fim me livrei do relacionamento e foi ao me livrar, por incrível que pareça, foi a verdade se revelou de forma contundente. Impressionada como são capazes de refletir em si o que vêem no outro e, talvez queiram para si mesmo ou talvez apenas o fazem para melhor manipular o outro em troca de vantagens a eles faltam empatia, respeito, aliás falta todo e qualquer sentimento, são pessoas ocas, vazias que tentam preencher o eterno vazio, sem o conseguir, retratando o que o outro, empata, deixa a mostra de si mesmo e, sendo aos olhos do outro aquilo que o outro busca/idealizou manipula, diminui, maltrata, pune de acordo com suas próprias leis e compreensão de possuir todos os direitos de assim agir. São sere nocivos, tóxicos, destrutivos, eternos infelizes, estão sempre triangulando por terem a necessidade de garantir que haja sempre alguém com disponibilidade para lhe oferecer a validação que ele tanto precisa. Eles vivem em uma busca incessante para preencher um vazio que nem eles mesmos sabem conscientemente que existe. Estou certa em minhas impressões?

      1. Boa tarde Lídia! Certamente são pessoas tóxicas que estão mergulhadas na sociedade e precisamos aprender a lidar com elas. Quando não sabemos como nos portar frente a essas pessoas, o melhor a fazer é se afastar, até que tenhamos a capacidade de discernir o que é nosso e o que é do outro e isso, na verdade, vale para todas as relações. Precisamos estar atentos para não entrar em simbiose com os vazios dos outros, e não criar situações em que os outros preencham os nossos próprios vazios… Por isso, o autoconhecimento é um caminho sem volta, mas com um resultado certo: paz interior e libertação!

    2. Tenho um relacionamento com uma pessoa diagnosticada com Transtorno de Personalidade Narcisista.

      Acho todas as abordagens muito superficiais e geralmente cria-se uma vilania, sem levar em consideração que trata-se de um ser humano, com Muitas limitações.

      O que fazemos? Os isolamos como se não fossem humanos?

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