Análise do filme Um Método Perigoso, sobre Freud e Jung

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A relação conturbada entre Carl Jung e Freud ultrapassou a psicoterapia e chegou até as telas do cinema. No filme Um método perigoso, vemos as consequências dos pilares que ambos construíram e como estes se chocam na prática. Vamos olhar por baixo de como toda a história se desenvolve e como isso impacta em todos.

Enredo

O filme Um método perigoso funciona de forma quase que biográfica aos dois. O longa aborda a proposta de um dos fundamentos primordiais de Freud: o não envolvimento de analista e paciente. Contudo, Jung acaba burlando essa ideia, se envolvendo com a paciente Sabina Spielrein, extrapolando um envolvimento médico saudável.

Isso porque, segundo Freud, deveria haver uma ética na relação entre os dois para não comprometer o sucesso da terapia. Com isso, o analista deve se abster dos desejos que seu cliente nutre por ele, a fim de não satisfazê-lo trivialmente. Entretanto, Jung se vê em um dilema, pois não pode atrair esse desejo, como também não pode ocultá-lo.

O filme tenta mostrar a dualidade dos três personagens principais, de modo a explicar suas dinâmicas comuns. Dessa forma, vemos Freud e Jung como homens comuns, discutindo seus instintos naturais enquanto psicanalista. Já Sabina é paciente ao mesmo tempo em que mulher. Sua presença levanta questões a respeito de como nos conectar ou não com clientes.

A análise

Segundo Freud no filme Um método perigoso, a análise deve ser realizada de forma neutra. A ideia é que a ligação nutrida entre paciente e psicoterapeuta seja feita de forma imparcial. Isso porque, caso o contrário, pode comprometer gravemente os resultados almejados. Quando Jung encontra Sabina, isso acaba ficando comprometido.

Gradativamente, Jung e Sabina começam a se envolverem sexualmente, afetando a dinâmica entre eles. O que chama a atenção é que Jung assume uma postura completamente oposta ao que Freud indicou, gerando conflitos. Ao invés de se afastar, se relacionava com a amante e não escondia seus desejos por ela.

Assim que Sabina obtém o que quer de Jung, a análise fica comprometida. Tanto que quando Jung tenta romper o relacionamento, Sabina é acometida por uma crise. Mais tarde, sabemos que voltam a se relacionar, mas outro rompimento, agora feito por Sabina, compromete as ações de Jung.

A transferência

Uma das abordagens mais evidentes no filme Um método perigoso é o ato da transferência. Basicamente, é uma troca de impressões entre paciente e analista, de modo a fazer uma projeção interna sobre ele. Em relação à Sabina e Jung, fica claro quando:

Projeta seu erotismo nele

A paciente mostra ao longo do filme a complicada relação que nutriu com o pai. Entretanto, isso acabou por despertar as suas tendências sexuais ao sentir a dor. Quando esta associa a figura de Jung com a do seu pai, pede para ser punida imediatamente. Sabina projetou nele sua vontade em obter prazer sexual da forma que conhecia e aprendeu.

Raiva

Jung é tentado a todo custo a continuar seus encontros com Sabina. Entretanto, o mesmo se via num dilema moral, já que era casado e acreditava na monogamia. Ao presenciar a incerteza, a paciente direciona sua raiva em seu analista, de modo a machucá-lo como pode. No segundo rompimento, mencionado mais acima, é ela quem acaba com tudo.

O impasse de Jung

Carl Jung é muito bem retratado no filme Um método perigoso. Ao longo da trama, observamos a sua interação crescente com Sabina, fomentando os desejos sexuais dela. Podemos observar que se aproximou dela com a bandeira e métodos errados. Ele esqueceu seu papel como psicanalista e passou a agir como apenas um homem.

Psicoterapeutas não devem se enlaçar com os pacientes para não afetar a terapia, criando impressões parciais sobre. Tardiamente ele se lembra disso, iniciando uma situação de conflito em si. Tudo piora quando percebe que está imóvel em relação aos dois. Enquanto não pode negar o que sente, também não pode se afastar.

O seu envolvimento com Sabina acabou por fomentar ainda mais a discussão que mantinha com Freud. Este último havia criado uma ética para assegurar o acompanhamento seguro do paciente. Ao mesmo tempo, permitia ao psicanalista descobrir tudo o que assombrava esse sem se machucar. Jung pôs em risco sua própria saúde emocional.

Ligamentos

Assistimos Sabina Spielrein, interpretada por Keira Knightley, mostrada de forma visceral no filme Um método perigoso. A mesma carregava traumas oriundos do passado que mudaram a sua percepção sobre alguns objetos inerentes ao nosso comportamento. Por causa disso, fazia associações do seu presente com o passado, visto em:

Padronização

Embora se relacionasse com Jung, em momento algum Sabina queria ser equiparada a mulher dele. Podemos deduzir que se trata da forma como as duas foram construídas e como o casamento na época era encaminhado. Sabina tinha um desejo ávido em apanhar, ainda que não tivesse feito algo errado.

Quando pensava na mulher dele, acreditava que não havia a mesma ligação, dada á forma como a via. Em suma, Sabina era masoquista e quando se imaginava como esposa dele, acreditava que não teria o mesmo prazer.

Compulsão em repetir

O comportamento de Sabina deriva diretamente da experiência que teve com seu pai. Isso porque, quando mais nova, ela apanhou do seu genitor, mas gostou da sensação. Assim que conheceu Jung, gradativamente, passou a projetar essa figura paterna na figura de seu analista. Daí quis vivenciar um gatilho tão estimulante e satisfatório a ela novamente.

Comentários finais sobre o filme Um Método Perigoso

O filme Um método perigoso traz um retrato sincero da relação entre analista e analisado enquanto em consultório. A postura de Jung revela uma contradição na sua composição em relação ao trabalho realizado. Enquanto psicanalista, tenta conduzir as coisas como de costume. Enquanto homem, se entrega aos desejos nutridos pela paciente.

Em relação a Freud, Jung o espera na posição de pai projetado e amigo, não analista. Em meio a isso, espera que ele se humanize, compartilhando seus sonhos e se mostre mais vulnerável e menos autoritário. Basicamente, procura por reconhecimento e aprovação, já que Freud influenciou bastante no seu trabalho e vida.


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