o mundo como vontade e representação

O mundo como vontade e representação: conceito em filosofia

Posted on Posted in Conceitos e Significados, Filosofia e Psicanálise

O alemão Arthur Schopenhauer (1788 – 1860) foi um dos maiores filósofos de todos os tempos. Sem sombra de dúvida, a sua principal obra é “O Mundo como Vontade e como Representação”, pois ela explica como o mundo fenomenal é produto de uma insaciável e cega vontade metafísica. Quer entender mais? Então, confira o nosso post!

Sobre a obra de Schopenhauer

Quando Schopenhauer tinha somente 26 anos, em 1819, ele publicou “O Mundo como Vontade e como Representação”. Para ele, esta obra era tão importante, que as suas outras lhe pareciam apenas notas de rodapé.

Após ganhar mais destaque, o filósofo alemão desenvolveu um segundo tomo. Em que ele esclarece dúvidas e amplia os assuntos abordados. Além disso, ele retorna aos principais temas.

Principais características de Schopenhauer

Antes de adentrarmos mais profundamente no assunto da obra, é importante compreender quais eram as principais características de Schopenhauer. A principal era o pessimismo. Afinal, a sua filosofia teve origem quando Europa estava em destroços por conta das Guerras Napoleônicas e da extrema pobreza.

Como sabemos, os filósofos, de modo geral, sempre procuram achar respostas que possam de alguma forma aliviar as dores do mundo. Com isso, a filosofia de Schopenhauer caminha em uma direção mais obscura e assustadora, após a descoberta da Vontade.

Saiba mais…

Além disso, segundo o pensamento de Schopenhauer, o mundo não raciocina adequadamente, pois não vai a lugar nenhum. Ele somente se modifica, consumindo a si mesmo.

Schopenhauer explica que a Razão serve para mostrar as coisas irracionais no mundo. Além disso, aponta que os seres humanos são seus marionetes, que seguem toda a prudência demonstrada a fim de “abrigar em um lugar seguro”.

Diante de tudo isso, Schopenhauer desejou desvendar este enigma no mundo, com o intuito de encontrar as respostas para todas as perguntas. Então, ele traça um caminho em que parte do Conhecimento como Representação e vai até uma uma Ética da Vontade. Esse pensamento se desenvolve de forma mais complexa em sua principal obra, com o título do tópico seguinte.

O Mundo como Vontade e como Representação

A obra apresenta a metafísica (algo além da física) de Schopenhauer, em que o espaço e o tempo são governados pelo princípio de uma razão suficiente. Já a Vontade é apresentada como uma coisa-em si. Por fim, o corpo é o objeto que está na mira imediata da vontade.

Para o filósofo alemão, o sujeito e o objeto se complementam. O sujeito é o que forma e representa, enquanto o objeto é o conteúdo de uma representação. Contudo, ele aponta um erro muito comum: a causalidade não é a razão deste eixo entre os dois. Vale ressaltar que a causalidade vale é somente para aquilo que foi pensado, com base na compreensão das maneiras comuns do objeto.

A sua obra “O Mundo como Vontade e como Representação”, está dividida em quatro partes:

Primeira parte: relação entre a representação e o princípio da razão

Essa parte está voltada para o nosso saber acerca dos fenômenos que estão à nossa volta, sobretudo a epistemologia de Schopenhauer. Aqui é perceptível que é um livro sobre as possibilidades de conhecimento, algo muito influenciado pela “Crítica da Razão Pura” de Kant.

Segunda parte: a objetivação da vontade

Já nessa parte, o leitor é convidado a ver o mundo sob a perspectiva da Vontade. O filósofo alemão cita sobre a natureza em suas mais variadas manifestações: as orgânicas e inorgânicas. Além disso, ele aborda como o corpo funciona por meio do acesso à coisa-em-si, da Vontade em Si e da Vida.

Terceira parte: ideia platônica

Partindo de um olhar mais artístico, Schopenhauer expõe os graus de manifestação da Vontade na Arte. Para isso, o autor desenvolve um personagem do Gênio como uma das primeiras formas de negação da Vontade.

Quarta parte: negação ou afirmação da vontade de vida

Por fim, Schopenhauer fala sobre a Ética, expondo conceitos como, por exemplo, a Negação da Vontade como forma de viver a ética. Além disso, ele apresenta o personagem conceitual do Asceta, a encarnação da negação da Vida, do Mundo e da Vontade em Si.

Leia Também:  Assertividade: guia prático para ser assertivo

O que é representação para Schopenhauer?

Ele explica que este é um conceito que garante a realidade composta entre o sujeito e o objeto, já que o nosso cérebro tem a função de organizar tudo para nós. O papel deste órgão é como o do estômago, em que se digerem as sensações e retira-se o que é necessário para que o resto vá para frente.

Então, as impressões do mundo trazem as informações e o intelecto as organiza. O filósofo alemão explica que os nossos sentidos são prolongamentos do nosso cérebro até o exterior e os nossos músculos são prolongamentos do cérebro para podermos agir no mundo. Assim, se conclui que fazer parte deste mundo é também sermos objetos entre os objetos.

    NÓS RETORNAMOS PARA VOCÊ



    Quero informações para me inscrever na Formação EAD em Psicanálise.

    Vontade

    Antes de mais nada, precisamos esclarecer que a vontade está por toda parte. Para o filósofo alemão, ela é uma raiz do mundo que move o ser humano que está presente em todos os fenômenos da natureza.

    Ele afirma que nós não somos tão livres já que tudo ocorre conforme a necessidade. Em outras palavras, todos os atos reais da vontade da pessoa são movimentos do seu corpo, sendo que o corpo é somente a vontade tornada visível.

    Com isso, toda a impressão exercida sobre o corpo afeta de forma imediata a vontade, sendo que assim aparece a dor e o prazer.

    O mundo como vontade e representação: intuição

    Schopenhauer explica que a intuição é a única fonte de toda a experiência, por isso, possui todo o conhecimento. Além disso, ele aponta que é um erro querer achar nos conceitos algo que expressa de forma abstrata, em que se encerram as nossas intuições.

    Mais sobre a filosofia de Schopenhauer

    A principal reflexão da filosofia de Schopenhauer é que, na vida das pessoas, de modo geral, as dores superam os prazeres, por isso, a felicidade é inalcançável. Tendo isso em vista, ele conclui que o mundo é uma manifestação da força irracional como “vontade de vida”.

    Além disso, o filósofo alemão afirma que a tragédia da vida ocorre por conta da natureza da vontade, que faz com que a pessoa realize os seus objetivos irracionais. Então, a vontade sempre está conduzindo à dor e ao sofrimento sem fim. Para poder dar um fim a esse ciclo é necessário fazer uma renúncia voltada a uma razão que governe a vontade até cessá-la.

    Considerações finais sobre o mundo como vontade e representação

    Schopenhauer recomenda que a sua obra seja lida duas vezes para compreender essa vastidão de conceitos filosóficos. Vale ressaltar que essa orientação do filósofo alemão é essencial, pois as ideias que ele traz são profundas e precisam ser digeridas lentamente.

    Mas para te ajudar a compreender o mundo como vontade e representação, vale apostar em boas formas de adquirir o conhecimento. Então, conheça o nosso curso de Psicanálise Clínica 100% online! Com as nossas aulas e os melhores professores do mercado, você terá acesso a um ótimo conteúdo que te ajudará a iniciar uma nova jornada. Ademais, poderá relacionar psicanálise e filosofia, contribuindo para ambas as áreas com as suas reflexões!

    One thought on “O mundo como vontade e representação: conceito em filosofia

    1. Ainda que os sexólogos digam que o prazer sexual seja uma busca mútua, a gente busca convergir a busca que nos fazem em nosso corpo, ensejando a “sexualidade fluída”, ai reside a “dificuldade” de justificar o que seria alegado “traição”. Será que no casamento ou namoro há preocupação exclusiva com o conjugal ou há companheirismo na esfera “social” do casal! Uma vez li da esposa que percebia o marido com ereção fora do momento intimo: como se ao sair do quarto, ele tivesse que ser vigilante com o pênis! A gente sabe que a atração é um combo: personalidade, conversa, fisico e, já a vontade, penso que o escritor, fez analogia ao que em Administração falamos das “necessidades” das pessoas, incluindo cria-las onde elas não existam. Exemplo: o celular, que dentre tantas finalidades que tem, é “também” telefone!!!

    Deixe um comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado.