Psicanálise no Brasil: cronologia

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Neste artigo queremos trazer para você a cronologia da psicanálise no Brasil. No entanto, antes disso, faremos uma breve introdução sobre a psicanálise. Afinal, se queremos conhecer a história desse estudo no nosso país, precisamos saber o que é esse estudo.

Breve introdução sobre a psicanálise no Brasil

A psicanálise é um ramo clínico teórico que se ocupa em explicar o funcionamento da mente humana. Assim, ele busca ajudar no tratamento de distúrbios mentais e neuroses. O objeto de estudo da psicanálise concentra-se na relação entre os desejos inconscientes e os comportamentos.

Ademais, relaciona-se esses desejos e comportamentos aos sentimentos vividos pelas pessoas. Por essa razão, a teoria da psicanálise também é chamada de “teoria da alma”.

Essa teoria foi fundada pelo neurologista austríaco Sigmund Freud (1856 – 1939). De acordo com ele, grande parte dos processos psíquicos da mente humana estão em estado de inconsciência. Esses são dominados pelos desejos sexuais. Inclusive, todos os desejos, lembranças e instintos reprimidos estariam “armazenados” no nosso inconsciente.

A psicanálise, através de métodos de associações, consegue analisar e encontrar os motivos das neuroses. Isso além de explicar certos comportamentos peculiares dos pacientes e trabalhá-los.

A psicanálise no Brasil

Agora vamos falar sobre a psicanálise no Brasil de forma cronológica neste tópico.

Juliano Moreira

Juliano Moreira, professor catedrático na Faculdade de Medicina de Salvador, foi o primeiro brasileiro a citar Freud em 1899. Essa citação foi feita tanto em conferência quanto em artigos científicos. Contudo, nessa época, a Psicanálise ainda não havia sido bem estabelecida em Viena. Era o chamado período de isolamento esplêndido de Freud entre 1898 à 1902.

Já entre 1900 e 1902, Moreira morou na Europa para tratar de uma tuberculose. Durante essa época ele viajou por vários países, com o objetivo de conhecer os tratamentos e as instituições psiquiátricas. Em 1903 ele retorna ao Brasil e instala-se no Rio de Janeiro. Ali ele se torna o diretor do Hospital Nacional dos Alienados.

Nessa instituição, as obras de Freud foram transformadas em teorias de interesse acadêmico. A partir disso, essas teorias se tornaram objeto de teses de Doutorado nas Faculdades de Medicina. A primeira tese sob sua inspiração foi a de Genserico de Souza Pinto. Ele era um médico cearense e sua tese é intitulada “Psicanálise – a sexualidade nas neuroses”. Ela foi defendida em 26 de dezembro de 1914, na Faculdade Nacional de Medicina.

Franco da Rocha

Em 1920, Franco da Rocha lançou a obra “A doutrina pansexualista de Freud“. Essa obra foi baseada em suas aulas e conferências na Faculdade de Medicina e Cirurgia de São Paulo. Em 1924, João César de Castro defendeu sua tese de doutoramento em Medicina, intitulada “Concepção freudiana das psico-neuroses”.

Essas três primeiras publicações acadêmicas não tiveram repercussão expressiva no contexto cultural e científico da época. Contudo, são uma marca na estreia dos estudos no país.

Juliano Morais

Juliano Morais foi presidente dos trabalhos da Faculdade de Medicina entre 1926 a 1929. Em seguida, em 1929, passou a presidente honorário na instituição. Já na Sociedade Brasileira de Neurologia, Psychiatria e Medicina Legal ele recebeu o título de Presidente Perpétuo, reconhecido mundialmente.

Psicanálise em São Paulo

Em São Paulo distinguia-se Franco da Rocha, aluno de psicopatologia de Teixeira Brandão. Ele era interno da Casa de Saúde Doutor Eiras no Rio de Janeiro e planejou e construiu o Hospício de Juqueri. Era músico, escritor, ornitólogo e o primeiro professor de Neurologia e Psiquiatria da Faculdade de Medicina de São Paulo (1918-23).

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Teve seis filhos dentro do espaço físico do Juqueri e foi o primeiro médico-residente na acepção radical do termo. Além disso, foi um dos precursores da Psicanálise no Brasil. Em 1919, sua aula inaugural baseou-se na abordagem psicanalítica de um assunto psiquiátrico. Esse assunto foi transformado em artigo de jornal publicado no O Estado de São Paulo, com o título “Sob o delírio em geral”.

Em 1920, ele escreveu o livro “A doutrina pansexualista de Freud”. Ali ele abordou o instinto sexual na obra freudiana. Contudo, ele dá um destaque muito diferente à sexualidade. No entanto, em 1930, o título foi corrigido por influência de Durval Marcondes durante o lançamento de sua segunda edição.

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Assim como Franco da Rocha, a maioria dos médicos interessados na Psicanálise naquela época ficaram apenas no plano teórico ou especulativo. Poucos se dedicaram à prática da clínica psicanalítica. Contudo, mesmo assim, eles devem ser considerados os precursores da obra de Freud no Brasil.

As primeiras instituições psicanalíticas brasileiras

Em 24 de outubro de 1927, foi fundada a Sociedade Brasileira de Psychanalyse, em São Paulo. Sendo eleitos para a instituição: Francisco Franco da Rocha, presidente, e Durval Marcondes, secretário.

Em 17 de junho de 1928, Durval Marcondes participou da fundação da primeira sociedade no Rio de Janeiro. Na sede do Hospital Nacional de Alienados, foram eleitos: Juliano Moreira, presidente, e Porto-Carrero, secretário. Em seguida, todo o grupo de discípulos de Juliano Moreira tornou-se membro dessa sociedade.

A primeira Sociedade Brasileira de Psychanalyse

A primeira Sociedade Brasileira de Psychanalyse teve o objetivo de divulgar a Psicanálise. Assim, com isso, eles queriam criar um centro de debates científicos entre seus membros. Dessa forma, durante cerca de três anos, essa sociedade permaneceu ativa.

Nos anos seguintes, ela acabou se extinguindo por inatividade. O motivo determinante para isso pode ter sido o fato de que Durval Marcondes tomou conhecimento do sistema de formação psicanalítica. Ele considerou este o principal objetivo a ser alcançado no Brasil. Contudo, os demais membros não aderiram, mas isso não impediu Durval de continua.

No mês de junho de 1928, foi lançado o primeiro número da Revista Brasileira de Psychanalyse. Ela trazia artigos de Franco da Rocha, J. Ralph, J. P . Porto Carrero, Durval Marcondes e Paulo José de Toledo. A revista não teve continuidade, porém em 1967 ela foi retomada e relançada. Assim, a partir disso ela não foi mais interrompida.

Nessa ocasião, o grupo estabeleceu que seria criada uma Comissão de Ensino para organizar a formação de psicanalistas.

E no ano de 1936, o Dr . Durval Marcondes conseguiu que a Dra. Adelheid Koch (1896-1980) viesse para o Brasil. Ela foi a primeira psicanalista com formação reconhecida pela IPA a atuar na América Latina e a exercer a análise didática. Em 1951, IPA reconheceu como sua integrante a Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP), graças ao seu trabalho. Isso ocorreu em ocasião do XVII Congresso Internacional em Amsterdam.

As três novas sociedades de Psicanálise

Foi somente em 1949 que iniciou-se um movimento para médicos que queriam se qualificar como psicanalistas no Rio de Janeiro.

Eles foram liderados por Danilo Perestrello. E foram esses médicos que começaram o movimento para trazer um analista didata da Europa para morar no Rio de Janeiro. Eles fizeram isso a exemplo do que tinha ocorrido em São Paulo com Adelheid Koch.

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No entanto, depois de várias tentativas frustradas Danilo Perestrello, Alcion Baer Bahia e Marialzira Perestrello foram para Buenos Aires. Eles iniciaram sua formação lá, pois naquela época era o maior centro formador de psicanalistas da América Latina.

Sociedades Psicanalíticas

Finalmente em março de 1949, o psicanalista alemão Werner Kemper aceitou o convite para morar no Rio. Após isso, ele iniciou a análise de alguns candidatos. Em seguida, em 1953, seu grupo foi reconhecido pela IPA, no Congresso Internacional de Londres. Já em 1955, no Congresso Internacional de Genebra, foi reconhecido como Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro.

Em fevereiro de 1948, Mark Burke, membro da Sociedade Britânica de Psicanálise, aceitou o convite para vir morar no Rio. No entanto, em 1953 retornou a Londres, por não ter se adaptado às condições meteorológicas da cidade. Assim, diante disso, seus analisandos procuraram a Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo para terminar a formação e foram prontamente aceitos.

Esse grupo juntou-se ao grupo argentino. Assim, eles formaram um grupo que ficou conhecido como Study Group pela IPA, em 1957, no Congresso Internacional de Paris. Em seguida, em 1959, se tornou Sociedade Brasileira de Psicanálise, durante o Congresso Internacional de Copenhague.

Já o início da Psicanálise em Porto Alegre foi simultâneo ao de São Paulo e ao do Rio de Janeiro. Ele também teve seus precursores: João César de Castro e Martim Gomes, e seus pioneiros, Mário Martins, Zaira Martins, José Lemmertz e Cyro Martins.

A peculiaridade dessa sociedade é que todos os pioneiros do movimento tiveram sua formação em Buenos Aires. Depois retornaram ao Estado para formar o seu Study Group. Ele foi reconhecido como tal pela IPA em 1961, no Congresso Internacional de Edimburgo. Em 1963, no Congresso de Estocolmo, foi reconhecido como Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre.

Comentários finais: Psicanálise no Brasil

A psicanálise é uma área muito importante para nós e para o Brasil. Esperamos que esse artigo sobre a psicanálise no Brasil tenha te ajudado. Afinal, é importante que conheçamos a nossa história. Para conhecer o tema mais a fundo, se matricule em nosso curso de Psicanálise 100% online!

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