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Real, Simbólico e Imaginário: significados em linguística e em Lacan

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Hoje entenderemos sobre o Real, Simbólico e Imaginário. Na psicanálise, à medida que a pessoa vai falando, vai descobrindo mais sobre ela mesma, então a linguagem é essencial e a psicanálise pode ajudar na hora de entender essa linguagem. Neste trabalho, desenvolveremos o conceito sobre a fala, baseando se na psicanálise que utiliza a fala, o falar sobre os sentimentos, sobre as questões onde a psicanálise e a fala estão bem ligadas.

Essa é a grande descoberta por Freud, tanto que a psicanálise pode ser compreendida também como uma cura pela fala. À medida que o sujeito vai falando ele vai se conhecendo e também percebendo o modo como ele funciona, o modo como ele foi estabelecendo certos compromissos com aquilo que na vida se apresenta como uma patologia, ou seja, como um determinado sintoma.

Só que isso se manifesta mediante a linguagem, não na tentativa de reconstrução de um fato concreto, mas de uma verdade do próprio sujeito que se estabelece conforme ele vai falando, vai estabelecendo um processo de narrativa de si mesmo.

A Terceira Tópica: Real, Simbólico e Imaginário

Sabemos que Freud propôs duas tópicas, ou seja, duas formulações do aparelho psíquico que embasaram suas teorias:

Veja que ambas as tópicas freudianas são tripartites (formadas por três partes).

A obra de Lacan é tão importante que se costuma dizer que seja a Terceira Tópica da Psicanálise, também tripartite: real, imaginário e simbólico.

Mario Antonio Coutinho Jorge, na obra Fundamentos da Psicanálise: De Freud a Lacan (RJ: Zahar, 2000), propõe a seguinte compreensão:

  • Real = não sentido, lugar do ser. Isto é, o real atravessa nossa psique, mas não é inequivocamente formulado em palavras, é algo do mundo físico ou orgânico, no máximo o percebemos; não por acaso alguns autores aproximam este elemento ao id freudiano.
  • Imaginário = sentido, lugar do eu. Ou seja, o imaginário é o lugar do “eu”, não à toa associado muitas vezes ao ego da teoria de Freud. O imaginário é o lugar do sentido (um sentido) porque o “eu” se firma a partir do significado que atribui a si e a fatores externos, o lugar de suas ideias, crenças, defesas, resistências.
  • Simbólico = duplo sentido, lugar do sujeito (ou até mesmo: múltiplos sentidos). Isto é, o simbólico é o lugar do discurso e da formação do(s) sujeito(s). Então, demanda a interação entre psiques, no mundo social, pela linguagem e na linguagem. Até por haver a dimensão do social, há quem compare a dimensão lacaniana do simbólico ao superego de Freud.

Tome, por exemplo, a ideia de desejo:

  • Se você pensar pela dimensão do orgânico e da natureza humana que é propensa a desejar, estamos no campo do real (não sentid).
  • Se você pensar que o “eu” consiga elaborar parte do que ele deseja e assim se definir pelo desejo (por exemplo, “eu me realizo sendo pai”, ou “eu desejo me tornar psicanalista”), o desejo está sendo tomado pelo imaginário (sentido).
  • Se você pensar os diferentes discursos sobre o que é desejo, você perceberá que há diferentes ideias para definir “desejo”, se o desejo é algo bom ou ruim, sobre os diferentes objetos do desejo etc. Estamos já no duplo (ou múltiplo) sentido, o lugar do sujeito, que é um lugar social e que se constitui de posições discursivas complementares ou conflitantes, isto é, de afirmação, negação e silenciamentos de sentidos.

Até aqui, vimos o essencial desta diferenciação. A seguir, veremos aprofundamentos a respeito desta tópica lacaniana.

A importância da linguagem na psicanálise lacaniana

O objetivo deste trabalho é demonstrar que a linguagem se torna importante porque é o objeto que o analista tem, onde o concreto é o próprio discurso e aquilo que ele fala. Existe um movimento de compreensão da linguagem que é o tentar, justamente, se apresentar como um objeto científico. Então se nós pensarmos, a linguística é justamente a tomada da língua como um objeto de estudo. Assim como a física tem seu objeto, a matemática tem seu objeto, a linguística tem seu objeto que é a língua. E como a psicanálise entra nessa história?

A psicanálise irá contribuir para a linguística apresentando a importância de compreensão da linguagem dentro de um determinado contexto de comunicação. Não há linguagem fora de um contexto e nesse sentido o sujeito não é aquele que tem plena consciência de si, não é aquele que sabe de si, não é apenas aquilo que poderíamos chamar como sujeito do enunciado, mas o sujeito na enunciação. Nesse sentido poderíamos dizer que na própria linguística já havia um movimento de dar novo significado e concepção do que se tem de linguagem.

Não é simplesmente uma análise de esteiras linguísticas: sujeito, predicado. Não é apenas a frase, e é aí que se apresenta a própria noção de discurso. O discurso é aquilo que vai além da frase. A compreensão do discurso não é apenas um eu gramatical, mas um eu que é também do inconsciente, um eu da cultura, um eu da ideologia. Se estabelecermos uma relação com a psicanálise, e pensamos que não somos uma unidade, mas somos constituídos por diversos outros, então nesse sentido o inconsciente é a linguagem de um outro à medida que eu vou me constituindo a parte das minhas experiências, a parte daquilo que aprendi com meus pais, aquilo que eu aprendi com minha cultura.

O simbólico e o imaginário para Lacan

É certo que aquilo que expressamos trazem essas marcas, e a questão é justamente de observar como que essas marcas se apresentam. Então existe um sujeito da consciência, mas existe também um sujeito do inconsciente, que esse é o sujeito do desejo para utilizar um termo muito importante na psicanálise Freudiana especialmente na psicanálise Lacaniana.

A questão é de como esse outro sujeito se manifesta, por exemplo, na escrita ou na fala? A interpretação dos sonhos de Freud apresenta um modo como existe um outro sujeito, o sujeito do inconsciente, sujeito do desejo que se manifesta, justamente na experiência dos sonhos. Então quando nós dormimos aquilo que é muitas vezes negado durante o dia pode se manifestar em um determinado sonho.

Da mesma forma também na linguagem, nós podemos observar isso na fala. Muitas vezes mesmo não querendo, deixamos escapar alguma coisa, então talvez o modo como esse sujeito do inconsciente ele vai se explicitando, elucidando na fala, se apresentando na fala.

A Transformação do Símbolo em Realidade

A linguagem é uma das ferramentas mais incríveis, uma das técnicas mais refinadas e muito importante na formação dos sentidos para as culturas. Quando falamos de linguagem, estamos falando de várias concepções e para entender um pouco melhor sobre assunto talvez fosse bom começar definindo o que é linguagem. Será que às vezes quando estamos discutindo com outra pessoa de repente às vezes estamos falando a mesma coisa, mas usando palavras diferentes e aí nós acabamos não nos entendendo, embora a gente queira a mesma coisa, será que no fim é tudo linguagem?

Para responder essa pergunta temos que fazer uma outra: do que é que nós estamos falando quando falamos em linguagem? E aí que precisamos começar com uma diferença bem importante; se estamos falando da linguagem como um sinônimo de língua, idioma, então estamos falando etimologia. Podemos falar também da relação entre as palavras e as coisas e da relação que as palavras têm com universo. Nesse sentido as palavras são as grandes mediadoras entre a nossa mente e a realidade.

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    De certa maneira poderíamos dizer que só conseguimos trazer a realidade para dentro de nós se utilizarmos as palavras, que acontece através da linguagem. É a partir da linguagem que nós vemos um mundo, e identificamos cada significado, compreendendo que que cada idioma é absolutamente exclusivo e singular, daí que nós não falamos um idioma. Poderíamos dizer que o idioma habita em nós, e não só falamos essa língua, nós vivemos essa língua. No nosso caso, vivemos a língua portuguesa, com todos os seus sentidos e significados.

    O sentido do Real, Simbólico e Imaginário

    Quando Fernando Pessoa diz que “a sua pátria é a língua portuguesa” ele está falando algo muito mais profundo do que pareça, ele está dizendo que nós falamos português, pensamos em português e vemos um mundo em português, com todos os significados dessa língua. Notamos essa diferença quando tentamos traduzir conceitos de uma outra língua e percebemos que muitas palavras não têm uma tradução precisa. Ainda que elas sejam próximas, cada idioma carrega a sua visão de mundo. Mas essa não é a única concepção de linguagem.

    Podemos falar de linguagem em um sentido ainda maior, num sentido de pensar que linguagem é todo o código, todo o conjunto de códigos organizados sistematicamente. E aceito e repetido por muitos. Então podemos falar por exemplo de uma linguagem das roupas, uma linguagem das flores, uma linguagem dos sinais de trânsito, uma linguagem até dos cortes de cabelo e dos óculos, nesse sentido não estamos mais falando só da língua como idioma, estamos falando de um outro processo talvez mais complexo ainda que é a capacidade que a linguagem tem para transformar a realidade em símbolos, em sinais e em representações que nos ajuda a entender essa realidade.

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    Existe um recorte da ciência chamada semiótica, que se encarrega de compreender os sentidos e significados das linguagens envolvidas, e estuda por exemplo porque as cores são fundamentais em alguns momentos e o preto e branco é fundamental em outros. Sobre alguns aspectos relacionados ao conceito de simbólico, a partir de Lacan, ele afirma que este conceito é fundamental para pensarmos a experiência e a condução da prática psicanalítica. Se formos pensar exatamente nos campos epistemológicos, na relação entre os campos do conhecimento, o simbólico em Lacan é extraído exatamente do diálogo que Lacan estabelece com a linguística estrutural que foi desenvolvida especialmente por Ferdinand de Saussure no início do século XX.

    Lacan, o simbólico e a psicanálise

    Então Lacan visita as Fronteiras, ele estabelece e inaugura de maneira mais densa esta fronteira que existe entre a psicanálise e a linguística, especialmente a linguística estrutural. Ao transitar essa fronteira, Lacan vai importando elementos que ganham novas colorações, ganham novos estatutos, exatamente quando eles saem da linguística e são inseridos no campo da prática psicanalítica. E é nesse sentido que podemos compreender melhor o que que vem a ser o “simbólico” na psicanálise.

    O simbólico na psicanálise tem íntima relação com a regra fundamental já estabelecida por Freud, quando ele nos alerta que o grande trabalho de um analisando ao longo da trajetória analítica, e o fundamental, é que o analisando leve o paciente ao campo da livre associação, e encontre os significados para ele. O fundamental é que o analisando fale, que comece a falar do que quer que seja, que simplesmente fale de suas experiências mais particulares, mais íntimas, fale do alheio, fale do cotidiano, fale de sua família, fale de seu trabalho, fale de seu país, fale de suas opiniões, mas que ele fundamentalmente fale.

    Então é por aí que Lacan vai nesse diálogo com Freud, estabelecendo essa dimensão que vem a ser o simbólico. O simbólico é exatamente a dimensão da palavra, o simbólico é a dimensão do dizer na psicanálise, o simbólico tem relação fundamental com o fato de sermos seres humanos e sermos seres falantes. É por esse caminho que Lacan estabelece o simbólico. Ele vai dizer que é uma argumentação lacaniana bastante importante para compreendermos a psicanálise como um todo especialmente a prática lacaniana, a prática psicanalítica diferenciada lacaniana.

    Os seres falantes

    Lacan vai dizer fundamentalmente que nós somos seres falantes, ou seja, não só seres capazes de pronunciar fonemas, pronunciar sons ou palavras, que podem ser aprendidos como comunicação. Conceituar “seres falantes” significa fundamentalmente o fato de sermos afetados pela dimensão da palavra, afetados pela dimensão do verbo e pelo discurso, e é exatamente aí que está o simbólico. Por isso é que Lacan vai propor que, antes de sermos seres com capacidades fônicas de falar, de produzir sons, fonemas, verbos, palavras, frases, antes de sermos tudo isso, somos os “seres falados” que produzem a linguagem e os seus símbolos.

    Então existe sempre uma anterioridade lógica, há sempre um outro que nos antecede e esse outro ele fala por nós ou sobre nós. Em uma situação empírica como que nós compreendemos isso? Podemos compreender verificando como se dá por exemplo a relação da criança com os pais? Respondendo a essa pergunta, a medida em que por exemplo uma mãe está na gestação, esperando por uma criança e ela vai dizer algo sobre essa criança.

    Ela vai falar por exemplo o nome dessa criança, ela vai construir um nome para identificá-lo, isto junto do pai ou de alguma outra pessoa, ela vai mencionar algo com relação a essa gravidez, seja um incômodo ou seja um desejo, seja um voto em relação ao que virá a ser a criança, mas algum dizer haverá de ser posto. Esse dizer também é importante que nós compreendamos que é um dizer que se mescla também com o silêncio.

    O simbólico em Lacan

    O simbólico em Lacan que tem a ver não com tagarelice, não com palavras que preenchem o espaço como um todo, mas também com o espaço entre as palavras, então esta é a dimensão humana do dizer palavras e espaços, palavras e silêncio, discurso e silêncio. É a partir daí, segundo Lacan, que nós nos humanizamos, e nos tornamos humanos, que nós nos tornamos sujeitos. Então a palavra que nos antecede, ela nos marca, ela nos atravessa.

    Isso é importantíssimo para entendermos o que vem a ser o sujeito, especialmente o sujeito na psicanálise, exatamente o efeito desta fala e o efeito desse discurso sobre o organismo. “Sabemos muito bem na análise a importância que teve para o sujeito, eu quero dizer, aquele que em determinado momento ainda não era nada, o modo como foi desejado. Há pessoas que vivem sob o efeito, que durará longo tempo em suas vidas, sob o efeito do fato de que um dos dois pais – não preciso qual deles – não o desejou.

    Este é exatamente o texto de nossa experiência cotidiana” (Jaques Lacan, Conferência em Genebra sobre o sintoma). Então o simbólico tem exatamente a ver com essa dimensão do discurso, da palavra, e é exatamente por aí que nós vamos estabelecendo as nossas comunicações. Quando pensamos em comunicação temos que pensar e considerar também a possibilidade do mal-entendido, porque Lacan sempre vai frisar que a comunicação não esgota a nossa relação com a palavra. Por quê? Porque quem fala diz sempre mais do que aquilo que está falando.

    A associação livre

    Essa é a estrutura fundamental da chamada “associação livre”, onde quem fala diz mais do que aquilo que está falando. Então, algo fala em mim quando eu falo alguma coisa. “Somos mais do que seres vocais capazes de falar, na verdade, somos seres falados”. Em algum lugar há um dizer, que é de algum modo referenciado, e esse lugar está no lugar do sujeito.

    A nossa língua materna que é o português, através da qual nos expressamos, ela me lembra o tempo todo a marca de que há outro que me antecede, que compreende os mesmos significados impressos na língua que compreendemos, e isto me antecede porque é a língua de um outro e na análise, no empreendimento, na trajetória analítica, isto é fundamental porque quando eu falo eu dou o testemunho de como se processou, como ocorreu a minha relação complexa entre o outro sujeito. É exatamente este lugar que me antecede que Lacan chama de O Grande Outro.

    “Minha hipótese é a de que o indivíduo que é afetado pelo inconsciente é o mesmo que constitui o que chamo de um significante. (…) Por que é que damos tanta ênfase à função do significante? Porque é o fundamento da dimensão do simbólico, o qual só o discurso analítico nos permite isolar como tal.” (Jaques Lacan, Seminário 20) Então falar é exatamente assumir este entroncamento entre a minha palavra, mas também, essa situação muito peculiar e interessante, a minha palavra é sempre a palavra de um outro que me antecede, a nossa língua materna é um indicativo de que há um outro que antecede.

    O simbólico e a nossa língua materna

    É isto que hoje eu tomo como sendo a minha palavra então minha “entre aspas”, porque contém a resposta para o simbólico do outro. A psicanálise é um percurso pelo qual vamos extraindo as consequências exatamente dessa situação em que a minha palavra não é inteiramente minha, mas é algo também que fala em mim. Um exemplo fundamental disto é o ato falho, quando eu vou falar uma palavra e por exemplo algum significado atravessa o meu discurso e o que eu falo é o contrário daquilo que eu intencionava dizer, ou é algo ao lado do que aquilo que realmente intencionava dizer.

    É fundamental perceber que no ato falho algo fala em mim. Isso fala! Esta é exatamente a dimensão do simbólico. Esse entrecruzamento entre o que parece ser a minha palavra, uma palavra em relação à qual eu tenho domínio, controle, comando e ao mesmo tempo a possibilidade de um atravessamento em relação a essa dimensão. Alguma coisa fala em mim, que não é aquilo que eu estou falando. É exatamente aí que se estabelece esta dimensão que Lacan vem a chamar de simbólico.

    A partir do diálogo, Lacan juntamente com Ferdinand de Saussure, irão desenvolver o conceito de significante. O significante é o que materializa em mim, este entroncamento entre a palavra e a palavra do outro. Por exemplo, na situação que indiquei anteriormente, a palavra do outro que fala em mim, este é o significante. O significante, portanto, pode ser uma palavra, pode ser uma frase, uma expressão, uma história inteira.

    O significante

    O significante é este indicativo de que eu sou atravessado pela dimensão da palavra, não necessariamente da minha palavra, mas da palavra que faz com que eu seja um ser humano, no sentido de compreender outro humano. O inconsciente tal como foi apreendido e descrito inicialmente por Freud, tem íntima relação com o simbólico, ou seja, o inconsciente compreende exatamente este atravessamento, compreende a marca de uma presença e de uma anterioridade sobre o próprio sujeito.

    Lacan nos mostra que o sujeito vai buscar no Outro os significantes que o representam. “O Outro é o lugar em que se situa a cadeia do significante que comanda tudo que vai poder presentificar-se do sujeito, é o campo desse vivo onde o sujeito tem que aparecer. Para Lacan, a alienação do sujeito se dá pela via do significante. (Jacques Lacan, Seminário II) É exatamente neste contexto, este entrelaçamento em que nós temos um eu, um ego que fala e ao mesmo tempo uma dimensão que o atravessa e isto pode ser demonstrado, apresentado no ato falho, no sonho, no sintoma e no dizer cotidiano.

    A partir dessa formulação clara, quem fala diz mais do que aquilo que está falando. E é exatamente por isto que colocamos os pacientes para falar, porque quando eles falam eles produzem um tipo de saber sobre eles próprios, eles falam sobre eles, mas eles falam sobre algo a mais do que aquilo que conhecem inicialmente acerca deles. Então tomar a palavra é exatamente tem a ver com esta dimensão em que eu falo, mas também algo em mim fala e este algo em mim que fala pode me levar a me encontrar com situações muito importantes, muito interessantes acerca da minha própria constituição subjetiva. A trajetória analítica é, portanto, uma trajetória que se desenvolve em boa medida nesta esteira da dimensão simbólica. A esteira da palavra que mais do que ser a minha palavra é a palavra que me antecede e que me produz que me coloca diante do mundo enquanto sujeito.

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    A diferença entre o Real, o Simbólico e o Imaginário

    Estas três categorias são a essência e são fundamentais para a psicanálise em Lacan. O imaginário é desenvolvido a partir da referência que Lacan toma da entomologia, ou seja, da consideração de que o ser humano se aproxima da natureza instintual, do nosso ser animal. Portanto existem processos da nossa espécie que interferem na nossa relação com o outro, por exemplo o sorriso, a captação na imagem da face de um semelhante, a distância para a face da mãe, enfim, existe uma série de automatismos, que dizem respeito à nossa característica de relação com a imagem.

    Nossa característica como um homo sapiens surge quando o indivíduo pensa na relação com a imagem. Depois disso Lacan evolui a noção de imaginário para o imaginário da linguagem, ou seja, nossa ilusão. Essa nossa alienação de que existe uma compreensão. De que o que eu falo, vem da minha cabeça, passa pela minha linguagem é decodificado pelo meu interlocutor, que entende ou não o que eu digo em função de certos problemas ou padrões de comunicação. Então essa expectativa de entendimento, essa expectativa de completamento entre um e outro, compreende o campo do que o Lacan chama de imaginário.

    Imaginário da linguagem é o campo da alienação, é o campo das identificações, é o campo em que nós falamos a partir do nosso ego, essa instância de desconhecimento, essa instância paranoica, essa instância de projeção. E que os antropólogos já descreveram e começaram com essa mania de imaginar que os outros são assim como a gente.

    Assimetria

    Então o mundo dos outros é o mundo da gente, e o que a gente entende por aquela palavra é também aquilo que os outros entendem por aquela palavra. E essa assimetria, essa reciprocidade, essa semelhança faz com que a gente diante daquilo que é estranho, daquilo que a gente não consegue reconhecer como idêntico ao nosso, a gente reage com agressividade, a gente reage como se fosse assim uma ofensa ao nosso ser o nosso modo de viver. Esse é o plano das relações imaginárias.

    O simbólico, ele corta esse plano, ele atravessa esse plano e Lacan vai articular e ligar o inconsciente com o simbólico e tirar essa noção de simbólico da antropologia por um lado de Levy Strauss e da linguística de Saussure. Ou seja, o simbólico é um sistema, é um conjunto de posições, de lugares, onde nenhum elemento tem uma significação ou um significado em si, tudo é inferido a partir das relações que aquele elemento tem com o conjunto, que aquele elemento tem com a totalidade. Então quando Lacan diz que o inconsciente é estruturado como uma linguagem, ele está dizendo que o inconsciente corresponde às formas simbólicas. Que formas simbólicas são essas? Do parentesco.

    Então a gente pensa no Édipo, dos mitos, a gente pensa nas narrativas, nas trocas econômicas. Então a gente pensa no discurso, nas relações de gêneros, então a gente pensa na sexuação e assim por diante. A teoria de Lacan vai desenvolvendo, vai ampliando esse entendimento do que venha ser o simbólico. Sobre o real, essa é a terceira dimensão que vai ocupando mais e mais importância no final do ensino Lacan e que tem uma distinção muito importante e preliminar com relação à realidade.

    O real e a realidade

    O real não é a realidade, o real é aquilo que a gente tem que tirar da realidade, a gente tem que subtrair da realidade para que a realidade, que é um compósito simbólico imaginário, apresente-se para nós como uma totalidade integrada, harmoniosa, unida, dotada de sentido ou seja, isso vai dizendo para a gente que o real é aquilo que não tem sentido. O real é aquilo que não se integra. O real é aquilo que é o abjeto.

    Ė o heterônomo é aquilo que é o impensável o que não pode ser nomeado aquilo que resiste e aparece para nós a partir de repetições que por exemplo tomam a vida de uma pessoa, e a pessoa diz: “Por que será que isso se repete”? E não há nenhum sentido nessa repetição! Essa repetição não é nem para o bem nem para o mal, só que ela nos perturba, isso então é chamado por Lacan de real.

    Também o encontro com aquilo que é o impensável, o impossível, uma das definições do real de Lacan é justamente que é um impossível de representar, vai designar isso que escapa ao simbólico e ao imaginário. No fundo a clínica lacaniana se notabiliza por essa espécie de direção ou de orientação para uma experiência que no fundo reacomodam as nossas relações simbólicas, comprime a nossa dimensão imaginária, nossa dimensão narcísica e nos confronta com os nossos limites, com o nosso impossível, com a nossa castração que é o que Lacan chama fundamentalmente de “real”.

    Sobre Associação Livre

    Foi a partir da psicanálise que Freud, o pai da psicanálise, sistematizou o conceito da associação livre. Foi ele quem começou os primeiros pensamentos e que depois outros autores também desenvolveram e ampliaram, como por exemplo o próprio Lacan. Sobre a associação livre, Freud diz: Sobre a definição de associação livre, é um método fundamental na psicanálise, na terapia psicanalítica, que consiste em exprimir indiscriminadamente todos os pensamentos que aparecem à mente do indivíduo em análise.

    Em outras palavras, é dizer de forma livre, aquilo que surge, expressar tudo o que vem à cabeça. É um princípio simples, o mais difícil é colocar isso em prática. A associação livre pode ser feita a partir de um elemento dado, uma palavra, um número, uma imagem de um sonho, qualquer representação que de forma espontânea, pode começar a partir de um ponto dado. Por exemplo, um elemento de um sonho que a pessoa sonhou, pode começar a expressar o que vem à mente dela a partir daquele elemento do sonho e ela vai associando livremente o que vier à cabeça.

    Pode ocorrer de forma espontânea que é simplesmente esperar que a pessoa comece a expressar o que vem à mente. São duas formas diferentes. Por exemplo, numa interpretação dos sonhos, é só um exemplo de como pode ser feita associação livre, antes de tudo que fique claro: não considere a interpretação dos sonhos como algo que tenha um manual, o que eu vou descrever aqui sobre o sonho, essa interpretação não vai servir para todos os sonhos. Na psicanálise é diferente, não é como ir em uma revista dessas de banca de jornal e procurar lá significado dos sonhos. Sonhar com avestruz quer dizer boa sorte. Não é assim.

    O sonho simbólico

    O significado depende de cada sujeito é do sentido atribuído ao símbolo para aquele sujeito. Não é assim na psicanálise! É necessário que se entenda aqui “que é uma investigação pela interpretação baseada no significado que tem um sonho para o sujeito”. Então existem alguns elementos universais, os símbolos universais dos sonhos, mas o mais importante aqui é a interpretação levando em consideração cada caso individual. Então não considere se você tiver um sonho parecido aqui não é válido para você.

    É preciso levar para análise em sua sessão e é lá que você conseguirá uma interpretação adequada para o seu caso. Um exemplo: você sonhou com uma cobra, então você chega na análise e diz para seu analista sonhei com uma cobra! A partir desse elemento, o analista pode perguntar o que vem a sua mente quando você lembra dessa cobra? E é aí que começa a associação, pode haver um encadeamento de ideias e pensamentos a partir desse objeto específico do seu sonho. Pode ser que a partir dessa cobra, a cobra te faça pensar na sua amiga “X” , essa cobra lembra sua amiga “X”.

    Então foi um processo em que uma coisa levou a outra, uma associação, e que essa sua amiga “X” te faz lembrar? Qual é o próximo pensamento que vem à sua mente? Vem tristeza, choro, por quê? Você pode entender nesse contexto hipotético que a amiga “X” ficou com o seu ex-namorado, seu ex-marido, alguma coisa assim. Então é um exemplo hipotético, a interpretação hipotética reafirmando aqui. Como que a gente entende a associação livre aqui?

    A representação do simbólico

    Temos um objeto, uma representação, um elemento do sonho, que levou a um outro pensamento, uma outra imagem, que te levou a outra coisa, outro pensamento e imagem, uma lembrança carregada de sentimento, enfim. Nesse sentido a associação para a psicanálise permite entender um funcionamento psíquico, por quê? Porque como muitas outras coisas da psicanálise que aparentemente antes da psicanálise era ignorada, como os sonhos, que se não faz sentido, eu ignoro e não atribuo valor algum, e se perde. A psicanálise entende que há um determinismo psíquico, há um sentido para que essas coisas apareçam na sua cabeça.

    A psicanálise trabalha com a ideia de inconsciente, então você pode não estar consciente a princípio do porquê você pensa nessas coisas ou melhor essas coisas aparecem à sua mente, elas emergem a sua consciência, mas pode ter um motivo, um sentido e é isso que a análise dos sonhos vai tentar encontrar. Por exemplo, por que a cobra lembrou a sua amiga “X”? Porque não faz nenhum sentido lembrar a “X”. Para outra pessoa não vai lembrar a “X”, vai lembrar outra coisa, vai lembrar da experiência do medo, vai lembrar do momento em que ela foi picada por uma cobra e quando ela estava naquele sítio.

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    Então essa ligação é pessoal, particular. Pode ser que cobra te lembra a traição. Que te lembra a “X”, que te lembra que ela te traiu, que te dá a tristeza. Existe um encadeamento em vários elos, uma coisa leva a outra, que leva a outra. Não é arbitrário, e esse é o sentido da associação livre, é ela que permite que o seu inconsciente apareça mais livremente sem tanta ou nenhuma censura, porque a ideia é você falar o que que vem à mente.

    As relações com os elementos

    Então você falar isso tudo aqui é importante para o trabalho analítico, porque você pode pensar: “Ah, pensei na cobra que eu sonhei e pensei na minha amiga”. Mas eu não posso pensar nisso, porque ela é minha amiga e eu não sei como é que aconteceu a situação. Você pode tentar barrar essa ligação que você nem quer entender ou você não quer falar sobre isso.

    Se tivermos as relações entre esses elementos, entender como que o seu pensamento flui, isso ajuda a entender como sua cabeça funciona, a origem dos problemas do sofrimento. Três observações sobre a associação livre: Primeiro Ponto: Mesmo nos casos em que o ponto de partida é uma palavra indutora ou um elemento do sonho, pode se considerar livre o desenrolar das associações.

    Então mesmo que a gente comece com a cobra que apareceu no sonho, é uma forma de induzir, porque se eu falar a cobra que apareceu nos seus sonhos, você já vai começar a pensar nisso então não é totalmente livre na partida, mas é livre associação. Porque se eu falar a cobra do seu sonho, no caso hipotético, já vai te lembrar sua amiga, já vai te lembrar da traição, do sofrimento, enfim já vai ter um encadeamento, claro que em maior ou menor intensidade, dependendo de quanto há essa liberdade para os pensamentos aparecerem e serem expressos e quanto eles são falados. A associação ocorre livremente mesmo a partir de um elemento que já foi dado.

    Liberdade e a associação livre

    Liberdade é diferente de indeterminação, a regra da associação livre visa eliminar a seleção voluntária dos pensamentos evitando a censura consciente. Então o objetivo da associação livre é evitar a censura consciente, só que a Liberdade aqui não é indeterminação, porque existe algo chamado determinismo psíquico. Segundo Ponto: Para a psicanálise existe um certo funcionamento psíquico, com certas regras e ele é determinado.

    Então o que aparece lá no seu sonho tem um motivo, não é arbitrário ou aleatório, se a cobra apareceu no seu sonho tem um motivo, se houve a relação dela com a sua amiga outro motivo. Então tem sentido essas ligações, não é simplesmente arbitrário como se fosse um sorteio, qualquer coisa parecida. Existe um certo funcionamento que é o que a psicanálise investiga. O objetivo é eliminar a seleção voluntária dos pensamentos evitando a censura consciente. Porque naturalmente quando falamos já no pensar queremos evitar muita coisa.

    Então vem muita coisa na sua mente que você não quer que apareça. Você fala: nossa, eu não quero nem pensar nisso! Tentamos reprimir e censurar isso. Se for para falar, se expressar então pioramos, você vai falar para alguém coisas muito ruins que vem a sua cabeça ou coisas te deixam com vergonha e te deixam mal ou vários motivos para você não falar. Então entre o pensamento, a consciência e falar existe um caminho.

    O pensamento simbólico

    O pensamento precisa aparecer na sua consciência, mas pode ser que você não queira, isso é um funcionamento que também não é totalmente consciente, não é você que domina seus pensamentos completamente, não controla essa censura, tem muito fator inconsciente e várias outras coisas a se considerar como mecanismos de defesa por exemplo. Supondo que o pensamento passou nessa censura, tem o falar também, pode ser que você não queira falar. A ideia é que você fale, porque o analista, o psicanalista, o terapeuta, ele vai conseguir entender o que o analisando está expressando e ajudar a trabalhar com isso.

    Então essa censura é problemática, e a associação livre ajuda um pouco a tornar o caminho mais livre. Supondo que pensamos em um rio, se você represar o rio, colocar a censura, esse rio não vai aparecer, vai ficar tudo parado. Mas se deixar isso fluir o rio e vai seguir um caminho, não é sem a barreira, porque a censura vai estar lá. Mas pode tentar diminuir a ação dela para entender você mesmo, entender o que que está inconsciente o que está incomodando o que que está te afetando.

    Sem que você perceba muito bem, sem que tenha isso já na consciência. Terceiro ponto: O método das associações livres destina-se a pôr em evidência uma ordem determinada do inconsciente, é o que diz o determinismo psíquico. Então se apareceu uma certa sequência de coisas, como descrito acima e apareceu dessa forma tem um motivo há uma determinação. Não é aleatório, não é porque apareceu a amiga “X” com a cobra, depois da cobra que é aleatório, tem um motivo, por que apareceu, quando você pensou em cobra porque veio à mente a amiga “X”? Por que não veio outra coisa, por que que não veio o medo? Ou veio por um interesse do tipo a cobra como que ela é legal. Então, isso é particular.

    A traição

    Porque se fosse um biólogo, se ele for pensar numa cobra, ele pensaria de uma forma diferente de uma pessoa que tem uma fobia de cobra ou de uma pessoa como no caso aqui descrito, que relacionou simbolicamente a cobra com traição e a traição com a amiga então tem um elo aqui que liga essas duas coisas.

    Tem uma certa determinação para os pensamentos e para a nossa mente atuar do jeito que ela atua por mais que às vezes não pareça. Tem a aparência de caótico e aleatório, mas é isso que a psicanálise faz buscar, exatamente o que está por trás dessas “estranhezas” da nossa cabeça e tentar entender isso.

    Conclusão: real, simbólico e imaginário em Lacan

    Sobre a comunicação entre analisando e analista, procurei situar a importância da fala e da linguagem e o método de tratamento através da psicanálise. Um dos maiores objetivos da Psicanálise é desvendar os mistérios do inconsciente e isto é proporcionado através do vínculo entre terapeuta e paciente. O Terapeuta procura compreender os processos reprimidos pelo subconsciente que geram sintomas como a angústia e a ansiedade. Todo esse processo é realizado por meio da interpretação das ações e pensamentos do indivíduo.

    Deste modo, é necessário que o analista, atento a escuta, esteja sensível aos movimentos do analisando, para que possa escutar suas demandas. Sabemos que o sofrimento é inerente à condição humana. Segundo Roudinesco (2000), o método psicanalítico é um tratamento baseado na fala, um tratamento em que o fato de se verbalizar o sofrimento, de encontrar palavras para expressá-lo, permite, senão curá-lo, ao menos tomar consciência de sua origem e, portanto, assumi-lo. Lacan é o autor que fundamenta com muita propriedade o texto que apresento.

    Com seu olhar inovador, ele introduz a linguagem e valoriza seus recursos, ampliando assim o contexto psicanalítico. E hoje, parece que a Psicanálise se encontra em constante desafio, na tentativa de compreender novos sintomas e patologias. Mesmo assim, seu método permanece centrado na escuta da condição humana, dando voz àquilo que, por ação do recalcamento, não permite aparecer, mas despende energia para manter certo modo de funcionamento produtor de sintoma. Penso que é pretensioso vislumbrar a psicanálise como a solução de todos os problemas.

    Os laços afetivos

    Entretanto, parece-me que, nos vínculos sociais observados na contemporaneidade, predomina o desligamento da força promotora dos laços afetivos, incrementando angústias que ainda não podem ser nomeadas. Neste sentido, a Psicanálise se coloca como uma oportunidade valiosa das pessoas entrarem em contato com seus conflitos internos.

    É preciso aceitar o desafio de ressignificar as perdas, compreender que somos capazes de renascer num processo de reinvenção de nós mesmos, e ressignificar nossos pensamentos através da escuta psicanalítica.

    Para finalizar, podemos indagar que lugar a Psicanálise ocupa? Onde o sujeito está situado em um contexto cada vez mais imediatista, no qual a singularidade é cada vez menos considerada? Parece-me claro que vivemos numa época em que o sujeito que sofre está perdendo o seu lugar social. Grande paradoxo, pois sabemos que o sofrimento é inerente à condição humana.

    Referências bibliográficas

    BLEICHMAR, N. M. E BLEICHMAR, C. L. A Psicanálise depois de Freud. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992.

    BASTOS, A. B. I. A Escuta Psicanalítica e a Educação. Psicólogo Informação. São Paulo: FINK, Bruce. Introdução Clínica a Psicanálise Lacaniana. São Paulo: Editora Zahar. 2018 FREUD, Sigmund (1900) A Interpretação dos Sonhos. São Paulo: Editora Companhia das Letras.

    FREUD, Sigmund. Esboços para a “Comunicação Preliminar” de 1883. Rio de Janeiro: Editora Imago, 1996. JUNG, Carl G. O Homem e seus Símbolos. Rio de Janeiro: Editora Harper Collins. 2020 MANONI, Maud. A Primeira Entrevista em Psicanálise. Barueri:

    GEN LTC, 2004. SANTOS, Moisés do Vale. Introdução a Teoria Psicanalítica. São Paulo: Editora Juruá, 2020

    JORGE, M. A. C. Fundamentos da Psicanálise: de Freud a Lacan. RJ: Zahar, 2000.

    Este artigo sobre o que é símbolo, significado de símbolo na linguística e na psicanálise de Lacan, foi escrito por Claudio Lisias Favero, com revisão e ampliação da parte inicial realizada pelo IBPC – Curso de Formação em Psicanálise Clínica.

    One thought on “Real, Simbólico e Imaginário: significados em linguística e em Lacan

    1. Parabéns pelo belíssimo artigo! O filósofo Pitágoras, disse: “o que fala semeia; o que escuta recolhe.”

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