série Seinfeld

Série Seinfeld: personagens e psicologia da trama

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A série Seinfeld é uma sitcom (comédia de situação) bastante conhecida que chegou recentemente no serviço de streaming da Netflix. Teve um total de nove temporadas, gravadas entre 1989 e 1998. A história gira em torno de quatro amigos solteiros que vivem em Nova York e passam por situações bastante cotidianas.

Por ter uma temática do cotidiano, a série Seinfeld ficou conhecida como uma série sobre nada, ou seja, sobre nada importante. Então, venha conhecer mais desse “show sobre nada”.

Série Seinfeld no Netflix

A série foi denominada com um “show sobre nada”, justamente por tratar de assuntos muito banais no nosso dia-a-dia. Por exemplo, ela retrata uma ida à padaria, um lanche com os amigos ou uma conversa na fila do cinema. A partir dessas premissas, os episódios vão ganhando forma e com um final para lá de surpreendente.

Na verdade, é uma série sobre qualquer evento aparentemente sem importância, tomado como ponto de partida. Aos olhos dos criadores (roteiristas), esses eventos se transformam em oportunidades de olhar as neuroses humanas. A trama também é muito bem concatenada, de maneira que a ideia de “nada” não deve significar uma falta de rigor narrativo.

Com nove temporadas, a série Seinfeld somou 180 episódios, entre 1989 e 1998. Os criadores da série são Larry David e Jerry Seinfeld, sendo que este último interpretou uma versão fictícia de si mesmo na série.

Além de Jerry Seinfeld como protagonista e humorista dos quadros de stand-up comedy inseridos no início/final da maioria dos episódios, o elenco principal era composto por:

  • Julia Louis-Dreyfus como Elaine Benes, ex-namorada de Jerry;
  • Jason Alexander como George Costanza, o melhor amigo de Jerry;
  • Michael Richards como Cosmo Kramer, o vizinho do protagonista.

A relação entre Seinfeld e a psicologia

Esta série norte-americana é um show sobre nada. Ou seja, nela, assuntos tão banais do cotidiano recebem uma retratação humorística e no fim, após desencontros, há um final para o episódio. Cada personagem tem sua trama durante cada episódio. Esta trama é uma dor (um dilema), ou problema ou um objetivo colocado para o personagem. De modo geral, o telespectador pode assistir os episódios de forma aleatória, uma vez que raramente há linearidade nos capítulos, embora um capítulo possa fazer retomadas bem pontuais de capítulos anteriores.

Além disso, vale ressaltar que a série tem um grande sucesso e é considerada uma referência de humor contemporâneo. Afinal, o show tem uma relação com situações modernas à época (e que continuam bastante atuais) e possui uma certa estrutura com o pensamento niilista.

Isso ocorre porque cada episódio é uma pequena historinha fechada em si mesma. De modo geral, os episódios são sobre interesses mesquinhos, inseguranças, medos e egoísmo. Muito diferente das séries sobre interesses amorosos, amizades fortalecidas e famílias unidas. Digamos que a série tem um tom mais pessimista e existencial, mas sem perder o humor ácido e um certo “gozo pela vida”.

Saiba mais…

Aliás, no que diz respeito às relações amorosas, o tema é um dos pontos mais centrais da série. Na maioria dos episódios, um dos personagens centrais têm um interesse amoroso. Contudo, quando o telespectador acha que terá um final “feliz”, sempre acontece algo bem diferente do imaginado. Com isso, é possível tirar boas gargalhadas com aquela situação.

Os quatros personagens possuem certas “neuroses cotidianas”, que iremos abordar nos próximos tópicos. Entretanto, todos eles são pessoas fechadas e de certa forma imutáveis em seus padrões de pensamento e comportamento. Em outras palavras, o grupo de amigos não são tão afetados por sentimentos alheios e não há grandes mudanças dos perfis dos personagens se compararmos os primeiros e os últimos episódios da série.

Mesmo não havendo mudanças ou crescimento pessoal dos personagens ao longo do show, a série durou nove anos.

Psicanálise e a série

Traçando um paralelo entre a série Seinfeld e a psicanálise, um ponto que podemos abordar é o transtorno de personalidades ou de caráter. Isso ocorre devido às questões narcísicas que acontecem por conta de um conflito pulsional e a forma aspectos do desejo são vivenciados pelo ego. Esses conflitos são expressos em atuações excêntricas, isto é, incomuns.

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Em outras palavras, na série é bastante perceptível a teoria de psicanálise. Afinal, as personalidades dos personagens são apresentadas aos poucos nessas historinhas de cada episódio. Alguns exemplos são:

  • a busca por aceitação a qualquer custo,
  • a sexualidade vivida de forma superficial e conflituosa,
  • a fixação em condutas adolescentes ou infantis, apesar de serem personagens já adultos,
  • o narcisismo e as resistências do ego e
  • os conflitos com os pais.

Por conta do aspecto tão narcisista dos personagens, isso impede que eles aprendam algo e possam se desenvolver ao longo da série. Por isso, o humor funciona como uma forma de aliviar toda essa denúncia da nossa sociedade, provocando todos aqueles que assistem.

Jerry Seinfeld

Jerry é o personagem principal e, de modo geral, ele inicia e finaliza os episódios em um show de stand-up. As principais características dele é ser um líder do grupo e sempre há uma postura em ser melhor que outros comediantes, mesmo quando pareça não se preocupar. Teoricamente, é o personagem considerado mais “normal”, um ponto de vista um pouco mais neutro e autocentrado, que permite ser uma chave interpretativa dos outros personagens.

Verifica-se que os personagens estão unidos por Seinfeld. Um personagem não conhecia o outro; conheceram-se a partir de Seinfeld, que é o amigo inicialmente comum entre eles. O apartamento de Seinfeld é também o local principal de encontro entre os personagens (além de um restaurante), o que reforça que a conexão entre personagens se dá principalmente via Seinfeld.

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    Além disso, Jerry representa uma parte da população compulsiva e, de certa forma, preconceituosa. Aliás, há um episódio em que ele termina com uma namorada, só porque ela não tem mãos tão femininas. Claro, que tal situação é bastante satirizada, mas traz uma sacada bem inteligente, revelando o verdadeiro Jerry.

    Esse fenômeno é perceptível, em especial, na sua relação com o seu vizinho Newman (personagem recorrente), que é carteiro. A relação entre os dois rivais é cheia de afrontas pessoais e atitudes mesquinhas. Seinfeld tem uma relação de amizade com os outros três personagens principais, mas não com Newman, que é uma espécie de seu antagonista. O “todo certinho” Seinfeld rejeita em Newman principalmente o lado fanfarrão, preguiçoso e desleixado.

    Elaine Benes, da série Seinfeld

    A outra personagem que falaremos aqui é Elaine Benes, ex-namorada de Jerry. A relação entre os dois se resume apenas como uma amizade, o que faz muito para desenvolver a personalidade dela. Talvez uma amizade colorida, porque os dois demonstram uma conexão de amizade muito forte, por vezes revertida em ciúmes e algumas tentativas bastante superficiais de reatar o namoro (ou pelo menos as relações sexuais).

    De modo geral, Elaine não é apenas uma personagem que é uma “escada” para os personagens masculinos, algo comum em outros shows da época.

    Elaine é bastante empoderada em vários aspectos, até mesmo na área sexual, um assunto que ainda é um tabu. Tem também um lado mais progressista, ao manifestar suas opiniões e valores. Mas mesmo com características tão positivas, a única personagem feminina principal da série também é invejosa e faz de tudo para ter o que quer.

    Por fim, Elaine é bastante neurótica no aspecto romântico, nunca conseguindo se estabelecer com alguém. Ela sempre procura defeitos nos seus parceiros para marcar o fim da relação. Pode-se dizer que é algo presente em todos os personagens da série um aspecto de Complexo de Peter Pan, ou Complexo de Sininho. Isto é, os personagens se recusam amadurecer. Dificilmente engatam uma relação afetiva séria e duradoura.

    George Costanza, da série Seinfeld

    George é o melhor amigo de Jerry, são amigos de infância. George tem autoestima muito baixa. Por conta disso, ele sempre está procurando mentir e enrolando os demais para poder se sentir melhor. Além disso, ele é bastante neurótico, preguiçoso e um perdedor nato.

    Coloca-se frequentemente na condição de vítima e de desfavorecido pela falta de sorte. Parece nutrir por Seinfeld uma admiração que, por vezes, pode ser confundida com inveja ou talvez uma outra forma inconsciente de atração. Todos os personagens demonstram algum atrito com seus pais, mas o caso de George é um relacionamento ainda mais complicado. Em boa parte da série, George mora com os pais, o que reforça sua dependência e um complexo de Édipo possivelmente mal-resolvido.

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    Contudo, mesmo diante de tudo isso, muitas vezes ele acaba conseguindo o que deseja, de um modo bastante inusitado, casual e “na sorte”. O que acaba dando a impressão de que o personagem não precisa se esforçar para conseguir o que quer, por isso, ele não evolui ao longo do show.

    Cosmo Kramer, da série Seinfeld

    Assim como os demais personagens, Cosmo Kramer também tem seus “defeitos”, mas ele é considerado como uma figura bastante esquisita. Kramer é vizinho de andar no prédio de Jerry. Aparentemente, não possui nem objetivo de vida e sempre está precisando de alguma ajuda, seja financeira ou uma opinião. Vive pegando comida e pertences de Jerry, não por malícia de roubo, mas por uma ingenuidade de quem não desenvolveu um superego forte o bastante.

    É muito marcante as entradas de Kramer no apartamento de Jerry, de modo abrupto e sempre alienado com o que está ocorrendo. Além disso, ele tem uma sinceridade bastante incômoda, sem se preocupar com as aparências e as convenções sociais. As suas conversas incomodam as pessoas por apontarem características da sociedade que não são discutidas.

    O primeiro nome de Kramer (Cosmo) não é revelado nos primeiros episódios, embora os personagens já demonstrem curiosidade. Apenas em um episódio bastante avançado em que a mãe de Kramer o chama de “Cosmo” que ele acaba admitindo (e gostando) deste prenome.

    Kramer é o personagem mais “maluco”, à primeira vista. Enquanto o neurótico George sofre com sua baixa autoestima, o quase psicótico Kramer se diverte com sua autoimagem e com uma ideia fixa diferente que traz em cada episódio. Aparentemente, é deixado de lado em algumas temáticas dos outros três amigos, como se Kramer fosse infantilizado demais para entender alguns assuntos do “mundo adulto”.

    Apesar disso, Kramer quase sempre surpreende os amigos com algum conhecimento técnico ou uma solução que encontra para um problema. Kramer é menos ajuizado, assume mais riscos.

    Kramer é um dos personagens mais humanos da série. E é obsessivo a ajudar seus amigos a resolver um determinado problema.

    Considerações finais sobre a série Seinfeld

    Vale ressaltar que com todos esses “defeitos”, os famosos quatros amigos de NY marcaram toda uma geração. Afinal, eles conseguiram extrair o que há de ruim na nossa sociedade de modo tão inteligente e ao mesmo tempo com humor. O que até aparenta ser um show “bobinho”, na real é mais complexo do que imaginamos.

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    One thought on “Série Seinfeld: personagens e psicologia da trama

    1. Interessante relato sobre uma série, que alguns não dava nenhuma importância, mas que outros deram valor a obra. Penso que é uma questão de ponto de vista!

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