neuroses o que são

O que são Neuroses na psicanálise

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O que são neuroses segundo Freud e a psicanálise? Vamos discutir o surgimento das neuroses, a história desta palavra e as formas de abordar e tratar as neuroses.

Conceito e origem do conceito

A neurose foi classificada pela primeira vez como sendo uma doença oriunda de distúrbios nervosos e psicológicos. O médico Willian Cullen, no ano de 1769, apresentou o termo neurose com tal significação. Porém, Sigmund Freud, ao desenvolver a teoria psicanalítica, significou o termo neurose como sendo o modo como o indivíduo se relaciona com os seus desejos e com as suas contradições.

Para entender o que são neuroses, é preciso dizer que, como outros tipos de distúrbio psíquico, as neuroses têm a sua origem na infância, na constituição do sujeito durante as fases de desenvolvimento psicossexual.

A neurose é individual e caracteriza-se como uma resposta a eventos que foram recalcados pelo indivíduo em um ou mais momentos específicos da formação da sua personalidade.

Sendo assim, o recalcamento de conteúdos conflituosos e indesejáveis serve como um mecanismo de defesa psíquico do indivíduo a fatores externos, embora estes permaneçam no inconsciente de cada um. Tais mecanismos, quando disparados, tendem a vir à tona na forma de sintomas e de padrões repetitivos de comportamento.

A neurose pode ser categorizada em diferentes tipos, conforme as particularidades e sintomas específicos para cada tipo de neurose.

Os três tipos de neuroses

As principais neuroses são

  • a Neurose Obsessiva,
  • a Neurose Fóbica e
  • a Neurose de Histeria.

Os demais tipos de neurose são ramificações em maior ou menor grau das neuroses citadas acima.

O que são as neuroses obsessivas?

A Neurose Obsessiva é um tipo de neurose que se caracteriza pela presença de sintomas compulsivos como as ideias persistentes e a realização de atos não desejáveis. É quando a mente humana é invadida contra a vontade do indivíduo por imagens, ideias ou palavras.

Conforme a teoria freudiana, na neurose obsessiva a consciência e a razão permanecem lúcidas e intactas, porém, essas obsessões incontroláveis podem privar o pensamento e a ação do indivíduo.

As Neuroses Obsessivas são fenômenos gerados pelo conflito interno, devido à frustração de um impulso instintivo.

Considera-se que a neurose obsessiva é o reflexo de nossas vivências, traumas e recalques. Sendo assim, os sintomas deste tipo de neurose são como uma expressão simbólica de um conflito psíquico.

Para Freud, a neurose obsessiva tem relação com a fixação e a regressão à fase anal-sádica e, também, com o desenvolvimento de um superego bastante rígido.

O que são neuroses para Freud?

Na obra “A disposição à Neurose Obsessiva: Uma Contribuição ao problema da escolha da neurose”, Freud sugere que a neurose obsessiva é uma fixação e uma regressão à fase anal-sádica.

Além disso, Freud sugere que “uma ultrapassagem cronológica do desenvolvimento libidinal pelo desenvolvimento do ego deve ser incluída na disposição à neurose obsessiva. Uma precocidade deste tipo tornaria necessária a escolha de um objeto sob a influência dos instintos do ego, numa época em que os instintos sexuais não assumiram sua forma final, e uma fixação no estágio da organização sexual pré-genital seria assim abandonada.” (p.325).

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    Assim, na relação de objeto, o ódio vai preceder o amor e “os neuróticos obsessivos têm de desenvolver uma super moralidade para proteger seu objeto – o amor da hostilidade que espreita por trás disso” (p.325).

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    As neuroses obsessivas refletem sintomas intensos e exagerados como:

    • preocupar-se excessivamente com limpeza,
    • lavar as mãos repetidamente,
    • verificar diversas vezes portas, janelas, gás, não usar roupas de determinada cor acreditando em alguma crença relacionada a esta cor,
    • não passar por determinados lugares com receio de que algo aconteça,
    • e qualquer outro tipo de manifestação obsessiva, como o próprio nome já diz.

    O que significam as neuroses fóbicas?

    Na compreensão do que são neuroses, chegamos ao segundo grande grupo. A Neurose Fóbica é um tipo de neurose que se caracteriza pela fixação da angústia em um objeto exterior.

    No caso da Neurose Fóbica, o medo do objeto exterior é inversamente proporcional ao seu perigo real, o que provoca reações incontroláveis no indivíduo. Em seus estudos, Freud comparou a neurose fóbica com a neurose da angústia, considerando que a fobia causa angústia ao indivíduo que a sente.

    A fobia nada mais é do que um ataque de pânico quando um indivíduo está perante um objeto, animal, local ou pessoa que lhe cause angústia.

    A origem da Neurose Fóbica está relacionada à fase fálica, pois o indivíduo se sente ameaçado em razão do processo de castração. Os sentimentos de amor e ódio pelos pais ficam recalcados e inconscientes, tornando consciente apenas o receio que tais sentimentos lhe provocam.

    São exemplos de fobia:

    • a Claustrofobia,
    • a Agorafobia,
    • a Acrofobia,
    • a fobia à escuridão e aos meios de transporte,
    • as fobias sociais e, em casos especiais, a eritrofobia, a fobia aos contatos humanos e de animais,
    • o medo de ficar doente,
    • o medo de morrer e
    • o pavor de enlouquecer.

    Conceito de Neurose de Histeria

    A Neurose de Histeria é um tipo de neurose que se caracteriza principalmente por estados de alteração da consciência, ocasionando amnésia e perda de memória. Na neurose de histeria podem ocorrer manifestações sensitivas ou motoras, paralisia, cegueira e alguns tipos de tiques.

    Geralmente, os sintomas da neurose de histeria são temporários e passageiros. Em seus estudos sobre a histeria, Freud a definiu como sendo uma variante anormal do comportamento, uma atitude exagerada de origem psíquica. Na histeria, o indivíduo encena doenças como forma de escapar de situações que considera insuperáveis.

    Foi no caso “Anna O” que Freud descobriu que as manifestações físicas dos histéricos estavam relacionadas a lembranças reprimidas de grande intensidade, e que tais manifestações físicas eram teatrais.

    Os indivíduos portadores de neurose de histeria apresentam sintomas característicos de alguma doença e, por essa razão, tais sintomas foram divididos em dois grandes grupos: Dissociativos e Conversivos. Vamos diferenciar o que são neuroses a partir desta distinção de dois tipos de neurose de histeria:

    • Dissociativos: Há a predominância de um rompimento com a realidade; o que pode ocasionar desmaios, amnésias, automatismos, entre outros sintomas.
    • Conversivos: Há a predominância de manifestações físicas ancoradas em conflitos psíquicos. O indivíduo pode apresentar contraturas, espasmos, tremores, perda da fala e alguns tiques.

    A histeria está relacionada à fase oral e à fase fálica. A submissão à demanda do outro e a contra vontade seriam então, segundo Freud, as principais causadoras dos sintomas nos indivíduos portadores de neurose de histeria, tornando-os incapazes de fazer alguma coisa conforme as suas vontades e desejos.

    Esta síntese sobre o que são neuroses, a origem do conceito e a distinção entre neuroses obsessivas, neuroses fóbicas e neuroses de histeria é uma contribuição da autora Caroline Cunha, Terapeuta Reikiana, Cromoterapeuta e estudante de Psicanálise, apaixonada pelos mistérios que envolvem a mente humana. Caroline é natural da cidade de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, Instagram @caroline.cunha.31542, @luzeobrigada e @espacoconexaoeessencia.

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