quando surgiu a psicanálise

Quando surgiu a Psicanálise?

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Quando surgiu a Psicanálise? O artigo de Lucio Junior recupera o surgimento da psicanálise e analisa o assunto sob a perspectiva da história de vida do autor. Você vai entender o período inicial da psicanálise e seu contexto.

A psicanálise surgiu a partir do trabalho de Freud

SIGISMUND SCHLOMO FREUD (seu nome de batismo), nasceu em Freiberg (ou Príbor como alguns escrevem), na Morávia, cidade que pertencia ao Império Austríaco, em 6 de maio de 1856. Filho de Jacob Freud e Amalie Nathanson, de origem judaica.

Ele se mudou com a família para Viena, porque lá os judeus eram mais bem aceitos, e havia melhores condições para se viver. Destacado aluno da Universidade de Viena, no curso de medicina (especializando-se em neurologia), onde entrou aos 17 anos apenas!

Dedicou-se à pesquisa científica, tendo contato com anatomia, histologia do cérebro humano e estudos sobre fisiologia.

Freud casou-se com Martha Bernays, em 1886, com quem teve 6 filhos.

Quando surgiu a Psicanálise? O início em Freud

Freud foi trabalhar no Hospital Geral de Viena, com assistente clínico, sendo rapidamente promovido a médico interno. Fez diversos estudos no campo da pesquisa científica, além de estudos sobre os efeitos da cocaína, pouco conhecida na época.

Teve a oportunidade de trabalhar com Jean Charcot (cientista francês que se destacava por diferenciar doenças físicas de mentais) por 6 meses, (tendo ficado fascinado com as palestras dele) no tratamento da histeria, utilizando a hipnose.

Foi aí que teve início o seu interesse pelos transtornos e distúrbios mentais, pois percebeu que muitos sintomas físicos poderiam, na verdade, estarem ligados a transtornos psicológicos, o que seria o caso da histeria.

Por volta de 1884, influenciado pelo médico Josef Breuer, Freud começa a desenvolver a psicanálise. Observando o método utilizado por Breuer, chamado de CATÁRTICO, onde o analisando podia recordar as situações que originariam seus problemas.

Não é possível falar sobre quando surgiu a Psicanálise sem mencionar a relação de Freud com Charcot e Breuer.

O início da psicanálise e da hipnose

Passando, então, a atender pacientes com problemas não diagnosticados pelos exames, que seriam problemas neurológicos. A princípio, através da terapia e da hipnose, e em alguns casos, a massagem. Passou a acreditar que os sintomas da histeria, sempre tinham uma origem sexual.

O termo “psicanálise”, foi criado por Freud. Recebeu diversas críticas ferrenhas de outros colegas durante muito tempo, tendo ao seu lado, apenas o Dr. Wilhelm Fliess. O que, com o passar dos anos, foi se modificando, pois outros médicos e pesquisadores começaram a aceitar as ideias de Freud.

A hipnose perderia sua força, quando ele começa a perceber que “não se achava um bom hipnotista”, sendo certo que alguns pacientes, não se deixavam hipnotizar ou eram mais difíceis, pelo fato de a hipnose causar certa dependência pelos pacientes, pois quando fora do transe, eles não se sentiam mais à vontade.

E o mais importante: a hipnose fazia com que o paciente ficasse à mercê das sugestões do analista, impedindo uma melhor transferência.

O surgimento da primeira estrutura psíquica para Freud

Quando surgiu a psicanálise, surgiu também a primeira fase da obra de Freud.

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    Nesta fase, Freud divide então a mente humana em três instâncias: O ID, o EGO e o SUPEREGO.

    • O ID seria o nosso lado mais primitivo, onde não há certo ou errado, não reconhecendo os impedimentos sociais, além de atemporal. Não há futuro ou passado nele, e não importam as consequências de seus atos. O ID tem ligação tanto com o inconsciente, quanto com o consciente. É lá que são guardadas nossas memórias e traumas, parte mais profunda de nossa mente.
    • O EGO surgiria através do ID, atuando como mediador entre ID e SUPEREGO. Há um filtro do que pode passar do inconsciente, para o nível consciente, que causariam menos dor ou sofrimento ao paciente.
    • O SUPEREGO seria a parte onde se encontra a moral, e seria o resultado daquilo que passamos em nossa infância como, castigos e privações ou imposições. Estando contida no SUPEREGO, a noção do que é certo e o que é o que é errado.
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    Ainda sobre a hipnose, acredito que isso não se possa levar “ao pé da letra” sua ineficácia, visto que ela pode sim ser utilizada em alguns casos. Por Freud, teria sido dito: “Tudo que se tem dito e escrito a respeito dos grandes perigos da hipnose, pertence ao reino da fantasia…”.

    Tudo parecia andar bem, pois o analista pedia ao paciente que, em transe, dissesse tudo que lhe vinha à mente. E a partir daí o analista chegava a origem do trauma, fazendo com que os sintomas desaparecessem. Mas, como dito antes, não muito tempo após a saída do transe, o paciente voltava a sentir o sofrimento e a dor do trauma, resultando em seu retorno breve.

    Primeiros casos de Freud quando surgiu a Psicanálise

    Freud atendeu o caso de Anna O., em 1880, (cujo nome verdadeiro era Bertha Pappenheim). Bertha fora atendida pelo método catártico. O que aparentemente, tinha obtido sucesso. Anna O. fora encaminhada para Freud pelo Dr. Breuer, por ter ficado caracterizado o envolvimento da paciente com o analista, chegando a ponto de Anna ter dito que estaria grávida do médico, o que não era verdade.

    Mas foi em 1890 que Freud atendeu o caso Emmy Von N., que retornou ao tratamento após um ano de considerada curada, apresentando os mesmos sintomas. Emmy teria “discutido” com Freud, pois ele não a deixava falar livremente acerca dos pensamentos que lhe vinham à cabeça.

    Ele notou que o método catártico era apenas um “paliativo”, que não dava fim ao problema e o fazia voltar à tona. Procurando um método diferente e particular, ele cria então a ASSOCIAÇÃO LIVRE, que passaria a ser uma das bases da Psicanálise.

    Para entendermos o surgimento da Psicanálise, precisamos entender este insight de Freud. É nesta ocasião quando sugiu a psicanálise de fato, com o método da associação livre, que Freud seguiria por toda sua carreira.

    O nascimento da psicanálise de fato

    Mas o que era a ASSOCIAÇÃO LIVRE para a Psicanálise?

    O paciente deitado, falava tudo que lhe vinha à cabeça, seja lá o que fosse. E através da escuta especializada, da observação dos gestos e das palavras do paciente, Freud pode avaliar melhor o que estaria gerando a dor e o sofrimento deles.

    A psicanálise é dita como um método de investigação da mente, de sua parte inconsciente. E o atendimento clínico, um “espaço neutro”, onde o analisando não é julgado, cobrado, discriminado ou acusado. Estando livre para dizer aquilo que quiser e pensar, ainda que ache ser seja algo sem sentido algum.

    A Psicanálise vai até a origem do problema, o que em sua grande maioria, tem ligação com a mais tenra idade.

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    Através dela, o paciente é ouvido, e ouve. Iniciando assim, uma caminhada para melhor compreensão de si mesmo, e da origem de seus traumas.

    Quando surgiu a psicanálise surgiu também a escuta

    Sempre atualizada, por diversas vezes surgem novas teorias sobre a prática clínica, onde o paciente é cada vez mais compreendido em suas depressões, seus pânicos, fobias e traumas. Por meio da fala é que se inicia o alívio da dor psíquica.

    E o Psicanalista, através da escuta, começa a “montar o quebra cabeça”, assim como o arqueólogo em seu trabalho de reconstrução de peças, desenhos e ossos. “A diferença entre os dois, seria que o arqueólogo trabalha estudando sobre a sociedade humana, montando peças de algo destruído, acabado. Enquanto o psicanalista, vai montando peças de algo ainda vivo, que pode ser mudado” (Curso Psicanálise Clínica, prof. Marcos Simões).

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    O trabalho do Psicanalista, desde o início

    É trabalho do psicanalista desde quando surgiu a psicanálise promover uma investigação do inconsciente, para que se obtenha respostas sobre os atos do indivíduo.

    Sendo acolhido de forma neutra e imparcial, manifestando livremente seus pensamentos e seus sentimentos. E através da escuta especializada, o analista com a participação do paciente, pode direcionar o tratamento para um melhor entendimento da dor sentida, provocando melhoria na qualidade de vida.

    E em vários casos, o paciente é curado! Mas cada paciente tem seu tempo, “cada um é cada um”. Muitos mecanismos de defesa são liberados pelo inconsciente, para que não venham à tona os verdadeiros traumas que originam a dor e o sofrimento. E são essas barreiras que precisam ser quebradas no decorrer das sessões de análise.

    Diversas atitudes, aparentemente insignificantes, podem ter o cunho “ocultado”, que deverá emergir a mente consciente, e ser tratado. Quando ocorrem amiúde, atos ou decisões que são consideradas erradas, mas ainda assim são repetidas, é sinal de que algo não anda bem!

    Como exemplo, um homem que se relaciona com uma mulher “mandona”, que sempre está “de mal com a vida”, “grosseira”, “que o trata mal”, “o humilha”, “diminui”, etc…. Acaba ele por dizer que jamais irá se relacionar com alguém semelhante a ela.

    Porém…no relacionamento seguinte ele passa pela mesma situação, e no outro, e no outro. Logo, conclui-se que há algo de errado nesses relacionamentos. Pois não é normal alguém passar por tanta coisa ruim, e repetir essa experiência por outras vezes.

    Isso são padrões que se repetem, e através da análise, o paciente poderá com a ajuda do analista, ter acesso a origem do problema. O que geralmente vem da infância, (com algumas exceções de ordem patológicas) alguma fase mal resolvida que acabou por deixar sequelas.

    Sabemos quando surgiu a psicanálise. Mas, ela é atual?

    Outro fator que observamos, são as redes sociais, que se olharmos de forma diferente, iremos perceber que são na maioria das vezes, altamente narcisistas. Pois em sua grande maioria, as pessoas estão preocupadas em mostrar que estão alegres, sempre em viagens para locais paradisíacos, com muito dinheiro e de bem com a vida.

    • Se formos analisar boa parte, iremos perceber que é justamente o contrário!
    • Mas por que então passar uma imagem que não é a verdadeira?
    • Para serem aceitos pelos padrões impostos pela sociedade?
    • Para ocultar alguma frustração?
    • Para esconder algo que o inconsciente guarda? Existem várias significações que precisam ser avaliadas pelo terapeuta.

    Um outro exemplo, é o homem ou a mulher, que é muito ciumento (a), que cobra demais do parceiro (a), que chega a punir até. Logo após uma escuta minuciosa, chega-se à conclusão de que se trata de uma PROJEÇÃO (um mecanismo de defesa do inconsciente).

    Ou seja, aquele (a) que cobra, na verdade é quem pratica o ato, é quem trai ou tem tendência à traição. É quem falta com a verdade. E este (a) se vê no outro (a), ele (a) se projeta no(a) outro(a). Isso causa um sofrimento enorme em ambos, tanto em quem cobra, como em quem é cobrado (a)!

    Para ele (a), é tão difícil lidar com o julgamento negativo de si mesmo (a), que o inconsciente opta por “jogar” no exterior os sentimentos que lhes causam sofrimento, que lhes são hostis. Projetando no (a) outro (a) aquilo que realmente são em seu interior.

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    Quando surgiu a Psicanálise? No mundo e na minha vida…

    O que temos que fazer é através e, com o psicanalista, entender que somos o somatório dos acontecimentos de nossas vidas. “Nós não vemos o que vemos, nós vemos o que somos” (Rubem Alves). Logo, quando a pessoa consegue ser mais tolerante consigo mesma, é certo que será menos crítica com o outro. Através da análise, sua vida terá um novo sentido.

    E entenderá que através desse conhecimento do “eu”, passará por uma transformação muito positiva, podendo enxergar do que é capaz, e como pode ter uma qualidade de vida melhor. E que para isso, terá que lidar com a “dor do descobrimento”, ou porque não dizer, a “dor do redescobrimento”…

    Meu nome é Lucio Filho, sou morador do Rio de Janeiro, hoje com 54 anos, resolvi mergulhar no fascinante mundo da Psicanálise! Preciso então falar de quando surgiu a psicanálise em minha vida.

    Esse “gatilho” de conhecimento disparou agora, devido a problemas pelos quais passei em minha vida. Claro, ninguém está livre de passar por situações que possam deixar sequelas. Meu pai foi quem “plantou” essa semente em minha mente. Desde muito pequeno, lembro-me bem, ele falava diariamente sobre Freud (dizia suas falas, dissertava acerca de suas teorias), Shakespeare, Oscar Wilde, Platão, Maquiavel, entre vários e vários outros.

    Ele, apesar do pouco estudo (o equivalente ao primário hoje), era autodidata. E posso assegurar que se ele tivesse seguido nos estudos da Psicanálise, hoje seria um dos maiores nomes no país, com toda certeza! Foi militar (do Exército), depois trabalhou em Bancos, onde o pouco estudo em nada fez diferença devido a sua sede de conhecimento.

    Dava palestras para Executivos de alto nível, foi supervisor e superintendente de Banco, e posteriormente, agente de viagens. Tudo o que ele falava acerca de Freud ficou gravado em minha mente de forma indelével. Por isso resolvi me aprofundar.

    Num primeiro momento para autoconhecimento, porém, percebi que algumas pessoas no decorrer de minha vida me procuravam para conversar, apenas falar e ouvir o que eu achava. E isso, observei, sempre aconteceu. Foi então que pensei em juntar o útil, ao agradável! Ou seja, me autoconhecer, e ajudar aos outros. Acredito que esse foi um dos melhores gatilhos disparados pela minha mente! Por que a Psicanálise?

    Sobre o autor: este resumo reflexivo sobre quando surgiu a psicanálise é uma contribuição de Lucio Junior ([email protected]), acadêmico de Psicanálise.

     

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