Sublimação, Pulsão e Recalque: Conheça agora o Significado de cada Um

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Sublimação é um outro destino possível da pulsão. É a energia pulsional que não foi recalcada. Ela é também vista como a transformação de impulsos indesejados e destrutivos em algo menos prejudicial e socialmente aceito em nosso dilema. Podemos chamá-lo de  “o encontro com o outro e a afetação decorrente em nosso eu”.

A sublimação decorre da energia pulsional do processo psíquico de maximização do prazer e minimização da dor. Esse processo é produzido pelo mal-estar da socialização do indivíduo no encontro com o outro.

A Pulsão e a Sublimação

A “Pulsão é o processo dinâmico que consiste numa pressão ou força que faz o organismo tender para um objetivo. Segundo Freud, uma pulsão tem a sua fonte numa excitação corporal. O seu objetivo ou meta é suprimir o estado de tensão que reina na fonte pulsional.

É no objeto ou graças a ele que a pulsão pode atingir suas metas. Também a Pulsão é vista como pressão ou força. Esta é concebida como um fator quantitativo econômico, uma exigência de trabalho imposta ao aparelho psíquico […]. Um conceito-limite entre o psiquismo e o somático.

Ela está ligada à noção de representante, como uma espécie de delegação enviada pelo somático ao psiquismo (Laplanche e Pontalis,1995 p.394-395)”.

Quando não recalcada, essa pulsão encontra o seu destino na sublimação. Isso pode ser simplesmente uma libertação pela distração da energia pulsional não recalcada. Ou pode ser apenas um mecanismo de defesa do ego.   

O Recalque e a Sublimação

Sabendo que nosso aparelho psíquico está em tensão, sempre com adicional de pensamentos incômodos, então criamos energia psíquica. Sendo assim, essa energia sempre tende a ir para algum lugar.

Um canal de sublimação leva essa energia para longe de atos destrutivos para o que é socialmente aceitável e criativamente eficaz. Muitos esportes e jogos são sublimações de impulsos agressivos. Esses mesmos impulsos esbarrariam em outras pessoas caso não fossem sublimadas.

Recalque e sublimação aparecem paralelamente, na maioria das vezes, porque são os dois pólos extremos dos possíveis caminhos das pulsões. São as mais importantes formas de evitamento da realização sexual direta.

No recalque, o sujeito permanece preso ao sexual, que é o ponto de referência para ele, no nível do proibido. Na sublimação, o sujeito deixa a referência à satisfação sexual direta e lida com ela na sua dimensão de impossível.

A sublimação é responsável por revelar o desejo humano

Esse impossível da satisfação que está em jogo na pulsão encontra na sublimação sua possibilidade de manifestação plena. Isso ocorre pois a sublimação revela a estrutura do desejo humano como tal. Ela evidencia que, para além de todo e qualquer objeto sexual, esconde-se o vazio da Coisa, do objeto, enquanto radicalmente perdido. O Recalque segundo Freud é um processo intrínseco ao próprio eu.

Freud, em seu artigo de 1915, se pergunta: “Por que uma moção pulsional deveria ser vítima de semelhante destino (recalcamento)?” Entendemos que a resposta cabível é: Porque o caminho em direção à satisfação pode acabar produzindo mais desprazer do que propriamente prazer.

No que tange à satisfação da pulsão, sempre temos que levar em conta a “economia” presente no processo. Assim, se levar em conta a presença das instâncias psíquicas, poderemos notar que aquilo que dá prazer em algum lugar, bem como pode vir a ser extremamente desprazeroso em outro.

Qual seria a “condição para o recalque”?

Desta forma, fica estabelecida a “condição para o recalque”: é preciso que a potência do desprazer seja maior do que o prazer da satisfação. “Devemos compreender que o recalque está a serviço da satisfação pulsional e não contra ela”.

Já a sublimação consiste, pois, num dos caminhos específicos da pulsão, sendo esta um estímulo mental constante, com renovável poder de pressão, que visa satisfazer-se. O conceito de pulsão se situa no limiar entre o somático e o psíquico, sendo um “limite de continentes, terra e mar, corpo e linguagem, volúpia da carne e volúpia da alma”, no dizer de Marília Brandão Lemos de Morais Kallas. A pulsão alude ao corpo como regido pelo princípio do prazer, diferentemente do corpo biológico da medicina.

O corpo humano possui um sentido, uma articulação entre as zonas erógenas e o domínio das representações.

A relação entre a sublimação e o instinto de sobrevivência

É relevante dizer que, em seu livro “A sublimação e o Mal-Estar na Civilização (1930), Freud discute a renúncia pulsional que temos de fazer como seres humanos, para que a civilização possa sobreviver. Ele se pergunta: “o que pedem eles da vida, e o que desejam nela realizar? Esforçam-se para obter felicidade, querem ser felizes e assim permanecer” (FREUD, v.XXI, p.94). Freud nos ensina que para sobreviver nesse mal-estar, cada um deve encontrar  sua própria “Regra de ouro”.

Alguns exemplos de sublimação como mecanismo de defesa são muito claros: Estou com raiva, logo, eu saio e vou cortar lenha. Acabo com uma pilha de lenha e passo a descontar minha raiva na lenha e ninguém mais sai ferido ou prejudicado.

Uma pessoa que tem necessidade obsessiva pode ser um empreendedor de um negócio bem sucedido. Um marido que tem desejos extraconjugais pode se ocupar com reparações domésticas e situação comezinhas enquanto sua esposa estiver fora da cidade.



Vejo a sublimação como o mais útil e construtivo dos mecanismos de defesa do ego, por conseguir levar a energia de algo que é potencialmente prejudicial e transformar em algo bom é útil. Freud acreditava que as maiores conquistas da civilização foram feitas pela via da sublimação.

Aprendendo a diminuir os mecanismos de defesa

Devemos diminuir o máximo possível os mecanismos de defesa utilizados por nós. Isso interfere em nossos relacionamentos e em nossa autoestima. Além disso, prejudica o desenvolvimento à caminho de uma maturidade saudável.

Você, leitor, já passou por uma situação parecida? Então comente aqui embaixo quais são os mecanismos de defesa utilizados por você.

Além disso, você pode melhorar muito os seus relacionamentos interpessoais e a percepção de si mesmo conhecendo o nosso curso de Psicanálise Clínica.

Estudar a Psicanálise ajudará você também nos relacionamentos com os seus colegas de trabalho, além de vários outros benefícios. Matricule-se!

Artigo escrito pelo aluno do nosso curso de Psicanálise Clínica Marcos Aurélio de Oliveira Castros, exclusivamente para o nosso Blog.

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