transferência e contratransferência

Transferência e Contratransferência: significados e diferenças

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Entenda hoje sobre a transferência e contratransferência. A psicanálise é um método de tratamento psicológico que decorre da observação de que os indivíduos muitas vezes desconhecem muitos fatores que determinam suas emoções e comportamentos.

Esses fatores inconscientes podem ser causa de grande angústia ou sofrimento, que ora é reconhecido em certos sintomas e ora em certos traços de personalidade conflitantes, nas dificuldades no trabalho, nos relacionamentos íntimos ou ainda nos distúrbios de humor e autoestima (MIGLIAVACCA, 2022).

A transferência e contratransferência

O tratamento psicanalítico pode revelar como esses fatores inconscientes influenciam as relações pessoais e os padrões de comportamento, pode traçar suas origens históricas, descobrir como eles se desenvolveram ao longo do tempo e, assim, ajudar o indivíduo a lidar melhor com as realidades da vida (SAMARCOS, 2016). O movimento psicanalítico originou-se nas observações e formulações clínicas do psiquiatra austríaco Sigmund Freud, que cunhou o termo psicanálise.

Durante a década de 1890, Freud trabalhou com o médico e fisiologista austríaco Josef Breuer em estudos de pacientes neuróticos sob hipnose. Freud e Breuer observaram que, quando as fontes das ideias e impulsos dos pacientes eram trazidas à consciência durante o estado hipnótico, os pacientes apresentavam melhora (DOS SANTOS et al., 2017). Ademais, a maioria dos pacientes falava livremente sem estar sob hipnose, Freud desenvolveu a técnica de associação livre de ideias.

O paciente era encorajado a dizer qualquer coisa que viesse à mente, sem levar em conta sua suposta relevância ou propriedade. Observando que os pacientes às vezes tinham dificuldade em fazer associações livres, Freud concluiu que certas experiências dolorosas eram reprimidas ou afastadas da percepção consciente (AZEVEDO, 2015).

A origem dos sintomas para Freud

Freud observou que na maioria dos pacientes atendidos durante sua prática inicial, os eventos mais frequentemente reprimidos estavam relacionados com experiências sexuais perturbadoras. Assim, ele levantou a hipótese de que a ansiedade era uma consequência da energia reprimida (libido) ligado à sexualidade; a energia reprimida encontrou expressão em vários sintomas que serviram como mecanismos de defesa psicológica.

Freud e seus seguidores mais tarde estenderam o conceito de ansiedade para incluir sentimentos de medo, culpa e vergonha decorrentes de fantasias de agressão e hostilidade e medo da solidão causada pela separação de uma pessoa de quem o sofredor é dependente (SALGUEIRO, 2022). A técnica de associação livre de Freud forneceu-lhe uma ferramenta para estudar os significados dos sonhos, lapsos de linguagem, esquecimento e outros erros e erros da vida cotidiana.

A partir dessas investigações, ele foi levado a uma nova concepção da estrutura da personalidade: a identificação, ego e superego. Na estrutura freudiana, os conflitos entre as três estruturas da personalidade são reprimidos e levam ao despertar da ansiedade (DE ANDRADE, 2017). Em suma, a psicanálise busca trazer de volta memórias dolorosas enterradas, cuja importância influenciou o curso de uma vida.

A transferência e contratransferência

Quando os pacientes tentam encontrá-los, se depara com o esquecimento puro e simples, ou o fenômeno da tela de memória, ou seja, uma reconstrução distorcida do passado. Os pacientes não esquecem uma memória porque ela está distante, mas porque a reprimiu: enquanto o próprio conteúdo da memória desapareceu da consciência, o comportamento que ela gerou persiste (MAFRA et al., 2022).

Por outro lado, a memória age sem estar presente à consciência. Todos os problemas que o paciente encontra são consequências de seu comportamento; acredita-se que são novas, são apenas repetições do passado. Ao restituir o passado à sua consciência, o paciente dá a si mesmo os meios para suprimir a ação inconsciente da memória (KHOURI, 2017). Ao expressar em palavras o que vivenciou, ele se livra dos sentimentos que estão ligados.

A psicanálise não permite destruir pura e simplesmente a ação do passado, mas dar ao conflito vivido anteriormente um novo desfecho, escolhido conscientemente pela consciência. A psicanálise é, portanto, uma prática terapêutica que substitui um equilíbrio de forças psíquicas que se tornou intolerável para o paciente por um novo equilíbrio conscientemente preferido (SAMARCOS, 2016).

A terapia psicanalítica: espaço de transferência e contratransferência

A terapia psicanalítica é obviamente feita em um psicanalista. A terapia psicanalítica consiste em colocar o paciente em posição relaxada, deitado, fora da vista do psicanalista que se afasta para não perturbar sua livre expressão. As sessões são repetidas com muita regularidade, várias vezes por semana, 3 ou 4 em geral (MIGLIAVACCA, 2022). O paciente tem a palavra, ele é convidado a dizer o que lhe vier à cabeça. Mas isso não é tão simples quanto parece: a resistência psíquica se opõe ao livre desdobramento de seu pensamento por associação de ideias.

O método consiste então em reduzir essas resistências para chegar a uma expressão totalmente liberada (DOS SANTOS et al., 2017). Para isso, o psicanalista fornece interpretações do que é dito, direciona o curso dos pensamentos, sem nunca dar conselhos ou principalmente injunções. O psicanalista conta com a relação que se estabelece entre o paciente, e que Freud mostrou reproduzir sempre os modos de relacionamento que o paciente experimentou com seus pais na infância.

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Nem todos podem realizar esse tipo de análise. Se pressupõe certas qualidades que o psicanalista deve avaliar cuidadosamente antes de se comprometer: flexibilidade do funcionamento mental, aptidão para a introspecção, para a expressão verbal dos conteúdos mentais (AZEVEDO, 2015).

Dentro da Psicanálise

Dentro do contexto apresentado acima, o presente trabalho buscará responder qual a importância e papel da transferência e contratransferência dentro da psicanálise? Assim, o objetivo geral desta pesquisa buscará abordar a importância e papel da transferência e contratransferência dentro da psicanálise.

Os objetivos específicos buscarão abordar a relação terapêutica entre paciente e psicanalista na psicanálise, bem como destacar a transferência dentro da psicanálise e por fim, abordar a contratransferência dentro da psicanálise.

A relação terapêutica entre paciente e psicanalista

A relação entre o psicanalista e seu paciente é única: eticamente, o psicanalista não deve cruzar as fronteiras profissionais, e a amizade não tem lugar em uma relação terapêutica. O psicanalista deve permanecer objetivo para poder fazer seu trabalho de escuta adequadamente, sem se envolver emocionalmente, a realidade é que se cria um vínculo forte. Na verdade, o relacionamento terapêutico pode se tornar a principal via na qual a psicoterapia funciona para alguns pacientes (SALGUEIRO, 2022).

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    Isso é muito mais do que um simples acréscimo de tempo ou um foco diferente no conteúdo do que está sendo discutido. A psicoterapia, e em particular a psicoterapia que tenta mudar os padrões interpessoais de longa data, assim, não se pode separar a psicoterapia da relação médico-paciente. Não é tanto um “procedimento” que pode ser “adicionado”; em vez disso, é mais uma forma de estar com o paciente (DE ANDRADE, 2017). Quando a aliança terapêutica é prejudicada, a primeira coisa a fazer é atender a isso.

    Isso pode acontecer quando o psicanalista perde o contato empático com o que o paciente está relatando ou quando o psicanalista inadvertidamente decepciona o paciente, por exemplo, sai de férias, se atrasa etc (MAFRA et al., 2022). A causa mais comum de terminar a terapia muito cedo é uma aliança terapêutica quebrada. Assim, quando a aliança é prejudicada, deve ser reparada via reconhecimento, compreensão, pedido de desculpas se indicado e retomada de uma postura empática.

    Transferência e contratransferência: Paciente e terapeuta

    Por meio de vários mínimos intervalos e reparos, o psicanalista e o paciente ganham confiança de que a terapia será capaz de suportar as pressões emocionais que provavelmente enfrentará à medida que o material mais profundo surgir nas sessões ou na transferência (KHOURI, 2017). Ademais, se paciente ou o psicanalista estiverem cientes disso, uma boa quantidade de mudança no paciente ocorre através do comportamento real do psicanalista. Isso provavelmente será mais eficaz se o psicanalista estiver consciente dessas forças e puder usá-las para efetuar mudanças em uma direção positiva.

    Existe um conceito na indução hipnótica (e na arte de vender) de encontrar o fluxo de pensamento do paciente, tanto o conteúdo quanto a taxa/ritmo da fala, e juntá-lo (CARTER, 2019). O paciente e o psicanalista tornam-se companheiros em uma jornada mútua, isso é chamado de ritmo. Uma vez que o psicanalista se juntou ao paciente, eles se sentem mais aliados com onde o psicanalista quer levá-los.

    Por exemplo, um paciente pode começar a falar de maneira agitada e agitada sobre alguém que encontrou no elevador que o assustou. O psicanalista junta-se ao paciente na experiência, mas depois reduz a velocidade para uma voz mais calma e logo lembra a ambos que agora estão na segurança do consultório. À medida que o paciente se acalma, o psicanalista passa a entender por que essa experiência desencadeou tal medo. O encontro torna-se objeto de investigação mútua agora que as emoções estão mais bem reguladas (SANTOS, 2016).

    Um encontro assustador

    Além disso, pode ser que esse encontro assustador no elevador tenha proporcionado uma oportunidade (perdida) de praticar um novo comportamento, por exemplo, assertividade ou atenção consciente sem aumentar as emoções. O psicanalista pode sugerir uma encenação em que um assume o papel da pessoa assustadora e o outro o papel do paciente. Os papéis podem ser trocados.

    O paciente tem a oportunidade de ver como se pode fazer diferente e praticá-lo (SAMARCOS, 2016). Existem muitas oportunidades menos formais para o psicanalista modelar um comportamento eficaz para um paciente, incluindo autorrevelação saudável e limites saudáveis. Com o tempo, o psicanalista modela para o paciente como ser seu próprio psicanalista, que o paciente internaliza e usa entre as sessões de terapia e muito além do período das sessões formais (DE OLIVEIRA, 2017).

    Às vezes, os pacientes precisam mais do que simples validação para tentar uma nova atitude ou comportamento. Eles precisam de encorajamento real e da sensação de que alguém com mais conhecimento (o psicanalista) acredita que eles podem fazer o que se propõem a fazer. O elogio e o encorajamento ativos podem ser agentes de reforço eficazes para encorajar a mudança. No entanto, o psicanalista deve equilibrar isso com a aceitação e neutralidade do resultado. Quando a paciente falha, o psicanalista também deve estar lá para pegá-lo e ajudá-lo a tentar novamente (MIGLIAVACCA, 2022).

    Conceito de transferência dentro da psicanálise

    A transferência dentro da psicanálise é definida como a experiência do paciente com o psicanalista com base em padrões de relacionamento passados desde a infância, é o inconsciente, que ganha vida na terapia. Há sempre um núcleo de verdade ou realidade na transferência. O paciente não cria isso do nada, mas está captando algo que está acontecendo no relacionamento terapêutico. No entanto, a transferência também é regressiva e, nessa medida, exagerada ou distorcida pelo padrão infantil (DOS SANTOS et al., 2017).

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    Muitas vezes serve como uma resistência à terapia. Isso atrapalha o trabalho, afastando o paciente de fazer mudanças na vida real. Pode ser uma razão para o paciente desistir da terapia se não for adequadamente compreendido em tempo hábil. A transferência também é uma forma de os padrões inconscientes de relacionamento do paciente entrarem na terapia. Ele recria, em forma de drama, o que ainda não pode ser lembrado e discutido em palavras adequadamente (AZEVEDO, 2015). Existem três tipos de transferências.

    Primeiramente, transferência erótica: o paciente “se apaixona” pelo psicanalista. Isso pode inviabilizar a terapia, pois o paciente luta com desejos sexuais ou amorosos em relação ao psicanalista, em vez de direcioná-los a uma pessoa apropriada e disponível no “mundo real”. Muitas vezes, o psicanalista deve ajudar o paciente a superar uma vergonha considerável por ter esses desejos antes que eles sejam expressos abertamente. Uma vez expressos, podem ser analisados como o padrão de amor que prendeu o paciente em sua infeliz vida romântica (SALGUEIRO, 2022).

    No superego

    Segundamente, transferência do superego: o paciente vê o psicanalista como uma figura crítica, exigente e antipática que espelha o pai rígido desde a infância. O paciente trabalha duro para agradar o psicanalista e obter aprovação. Por último, idealização da transferência: O paciente vê o psicanalista como maior que a vida, representando um pai poderoso experiente ou o pai poderoso desejado que protegerá o paciente (criança) e o ajudará a se sentir especial dentro desse relacionamento (DE ANDRADE, 2017).

    Existem muitas, muitas variedades de transferência. A chave é reconhecer tanto o cerne da verdade quanto reconhecê-lo, e examinar a natureza dos aspectos regressivos e irrealistas para que possam iluminar o mundo interior dos relacionamentos do paciente. Freud observou que, no final, a psicanálise ou terapia bem-sucedida dependerá do manejo da transferência.

    Se puder ser reconhecido, elaborado e compreendido, primeiro pelo psicanalista e depois pelo paciente, a terapia será bem-sucedida. Se não, a terapia vai afundar nos mal-entendidos que surgem (MAFRA et al., 2022). Ademais, o ambiente de retenção é o ambiente físico e emocional no qual a terapia ocorre. O ambiente precisa fornecer segurança, privacidade e intimidade adequadas para que o paciente abra gradualmente seu mundo interno e privado.

    A atenção do psicanalista

    Uma atenção deve ser dada ao espaço, tempo, dinheiro, confidencialidade e outras “regras de engajamento” (telefonemas, planos de tratamento para seguradoras, visitas perdidas etc.). O psicanalista deve ser atencioso, empático e sem julgamentos (KHOURI, 2017). Somente um psicanalista verdadeiramente engajado será capaz de fazer a diferença na vida de um paciente que realmente precisa de terapia.

    O psicanalista também deve ser imparcial, neutro e experiente o suficiente em seu ofício para lidar com a intensidade das emoções que a terapia profunda desencadeia. O espaço de terapia deve permanecer sagrado (CARTER, 2019). O psicanalista não invade a vida real do paciente, que permite a liberdade para que todos os tipos de sentimentos necessários e regressivos emerjam dentro da segurança do espaço terapêutico.

    O psicanalista também precisa de um “ambiente de retenção”, consciente e respeitoso de seus próprios limites. O uso de supervisão e apoio de pares quando indicado, e ter acesso à terapia pessoal, é importante para libertá-los de seus próprios sintomas e inibições. Permite o máximo crescimento pessoal e consciência de seus próprios padrões e tendências (SANTOS, 2016).

    Transferência e contratransferência para a psicanálise

    A contratransferência é a “transferência” do psicanalista para o paciente. O psicanalista é humano e tem pensamentos, sentimentos, fantasias e comportamentos baseados em padrões de relacionamento da primeira infância. Assim como na transferência, há um lado “problemático” na contratransferência e um lado “útil” (DE OLIVEIRA, 2017). A contratransferência torna-se um problema quando ela persistentemente obscurece ou distorce a compreensão do paciente pelo psicanalista.

    Isso pode levar a uma atuação aberta com o paciente ou pode ser sutil e passar despercebida. Se a contratransferência é percebida e então compreendida pelo psicanalista, ela pode servir como uma forma de entender o que está acontecendo no mundo interior do paciente (SANTOS, 2016). Tal como acontece com a transferência, a contratransferência não surge do nada, mas representa alguma verdade sobre o paciente e o relacionamento, muitas vezes sobre uma transferência encoberta que o paciente está tendo para o psicanalista.

    Pode ser útil e até necessário para um psicanalista obter supervisão para entender melhor a contratransferência em andamento (DE OLIVEIRA, 2017). A American Psychological Associativo (APA) define a contratransferência como uma reação à transferência do cliente ou cliente, que é quando o cliente projeta seus próprios conflitos no psicanalista. A transferência é uma parte normal da terapia psicodinâmica. No entanto, é responsabilidade do psicanalista perceber a contratransferência e tomar as medidas necessárias para manter a objetividade (DOS SANTOS et al., 2017).

    Há quatro manifestações de contratransferência

    Três deles podem potencialmente prejudicar a relação terapêutica. Primeiramente, contratransferência subjetiva: os próprios problemas não resolvidos do psicanalista são a causa, isso pode ser prejudicial se não for detectado. Segundamente, contratransferência objetiva: a reação do psicanalista aos comportamentos desadaptativos de seu cliente é a causa, isso pode beneficiar o processo terapêutico (AZEVEDO, 2015).

    Terceiramente, contratransferência positiva: o psicanalista é excessivamente solidário, tentando muito fazer amizade com seu cliente e revelando demais, pode prejudicar a relação terapêutica. Por último, contratransferência negativa: o psicanalista age contra sentimentos desconfortáveis de maneira negativa, incluindo ser excessivamente crítico e punir ou rejeitar o cliente (SALGUEIRO, 2022). A contratransferência é especialmente comum em psicanalistas iniciantes, então os supervisores prestam muita atenção e os ajudam a se tornarem mais autoconscientes.

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    A comunidade de saúde mental apoia médicos experientes, incentivando-os a buscar revisão por pares e orientação de supervisão, conforme necessário. Em vez de eliminar completamente a contratransferência, o objetivo é usar esses sentimentos de forma produtiva (DE ANDRADE, 2017). Embora fosse originalmente um conceito psicanalítico, a contratransferência foi adotada e é usada em outras formas de terapia hoje.

    Revisão sistemática

    Embora seja importante que o psicanalista se proteja contra sentimentos de contratransferência em relação ao paciente, a contratransferência também foi considerada benéfica. Em uma revisão sistemática de 25 estudos de contratransferência, pesquisadores encontraram associação com contratransferência positiva, como sentir-se próximo do cliente, e resultados positivos, incluindo melhora dos sintomas e boa relação terapêutica.

    Além disso, uma meta-análise de 2018 publicada na Psychotherapy examinou o efeito da contratransferência na terapia e observou os potenciais efeitos negativos e os resultados benéficos quando bem administrado (MAFRA et al., 2022). Os psicanalistas também podem tomar medidas para gerenciar a contratransferência. A meta-análise de 2018 recomenda que os psicanalistas se monitorem de perto e trabalhem em seus conflitos por meio de psicoterapia pessoal, meditação e autocuidado.

    Por outro lado, também pode se considerar a supervisão clínica (KHOURI, 2017). Sigmund Freud descreveu a contratransferência pela primeira vez em 1910. As atitudes do conceito mudaram ao longo do tempo. Freud primeiro a definiu como sendo uma reação à transferência de um cliente, e foi considerada em grande parte prejudicial à terapia. No entanto, esse pensamento mudou por volta da década de 1950, quando a contratransferência passou a ser vista como algo que poderia ser positivo.

    Transferência e contratransferência e os clínicos

    A definição de contratransferência também foi ampliada para incluir qualquer reação que um psicanalista tivesse a um cliente (SANTOS, 2016). Ademais, alguns pacientes podem ficar cientes de seus efeitos em seus médicos. Para se proteger de emoções dolorosas, como impotência, vergonha e angústia que emergem em seu relacionamento com o clínico (o que é chamado de ativação do apego-sistema), eles podem tentar lidar com esses sentimentos exibindo uma atitude de superioridade ou tentando controlar o clínico (CARTER, 2019).

    As provocações do clínico e os ataques ao clínico são muitas vezes uma repetição dos comportamentos que ocorrem com os outros ou aqueles que ocorreram no passado. Quanto mais cedo o clínico se conscientizar de suas respostas contratransferências, mais efetivamente ele poderá responder terapeuticamente, em vez de perpetuar um ciclo não terapêutico com o paciente (DE OLIVEIRA, 2017).

    Considerações finais: sobre transferência e contratransferência

    Por meio desta pesquisa concluiu-se que o ponto de vista dinâmico em psicanálise supõe que a psique é o lugar de encontro e de conflitos das diversas forças que a atravessam, organizam e estruturam. É esse ponto de vista que desejo abordar ao falar da dinâmica transferência-contratransferência.

    Concluiu-se também que a contratransferência não pode ser uma simples resposta à transferência, mas está ligada a ela por um efeito de ressonância. Nesse sentido, a dinâmica transferência-contratransferência, em processo “automático”, não apenas repete a história do sujeito, mas é historicizada no tratamento, mantendo o rastro de suas transformações.

    Referências

    AZEVEDO, Eliane Alves Almeida. Contratransferência: um desconhecido dentro de mim na ótica da psicanálise e da teologia. Est.EDU, 2015. CARTER, Linda. Como Freud, Jung tinha plena consciência da transferência e da contratransferência, mas ele as via como um processo de influência mútua, como fica evidente em A psicologia da transferência (Jung 1946/1966), onde ele usa o imaginário e as operações alquímicas para. Psicanálise Junguiana: Trabalhando no espírito de CG Jung, 2019. DE ANDRADE SALGADO, Guilherme. Transferência e Contratransferência na relação médico-paciente. Tese de Doutorado. PUC-Rio. 2017 DE OLIVEIRA MORAIS, Renata Arouca; DO AMPARO, Deise Matos; BRASIL, Katia Cristina Tarouquella. Transicionalidade e espaço potencial na clínica psicanalítica winnicottiana com paciente falso self. Psicologia Clínica e Cultura Contemporânea 3, p. 89. 2017 DOS SANTOS, FRANCIELE APARECIDA; LIMA, EDILENE. Transferência e contratransferência: a evolução do conceito e sua prática na clínica psicanalítica. Revista Uningá, v. 51, n. 2, 2017. KHOURI, Marjorie El. Dentro e fora da casinha: reflexões sobre a experiência na assistência domiciliar em saúde mental a partir da psicanálise vincular. Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo. 2017 MAFRA, Thais Kerolin; ANGELI, Gustavo; BENEVENUTI, Jeisa. Um Estudo Da Contratransferência No Ambiente Hospitalar: A Escuta Psicanalítica A Partir Da Série The Good Doctor. Revista da UNIFEBE, v. 1, n. 26, 2022. MIGLIAVACCA, Eva Maria. O processo da reparação na dinâmica transferência-contratransferência. Berggasse 19, v. 12, n. 1, p. 46-60, 2022. SALGUEIRO, Emílio et al. Memória, Transferência e Contratransferência: Aliados ou Inimigos? Revista Portuguesa de Psicanálise, v. 42, n. 1, p. 112-122, 2022. SAMARCOS, Ana Luiza Henriques. O uso da contratransferência como instrumento para a psicanálise: contribuições de Freud, Klein e Heimann. UNICEUB, 2016. SANTOS, Paula França dos. A transferência e a contratransferência na clínica dos estados-limite: o afeto como um recurso de elaboração do trauma. UNB, 2016.

    Este artigo foi escrito por ERIKES DJOLY G. MARTINS, concluinte do Curso de Formação em Psicanálise.

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