Ursinho Pooh

Ursinho Pooh: análise psicanalítica dos personagens

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O desenho Ursinho Pooh foi criado pelo autor A. A. Milne, com a primeira aparição da série de livros apareceu em 1926. A saga foi inspirada por um ursinho que o filho do autor tinha, assim como os outros personagens tiveram a mesma inspiração, todos são personagens de algum brinquedo que o filho de Milne tinha.

Uma pesquisa publicada no ano de 2000 pela associação de medicina canadense, vem mostrando as patologias,uma perspectiva do neurodesenvolvimento que mostra como os personagens do Ursinho Pooh tem casa um, um distúrbio.

Sobre o Ursinho Pooh

Embora ele seja o personagem principal das histórias do narrador, Pooh também é a imagem mais complexa e ambígua do inconsciente do narrador em tudo. De todos os personagens, é visível que Pooh é o favorito de Christopher Robin, aquele com quem ele desce as escadas todas as noites antes de dormir, aquele que se junta com ele na hora de tomar um banho. Portanto, é meio lógico que o Pooh seja o brinquedo macio De acordo com o relatório, Pooh sofre de mais de um distúrbio, sendo ele o mais que o narrador tem como projeção o maior número de memórias e sentimentos.

A maioria das ações do Pooh podem ter ligação ao processo freudiano de sublimação, No início da história, denota uma memória do desenvolvimento sexual do narrador mascarado por uma imagem que é aceitável pela parte consciente de sua mente. No primeiro capítulo, Pooh tenta pegar o mel de uma colméia alta e acaba falhando algumas vezes. As tentativas podem ser vistas como uma busca inocente por provisões, porém isso é para olhos inspirados na filosofia freudiana.

A tentativa do Pooh tentar recuperar o mel da árvore é uma metáfora a respeito do fracasso do narrador ao desenvolvimento normal a sexualidade; isso sendo as três partes da sexualidade infantil, a oral, anal e fálico, estão presentes no conto do Pooh, como ele experimenta problemas com todos eles. Ele não consegue derrotar o grande carvalho e recuperar o mel, não consegue se conformar com o falo que tem como símbolo a árvore. Depois o Pooh fica preso num buraco, a porta da frente do coelho, isso acontece depois que ele comeu demais.

O Ursinho Pooh e o comportamento sexual

O Narrador não desenvolveu um comportamento sexual normal quando era criança e assim conseguiu chegar a um acordo também com o elemento anal da trindade da sexualidade infantil e alem disso, o Pooh não consegue sair de casa, o seu apetite seria sua morte. O apetite simboliza o terceiro dos três símbolos sexuais. Em nenhum capítulo o Pooh fica sem comer e de pensar em mel.

A sua necessidade constante de perturbar sua vida diária, fazendo com que ele acabe comendo o presente que ele estava levando para o Ló para seu aniversário. Quando o Pooh fica sem mal, ele experimenta sinais de retirada, ele pula na água para recuperar uma nota que estava dentro de uma garrafa pela angústia do leitão, acreditando ele que era mel.

Em suma, o desenvolvimento sexual do narrador possivelmente tenha deixado de ser normal logo após o seu nascimento, pois quando ainda criança, ele não tinha noção nem controle sobre as três partes freudianas da sexualidade infantil. O Ursinho Pooh é a figura que mascara a memória dolorosa no inconsciente, que no entanto foi e continua sendo uma realidade. O constante vício de Pooh pelo mel também pode ser interpretado de uma outra forma visto que o narrador vive com um desejo constante pela mãe, ele quer fazer parte dela e vice-versa.

A relação com o inconsciente

Nesse desejo se pode adicionar o medo do Leitão da castração e a presença contínua do pai, nome-do-pai no inconsciente do narrador, acaba ficando claro que o vício do Pooh pelo mel é de fato uma metáfora para um desejo pela mãe, um desejo que não foi abandonado. O comer e a fome, são a representação de um desejo insaciável. Os outros personagens comem de tudo, embora todos os outros personagens possam comer pouco, o Pooh é o único que sempre está comendo ou pensando em mel.

Essa fome dele não é apenas uma fome restrita à região abdominal, todo o seu seu sente a necessidade, o desejo pelo mel; ele também é o único personagem que come em excesso, aquele que podemos chamar de gula. O Ursinho Pooh tem como predominante o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade ( TDAH). Este distúrbio é caracterizado pela incapacidade do paciente de prestar atenção e ter um nível de atividade acima do normal na maioria dos casos.

A perseverança do Pooh sempre comendo mel e seus comportamentos repetitivos de contagem aumentam a possibilidade de diagnóstico de Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC). Podendo parecer bastante assustador, pode haver um lado freudiano de porque o Christopher Robin, o menino do desenho, escolheu o nome do seu ursinho de Winnie the Pooh. Em inglês, winer é usado como uma gíria para o órgão reprodutor masculino.

Tigrão, Leitão e a teoria psicanalítica

Pela teoria psicanalítica de Sigmund Freud, o impulso sexual de cada ser tem um papel a desempenhar em sua personalidade, portanto, indicando a possível fixação de Robin com a palavra winer, ele dá o nome de seu urso de Winnie the Pooh. O tigrão por outro lado sofre de TDAH, e um lado crônico de comportamentos de risco que também o inclui em uma compulsão de querer provar de tudo e qualquer coisa. Tigrão é um dos personagens que sempre eram discutidas apenas as suas qualidades e nunca o que mais havia por dentro disso.

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Ele tem um padrão persistente de desatenção e hiperatividade que interfere no seu funcionamento e desenvolvimento. O leitão, confidente e amigo mais próximo do Pooh, sofria de um caso bastante agudo de transtorno de ansiedade generalizada. Citando seu eu “ansioso, corado, perturbao, pobre”, também se diz que o leitão tinha problemas de auto-estima.

O leitão vivia em um lugar muito grande, uma casa que ficava no meio da floresta, e ele morava no meio dessa casa. Vivendo no meio da floresta e no meio de sua própria casa, o leitão era cauteloso com algo, esse algo era uma das forças mais evasivas e ocultas do romance: o pai do narrador. O leitão vivia em constante cautela e ansiedade porque estava em uma constante ameaça de castração. Ou seja, é a imagem do narrador quando a criança tem uma relação próxima com a mãe, uma relação que tão próxima que não é considerada normal.

O inconsciente infantil e o Corujão

De certa forma, a memória revela que o pai, no inconsciente infantil, contestou a conexão entre mãe e filho. Leitão é tão tenso que muitas vezes ele é incapaz de ser abordado pelo seu amigo Pooh sem que ele pule de medo. Corujão, em seu quesito à teoria freudiana, ele é um personagem difícil de analisar e interpretar. Ele parece não ser um símbolo para qualquer memória ou sentimento em particular. Mesmo assim, existem circunstâncias em torno do corujão que são bastante peculiares.

Em primeiro lugar, ele é um personagem que tenta sempre parecer inteligente e muito sábio, características essas que a sua raça geralmente está associada, mesmo ele não sabendo ler ou escrever corretamente. Quando o Pooh o visita para que ele escrevesse algo no presente do Ló, ele fica ansioso e garante que Pooh seja analfabeto antes mesmo de começar a escrever no pote. Além de sua necessidade de parecer inteligente, Corujão usa um vocabulário que não está no mesmo nível dos outros personagens.

Apenas quando ele percebe que seu interlocutor não entende, ele então passa a adaptar a sua linguagem. Corujão, ao contrário dos outros personagens, pode não ser um símbolo ou metáfora para qualquer sentimento ou memória reprimida. Em vez disso, seria plausível interpretá-lo como um sinal de destruição no inconsciente do narrador. Como personagem, ele confunde os outros personagens com o seu vocabulário e se esforça para parecer sábio e inteligente em todos os pontos; os outros o entendem mal ou então mostram algum tipo de frustração em relação a ele.

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    Conceitos lacanianos de falta e o Can & Guru

    Conhecido pela sua reputação de ser o personagem mais inteligente, Corujão experimentou um certo grau de dislexia, Sua frequente incapacidade de soletrar palavras, juntamente com as palavras incorretas, sugere sua condição disléxica. Can e Guru são os dois personagens mais fáceis de serem analisados quando visto pelo olhar de Freud e Lacan. Pelos métodos freudiano de revelação do simbolismo e conceitos lacanianos de falta e desejo, juntos formaram a primeira afirmação para o artigo que foi escrito a respeito do desenho.

    Can e Guru são uma memória do passado do narrador e para que esse consciente dessa memória fosse salvo, o narrador fez uma projeção inconscientemente das características de uma longa infância nos bichos de pelúcia do Christopher Robin. Os dois, Can e Guru, juntos formam uma imagem da infância do narrador, uma infância que foi caracterizada por uma relação extremamente próxima de mãe e filho. O canguru como um animal marsupial, um animal que carrega sua prole em uma bolsa, forma um argumento para isso; a mãe carrega seus filhos não em seus braços mas em si mesma, em seu ventre.

    Na própria memória é carregado vários significados. A primeira fala da relação mãe e filho. Segundo, de uma criança que está à beira de entrar na fase do espelho. O Guru está ligado a Can e ela o observa constantemente carregando em sua bolsa como parte de si mesma. No inconsciente do narrador, os dois se unem formando um, Guru é uma criança que está começando a encontrar a sua própria identidade e ao mesmo tempo, ele pula e deseja a atenção de todos ao seu redor assim como muitas crianças fazem.

    Ló em Ursinho Pooh

    O seu estado perpétuo de ser o burro foi rotulado como “ transtorno depressivo”. A distimia crônica de Ló deve ser culpada pelos ataques de estresse e negatividade que sofre. Bisonho empunhando sarcasmo e amargura como armas em conversas, Ló detém o status do personagem mais sombrio. O velho burrinho cinzento é uma metáfora e simbolização para todos os sentimentos e pensamentos negativos que o narrador já teve em relação ao seu passado sexual e à fixação materna da infância.

    Assumindo que seria altamente improvável que um ser humano pudesse realizar qualquer tipo de ação ou sentir quaisquer sentimentos sem ter que considerar eles de uma forma crítica; seria plausível argumentar que é uma pessoa que não mostra sinais de ter pensamentos críticos sobre ações ou sentimentos reprimidos que foram banidos para o inconsciente. Ló é o amálgama de todos os pensamentos críticos do narrador e isso explica por que ele mantém sua melancolia ao longo das histórias.

    Mesmo que ele esteja temporariamente feliz quando o Pooh encontra o seu rabo e em seu aniversário, ele imediatamente retorna ao seu humor passado, ele mesmo é o crítico em relação a quase tudo e a todos. Quando apresentado pela primeira vez ao leitor, ele fica paranóico acreditando que alguém pegou seu rabo. Ele não é só crítico consigo mesmo, também é crítico com os outros e com o fato de que os outros não são mais críticos também.

    O presente de Christopher Robin

    Durante a festa que foi dada para o Pooh, Ló faz uma investida final para ensinar a respeito do pensamento crítico aos seus companheiros que habitam na floresta. Ele implicitamente tenta provocar os outros, ultrapassando o grupo de Pooh; age como se todos estivessem reunidos para celebrar algo que ele fez, apesar do fato de que ele deve saber o motivo de Pooh estar sentado em uma ponta da mesa.

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    No final, ele acaba falhando, pois o Pooh acaba recebendo seu presente de Christopher Robin acabando não prestando atenção no Ló, mesmo ele fazendo o seu melhor para educar os outros que continuaram a sua celebração. Ló também pode ser interpretado como um personagem com grande esforço dos pensamentos e sentimentos críticos condensados.

    Os pensamentos e sentimentos críticos sobre o passado, ao que parece, nunca podem ser conscientemente pensados ou sentidos pelo narrador, apenas continuando sua residência no inconsciente.

    Abel

    Mesmo o Nome-do-Pai ter falhado em separar a criança da mãe, existe um pura lógica que a imagem espectral do pai deve ser retida no inconsciente do narrador. Como o nome mesmo já falhou, não deve ter uma ameaça significativa para o narrador até então. Seja como for, o nome ainda tem como símbolo uma memória viva no inconsciente do narrador de coelho, o Abel. O Abel simboliza o Nome-do-Pai, e fica claro observando seu comportamento em relação aos outros personagens e a sua casa.

    Observando o seu comportamento em relação à Pooh, não podemos evitar sorrir levemente e sentir o seu verdadeiro sentimento pelo seu “amigo” nas entrelinhas. Nos capítulos em que o Abel está incluído, ele sempre tem uma forma peculiar de agir especialmente para o Pooh, como por exemplo, ele mostra a sua frustração com o urso, fala devagar para impedir interrupções e depois interrompe o próprio Pooh, além disso, existem vezes que parece que ele quer provocar o Pooh, para fazer o que o certo.

    Podemos usar como argumento que a razão pela qual o Pooh nao responde é porque são imagens do inconsciente criadas para salvar o narrador da memória e sentimentos que simbolizam abertamente a hostilidade entre os brinquedos macios que são supostos bons amigos, talvez chamasse a atenção do narrador consciente quebrar a barreira protetora que protege a consciência dele de danos. Por mais interessantes que sejam alguns exemplos, o Nome-do-Pai mantém sua presença da memória inconsciente mascarada do narrador.

    Ursinho Pooh e o símbolo da figura paterna

    Lembrando a teoria freudiana, parece que é improvável que o coelho, Abel, pudesse ser um símbolo de uma figura paterna de tempos do passado. Enquanto o pai do narrador deveria ser uma representação de uma ameaça de castração, a fim de quebrar o Complexo de Édipo, grande parte da interpretação mostra que o narrador não passou por uma castração; Christopher Robin não é uma imagem apenas do inconsciente, mas de uma criança real.

    A teoria psicanalítica lacaniana, no entanto, muda a maré e o Abel pode mais uma vez carregar o peso de que é a memória da figura paterna, pois com base a teoria lacaniana, o Nome-do-Pai não se trata de um homem real, mas sim de uma força do inconsciente dos bebês que separa a criança da mãe. O espectro do inconsciente seria capaz de castrar uma criança fisicamente, embora logicamente devesse ser capaz fazê-lo ao próprio inconsciente.

    Também é possível notar que nenhum personagem do narrador está conectado a qualquer conceito ou termo que seja abertamente sexual além de um, a Can, sendo a única personagem feminina da história, mãe do Guru. Ela é a única personagem que parece ter experimentado a cópula. O coelho sofre de TOC em combinação com a tendência a ser extraordinariamente auto-importante e seu estranho sistema de crenças de que ele tem muitas relações.

    Christopher Robin

    Christopher Robin no inconsciente do narrador é único. Ao contrário de qualquer outro personagem, ele é uma metáfora para o material de repressão que é carregado pelo narrador e não a máscara de um brinquedo macio, mas a de um ser humano vivo. É muito importante notar que mesmo que Christopher Robin mora na floresta, ele é uma entidade a ser distinguida. No romance, a criança, Christopher, ouve histórias de outra pessoa sobre ele e seus amigos, portanto, o fictício dele pode ser inteiramente o que é o real.

    A imagem mental de Christopher Robin deve, de fato, ser distinguida da real de si mesmo, pois a imagem dele não o retrata, mas uma memória reprimida da infância do narrador, banida para seu inconsciente; até hoje o narrador se recusa inconscientemente a se lembrar da criança que um dia foi. Doravante todas as referências serão à criança que vive na floresta. Os argumentos para a interpretação de Christopher Robin como uma memória da infância do narrador são apenas dois: a natureza da sua relação e o Pooh e o seu status na floresta.

    Além dele ser o único personagem humanoide, Christopher Robin também é o único que é leal e amoroso com Pooh. Todos os outros no Bosque são completamente impacientes com o Pooh por causa da sua pouca inteligência, tentam sempre manipulá-lo ou deliberadamente o confundem. O menino, no entanto, nunca mostra sinais de impaciência, frustração ou vontade de dominar seu Ursinho Pooh. Ele simplesmente o ama e o ama constantemente.

    A imagem do Christopher Robin

    Quando Pooh fica preso na porta da frente do coelho, Abel, ele não mostra nada além de afetos calorosos; depois de apontar que Pooh andou em círculos ao rastrear o Woozle, ele não incomoda, ao em vez disso, ele o acalma. A memória do narrador mostra que é uma criança apaixonada pelo desejo da mãe. A imagem do Christopher Robin retrata justamente uma criança que está amando a metáfora de uma memória de desejos passados. O Pooh, atormentado por uma fixação oral correspondente a um desejo pela mãe e sem caráter e inteligência para lidar com seu problema, é totalmente amado pela criança.

    Em suma, o amor incondicional do menino pelo Pooh corresponde ao narrados quando criança amando incondicionalemtne o desejo pela mãe, apenas de sim, reconhecer a estupidez que isso seja. O segundo argumento para a interpretação de Christopher Robin como metáfora para o narrador quando criança é, como mencionado, seu status entre os outros moradores do bosque. Ao longo das histórias de Christopher Robin e seus amigos, ele ocupa um lugar muito especial no coração de todos os outros.

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    Com a sua presença as criaturas ficam calmas, corajosas e confiantes. Ele também é aquele que traz esperança para os animais quando o Pooh fica preso e aquele cujo advento logo precede a liberação de Leitão dos cuidados de Can. Na floresta, o Christopher Robin é a pessoa mais proeminente, ele é a imagem que tem influência sobre os outros. No entanto, como ele é a personificação do narrador quando criança, a pessoa todo-poderosa que inconscientemente mascarou e atribuiu todos eles ao inconsciente, parece lógico que ele tenha algum poder para si mesmo.

    O último capítulo

    Não é surpreendente dizer que o Christopher Robin influencia os outros da maneira que ele faz. Existem dois capítulos onde ele usa seu poder explicitamente. No último capítulo, por exemplo, ele chama Corujão assobiando de uma maneira especial, o pássaro instantaneamente respondendo ao chamado voando para fora do Bosque para ver o que era desejado.

    Além disso, no oitavo capítulo ele mostra toda a extensão de sua influência. De uma forma verdadeiramente imperialista, ele decide que todos devem partir em uma expedição para encontrar o Pólo Norte sem nem saber realmente o que procurar.

    Enquanto Christopher Robin inspeciona sua arma, Pooh se aventura pela floresta e convoca todos os outros animais e finalmente todos os personagens partem juntos para a expedição sendo liderada pelo menino e seu próprio exército de animais que foram recrutados, seguem incondicionalmente e sem questionar a sua autoridade.

    Conclusão: a psicanálise de Ursinho Pooh

    De uma visão bastante superficial, pode-se ver o desenho do Ursinho Pooh apenas como uma animação infantil, mas quando pensamos do ponto de vista psicanalítico, começamos a ver com mais claridade que há mais significado subjacente. Os vários personagens de Ursinho Pooh incorporam as várias partes do inconsciente do Christopher Robin, Christopher, assim como muitas crianças, acham difícil separar a realidade da ficção, então ele, inconscientemente, personifica os seus brinquedos e as várias qualidades que o compõem.

    A razão mais provável para isso acontecer é como um método de enfrentamento, pois ao tangibilizar suas várias personas, ele consegue se entender melhor e desafiar vários aspectos que podem estar o atrapalhando. O autor escreve personagens como áreas de sua psique para tentar mostrar as diferentes áreas de conflito em seu cérebro. Uma emoção contradiz ou afeta outra, tentando mostrar a complexidade de um cérebro humano. Que mesmo quando criança, existem conflitos extremos e o mundo dos “ vários acres de madeira”, é simplesmente uma interpretação de um certo conflito na mente de uma criança, chamada Christopher Robin.

    Os personagens de Winnie-the-Pooh foram interpretados empregando conceitos, teorias e métodos psicanalíticos. Com quase todos eles,existem argumentos que são metáforas ou símbolos para memórias, pensamentos e sentimentos reprimidos. O narrador que conta a história sobre o bosque dos Cem Acres e seus habitantes para o Christopher Robin, ao que parece, ele é uma pessoa com um passado reconhecido como complicado. Can e Guru ambos formam um símbolo para uma memória reprimida da infância do narrador, uma infância em que mãe e filho eram parte de um todo.

    O desenvolvimento sexual infantil

    Essa relação de extrema proximidade chega num ponto em que precisa ser rompida. Leitão está constantemente nervoso e com medo, retratando uma memória de quando a castração era temida. O narrador, quando era criança, transgrediu o seu relacionamento com seus pais, tendo Leitão a palavra incluída em um nome escrito em uma placa do lado de fora de sua casa. O Ursinho Pooh também é símbolo de uma memória, a memória do desenvolvimento sexual infantil do narrador. Além disso, sua fixação oral, do Pooh, seu desejo constante por mel, é uma metáfora para um sentimento que foi reprimido, para o desejo que o narrador já teve pela sua mãe.

    Em contraste, o coelho, Abel, não é uma imagem de qualquer material reprimido, mas o Nome-do-Pai, o nome que transcende o pai real. Tendo castrado todas as imagens do inconsciente do narrador, como elas agora vivem em uma conexão com os símbolos do falo, obviamente que ele não conseguiu separar a criança da mãe. No entanto, ele ainda continua a tentar, inventando e fazendo a realização de um plano para sequestrar o Guru de Can.

    Corujão simboliza toda a turbulência que existe no inconsciente do narrador. Ele personifica a confusão linguística e é um personagem que se esforça para usar o vocabulário mais avançado possível, sabendo que ninguém na floresta irá entender. Frustrado com toda a confusão retratada e causada pelo Corujão, o Christopher Robin, uma criança muito amorosa e paciente, finalmente mostra sinais de frustração em relação a ele, pedindo para que ele fique quieto. Christopher Robin é uma metáfora para o narrador quando criança. Como metáfora para a criança, Christopher Robin tem uma relação bastante próxima com Pooh.

    Ursinho Pooh e o inconsciente de interesse

    Ele é a imagem de quem originou todas as imagens do dono do inconsciente de interesse; como tal, Christopher Robin é um personagem que tem influência e influencia muito os outros personagens e que é o mestre inquestionável do Bosque e seus habitantes.

    Como metáfora para um amálgama de pensamentos críticos e negativos, Ló conclui então a interpretação. Paranóico e deprimente, ele usa muito a negatividade como uma arma nas conversas com os outros personagens. Sempre contesta a alegria dos outros e tenta difundir seu modo de pensar para chamar a atenção da consciência do narrador.

    O presente artigo foi escrito por Raïssa Grace J. Asobo. Escritora (literatura infantil), formada em Pedagogia e pós-graduada em Psicopedagogia e Neurociências. Formando em Psicanálise. Contato por: Redes sociais: @r.g.asobo (Instagram) E-mail: [email protected]

    One thought on “Ursinho Pooh: análise psicanalítica dos personagens

    1. Muito bom texto! Penso que ele estaria expondo os seus traumas do passado. Ele fazendo assim, estaria também se curando, através da autoanálise!

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