Sigmund Freud deu uma grande contribuição para que outros viessem depois dele desenvolver estudos na área da clínica sobre a importância do desenvolvimento da criança.
Em seu texto “Além do Princípio do Prazer” falando no jogo do forte da criança por meio de imitação. Mostra a importância do brincar na resolução de conflitos e vê como forma de elaboração a atividade lúdica.
Outra contribuição importante é a relação parental como base para o futuro adulto.
Também há a possibilidade de simbolização da relação com a mãe a fim da elaboração da separação da mesma.
A criança experimenta na relação com a mãe, pulsão de morte quando separa dela e pulsão de vida quando a mãe cuida dela e lhe possibilita sobrevivência.
Atendimento com Crianças Segundo Anna Freud
1° passo – Treinamento ou Esquentamento
Quando a criança está com um sintoma ela não tem consciência do que é.
Os adultos a sua volta que vão perceber e geralmente os pais vão buscar ajuda profissional nesta fase.
É necessário conscientizar a criança do problema e que os pais procuraram tratamento porque existe uma questão.
O tratamento vai ajudá-la a compreender que se está ali é para tratar suas próprias questões, e este deve levá-la a um insight sobre a doença.
2° passo – Aliança
O analista e a criança vão tentar resolver a questão, e ela precisa entender o papel do analista.
Através do conhecimento do que se trata, a terapia à criança, os pais vão decidir pelo tratamento ou não.
O ambiente precisa ser adequado e então faz-se a aliança deixando claro que ali acontecerá coisas necessárias para a cura e que nem sempre são agradáveis.
3° passo – Falar da importância da cura
Mostrar para a criança que o tratamento será algo bom para ela.
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Muitos sintomas não incomodam a criança, talvez mais aos pais.
Por exemplo, tirar notas baixas na escola, estes sintomas de certa forma trazem ganho para ela.
Principalmente porque chamam a atenção dos pais para si.
Existem outros sintomas que causam sofrimento à criança, como o terror noturno, fobias, etc.
Para Anna Freud se o sintoma não incomoda a criança, ela precisa entender que causa sofrimento a outros a consequência deste sintoma, assim como a consequência do tratamento, aquilo que se busca com ele.
O papel do analista do atendimento da criança
O principal é ganhar a confiança da criança, o que implica às vezes fazer alianças contra os pais.
O analista ficaria com o controle da situação, e atuaria como o superego da criança.
A função do analista então seria a de fazer a criança se entregar ao tratamento trazendo sonhos e outras questões.
Deve-se investir o máximo no tratamento.
Estabelecer a transferência e conseguir associação livre com crianças é muito difícil, porém é necessário que seja dirigida para isto.
É preciso que o analista tenha métodos para que a criança fale e se estabeleça uma relação.
Propostas de Métodos
1° Interpretação de sonhos – Para Anna Freud, este seria o principal para se trabalhar com crianças, o analista deve dar muito valor e mostrar interesse neles.
Os sonhos infantis têm menos censura, e são mais fáceis de interpretar.
Segundo Anna Freud é divertido falar de sonhos com os pequenos.
2° Devaneios ou sonhos diurnos – A criança não tem vergonha de suas fantasias, por isso menos censura.
Anna vai falar de três tipos: os baseados em acontecimentos recentes, os devaneios em série e os de mudança de situação ou personalidades, como bom/mau, mocinho/bandido.
3° Desenho – É fundamental para a comunicação da criança.
Anna não interpretava o desenho em si, mas se preocupava com o tema que era trazido, o que a criança falava sobre ele.
A análise de criança tem uma abordagem pedagógica, o analista será um educador na análise.
A Criança na Análise
Na fase infantil, a imaturidade do Ego e Superego estão em estágio de estruturação.
O adulto consegue dar uma direção aos impulsos conflituosos do Id, Ego e Superego.
Já a criança ainda não está estruturada e a neurose infantil mesmo sendo interna tem uma influência externa muito grande na sua instalação.
As pessoas que cuidam dela, são as mesmas que influenciam na instalação da doença.
O analista tem que se colocar no lugar de Ego ideal dos pais, e ter uma autoridade maior que a deles.
Por este motivo, é muito importante que o analista ganhe a confiança dos pais também.
Vantagens ao Trabalhar com Crianças
Em relação ao ambiente, o analista pode ter contato com a escola, pai, mãe, professores e outros que a rodeiam.
O processo é mais rápido, como a criança tem poucos anos de vida, o percurso será menor que de um adulto.
A área infantil é mais propensa a investir e transformar porque não tem mecanismos de defesa enraizados como os adultos.
Atenuação do superego, onde é mais fácil desmontar as repressões, pois ainda não estão completamente estruturados.
Trabalhar na área infantil faz com que as suas relações tendem a mudar.
É um agente transformador.
Na criança institucionalizada, o período sem afetividade e estimulação intelectual e social gera um grande prejuízo psicológico resultando numa fixação nos níveis mais primitivos de comportamento conceitual e emocional.
A interação com os pais tem seus reflexos tanto positivos como negativos.
A criança que cresce num lar estruturado facilmente se adaptará a viver em sociedade.
Este artigo foi desenvolvido através do Trabalho de Conclusão de Curso de Formação em Psicanálise Clínica do aluno Tomé Santos.

1 thoughts on “A criança e o papel do psicanalista”
Muito interessante essa abordagem com criança, onde é vista a clínica com crianças que ainda estão estruturando o id, ego e superego.
Gostei muito do desenvolvimento do autor ao abordar esse assunto que é bastante pertinente no período em que estamos vivênciando o desenvolvimento da tecnologia. Parabéns!