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Barbie é feminilidade e não conservadorismo

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Recentemente acompanhamos o frenesi que foi o lançamento do filme live action da Barbie. A boneca mais amada por muitas crianças e adultos ganhou vida nas telonas na pele da maravilhosa Margot Robbie, sob a direção de Greta Gerwig e acompanhada de atores excepcionais!

Entendendo sobre o filme Barbie

O filme foi um sucesso de bilheteria, isso é inegável. De acordo com a Forbes, o filme arrecadou cerca de R$ 6,70 bilhões. É fato que a obra agradou a grande maioria do seu público, jovens adultos que tiveram sua infância marcada pela boneca e momentos especiais evocados pela nostalgia que é observar as peças clássicas, as bonecas raras e os momentos que são únicos a cada um, mas compartilhados por todos.

Por outro lado, como sabemos que nada é de consenso geral, parte da população parece não ter se agradado muito da trajetória da personagem no longa. No nosso país, muitos defensores do “conservadorismo” rejeitaram essa história que deram para a Barbie alegando que era uma má influência para as crianças! Uma magia que não é infantil.

Para surpresa de não muitos, o filme tem classificação para maiores de 12 anos no Brasil, justamente por abordar assuntos “polêmicos”. Por esse feito já se sabe que não foi uma produção para o público infantil, até porque eles não entenderiam a maioria das piadas e questões abordadas no filme. A magia que o filme entrega é muito mais sobre como as meninas passam de crianças brincando com suas barbies deixando sua imaginação voar e se imaginando num mundo fantástico, para mulheres que têm suas responsabilidades da vida adulta e não podem mais se deixar levar pelos sonhos e fantasias de um mundo maravilhoso cor de rosa onde elas podem ser absolutamente qualquer coisa.

Barbie e o mundo real

E o talvez o mais triste disso é que essa passagem é feita despercebidamente e quando nos damos conta nem lembramos mais a ultima vez que imaginamos algo além do nosso concreto “mundo real”.

Esse sentimento compartilhado por muitas de que não deixamos realmente de ser crianças mas fomos como que obrigadas a isso é a verdadeira magia que Barbie nos entrega. Isso seria muito bem superado, e provavelmente mais bem aceito pela maioria com pensamentos mais retrógrados se a obra não expusesse também o mundo que, não só nos impõe o amadurecimento, como também nos recebe tão hostilmente.

As histórias da boneca Barbie e suas lições

A justificativa para tanto medo do longa é que ele induz as mulheres a não serem submissas, promover ideias feministas e contra os bons costumes morais. Mas fica a questão, por quê? Seria por que a Barbie (leve spoiler) não se torna a esposa do Ken? Muda com o passar do tempo?

Por que a Barbie deixa de ter uma aparência infantil de ingenuidade e passa a se parecer mais com uma mulher adulta que busca seus próprios interesses e independência?

O maior crescimento que vemos no decorrer da história é o da própria Barbie que escolhe “crescer”, ela conhece o mundo, conhece a vida como é e escolhe essa vida por ela mesma. A busca por se encontrar é o que move a maioria de nós em nossas carreiras e vidas pessoais, e assim se dá com nossa boneca amada. Mas sobre as justificativas de que esse comportamento “não combina com a Barbie” só pode vir de alguém que claramente não conhece nenhum dos filmes da querida.

Escolas de princesas

A seguir vejamos algumas poucas histórias de filmes antigos e mais recentes da boneca que têm como alvo o público infantil, mas nem de longe passa a ideia de que mulheres são limitadas a um ambiente ou papel e que não podem ou não devem escolher o rumo de suas próprias vidas. Barbie escola de princesas: Blair (Barbie) é criada como plebeia e vai pra escola de princesas e damas reais(plebeias) em razão de ganhar um sorteio. Passando por situações de desprezo e dificuldades, Blair consegue dar a volta por cima, descobrindo-se a princesa perdida.

No final da trama, ao dizer que toda garota tem o potencial de princesa, Barbie coloca no imaginário infantil e de quem mais escuta que o potencial é algo que adormece dentro de cada uma. No filme vemos mais duas princesas que não corroboram com o estereótipo, uma pratica esportes e a outra é DJ.

Ao final do filme vemos que o desfecho do “final feliz” é com Blair, a mãe e a irmã, também adotada, dando início a uma vida melhor, sem casamento, sem príncipe.

Diversas situações da Barbie

Em Barbie e o segredo das fadas, a história se dá de uma maneira diferente do habitual “príncipe salva a princesa em apuros”, acontecendo justamente o contrário, Barbie e suas amigas fadas vão até o reino das fadas salvar o Ken de um casamento arranjado.

Além dessa armadilha que por si só já é desesperadora, ele é obrigado a lutar, é preso, amarrado e se encontra em diversas situações de vulnerabilidade geralmente empregadas às mulheres indefesas na maioria dos filmes. Há outros casos onde é ela quem salva o “homem” da história como na sequência de Fairytopia e outros.

Em Barbie e a Magia de Alados, apesar de haver um par romântico e ele ser de muita importância para a trama, não é o foco principal ali. Todo o enredo foca em Barbie ajudar sua família. Os símbolos de coragem e determinação ficam por conta da heroína que bravamente enfrenta tudo, até mesmo coisas que o seu provável par romântico se nega a enfrentar no início.

O desenvolvimento da personagem

E é claro que há sim filmes onde Barbie termina se casando, sendo ajudada ou de alguma forma envolvida com algum par romântico, como em Barbie e as doze princesas bailarinas mas ela não carrega a imagem da princesa em apuros que dependia unicamente de um homem para se salvar. O cerne da história é sempre o desenvolvimento da personagem principal como pessoa.

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    A descoberta de sua força interior, da sua independência, da sua coragem e de outras virtudes. Os pares românticos são incluídos na história na maioria das vezes como suporte, alívio cômico ou até mesmo uma ajuda válida. Isso não quer dizer que haja um desprezo por esses personagens, muito pelo contrário, alegar isso seria o mesmo que alegar que há tal desprezo pelo papel exercido por personagens femininas na maioria das obras cinematográficas ou até mesmo na vida real.

    Em todas as suas aventuras Barbie sempre mostrou que uma mulher tem sim coragem e determinação necessárias para se salvar, ser a heroína, princesa, espadachim, fada madrinha ou qualquer que seja sua ambição. Deixando muitas vezes o papel do par romântico masculino como algo totalmente opcional e nem sempre escolhido.

    A essência trazida à vida

    No live action, vemos um Ken que só existe quando a Barbie olha para ele. Essa frase é dita no filme. Ali vemos que ele não tem uma função específica, uma vida própria. Isso não é saudável de forma alguma, mas a linha do filme não é juntar os dois, não é fazer com que Barbie perceba o que ela deixa de lado quando não escolhe o Ken, muito menos colocar ele como parte essencial de sua vida. Greta, muito sagazmente, nos mostra que o Ken precisa se encontrar por si só.

    A trajetória dele passa por diversos altos e baixos, nem sempre ele faz as melhores escolhas e acaba exagerando em alguns pontos, pra no final tentar voltar a ser o que era, alguém que vive em função de outro. Nesse momento, Barbie escolhe outra vida, e não ele. Podemos notar que o Ken de Ryan Gosling exerce a masculinidade que aprende no “mundo real”, então por mais que seja chocante e caricato, há uma identificação do público, seja por motivos de chacota ou de uma carapuça bem ajustada.

    Nesse segundo caso o sentimento é de indignação e de exagero, porém sabemos que ao ver em outros aquilo que reconhecemos como nosso e de alguma forma não aprovamos, a reação natural nem sempre é a mais pacífica.

    O romance

    Essa é a parte onde muitos reclamam, “a Barbie tinha que ter ficado com ele!” mas isso não seria condizente com a personagem! Barbie nunca viveu em função do romance, ele era apenas um bônus em algumas de suas histórias. Ela sempre foi a heroína, sempre colocou no imaginário de muitas meninas que elas podiam ser o que quisessem, escolher o que quisessem sem a necessidade de um companheiro para isso.

    Barbie atingiu o ego da sociedade

    Parte da sociedade viu seus padrões superestimados de “moral” ficarem abalados numa grande tela de cinema. Como um superego ameaçado a reação de repressão e agressividade é entendível, porém não muito compreensível. Ao encarar uma ameaça àquelas colunas que muitos acreditam ser necessárias mas que na verdade são peças para manipulação e manter as mulheres presas a um papel simplório, a parte “regulamentadora” do consciente coletivo que sobrepõe a nossos laços sociais se sentiu ameaçado e coagido. Encarar seus defeitos e ter suas características grotescas e toscas expostas realmente não deve ser muito divertido, ainda mais se isso servir para mostrar que a repressão não funciona mais tão bem assim.

    Ações de boicote e de propaganda enganosa sobre essas “obras ameaçadoras” se unem a amostras caricatas do filme como uma experiência real de algo retratado em tela, nos dá uma visão pessoal de tudo que se é dito. E essa é a beleza de saber impor até onde vai o nosso limite e o poder que o outro tem sobre nós.

    Barbie é sinônimo de feminilidade, delicadeza e rosa, mas ela nunca foi e nem será um símbolo de conservadorismo.

    Este artigo sobre boneca Barbie e o filme homônimo foi escrito por Mariana Araújo ([email protected]), estudante de psicanálise clínica que busca uma melhora no estilo de vida das pessoas e prega o autoconhecimento para isso.

    One thought on “Barbie é feminilidade e não conservadorismo

    1. Nāo assisti o filme, más cresci com a Barbie e umas bonecas que se chamavam fofoletes a minha Barbie era casada e tinha 8 filhos,sempre quis ter muitos irmãos,no fim,cresci e acredito que sim me influenciou em certos pontos sempre fui muito independente e nunca dependi de nem um homem,nunca yive um relacionamento sério e algún tempo sentia uma repulsa pelos homens nāo sei o que é pior os conservadores ou o feminismo,que incita a mulher abortar para ser uma mulher livre moderna independente,sem indicar as consequências de um aborto, depressão drogas enfim desconheço como eram as mulheres antes do feminismo se eram felizes ou não,mas agora nāo vejo mulheres felizes também,pode se dizer que a mulher ganhou o direito de trabalhar ou perdeu o direito de ser Mulher

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