clínica de psicanálise

Como montar clínica de psicanálise?

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Ao buscar uma nova formação, é intuitivo que queiramos atuar da melhor maneira possível, certo? Isso não é diferente quando falamos sobre a Psicanálise, já que essa terapia é importantíssima e com muito reconhecimento. Ademais, é necessário que o ambiente utilizado para atuar, como uma clínica, seja bem localizado e acolhedor, para que o cliente se sinta bem. Você sabe como montar uma clínica de psicanálise? Não? Então confira agora!

Vamos falar sobre dez pontos importantes para montar seu consultório e mantê-lo:

  • escolha do lugar;
  • escolha de dias e horários de atendimento;
  • escolha da mobília e decoração do ambiente;
  • criação do CNPJ;
  • cumprimento dos requisitos para ser e manter-se sendo psicanalista;
  • emissão de notas ou recibos;
  • emissão de atestados ou declarações de presença;
  • cadastro para pertencer a convênios de saúde ou parcerias;
  • parcerias e indicação e divulgação;
  • canais próprios de divulgação online e offline.

Todo semestre, ministramos uma live com 3 horas de duração, em que discutimos estas questões relativas a Como Montar um Consultório. A gravação da live fica disponível para alunos na área de membros, juntamente com todas as lives do nosso curso de psicanálise.

Primeiro passo para montar uma clínica de psicanálise: escolha um bom local

É importante que o local para montar a clínica de psicanálise seja adequado em diversos aspectos, como:

  • localização do consultório: perto de onde seus pacientes moram, trabalham ou transitam;
  • tamanho do espaço: não precisa ser grande, mas não deve ser muito apertado;
  • entrada e saída do local: se for residência, é bom ter uma entrada separada da casa;
  • silêncio e privacidade: evitar barulhos excessivos da rua e de salas comerciais vizinhas (confira se a acústica é boa e se as salas têm paredes que garantam isolamento acústico);
  • custo/benefício: escolha a sala ideal para suas condições financeiras e com estimativas realistas de retorno.

Antes de comprar ou locar um espaço, verifique se o ponto é bem localizado, com fácil acesso de carro e de ônibus e, além disso, verifique a vizinhança, para saber se é barulhenta ou não, pois o silêncio é importante para as sessões. Ademais, o tamanho útil do espaço deve ser considerado, já que é importante que o cliente tenha espaço para se mover de acordo com a demanda.

Entendemos que você pode adaptar um local em sua casa para atender presencialmente. Mas para isso é importante que exista uma entrada independente e, de preferência, um local de espera e um banheiro. Nada seria mais chato que seu analisando ficar vendo bagunças de casa e barulhos de pessoas. Também seria péssimo para ele ter de atravessar por dentro de sua casa para ir até o consultório.

Se você for alugar um espaço em ambiente comercial, pode ser um consultório:

  • Exclusivamente seu em um prédio ou conjunto de salas comerciais ou em uma casa convertida para ser consultório;
  • Em um espaço de coworking em que você aluga uma sala por hora(s), conforme sua demanda; já existem nas grandes cidades coworkings especializados na área de saúde ou de terapias;
  • Em parceria com outro profissional da área de saúde ou terapia, como um outro psicanalista, ou psicólogo, ou mesmo pessoa de outra área de terapia ou saúde.

Nesta última opção de parceria com um consultório (de psicanálise ou outra área) já existente, você pode:

  • pagar por hora (como um coworking), ou
  • usar no dia de folga do dono do espaço, ou
  • fazer uma permuta por seus serviços, ou
  • abrindo, o espaço de seu consultório próprio (se você tiver) para o profissional usar uma vez por semana (em um dia que você não tiver atendimentos ali), em troca de usar este dia no espaço dele (a vantagem disso seria ampliar o alcance geográfico e os respectivos especialistas ajudarem a fazer indicações recíprocas).

No caso de parceria, é bom ser um ambiente pelo menos adaptável à psicanálise. Não seria adequado, por exemplo, usar um consultório de dentista que tenha uma cadeira de dentista “compondo” o setting analítico.

A localização do seu consultório precisa estar relativamente próxima ao seu público:

  • onde seu público mora?
  • onde seu público trabalha?
  • seu público não mora nem trabalha, mas passa por ali? (ex.: região central da cidade).

Em quase todas as cidades, existem bairros ou regiões que passam a ser vistos pelos moradores como “área de consultórios” ou “bairro médico”, por ter muitos médicos e outros serviços em saúde. Normalmente é uma boa escolha estar em uma região assim, pela associação mental que a população já estabeleceu.

O espaço que você escolher também precisa ser adequado para atendimentos online.

Segundo passo para montar um consultório psicanalítico: escolha dias e horários de atendimento

Retomando o que falamos antes, é importante você ter em mente que não precisa ter apenas um consultório. Veja:

  • Se você atende presencial ou online, já são “dois” consultórios, isto é, dois lugares de atendimento.
  • Você pode atuar de segunda a quarta no seu consultório próprio, e quintas e sextas atender em consultórios parceiros, inclusive em outras cidades vizinhas, o que aumentaria sua região de alcance.

A questão dos dias e horários são bastante importantes. Sobre os dias de atendimento, você pode escolher atuar:

  • de segunda a sexta-feira;
  • de terça-feira a sábado;
  • de segunda-feira a sábado.

Muitos psicólogos escolhem atender aos sábados pelo fato de ser um dia de folga para muitos pacientes. Há analisandos (pacientes) que, mesmo tendo brechas de horários durante a semana, preferem atendimento aos sábados. Isso porque são dias mais tranquilos, ou que o analisando poderá focar melhor em sua terapia.

Por outro lado, há psicanalistas que não atendem aos sábados, por escolhas pessoais. Assim, dedicam seus sábados para estudos, descanso ou convívio com a família.

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    Há psicanalistas que tiram o domingo e a segunda-feira de folga, preferindo atuar aos sábados.

    A mesma lógica que dissemos para os dias vale também para o horário de atendimento, que pode ser:

    • apenas horário comercial (em dias úteis);
    • horário comercial + noites (ou pelo menos começos de noites), em dias úteis;
    • horário comercial + noites (em dias úteis) + sábados (dia todo ou meio período).
    • tardes + noites (ou pelo menos começos de noites), em dias úteis;
    • tardes + noites (em dias úteis) + sábados (dia todo ou meio período).

    O interessante de atender começo de noites é alcançar um público que esteja saindo do trabalho. Em virtude disso, alguns psicanalistas optam por não atenderem na parte da manhã durante a semana, pois vão atender às tardes e noites.

    Quanto aos dias e horários, não há uma regra. Veja a organização de tempo que fica melhor para você.

    Para não “quebrar” muito seus dias, no começo (enquanto você não tem muitos pacientes) você pode escolher dois ou três dias ou períodos da semana para atender. Depois, você vai ampliando.

    Terceiro passo para montar uma clínica: escolha sua mobília e decoração

    Como consultório de psicanálise, uma poltrona para você e uma poltrona para seu paciente já seria o básico para a estrutura de setting analítico presencial. Nem sempre é possível divã e outras decorações mais pesadas quando o consultório não seja exclusivamente seu.

    Alguns itens menores como livros e objetos pequenos de decoração você até consegue levar para um consultório “móvel”, como um consultório de coworking ou de parceria.

    Se você tiver a possibilidade de montar um consultório seu, recomendamos itens como:

    • três poltronas e uns dois banquinhos que você possas mover no espaço do consultório: você poderá atender pais ou casais;
    • divã: embora seja o móvel que melhor caracteriza a psicanálise, muitos psicanalistas hoje preferem não ter divã e atendem só por poltronas (nossa sugestão: tenha um divã se você puder, pode acontecer de algum cliente se sentir mais confortável para falar);
    • escrivaninha (você não usará na hora do atendimento, mas poderá usar para estudar num momento de folga);
    • cortinas ou persianas para evitar luz externa (se houver janelas);
    • iluminação agradável que ajude na sensação de tranquilidade e conforto, pelo menos que não seja uma luz tão forte e direta em cima do paciente ou do analista;
    • uma mesa com água e copos, acessível também ao paciente;
    • quadros, prateleiras, livros, plantas, abajures, objetos decorativos, mesinhas (para colocar lenços de papel ao lado da poltrona do paciente);
    • ar condicionado ou ventilador silencioso de teto;
    • se houver uma sala de espera (não necessariamente é preciso ter recepcionista): água, copos, poltronas, mesa de centro (com algumas revistas), acesso para toilette;
    • se for atender crianças: pode-se criar um espaço lúdico, com mesa mais baixa, brinquedos, folhas e lápis para desenhos, decoração mais colorida etc.

    Ainda sobre o divã, lembre-se de não colocar o divã de frente para o psicanalista. O objetivo do divã é para o paciente se sentir mais confortável com isso, o que inclui não manter um olhar direto com o psicanalista.

    Você precisará também destes recursos abaixo, mas, a depender do condomínio comercial em que você esteja (se for um prédio comercial, por exemplo), isso poderá ser de uso compartilhado com outras salas:

    • interfone (para você falar com a recepção do prédio, ou direto com o cliente);
    • uma sala de espera com água, revistas, mesinha de centro e bancos;
    • um toilette.

    São opcionais as placas de divulgação localizada: do lado de fora (visível para a rua) e/ou do lado de dentro (plaquinha pequena para porta, se for uma sala em prédio comercial).

    Refaça o percurso do seu paciente, da chegada ao local até o final do atendimento. E vá incrementando aos poucos o que você entender como necessário.

    Se você trabalha com psicanálise infantil, precisará montar um ambiente adequado para desenhos e brincadeiras, bem como para atendimento também aos pais.

    Não busque o “ambiente perfeito”, pois isso não existe. Você poderá ir aprimorando, incluindo ou excluindo elementos do seu espaço, com o passar do tempo.

    Quarto passo: definindo um valor a cobrar por sessão

    Primeiro, defina se você cobrará:

    • desde a primeira sessão (é o padrão); ou
    • a partir da segunda sessão (ou seja, a primeira sessão não seria cobrada).

    Depois, defina um valor médio que você cobraria por sessão. Para isso, leve em consideração aspectos como:

    • o grau de comprometimento de sua agenda: é normal que psicanalistas com muitos pacientes e com poucos horários disponíveis decidam aumentar o valor para novos pacientes;
    • aspectos demográficos, como a renda média do bairro ou região da cidade onde mora a maioria de seus pacientes (se é uma região de classe baixa, média, alta), o perfil de emprego e renda de seus pacientes etc.
    • os valores praticados em sua cidade, o que implica também dizer que há cidades com maior ou menor renda per capita; como regra, se uma cidade tem renda per capita mais baixa, o valor cobrado por sessão  de psicanálise também deveria ser mais baixo. Se não houver muitos psicanalistas em sua cidade, referencie-se em preços médios praticados por profissionais de áreas correlatas, como psicólogos.

    Muitos psicanalistas preferem não definir um valor antes da primeira sessão. Pois, ao final desta primeira sessão, no momento em que é conversado com o paciente sobre o “contrato” psicanalítico, são definidos e informados: data, hora, duração (em média, 50 min. a 1h por sessão), metodologia (da associação livre), preço e forma de pagamento (se por “pacote” ou mensal, se após cada sessão etc.).

    Numa linha da psicanálise lacaniana, há o entendimento de que a sessão deve durar o tempo que for necessário para avançar nas questões trazidas pelo paciente (ou seja, sessões sem duração fixa, mas não vamos entrar neste debate agora) e o valor a ser cobrado pode variar, a depender das condições econômicas do paciente.

    Como linha geral, você pode partir de valores como:

    • de R$ 80,00 a R$ 250,00 por sessão, sendo que um valor médio bem frequente em cidades médias e grandes fica entre R$ 120 e R$ 170;
    • acima de R$ 250,00 por sessão, se você já tiver um nome reconhecido e seu público tiver condições para isso (não há teto; há psicanalistas renomados que cobram acima de R$ 2.000 por sessão).

    Em geral, não há um salto de um psicanalista que antes cobrava como valor médio em torno de R$ 80,00 e, de uma hora para outra, passa a cobrar R$ 500,00, por exemplo. O que costuma ocorrer é um aumento progressivo no valor médio cobrado, conforme aumenta a demanda para o profissional.

    Sobre a questão de “pacotes”, não é muito frequente em psicanálise. Pode dar ideia de que, ao final de cada “pacote” (conjunto de sessões), o paciente estará “liberado” ou “pronto”. Ou você precisará discutir tudo de novo se o paciente vai querer continuar. O ideal é não determinar pacotes, nem determinar prazo para fim de tratamento.

    A forma de pagamento mais praticada é o pagamento ao final de cada sessão, via dinheiro, transferência ou PIX. Se for transferência ou PIX, o ideal é combinar com o paciente que pague a qualquer momento entre o final da sessão e o final do dia, já que o paciente pode estar em deslocamento para casa, trabalho ou escola após a sessão e não conseguirá fazer o depósito de imediato.

    Além disso, você também pode considerar reservar parte de sua agenda para atuação pró-bono de alguns pacientes, que seria:

    • trabalho voluntário: atendendo sem cobrar determinados pacientes, ou fazendo parceria com ONGs, sindicatos, associações, igrejas etc.
    • valor social: atendendo por valor simbólicos pessoas com baixa tenda. Este valor é definido com o próprio paciente. Assim como a atuação voluntária, na atuação com valor social é possível atender isoladamente (selecionando os próprios pacientes que contemplem os requisitos que você definir para isso) e/ou acolhendo pacientes de entidades parceiras.

    Quinto passo para montar consultório de psicanálise: abrindo empresa com CNPJ

    Nosso entendimento é que o psicanalista é profissional liberal ou autônomo. Poderá, assim, atuar sem ser uma empresa, sem ter um CNPJ. Os ganhos financeiros podem ser declarados no imposto de renda, independente de ter empresa aberta.

    Existe também a opção de montar uma empresa, um CNPJ. Na lista de atividades, o CNAE (código de atividade) que melhor parece se encaixar é: 8650-0/03 – Atividades de Psicologia e Psicanálise.

    Este CNAE de psicanalista inclui:

    • Atividade de Psicanálise
    • Clínica de Psicanálise
    • Consultório de Psicanálise
    • Clínica, consultório ou centro de Psicologia
    • Serviços de Psicologia.

    Veja que o mesmo CNAE se aplica a psicólogos e psicanalistas. Então, se o seu contador pedir o seu CRP (número de registro no Conselho Regional de Psicologia) para abrir um consultório:

    • se você for também psicólogo (formado em psicologia e formado em psicanálise), terá de informar seu CRP e se cadastrar junto ao CRP, pagando anuidades e outras obrigações do conselho.
    • se for apenas psicanalista (formado em psicanálise e não formado em psicologia), não há CRP ou número de registro a informar, porque psicanalista não se submete a nenhum conselho nem ordem.

    Portanto não há número de registro de psicanalista a informar. Bastará seu contador abrir seu consultório de psicanálise usando o CNAE que informamos (8650-0/03).

    Leia Também:  Psicanalista pode sofrer processo do Conselho de Medicina?

    Além disso, é importante não confundir:

    • CBO – Cadastro Brasileiro de Ocupações. A CBO de psicanalista é número 2515-50. Este é o número que identifica o ofício perante o MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), isto é, o código do trabalho ou “profissão” do psicanalista. Seu contador não precisa conhecer a CBO, nem usar este número para abrir sua empresa.
    • CNAE – Cadastro Nacional de Atividades Econômicas. O CNAE é o número usado para identificar a atividade da empresa, e é este número que seu contador precisa para montar a empresa. O CNAE de psicanalista e de clínica de psicanálise é 8650-0/03.
    • CRP – Conselho Regional de Psicologia. Apenas psicólogos possuem CRP. Se você é psicanalista e psicólogo (isto é, possui ambas formações), você terá um CRP. Mas, se você for apenas psicanalista (não psicólogo), não terá CRP nem terá de reportar em nada a este conselho.

    O CNAE 8650-0/03:

    • permite que você abra uma empresa do Simples Nacional (recomendado);
    • mas não permite que você abra uma MEI (microempreendedor individual, que tem um custo tributário mais baixo e simplificado para empresas de faturamento anual menor que R$ 80.000,00).

    Não há CNAEs de terapeuta ou consultor que o psicanalista possa usar para ser do MEI. Há o CNAE “numerólogo” que permite abrir CNPJ como MEI e até emitir notas fiscais, mas parece-nos um CNAE distante demais do que faz um psicanalista. De toda forma, consulte com seu contador e veja esta lista de CNAEs permitidos para MEI (de vez em quando a lista muda).

    O interessante de montar um CNPJ do Simples Nacional são as possibilidades de:

    • emitir notas fiscais,
    • ser contratado por empresas (que, geralmente, vão pedir notas fiscais) e
    • recolher INSS e, com isso, ter direito a aposentadoria e afastamentos.

    Hoje, os sistemas de registro de empresa estão mais interligados. De toda forma, ao abrir um CNPJ, mesmo que faça apenas UM cadastro e pague apenas o Simples Nacional, o terapeuta terá sua empresa aberta nas instâncias:

    • municipal (Prefeitura Municipal): que fiscaliza o tributo ISS (imposto sobre prestação de serviços) e o uso do espaço urbano;
    • federal (Receita Federal): que fiscaliza o tributo IR (imposto de renda) e o Simples Nacional.

    Então, tanto a Prefeitura Municipal quanto a Receita Federal podem fiscalizar o terapeuta, inclusive fazendo vistoria de abertura de empresa e inspeções regulares. Se você abrir sua empresa como Simples Nacional, o ISS e o IR estarão inclusos no Simples, você não precisará pagar à parte. Não quer dizer que o ISS e o IR deixam de existir; significa sim que estão embutidos no recolhimento único feito pelo Simples Nacional.

    Assim:

    • como empresa/CNPJ, além do Simples Nacional mensal e o DAS (Declaração Anual do Simples),
    • você será obrigado também a fazer o Imposto de Renda Pessoa Física (como empresário pessoa física / CPF).

    A Prefeitura também pode determinar regras específicas sobre:

    • zoneamento urbano (bairro em que o CNAE é permitido),
    • obtenção de inscrição municipal (registro ou alteração de endereço da empresa no município),
    • acessibilidade para pessoas com deficiência (PCD),
    • banheiro na sala comercial (ou pelo menos no prédio, se for um conjunto de salas, sendo que alguns municípios exigem banheiro com acessibilidade),
    • convênio com corpo de bombeiros para auto de vistoria (AVCB),
    • extintores de incêndio dentro da validade,
    • entre outras aspectos de fiscalização tributária ou de vistoria do local.

    É importante que você verifique as especificidades de seu município para ter certeza de quais as regras de localização de empresa e espaço físico que o seu município exige. Normalmente, mesmo bairros considerados residenciais permitem ser sede de consultório de psicanálise, mas algumas prefeituras podem recusar isso e só permitir consultórios em bairros comerciais ou mistos (comerciais + residenciais).

    Por ser prestador de serviços, o psicanalista não terá inscrição estadual e não poderá vender mercadorias, medicamentos etc.

    Nosso Curso não presta assessoria na área contábil, é uma atividade restrita a contadores. Então, procure o contador de sua confiança e apresente estas reflexões, para ver o que é mais adequado para montar clínica de psicanálise.

    Se você for aluno ou ex-alunos e não tiver um contador de sua confiança, entre em contato com a equipe do Curso Psicanálise Clínica para pedir indicação do escritório contábil responsável pelo nosso Instituto.

    Sexto passo para montar clínica psicanalítica: cumprindo os requisitos para ser e manter-se psicanalista

    Você não precisa ter carteirinha de nenhum sindicato, conselho ou ordem. Isso porque não existe Conselho de Psicanálise nem Ordem de Psicanalistas, estas instâncias só podem ser criadas por Lei e são regimentos governamentais, não particulares. Sindicato também não existe, pelo fato de Psicanálise ser ofício, não profissão. Sindicato também depende de deliberação governamental para ser criado.

    Quem usar estes nomes (Conselho ou Ordem) está, a nosso ver, agindo de má-fé, pois é uma empresa particular e algo não obrigatório passando-se por órgão oficial.

    A única coisa certa que você precisará para continuar atuando como psicanalista é (além de ter uma formação na área), seguir se desenvolvendo conforme o tripé da Psicanálise. Explicaremos melhor a seguir.

    Pela convenção internacional, você só pode ser chamado Psicanalista e trabalhar com psicanálise se for Formado em Psicanálise (em um Curso de Formação em Psicanálise como o nosso) e, depois de formado, prosseguir exercendo o tripé psicanalítico de maneira PERMANENTE:

    Se não for formado e se, depois de formado, não seguir fazendo teoria, supervisão e análise, o profissional será qualquer coisa, mas não será psicanalista. E, se estiver posicionando-se como psicanalista e realizando atendimento como psicanalista, se denunciado, não terá elementos fáticos e institucionais para comprovar que é de fato psicanalista, se tiver abandonado a formação contínua do tripé.

    Então, se o profissional quer atuar como psicanalista mas não quer continuar vivenciando a Psicanálise, não estará sendo honesto e cuidadoso com seus pacientes. Então, caso você se sinta chamado(a) a atuar com Psicanálise, mantenha-se vinculado com um Instituto (como o nosso), siga sempre estudando (fazendo cursos avançados), sendo supervisionado por psicanalista mais experiente e fazendo sua análise pessoal.

    Não existe estágio em Psicanálise! Qualquer obrigação de um estudante de psicanálise estagiar seria contrário ao princípio da autorização. Isto é, cada psicanalista deve saber o momento em que se sinta pronto para atuar na área. Se estiver atuando, precisa seguir o tripé psicanalítico (estudar teoria, ser analisado de outro psicanalista e ser supervisionado por outro psicanalista). Nosso Curso de Formação segue este atendimento e não oferece nem obriga “estágio” como condição para concluir o curso.

    Você não precisa fazer sua análise pessoal e sua supervisão com o mesmo psicanalista. A análise pessoal (analisar suas próprias questões) é independente da supervisão (ter um acompanhamento de psicanalista mais experiente sobre os casos que você estiver atendendo).

    O ideal é que, se você optar por um mesmo psicanalista para sua análise pessoal e sua supervisão, que isso seja feito em sessões separadas. Ou seja, que você não misture a sessão de sua análise pessoal com as sessões de supervisão dos casos que você estiver atendendo.

    Sétimo passo para montar consultório psicanalítico: emitindo notas ou recibos

    Manter sua clínica psicanalítica vai demandar que você siga se atualizando pelo tripé psicanalítico. Terá que aprender cada vez mais e ser um psicanalista melhor. Não há dúvidas que os analisandos mais comprometidos são aqueles que chegam por meio de “boca a boca” (indicação) feita por pacientes anteriores que gostaram da terapia.

    Além disso, você terá muitas burocracias a gerenciar na relação com o seu condomínio, coworking, parceiros etc.

    Neste capítulo, vamos falar da burocracia da questão da emissão de notas fiscais e recibos.

    Você poderá fazer recibos simples como psicanalista, onde constem sua logomarca, assinatura, número do recibo e descrição do serviço com a referida data e valor pago, existem modelos na internet pelo qual pode-se basear. Pode até ser recibos de modelo genérico, vendido em papelaria. Ou que você desenvolva junto a uma gráfica ou gráfica rápida, de forma personalizada.

    Você poderá emitir recibo como pessoa jurídica ou pessoa física, isto é, tendo ou não empresa aberta. O recibo, como o nome diz, é um “recebido”, uma forma de você dizer a quem pagou que essa pessoa pagou.

    Agora, este recibo de psicanalista tem algum valor no Imposto de Renda?

    • Sim, tem valor para você que emitiu: se você não tem CNPJ, o dinheiro que você recebe como autônomo é também “rendimento”, a ser declarado no seu imposto de renda pessoa física;
    • Não, não tem valor para o seu paciente que recebeu o recibo: deixe bem claro ao seu paciente que pede recibo que este recibo não poderá ser declarado como Dedução no imposto de renda pessoa física na modalidade “completa”.

    Se o seu paciente usar o recibo como dedução no IRPF dele, é como se ele estivesse inventando dinheiro. Isto é, ele vai reduzir o IR a pagar ou vai restituir IR já pago. Tudo bem, em outras áreas da saúde (como médico ou psicólogo) é possível declarar e deduzir o valor. Mas só a lei pode estipular quais áreas da saúde são dedutíveis, e Psicanálise não é dedutível para imposto de renda.

    Se o seu cliente declarar recibo de psicanalista para reduzir ou restituir Imposto de Renda, seu cliente cairá em malha fina, será chamado pela fiscalização e, depois, pagará juros e multa pelo imposto incorretamente deduzido. Evite que seu paciente tenha transtornos com o Fisco:

    • ao entregar o recibo, avise seu paciente que o valor do recibo não é dedutível para fins de Imposto de Renda; e/ou
    • tenha um carimbo ou imprima no seu recibo a seguinte frase: “De acordo com a legislação tributária, o valor de recibo referente a atendimento em Psicanálise não poderá ser usado como despesa dedutível na declaração de Imposto de Renda – modalidade completa“.

    Se este aviso estiver impresso ou carimbado no recibo que você entregar ao seu paciente, ele (ou o contador dele) pegará este recibo na hora de fazer o IRPF e terá mais uma chance de ser alertado a não incluir o valor do recibo como despesa dedutível.

    É preciso haver previsão legal para abater despesa de saúde no IRPF. A legislação do imposto de renda define quais áreas da saúde estão inclusas para esta finalidade de abatimento, psicanálise NÃO É uma delas.

    Psicologia sim: se o psicanalista for também psicólogo, pode emitir recibo para esta finalidade, como psicólogo, mesmo que siga a psicanálise como técnica principal.

    Se você for psicólogo que atende também como psicanalista, não precisará adicionar estas informações e alertas, já que psicologia é despesa dedutível no imposto de renda.

    Lembrando que, em relação a todas essas questões relativas a assessoria contábil, cada psicanalista deve contratar o contador de sua confiança para tratar dessas questões. Fale com seu contador sobre estes assuntos relativos a abertura de empresa, enquadramento da atividade da empresa, recolhimento do INSS (como autônomo ou como empresário), emissão de notas e recibos.

    Se você for aluno ou ex-aluno, você pode entrar em contato conosco para pedir indicação de escritório contábil que atende o nosso Instituto, nós informaremos o contato.

    Oitavo passo para montar clínica: posso emitir atestado ou declaração de presença? E laudo judicial?

    Psicanalista não pode emitir atestado médico e/ou de abono de falta para seu analisando. Psicanalista não poderá emitir este tipo de atestado nem mesmo no caso de o paciente ter necessitado de uma sessão de psicanálise de “emergência”.

    Exceção feita se o psicanalista for também médico ou profissional de outra área em que este tipo de atestado seja permitido. Neste caso, o atestado será em relação a esta outra profissão, não como psicanalista.

    Quanto à Declaração de Comparecimento à sessão de psicanálise, entendemos que o psicanalista pode emitir este tipo de declaração, já que é apenas uma constatação de que o analisando compareceu à clínica naquele horário.

    Mas isso não vincula (não obriga) o empregador. Neste caso, é importante avisar isso ao seu analisando. E estar impresso na declaração que é de COMPARECIMENTO, informando o horário de início e fim da sessão.

    O que costuma ocorrer é que, nestes casos, acaba havendo um bom senso do empregador em considerar a justificativa para o período da sessão + tempo necessário para descolamento no trânsito (antes e depois da sessão).

    Mas, repetimos: isso não obriga o empregador a aceitar. O ideal é que o analisando não utilize o horário de trabalho para fazer terapia psicanalítica, ou que combine previamente com seu empregador.

    Na informação sobre horário de comparecimento, é possível adicionar a duração de deslocamento do seu analisando (antes e depois).

    Você pode encontrar e adaptar algum modelo da internet. Você pode criar, algo do tipo (com sua assinatura):

    DECLARAÇÃO DE COMPARECIMENTO.
    Declaramos para os devidos fins que NOME DO ANALISANDO, CPF nº …, compareceu à sessão de psicanálise em XX/XX/XXXX, no período das XXh às XXh.
    Por ser verdade, firmo a presente.
    Cidade, XX de mês de 20XX.
    Fulano de Tal – Psicanalista
    CPF ou RG do psicanalista
    Se quiser, inserir telefone ou site do psicanalista.

    Outra dúvida: psicanalista pode emitir laudo em processo judicial?

    Antes de responder a esta pergunta, responda: o juiz te nomeou como perito no processo judicial? Se sim, seu laudo terá valor. Se não, não tem valor definitivo nos autos do processo, independente de sua profissão.

    Como psicanalista não realiza diagnóstico, o perito que o juiz deverá buscar costuma ser psiquiatra ou, mais raramente, psicólogo.

    O juiz não te nomeou como perito, mas mesmo assim você quer fazer um “documento” como se fosse um parecer, para constar no processo judicial a favor de alguém, ou para outra finalidade médica, é isso?

    Neste caso, vale a mesma máxima: psicanalista não faz diagnóstico. Isso significa que o psicanalista pode ter hipóteses diagnóstica para a condução do tratamento, mas não emite laudo ou atestado com base em CID com objetivo de obrigar ou convencer alguém.

    Normalmente, um diagnóstico terá como objetivo “declarar uma condição de saúde”, o que é o mesmo que realizar diagnóstico. Entendemos adequado que você não faça isso enquanto psicanalista.

    Se você for formado em outra área que permite realizar diagnósticos e laudos, você poderá emitir, mas não será enquanto psicanalista, mas sim para sua outra profissão.

    Nono passo para montar consultório: posso me cadastrar em planos de saúde?

    O atendimento psicanalítico é via de regra como particular e existe uma grande demanda para este tipo de atendimento, desde que o psicanalista atue de forma séria, mantendo em dia sua própria análise pessoal, sendo supervisionado por psicanalista mais experiente e continue estudando por meio de cursos e leituras.

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    Não há uma regra universal aplicável a todos os planos. O que verificamos é que:

    • Planos de saúde ou convênios médicos mais famosos e de alcance nacional não aceitam psicanalistas, exceto se for psicólogo ou profissional de área que o plano aceite; neste caso, o atendimento será em relação à outra profissão, não psicanálise.
    • Planos de saúde ou convênios médicos de alcance local ou regional podem ou não aceitar psicanalista.

    Lembramos que aceitar ou não psicanalista é uma liberalidade de cada plano. Não há uma lei nacional que obrigue planos de saúde a aceitar psicanalistas. Alguns planos oferecem a seus clientes serviços de psicólogo, outros de psicólogo e psicanalista.

    Como regra, os convênios oferecem o serviço apenas de psicologia, então o psicanalista que queira atender com a maioria dos convênios precisaria ter também formação como psicólogo.

    O que recomendamos é que o psicanalista não dependa deste tipo de plano para atuar.

    Você seguindo o tripé da psicanálise, formando-se um(a) psicanalista melhor a cada dia e fazendo o seu melhor com seus analisandos, o processo de indicação ocorrerá de forma quase natural.

    Décimo passo para montar consultório: parcerias de divulgação e indicação

    No começo deste nosso manual, apresentamos a sugestão de parceria para uso compartilhado de consultórios de outras pessoas.

    Mas existem outros tipos de parceria. Você pode pensar em inúmeras parcerias possíveis. Alguns exemplos:

    • Parceria de indicação: você recebe indicação de outro profissional de outra área, como profissionais de saúde e terapêutas de outras linhas.
    • Parceria com empresas e entidades que lidam com pessoas: vimos acima que muitos planos de saúde não incluem psicanalistas. Mas você mesmo(a) pode ir atrás de empresas, escolas, sindicatos, associações, academias de ginástica e várias outras, que podem indicar pacientes para você.
    • Parceria com lugares físicos de divulgação: você pode pedir autorização para deixar seus cartões de visitas, flyers ou cartazes nos estabelecimentos da sua área de atendimento.
    • Parcerias online de divulgação: você pode entrevistar ou ser entrevistado por alguém em meio online (numa live), assim mais pessoas vão conhecer seu trabalho, inclusive a audiência do entrevistado/entrevistador. Além disso, você pode divulgar em grupos (como Facebook e Whatsapp).

    Existem limites para parcerias ou divulgações? Resposta: Não há impedimento para você ser indicado (a) por outro profissional, nem para você indicar outro profissional parceiro (psiquiatra, por exemplo). Também não há regras rígidas sobre como fazer divulgação. O que se recomenda nas divulgações que você fizer é:

    • evitar o tom sensacionalista e não fazer promessas absurdas de cura e coisas do tipo;
    • não misturar sua divulgação como Psicanalista com outras terapias que você realize, nem misturar com religião, ou com outras crenças pessoais suas;
    • não fazer antes ou depois que mostre a imagem do seu paciente;
    • não expor imagem nem o nome real do seu paciente (ou de familiares), nem expor informações que permitam outras pessoas identificarem esse paciente.

    Convém reforçar que, se você tiver outra profissão (como psicólogo), pode ser que seu código de ética profissional tenha mais regras sobre indicações e divulgações. Nesses casos, por óbvio, siga tal código.

    Na Psicanálise, não há código de ética. O importante é você seguir as orientações realizadas durante nosso Curso de Formação, seguir seu bom-senso e não infringir as normas legais gerais da sociedade.

    Décimo primeiro passo para montar consultório: seus canais próprios de divulgação online e offline

    No ponto anterior, falamos de parcerias de divulgação online. Mas você pode ter seus próprios canais de divulgação, tais como:

    • Site próprio: ajuda você a transmitir uma imagem mais profissional e ser mais facilmente encontrado nos buscadores orgânicos, como Google. Além disso, se você pretende fazer anúncios pagos, é fundamental ter um site. Evite usar Wix, Blogger e outras plataformas amadoras. São muito limitadas, não favorecem ranqueamento orgânico no Google e não são favoráveis para conversões de anúncios pagos.
    • Redes sociais: evite misturar com sua vida privada. Tenha redes sociais de sua atuação profissional. Não monte muitas redes sociais, foque em uma ou duas, tais como Instagram, Facebook, Twitter, Tiktok etc.
    • Canal no Youtube: não é obrigatório, vai depender se você gosta de aparecer em vídeos. O Youtube ajuda você a criar vídeos como tutoriais e também para fazer suas lives.
    • Estratégias de Geolocalização: informe ao Google Meu Negócio o seu endereço. Assim, pessoas que estiverem procurando por psicanalistas na sua região vão encontrar você.
    • Anúncios pagos: você pode investir em anúncios pagos, em canais como Google Ads ou Facebook Ads, sendo que este último é a mesma ferramenta para anunciar também no Instagram. O importante é que você defina bem até quanto você pode gastar, quantos contatos você precisa obter e quantos destes contatos devem se tornar pacientes para esta divulgação lhe valer à pena. Defina também a localização geográfica do seu público-alvo: sua cidade, ou até mesmo uma região dentro da sua cidade. Sem isso, você perderá dinheiro investindo em propaganda paga. É muito importante que, antes de fazer anúncios pagos, você tenha um site como destino para as pessoas que clicarem no seu anúncio e quiserem te conhecer melhor.
    • Newsletter: você pode criar lista de e-mails. Pode também, no Whatsapp (por exemplo), criar listas de transmissão e grupos de pessoas interessadas em psicanálise em sua cidade. Nunca faça spam: além de não dar resultado, é ilegal. Seu servidor de e-mail e os buscadores (como Google) costumam punir quem faz spam, reduzindo o alcance orgânico de você a outras pessoas.

    Você precisará entender de criar sites, criar anúncios pagos, criar textos e imagens voltadas para esses canais. Você pode fazer isso você mesmo(a), ou então contratar uma agência de marketing.

    No nosso Instituto, estamos criando uma solução para atender ao mesmo tempo a parte contábil (abrir e manter seu CNPJ) e a parte de marketing digital. Mas, conseguiremos atender poucas pessoas; entre em contato para manifestar seu pré-interesse.

    Além das estratégias online, há também estratégias off-line, ou seja, fora da internet. Antes, neste nosso manual, falamos já sobre algumas dessas estratégias:

    • Impressos: cartões de visita, flyers, folders e cartazes.
    • Realizar palestras: oferecer-se para palestras em empresas, escolas, condomínios e outras instituições.
    • Parcerias: que ajudem você a ter um novo local de atendimento, ou para receber indicações.
    • Livro: você pode criar um livro seu em PDF ou impresso, para venda ou gratuito, com o objetivo de posicionar seu nome perante um público.

    Sobre o livro, nossa recomendação é que você faça em PDF (sem custos) ou por editora independente (você pagando os custos de impressão). Você pode juntar vários artigos seus em um livro.

    Recomendamos que você não doe nem tente vender um livro seu para alguém que já é seu analisando. Isso confunde as coisas, pode sugerir que o livro é um substituto ou uma obrigação para o prosseguimento do tratamento. Foque apenas no tratamento, neste caso. Se seu analisando quiser muito comprar um livro seu, indique uma livraria ou seu site onde o livro está sendo vendido ou distribuído.

    Para quem não é seu paciente ainda, é mais interessante o recurso do livro, pois amplia o público que conhece você.

    Décimo segundo passo para montar clínica: conduta ética

    Este não é exatamente um passo, porque ele permeia todos os outros passos, da formação à atuação do psicanalista.

    Antes de mais nada, saiba que não existe um código de ética do psicanalista.

    Qualquer pessoa que divulgue um código de ética com obrigatório a todos os psicanalistas estará agindo de má-fé, uma postura paradoxalmente antiética.

    O que pode haver é uma escola, sociedade ou instituto definir princípios que guiam a atuação dos psicanalistas formados ou associados à sua entidade.

    Mas não há lei obrigando todos os psicanalistas a um único código de ética. Isso porque não há ordem ou conselho de psicanalista, por isso não há código de ética específico ao psicanalista.

    Obviamente que isso não significa que o psicanalista vá atuar sem ética, ou segundo uma ética narcísica daquilo que lhe satisfaça.

    Por exemplo, se invadir área delimitada a outro profissional (como a psiquiatria), estará realizando exercício ilegal da profissão de médico; e se cometer qualquer tipo de abuso em relação ao paciente, estará sujeito à legislação criminal. Mas todos esses ilícitos não terão mais nada a ver com psicanálise, e sim por uma atuação fora da psicanálise.

    Há algumas recomendações do nosso Instituto, principalmente:

    • seguir o método da associação livre,
    • seguir se atualizando pelo tripé psicanalítico: teoria, supervisão e análise (isto é, fazendo novos cursos / leituras, sendo supervisionado por psicanalista mais experiente e fazendo sua própria análise pessoal),
    • zelar pelo princípio da neutralidade / abstinência do analista, inclusive não misturando a análise com sua própria religião, suas ideologias particulares etc.,
    • atentar-se quantos aos processos de transferência / contratransferência / resistência (do analisando e do próprio analista),
    • não expor publicamente seus analisandos,
    • não realizar divulgações sensacionalistas, inclusive com promessas de resultados padronizados ou com “antes x depois” de pacientes.

    Esses temas são assuntos recorrentes nos materiais de nossos cursos de formação, lives etc.

    Custos fixos e variáveis do seu consultório

    Você, antes de montar uma clínica de psicanálise, deve avaliar o quanto você irá gastar e o quanto irá receber. Ou seja, avaliar as receitas e custos/despesas. Assim, você vai apurar seu lucro líquido (o valor que sobrará para você, depois de pagos os custos e despesas). Muitos novos empresários, acabam por se perder nas finanças e se endividam, o que é muito ruim. Assim, planeje quanto você cobrará por consulta e quais serão seus gastos fixos.

    Caso sua receita seja menor que seus gastos, considere participar de ambientes compartilhados, onde os gastos são menores. Ou, ainda, manter o atendimento em sua casa. Mas, lembre-se: a privacidade é essencial!

    É bom lembrar que uma sala exclusivamente sua pode trazer custos fixos, como aluguel, água, luz, internet, IPTU, condomínio, manutenção e serviços de recepção. Alguns prédios comerciais contam com recepção compartilhada (“portaria”), então você não precisa já necessariamente começar seu consultório com um custo fixo de recepção própria.

    Entenda a diferença entre:

    • custos e despesas fixos: são aqueles que, você tendo ou não paciente, precisará pagar (por exemplo, o aluguel mensal de um consultório exclusivamente seu);
    • custos variáveis: são custos que só existirão se você tiver paciente (por exemplo, o aluguel por hora em um coworking, desde que você não contrate um pacote com horas não usadas, mas apenas as horas que você estiver com pacientes agendados).

    O segredo de redução de custos é tentar enxugar ao máximo os custos fixos.

    Monte uma clínica de psicanálise aconchegante e agradável

    Para que seus pacientes se sintam confortáveis, é importante que o ambiente onde as sessões acontecerão seja acolhedor e silencioso. Portanto, use a técnica das cores: quanto mais neutras, menos sensações serão impostas e mais aconchegante o ambiente será.

    Seu paciente não pode ficar ouvindo barulhos altos de fora, nem pode pensar que as pessoas de fora estão escutando o que ele está dizendo.

    Aposte em objetos de decoração que não sejam marcantes, mas que sejam “notados”. Por exemplo, abajures, flores, tapetes etc.. Lembre-se que seu paciente não deve se sentir “bombardeado” por informações, pois elas podem alterar o seguimento da sessão.

    A partir de quando você pode começar a clinicar como psicanalista?

    Historicamente (desde Freud), os principais pensadores da psicanálise defenderam uma não institucionalização da psicanálise como forma de riqueza elaborativa e não engessamento da psicanálise. Existe uma “legalidade” no sentido jurídico geral (qualquer atuação abusiva contra alguém responsabiliza o agressor) e também porque a lei lista a psicanálise como “ofício” autorizado no Brasil. Funciona assim no Brasil e na grande parte do mundo.

    Além disso, há uma ética interna no sentido de que, para ser psicanalista, é preciso:

    • concluir um Curso de Formação em Psicanálise, como o nosso;
    • manter-se estudando, sendo supervisionado e fazendo análise pessoal se estiver atendendo (tripé psicanalítico);
    • seguir uma ética de não realizar uma contratransferência inadequada, tudo isso visto no curso e que é trabalhado pelo psicanalista em sua própria análise pessoal e supervisão.

    A diferença entre ofício e profissão é que:

    • Ofício: é de atuação livre a qualquer outra profissão (então, uma pessoa que tenha faculdade em direito por exemplo pode ser psicanalista).
    • Profissão: é delimitada somente a quem fez uma faculdade específica numa determinada área e costuma ter conselhos de fiscalização profissional.

    Psicanalistas preferem que a psicanálise permaneça como ofício.

    Para ser psicanalista, é necessário que você tenha um curso de formação concluído, com base em teoria, supervisão e análise. Ao concluir nosso Curso online de Formação em Psicanálise Clínica, você já estará apto para se autorizar Psicanalista! Ademais, você não será obrigado a se filiar a nenhuma entidade, pois não há conselho profissional nem obrigação de anuidades, na área de Psicanálise.

    Ao conquistar seu certificado, você já poderá procurar um bom local para criar sua clínica de psicanálise! Ao concluir nosso Curso, você poderá manter-se vinculado ao nosso Instituto, se for de sua vontade, com cursos avançados e supervisão que oferecemos a psicanalistas formados.

    Depois de formado, mantenha-se estudando (teoria), sendo supervisionado (supervisão) e sendo paciente de outro psicanalista (análise pessoal).

    E caso não seja seu interesse abrir uma clínica?

    Mesmo gostando da matéria, pode ser que você não queira clinicar: por ter outra profissão, ou por decidir adiar o início de sua clínica. Mesmo assim, a Psicanálise mudará definitivamente sua forma de ver a si, os relacionamentos e os comportamentos!

    A Psicanálise é um diferencial para profissionais que lidam com pessoas: área de docência, administração, direito, saúde, jornalismo, negócios, artes etc. Além disso, a Psicanálise é a mais relevante ciência interpretativa da existência humana, do autoconhecimento e dos fenômenos comportamentais. Sem dúvida, nenhuma ciência humana foi mais decisiva nos últimos 120 anos que a Psicanálise.

    O que faz um Psicanalista?

    Como Psicanalista, você não poderá prescrever medicamentos (reservado aos médicos) nem adotar outras abordagens da psicologia (reservado aos psicólogos). Seguindo o método da psicanálise que você aprenderá em nosso Curso On-Line de Formação em Psicanálise Clínica, você estará apto a ser um profissional Psicanalista.

    A profissão de Psicanalista é reconhecida pelo Ministério do Trabalho e Emprego / CBO 2515.50, de 09/02/02, pelo Conselho Federal de Medicina (Consulta nº 4.048/97), pelo Ministério Público Federal (Parecer 309/88) e pelo Ministério da Saúde (Aviso 257/57).

    Gostou do artigo? Deixe um comentário sobre como seria sua clínica de psicanálise ideal! Quer ser um psicanalista? Então se inscreva no nosso curso, 100% online, de Psicanálise Clínica. Com ele, você estará apto a clinicar!

    Clique aqui, para ver uma lista completa das atividades autorizadas por Lei para a profissão de Psicanalista.

    Este artigo sobre montar um consultório de psicanálise, isto é, montar uma clínica psicanalítica, foi escrito por Paulo Vieira, gestor de conteúdos do Curso de Formação em Psicanálise do IBPC.

     

    17 thoughts on “Como montar clínica de psicanálise?

    1. Sandra Mariano de Andrade Pereira disse:

      Muito bom! Estou muito satisfeita.

    2. Deivide Rodrigues Viana disse:

      Minha clínica de Psicanálise, seria em lugar com pouco barulho, para não tirar atenção do tratamento psicanalitico desenvolvido com paciente.
      Além de cores neutras, como propocionando ao paciente relaxamento pleno para ter 100% de aproveitamento de consulta.
      Agradeço a Luz de Inteligência Regente – Princípios Fundamentais para vida em Plena Consciência.

      Gratidão Luz Inacessível
      Gratidão Fonte Inesgotável
      Gratidão

    3. Mizael Carvalho disse:

      Muito bom artigo! As informações ajudarão muito. Obrigado!

    4. Murilo César Luso Corrêa disse:

      Gostei muito do artigo! Estou encantado com a psicanalise! Grato Sempre pelos esclarecimentos.

    5. Gláucia Lima disse:

      Uma pena que os Planos de Saúde NÃO reconheçam os Psicanalistas que NÃO sejam Psicólogos.
      Muito nos prejudica, pois hoje em dia a maioria tem convênio e prefere uma terapia de meia hora pelo convênio do que pagar particular por nosso atendimento diferenciado

    6. Alexsandro Goldani disse:

      Ótimo texto. Muito esclarecedor!

    7. HERBERT+HIDALGO+RAMÍREZ disse:

      Um artigo impecável no seu conteúdo teórico e pragmático (técnica aplicável à clínica) que transborda em uma das atitudes essenciais do psicanalista, a saber, compartilhar o conhecimento. Esse pilar faz parte do conteúdo do Curso em Psicanálise do IBPC (Instituto Brasileiro de Psicanálise Clínica). Parabéns.

    8. Será legal um artigo complementar sobre quanto cobrar por sessão de endividamento!

      1. Psicanálise Clínica disse:

        Olá, Joshua, tudo bem? No texto acima, incluímos uma parte que fala sobre valores a cobrar por sessão de atendimento.

    9. Patrícia Rossgnoli Nacarato disse:

      Excelente! Só agradeço!

    10. Artigo perfeito, esclareceu todas as dúvidas. Obrigada por disponibilizar esse riquíssimo conteúdo, uma aula!.

      1. Psicanálise Clínica disse:

        Mirian, obrigado pela gentileza de suas palavras, que nos incentivam muito.

    11. Isabel Cristina de Medeiros disse:

      Excelente artigo, comentários esclarecedores. Riquíssimo material. Zero Dúvidas.

    12. Yojana Cunditt disse:

      Muito esclarecedor! Sobrou nenhuma dúvida.

    13. @helton.psicanalista disse:

      Excelente conteúdo. É muito bom quando podemos contar com um artigo com tanto detalhes e completo. Parabéns!

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