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Psicanálise Lacaniana: 10 características

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O que significa psicanálise lacaniana? O que é ser lacaniano? Quais princípios e diferenças entre Lacan e Freud? Vamos listar algumas das principais características da linha lacaniana. De algum modo, apresentamos neste artigo um resumo com princípios e diferenças entre as contribuições de Lacan e Freud. Porque, óbvio, pelo problema do vocabulário, o ensino precisa fazer o estabelecimento de diferenças (não variáveis ​​e não simétricas), no caso, da obra nova (Lacan) com sua influência (Freud).

Na sua trajetória, Lacan dialogou com o pensamento de importantes filósofos como Freud, Kant, Hegel, Heidegger, Kojève e Sartre. Como “herdeiros”, influenciou Derrida, Badiou e Zizek, alguns dos ilustres lacanianos.

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1. Ser lacaniano é dar ênfase ao analista e à estrutura simbólica

O autor Miller sugere a ênfase ao analista (sua postura, suas palavras, sua condução) e à estrutura simbólica envolvida no processo de análise como características distintivas do lacanismo.

2. Ser lacaniano não é apenas reconhecer a importância de Lacan

Isso pelo simples fato de que o reconhecimento da importância de Lacan é reconhecida há tempos, por muitas pessoas, e a leitura de Lacan e à admiração a Lacan não são privilégios apenas de lacanianos.

3. A psicanálise lacaniana adota uma nomenclatura alternativa à freudiana

Lacan ofereceu uma alternativa, usando outros termos e conceitos distintos de Freud. Trata-se de um vocabulário diferente, atualizado. Falaremos abaixo um pouco sobre as atualizações de Lacan sobre a obra de Freud.

4. A psicanálise lacaniana dá ênfase ao Sujeito e ao Outro

O trabalho de Lacan tem como sujeito o Outro com uma letra maiúscula. O “Outro” (do insconsciente, do intrapessoal) se distingue do “outro” (das demais pessoas, do relacionamento interpessoal).

5. Ser lacaniano é dar ênfase ao papel da linguagem

Existe a prevalência de Lacan em relação à função da palavra e do domínio da linguagem. Tanto é que inúmeros literatos e linguistas debruçam-se sobre a obra de Lacan, pela primazia deste autor quanto ao primado da palavra no campo dos simbolismos.

6. A psicanálise lacaniana tem uma prática de atendimento clínico um pouco distinta da psicanálise freudiana

A prática de Freud era, aparentemente, uma sequência de seis sessões de uma hora por semana, para cada paciente. Os anglo-saxões adotavam cinco sessões de cinquenta e cinco minutos, enquanto os franceses, três ou quatro sessões de quarenta e cinco minutos ou mesmo meia hora. Por sua vez, Lacan foi reconhecido por oferecer uma alternativa à prática psicanalítica prescrita por Freud, com temporalidade menos rígida e técnicas como suas sessões curtas ou ultracurtas.

7. O destaque da psicanálise lacaniana no papel do psicanalista

O analista é um grande Outro, um homem onipotente, que não responde a qualquer norma, não está sujeito a qualquer lei superior. Ele veio para ver o analisando da maneira mais direta possível.

8. Ser lacaniano é abrir a psicanálise para a modernidade

A psicanálise do século XXI é muito diferente do proposto inicialmente por Freud. Homem, pai, filho, amante, mulher, mãe, filha, os entes queridos são outros. E as possibilidade de inter-relações se ampliam, com mecanismos que facilitam o contato presencial e virtual. O mundo não é mais o mesmo: os avanços em ciência e comunicação trouxeram novas soluções e reformularam as questões dos seres humanos. As pessoas não ficam mais doentes da mesma forma, não estão mais felizes ou infelizes da mesma maneira que antes.

A orientação de Lacan deu à psicanálise freudiana um campo hermenêutico novo, preparando-a para o tratamento deste sujeito pós-moderno, caracterizado pela falta de paradigmas ideais, de complexos rígidos como o de Édipo. O sujeito é potencialmente irresponsável em sua subjetividade. Lacan foi fundamental, ao ampliar o leque temático da psicanálise.

9. A psicanálise lacaniana usa técnicas psicanalíticas, mas sem ser dogmática

Em razão do item anterior, o analista clínico hoje, muito por influência de Lacan, foca na relação da pessoa com seu prazer, com seus pavores, não se prende a nenhum padrão ideológico ou procedimental fixo. Novamente, temos a contribuição de Lacan, que tinha uma abordagem não dogmática.

10. Ser lacaniano é, no fundo, uma forma de ser freudiano

Apesar das diferenças, Lacan promove seus debates a partir do terreno da psicanálise, tendo a psicanálise freudiana como partida. Portanto, ser lacaniano é estar num no processo de ser freudiano, mas extrapolando e testando os limites das primeiras contribuições de Freud.

Aprofundar-se na obra de Freud é um convite feito por Lacan. E pode-se dizer que durante muito tempo foi possível pensar que ser um lacaniano não era mais o freudiano, por óbvio, por não ser um “autêntico freudiano”.

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