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Perversão: o que é, significado, exemplos

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Traremos uma síntese sobre o conceito de perversão. Vamos entender o que é perversão sexual na visão de Freud e da Psicanálise. Veremos exemplos de perversão, que é uma forma de transtorno sexual, tema muito debatido na obra freudiana.

A perversão não afeta somente alguns indivíduos

Na psicanálise, todo ser humano tem algum problema psíquico. Isso porque todos reprimem alguma realidade em algum momento da sua infância.

Se houver algum conflito nas fases de desenvolvimento da sexualidade e ele não for satisfatoriamente resolvido, posteriormente a criança se tornará um adulto com sentimentos reprimidos. Esses sentimentos vão aparecer na fase adulta através de sintomas.

Diante disso, é importante que as pessoas conheçam as teorias de Freud, uma vez que segundo ele todos os sintomas psíquicos dos adultos têm sua causa na infância.

A criança nasce sem nenhuma informação e toda ação do mundo e pessoas ao seu redor influenciam diretamente na sua psique.

A boca como forma de conhecer o mundo

Utilizando a boca como meio de conhecer o mundo, é natural que a criança leve a ela tudo o que ela desconhece. Para ela isso é natural. Se um adulto a repreende por esse motivo, ela entra em conflito e começa a ter que aprender interpretar a sua maneira os porquês das repreensões das pessoas.

Por exemplo, uma criança que leva suas próprias fezes a boca, na visão dela é sua criação, ela a criou, e isso é natural. Se alguém assustá-la por causa disso, achando nojento e sujo, irá gerar um conflito psíquico e repressão de sentimento.

Assim podemos observar que as atitudes das pessoas podem influenciar significativamente na formação de um indivíduo. Logo, todos são suscetíveis a serem construídos, a criar sua personalidade de acordo com as pessoas que as rodeiam.

Isso faz-nos pensar sobre o que chamamos de vocação, personalidade, caráter, etc. São apenas resultado do meio que a criança se desenvolveu.

A forma como um comportamento afeta os indivíduos fará com que ele seja considerado ou não como perversão

O que nos leva a lembrar da terceira lei de Newton, que toda ação gera uma reação? Um indivíduo é a reação da ação da sua infância. A sexualidade é a origem de todo comportamento humano e base das teorias de Freud, que explica como uma criança enxerga e interpreta o mundo em cada fase de desenvolvimento de sua vida.

As pessoas ainda não sabem da responsabilidade que cada um tem ao educar ou tomar conta de uma criança e, por isso, acabam por condenar, julgar, criticar ou olhar torto adultos com comportamentos ditos fora do normal, porque desconhecem que esses são apenas vítimas de um sentimento reprimido na infância.

A perversão é um comportamento conhecido socialmente ou clinicamente como fora da normalidade.

Patologicamente um comportamento só é considerado perverso se causar sofrimento ou atrapalhar ou invadir alguma área da vida do indivíduo. Se isso não acontece, não é considerado perversão.

Alguns comportamentos considerados como anormais

Também é considerado anormal quando existe uma limitação na capacidade de se relacionar saudavelmente, como se só existisse uma única forma exclusiva para isso.

Existem algumas formas predefinidas como perversas, que só são consideradas patológicas as que causam sofrimento social, profissional ou nas relações interpessoais dos indivíduos envolvidos no comportamento.

Alguns desses comportamentos são o exibicionismo, o fetichismo, a necrofilia, a zoofilia, o voyeurismo, o sadismo e o masoquismo.

A sexualidade não tem a ver apenas com o ato sexual em si

Contudo, o indivíduo quando nasce não vem com manual de instrução, assim, vão se criando indivíduos com problemas causados por imposições sociais, culturais e históricas.

O gênero, a orientação sexual, transtornos de identidade de gênero são exemplos dessas imposições, que causam muitas vezes conflitos internos e externos nos indivíduos, pois já existem modelos e formas pré determinadas de certo e errado, que muitas vezes não condiz com a realidade interna do indivíduo.

A visão de Freud sobre a sexualidade é ampla, não está ligada unicamente ao ato sexual. Em sua teoria ela está presente na vida do ser humano desde seu nascimento através da pulsão sexual, originalmente universal, inata ao ser humano e busca obter prazer.

O prazer na infância e na fase adulta

A criança ao se alimentar, chupar chupeta, morder mordedores, entre outras coisas, goza de uma satisfação sexual e, essa satisfação é polimorfa com uma multiplicidade de fontes. Inicialmente é auto-erótica consigo mesma, através das chamadas zonas erógenas que começam sem as zonas genitais, mas evoluem para elas.

À medida que o desenvolvimento infantil vai evoluindo, ele passa por um período de latência, empregando essa energia para outras finalidades não sexuais. A energia é direcionada a educação e ao convívio social, que contribuirão para manter a pulsão sexual no rumo certo.

Após esse período volta a busca pelo prazer, agora com a escolha de um novo alvo sexual, o outro e não mais em si mesmo. É uma organização dos componentes sexuais da pulsão, natural em todo ser humano, que faz Freud afirmar que humanos nascem “polimorficamente perversos”.

Conclusão

É possível entender, através do estudo da psicanálise que todo ser humano é perverso por natureza, porque Freud entende de forma ampla que perversão é tudo aquilo que na sexualidade não visa a reprodução. É o que todo ser humano busca desde que nasce: ele busca inconsciente ou conscientemente o prazer.

Freud quebra paradigmas com suas teorias, e até hoje é mal interpretado por aqueles que não estudam a fundo suas obras. A sexualidade e a perversão têm sentido amplo e não limitado como o senso comum acredita.

Uma pessoa adquire mais autoconhecimento e uma melhor compreensão do humano quando estuda Psicanálise (saiba sobre o Curso de Formação em Psicanálise Clínica).

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O presente artigo foi escrito por Cristiane Silva, com exclusividade para o blog Psicanálise Clínica. Deixe seu comentário abaixo, com dúvidas, críticas e sugestões. Inscreva-se para estudar conosco!

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