empreendedorismo feminino

Empreendedorismo feminino na visão da Psicologia

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O presente trabalho refere-se à identificação de competências relevantes que podem ser desenvolvidas pelas mulheres que desejam empreender, bem como levantar possíveis causas de bloqueios emocionais que possam estar impedindo algumas mulheres de conseguirem alavancar seus resultados na vida e nos negócios. Assim, confira o que a Psicologia e a Psicanálise tem a dizer sobre a importância do empreendedorismo feminino!

O artigo que você lerá hoje é uma adaptação de um trabalho de conclusão de curso. A autoria é de Renata Miranda, que concluiu a nossa formação completa em Psicanálise Clínica 100% online. Neste trabalho, como já mencionamos, você lerá acerca do empreendedorismo feminino. 

O artigo divide-se nas seguintes partes constitutivas:

  1. Introdução;
  2. O impacto do autoconhecimento no empreendedorismo feminino;
  3. Por que algumas mulheres não conseguem alavancar seu negócio?
  4. Conclusão.

Introdução

Sabemos que nosso comportamento é diretamente afetado pelos paradigmas implantados em nosso subconsciente durante a infância. Assim sendo, isso pode ser um fator determinante para impactar negativamente os nossos resultados no que diz respeito à vida profissional.

Levando isso em consideração, no presente estudo foi feito um levantamento para analisar o empreendedorismo feminino a partir da Psicologia. Assim, foi conduzida uma análise comportamental com acompanhamento de resultados de um grupo de alunas da Fábrica de Mulheres Empreendedoras, um treinamento com mentoria promovido pelo Instituto Renata Miranda. Esta, por sua vez, é uma empresa especializada em desenvolver a visão empreendedora através do potencial de cada indivíduo.

A partir dessa análise, obteve-se informação sobre os principais pontos a serem trabalhados pela psicanálise na busca pelo autoconhecimento. Tudo isso com o objetivo de que a mulher possa assumir seu verdadeiro papel no mercado de trabalho com a autoestima e autoconfiança necessária para empreender com sucesso.

O impacto do autoconhecimento no empreendedorismo feminino

A importância de conhecer a si mesma

Conhecer a si mesma e fortalecer o conceito que temos sobre nossos pontos fortes utilizando isso a nosso favor aumenta consideravelmente a autoconfiança, autoestima e resiliência. Portanto, isso faz com que nós, mulheres, utilizemos nossas características e talentos para fazer as coisas que nos trazem a sensação de felicidade. 

A mulher precisa se libertar da imposição de padrões que já não cabem mais no cenário em que vivemos. Antigamente, o papel da mulher na sociedade era cuidar da casa, dos filhos e fazer seus maridos felizes. Contudo, essas funções podem ser ressignificadas em tempos que a mulher tem um papel importante no mercado de trabalho e pode contar com maridos que desempenham o mesmo papel assumido por ela anteriormente em casa.

Os tempos são outros, a tecnologia é outra, o ritmo da vida moderna é outro. O modelo de família também. Então, porque algumas pessoas estão presas em um sistema de crenças que definem como uma pessoa deve ou não se comportar? Tudo conforme uma cartilha de regras que um grupo qualquer em algum lugar determinou? Onde está escrito que deve ser assim? Quem tem o poder de dizer como uma pessoa pode interferir nas escolhas de outra? 

A sociedade em que vivemos

Padrões estéticos, culturais e religiosos, estão muitas vezes carregados de julgamentos e preconceitos sem o menor embasamento científico. Ademais, esse tipo de padrão é reforçado por pessoas muitas vezes infelizes, mas que ditam regras de como ser feliz. Em alguns casos, o cúmulo da hipocrisia é pregar algo impossível de seguir gerando angústias e frustrações profundas no ser humano que, em algum momento, mergulha no universo de recalcamento.

De acordo com Freud, o recalque é um dos conceitos fundamentais da psicanálise. O termo consiste em um mecanismo que manda para o inconsciente as emoções, pulsões e afetos que são considerados repugnantes para um determinado indivíduo. Contudo, a repressão desses sentimentos para o inconsciente não os elimina do quadro psíquico. Assim sendo, eles guardam um potencial para causar distúrbios no indivíduo. 

Nesse contexto, é importante lembrar que somos seres livre e pensantes. De fato, as pessoas só farão conosco aquilo que permitirmos, pois temos livre arbítrio e total capacidade de fazer nossas próprias escolhas. Apesar disso,  infelizmente percebemos que, ao fazermos nossas escolhas, é necessário ter disposição para enfrentar conflitos. Isso vale para todas as pessoas que se julgam no direito de interferir em nossa realidade. 

As crenças limitantes presentes na criação da mulher

Segundo a psicóloga e mestre em psicanálise Marcella Oliveira:

É na sua subjetividade e singularidade que cada mulher encontra o seu lugar social. As mulheres precisam amar o próprio corpo, precisam silenciar a voz do outro para escutar o próprio desejo. Não é o que a mídia coloca que as fará interessante. Querer agradar um padrão externo só mata a subjetividade, transforma o desejo em necessidade e escravidão”. 

Com tantas cobranças, pressões e preconceitos em cima da mulher, fica muito difícil manter a autoestima e autoconfiança elevada. Além disso, a depender da criação que algumas pessoas tiveram, algumas mulheres receberam cargas enormes de crenças limitantes na infância. Esse conjunto de convicções e perspectivas, por sua vez, está hoje adormecido no subconsciente e reflete nos resultados profissionais dessas pessoas. 


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A mente consciente é capaz de pensar e fazer escolhas, mas na infância somos constantemente induzidos e conduzidos para pensar e agir com a mente consciente de nossos pais. Afinal, são eles que todos os dias alimentam o nosso subconsciente com toda a sua linha de crenças e comportamentos. Assim, aos poucos, as ações e pensamentos deles é que vão se tornando verdade absoluta para nós. Assim, somos privados de outro modelo de comportamento. 

O impacto da criação no desenvolvimento

Dependo de como nossos pais foram criados, teremos muita influência dos nossos avós em nosso comportamento também. Tendo isso em vista, poderemos sofrer com crenças limitadoras de uma linha inteira de ancestralidade que espera de nós comportamentos que não cabem dentro do que consideramos correto e compatível com nossa linha de pensamento atual. 

Assim, entramos em conflitos internos, completamente divididas entre seguir o que se espera de nós dentro de uma linhagem de comportamento esperado ou tomar atitudes completamente diferentes. Essas novas atitudes, no entanto, aparentemente geram mais coerência em nosso raciocínio lógico. 

Consequências de expectativas pautadas em crenças limitantes

Conflitos internos como esse descrito acima alimentam sentimentos como:

  • frustração,
  • medo,
  • insegurança,
  • angústia,
  • culpa,
  • ansiedade.

Podemos ver isso porque esses sentimentos e comportamentos se manifestam no corpo como doenças psicossomáticas. Assim, atrapalham uma busca genuína pelo propósito de vida e, consequentemente, facilitam o quadro de depressão.

Com a depressão, por sua vez vem a baixa autoestima e zero autoconfiança. Ao se render a esses problemas, perde-se a energia para tomar atitudes empreendedoras que impulsionem essa mulher a assumir seu papel no mercado. Assim, elas deixam de liderar organizações e se posicionar com firmeza na busca pelos seus ideais. 

O objetivo deste artigo

Desta forma, o presente trabalho visa levantar o impacto do autoconhecimento no empreendedorismo feminino. A escolha desta temática decorre da experiência da pesquisadora atuando como professora de empreendedorismo dentro da Extensão Universitária da Universidade Federal do Pampa. Além disso, a experiência da autora engloba as seguintes atividades:

  • ministrar palestras,
  • cursos,
  • e treinamentos.

Todos esses projetos voltados ao empreendedorismo feminino são promovidos pelo Instituto Renata Miranda, empresa que leva seu nome e busca desenvolver a visão empreendedora através do potencial de cada indivíduo.

Por que algumas mulheres não conseguem alavancar seu negócio?

Motivação para o estudo

Algumas mulheres apresentam talento e interesse em ter um negócio próprio, mas não conseguem tirar as ideias do papel e partir para a ação. Em muitas ocasiões, isso se deve a questões emocionais que as impedem de ter a autoconfiança necessária para empreender com sucesso. 

Tendo isso em vista, observamos o comportamento de treze mulheres utilizando uma abordagem baseada em:

  • estudos de psicanálise,
  • psicologia positiva,
  • coaching,
  • administração de empresas,
  • e empreendedorismo feminino.
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Fizemos isso integrando ferramentas de autoconhecimento em busca de um perfil empreendedor. Nesse contexto, assumimos a lapidação do indivíduo como se fosse uma pedra bruta que aos poucos vai se descobrindo e identificando características únicas. Na medida em que vão sendo reveladas e utilizadas como pontos fortes, aumentam os níveis de autoconfiança e autoestima. Consequentemente, os resultados pessoais e profissionais também são aprimorados.

Reflexões e questionamentos sobre conquistas e empreendedorismo feminino

Sabemos que todas as pessoas gostariam de alcançar a sensação de realização de suas conquistas. Então porque nem todas alcançam? O que as diferencia quando identificamos grupos de pessoas que obtém muito sucesso em tudo que se dispõem a fazer e outras não conseguem sair do lugar? O que existe de diferente no comportamento de quem vai atrás dos seus objetivos e assume uma característica protagonista de quem assume a responsabilidade sobre a própria vida? 

O julgamento que a pessoa tem de si mesma define aonde ela pensa que pode chegar. Os limites são estabelecidos por ela, baseados em todo um sistema de crenças instalado no id durante toda a sua vida. Contudo, como alertamos mais acima, é principalmente na infância que se implanta de maneira mais impactante os limites para nossa vida e comportamento.

Contudo, justamente porque esses elementos limitantes vão parar no subconsciente, não fica claro que a pessoa tem um bloqueio. Por essa razão, ela desconhece o que a impede de ter resultados melhores na vida. Estamos falando dos chamados paradigmas, que podemos considerar como uma espécie de programa mental que possui toda a nossa base de comportamento. 

Paradigma, comportamento e hábito

Quase todo o nosso comportamento é baseado em hábitos. Nos habituamos a seguir padrões rotineiros que consideramos apropriados para nosso modo de viver. O problema é que isso nos coloca numa zona de conforto que impede a busca por algo que possa ser até mais interessante para melhorar nossos resultados. Dada a necessidade de alterar o que já está instalado como hábito, essa se torna uma tarefa desagradável. Quebrar hábitos é desconfortável!

Não só isso, podemos entrar em conflito emocional ao percebermos que algo não condiz com o modelo mental que adotamos durante um longo período em nossas vidas. Sendo assim, quebrar paradigmas é algo realmente desafiador e requer habilidades mentais específicas que somente pessoas que buscam o autoconhecimento são capazes de conseguir.

Na realidade, trata-se de um eterno ajuste, onde passamos uma existência inteira tentando substituir crenças que nos limitam por crenças que nos fortalecem na direção de nossos objetivos. Nesse contexto, destacamos a importância de entender a mente humana. Dessa forma, nos tornamos aptos para cultivar pensamentos positivos, uma vez que a negatividade é ausência do conhecimento. Ser ignorante pode impactar de modo devastador os resultados de uma mulher interessada em empreendedorismo feminino

O poder do pensamento

Pensar em dúvidas e preocupações de maneira constante gera doenças psíquicas que, por sua vez, geram um fluxo contínuo de impressão de ideias negativas no subconsciente. Um exemplo é o medo. Ele se manifesta no corpo a princípio como  ansiedade, que acaba sendo suprimida no id e não expressa. Se não colocarmos essa avalanche de emoções para fora, ela se acumulará em nosso subconsciente ficando presa e resultando em depressão. 

Logo, a ansiedade seria uma das causas da depressão que, através da ignorância, ou seja, do fato de ignorarmos que devemos nos manter positivos, faz o corpo adoecer. A falta de bem-estar nos faz suprimir energia negativa e o corpo começa a se deteriorar. Sendo assim, a escolha de pensamentos errados é causada pela ignorância e isso interfere diretamente nos nossos resultados. 

Quando aprendemos a escolher nossos pensamentos com a consciência de que eles irão afetar nossos sentimentos e determinar nossas ações, passamos a obter resultados significativamente melhores. Isso vale para todas as áreas de nossas vidas, inclusive no que diz respeito ao empreendedorismo feminino. 

Problemas que impedem mulheres de investir em empreendedorismo feminino

Diante da importância desta análise, podemos identificar os pontos cruciais que impedem o ser humano de buscar melhorias em sua vida. As pessoas acreditam serem capazes de atingir resultados muito além do esperado quando são aconselhadas por um grupo acostumado com mediocridade. Ou seja, indivíduos seguem padrões medianos de comportamento objetivando o excepcional, mas, consequentemente e obviamente, conseguem resultados medianos.

Quando avaliamos o comportamento de pessoas de sucesso, temos acesso à história de indivíduos que conseguem atingir suas metas e sabem exatamente onde desejam chegar. Tudo isso sem estabelecer nenhum limite que venha a sabotá-las. Em casos como esse, identificamos um comportamento conhecido como mindset de crescimento com perfil empreendedor. Ele apresenta a liberdade de criar e agir com determinação e coragem.

Quem não adquire esse tipo de pensamento, infelizmente acaba ficando muito longe disso. Essa restrição mental se dá justamente pelas limitações mentais que indivíduos com crenças recalcadas possuem. Nesse contexto, quando falamos em limitações mentais, não se trata de retardamento ou psicopatologias. Estamos nos referindo a crenças limitantes que impedem pessoas de acreditar na própria capacidade.

O bloqueio mental avesso ao mindset de crescimento

O referido bloqueio é somente emocional. Isso significa que ele é baseado na implantação de paradigmas alimentados por seus pais ou modelos que tenham  sido hierarquicamente significativos na infância. 

Segundo Freud, todas as neuroses representam uma defesa contra ideias insuportáveis. Portanto, a incapacidade de acreditar em si mesma para investir em empreendedorismo feminino pode ser um mecanismo de defesa. Por sua vez, esse mecanismo existe para a pessoa não ter que acessar bloqueios adormecidos no subconsciente. Isso porque essas crenças limitantes geram dor e desconforto emocional.

São conflitos inconscientes infantis que podem gerar fantasias criando uma verdade que não existe.

Uma reflexão sobre a mente da mulher e bloquei mental

O grande desafio é compreender como a mente de cada mulher se comporta ao conectar conteúdos adormecidos no inconsciente com a sua capacidade de decisão. Em que momento essa mulher deve perceber que aquilo que a impede de ir atrás dos seus objetivos pode ser ilusão criada por algo que a impactou emocionalmente, mas que não é fator impeditivo de mudança de comportamento?

Acreditamos que muitas delas passam uma vida inteira limitadas pela falsa ideia de que não são capazes de conseguir ter atitude para conseguir o que desejam. Ademais, algumas delas realmente acreditam que o sucesso depende de sorte. Quanto a isso, trazemos uma contribuição da professora Carol S. Dweck. Ela trabalha com psicologia na Universidade Stanford e é especialista internacional em Sucesso e Motivação.

Dweck revela como o sucesso pode ser alcançado pela maneira como lidamos com nossos objetivos. O mindset não é um mero traço de personalidade. Na verdade, é a explicação de por que somos otimistas e pessimistas, bem-sucedidos ou não. Ele define nossa relação com o trabalho e com as pessoas e a maneira como educamos nossos filhos. É um fator decisivo para que todo o nosso potencial seja explorado. 

Mindset: um conceito de Carol Dweck

Pessoas com mindset de crescimento creem que inteligências e habilidades podem ser desenvolvidas. Essa mentalidade é contrária ao que pensam as pessoas com mindset fixo, que acreditam que qualquer característica só é bem desenvolvida quando alguém nasce com ela. Dessa forma, possuem dificuldades em enxergar as próprias limitações como áreas que podem ser transformadas mediante determinação

Ademais, o mindset fixo não permite encarar problemas na esperança de resolvê- los e não crê que o esforço pode gerar mudanças. Para completar, esse tipo de mentalidade evita desafios por medo de revelar fraquezas. Por outro lado, o mindset de crescimento está sempre buscando aprendizado para superar limitações, abraça desafios e encara falhas como aprendizado. Além disso, vê no esforço o caminho da excelência e enfrenta os problemas com entusiasmo.

Sendo assim, o mindset que é a maneira de pensar e enxergar a realidade é fator fundamental para realizar nosso verdadeiro propósito. Isso porque interfere na forma como observamos as coisas ao redor e isso reflete em nosso comportamento.

As pessoas têm diferentes mentalidades e se apegar ao mindset fixo as prejudica

Há pessoas que se esforçam, correm atrás de suas metas e objetivos, se desafiam e alcançam o sucesso. Infelizmente, outras não contam com essa determinação. 

Do ponto de vista da psicanálise, podemos dizer que são as pulsões de auto-conservação que se constituem na busca pela realização e satisfação das necessidades essenciais. Essas necessidades são provenientes da sua estrutura somatopsiquica (entendimento do corpo (soma) e psique) e regem as pessoas na busca por aquilo que consideram importante. 

Segundo Freud, a pulsão é o investimento energético em determinado objeto (ideia ou afeto) que é fruto de um desejo. Portanto, é daí que vem então a diferenciação, quando comparada ao instinto. Não há um objeto definido, e nem podemos assumi-lo como sendo parte do consciente ou inconsciente, uma vez que a força pulsional transita por instâncias distintas. Isso na medida que a realização de um desejo se faz eminente. 

Teoria das pulsões para Freud

O entendimento do que Freud chamou de teoria das pulsões é necessário para que possamos compreender a dinâmica psíquica dentro da sua possibilidade de mobilização energética (pulsional). Essa dinâmica pode ir na direção da descarga ou satisfação de um desejo. 

É no inconsciente que encontramos as experiências e sensações de infância, provenientes da relação com o mundo por meio dos órgãos do sentido.Essas experiências, por sua vez, são nomeadas como representação das coisas”, inscrições subjetivas de experiências infantis que não poderiam ser nominadas. 

Nele também encontram-se os representantes pulsionais (ideias e afetos), que são fortemente catexizados (investidos de energia). Além disso, esses representantes buscam a descarga pulsional incessantemente, uma vez que o inconsciente é regido pelo princípio do prazer. Trata-se de uma dinâmica que, em virtude do aumento de tensão pulsional – e que gera desprazer – há a necessidade da descarga energética como forma de encontrar satisfação/prazer. 

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A lógica do inconsciente

O inconsciente não apresenta uma “lógica racional” desse modo tempo, espaço e causalidade. Assim, esse elemento da psique opera segundo as leis dos processos primários. Ou seja, é nesses processos que a energia psíquica transita livremente pelos sistemas, passando de uma representação para outra. 

Nesse sentido, podemos entender que as pessoas agem impulsionadas por todas as experiências gravadas no inconsciente. Fazem isso como se estivessem no piloto automático, sem questionar o motivo pelo qual agem daquela forma. 

Contudo, o cérebro pode contar com a parte consciente, que organiza essas representações e consegue:

  • estabelecer linhas de raciocínio,
  • apresentar percepções e ponderações.

Tudo isso faze com que seja respeitado o princípio da realidade (mecanismo capaz de avaliar a satisfação, retardando e/ou inibindo a descarga pulsional e, em determinadas situações, tolerando o desprazer). 

Comentários finais sobre Psicanálise e o que priva as mulheres de se lançarem no empreendedorismo feminino

Uma vez que entendemos como funciona o aparelho psíquico e como isso afeta nosso comportamento, podemos trabalhar em nossa mente consciente a busca pelo conhecimento. Fazemos isso para desenvolver habilidades que estejam alinhadas ao que desperta prazer e satisfação.

Isso é importante para quem tem o objetivo ou medo de enfrentar momentos de desprazer com sabedoria. Com esse conhecimento, enfrentarmos os momentos de indisposição do empreendedorismo feminino e o desânimo para ir atrás do que verdadeiramente desejamos. 

Conclusão

Qualquer pessoa pode desenvolver habilidades se obtiver conhecimento. Além disso, qualquer pessoa pode empreender e vender produtos ou serviços utilizando suas habilidades. Contudo, se ela não tiver consciência disso, será incapaz de ter autoconfiança suficiente para ter atitude. Toda a base de crenças alimentadas desde a infância em seu subconsciente fortalecerá sua linha de pensamento que definirá suas ações através do que sentem. 

Assim, a maneira como lidam com suas frustrações do passado, a flexibilidade que apresentam na hora de quebrar crenças alimentadas por quem as criou e, principalmente, o posicionamento de ter atitude de protagonistas ao invés de se vitimarem elegendo culpados para sua inércia diante da vida é o que diferencia um perfil de mulher empreendedora da que não consegue ter liberdade de criar e agir. 

O que levantamos quando analisamos resultados de um grupo de pessoas é que os comportamentos são parecidos entre os grupos das que conseguem ter sucesso realizando o que desejam e as que não conseguem sair do lugar. O grupo que consegue apresenta:

  • resiliência,
  • uma enorme capacidade de virar o jogo em momentos difíceis,
  • encara as dificuldades como desafios a serem superados,
  • constroem estratégias para melhorar seus resultados,
  • utilizam seus pontos fortes a seu favor e minimizam pontos fracos,
  • colocam o foco em si mesmas,
  • e usam a comparação com outras mulheres para modelagem, não como objeto de inveja. 

O papel da terapia

Algumas das mulheres que desejam investir no empreendedorismo feminino utilizam a psicoterapia para aprofundar-se no autoconhecimento.

Elas fazem isso para potencializar resultados, trabalhando questões internas  que as impedem de avançar e quando conseguem entender a importância de seguir seu próprio padrão de crenças. Padrão esse que, como vimos mais acima, deve ser construído a partir de sua vivência e não no modelo de outras pessoas.

Assim, essas mulheres são pessoas que se libertam para criar e empreender utilizando todo o seu potencial. A mulher que consegue se libertar de padrões de comportamento fechados e segue seu coração fazendo o que verdadeiramente ama ignorando o ponto de vista de outras pessoas, liberta-se de uma bola de ferro imaginária que a impede de voar na direção daquilo que deseja para sua vida. 

A independência financeira no empreendedorismo feminino

Outro fator a ser considerado no empreendedorismo feminino é a independência financeira. A partir do momento que a mulher experimenta a sensação de ter seu próprio dinheiro e não depender de ninguém para se sustentar, ela torna-se responsável pelo seu crescimento pessoal e profissional. Assim, não perde tempo esperando um “príncipe encantado” para pagar suas contas.

Essa liberdade financeira gera liberdade emocional, pois essa mulher não irá procurar um parceiro considerando sua conta bancária. Ela irá procurar um grande amor que a trate com carinho, respeito e atenção que merece. Ela está interessada em um relacionamento que desperte nela uma estabilidade de emoções que geram autoestima e  autoconfiança. Estes são fatores que estão diretamente ligados ao sucesso do perfil da mulher empreendedora. 

O que encontramos nas mulheres avaliadas

O presente trabalho conseguiu levantar a postura de algumas mulheres que desejam empreender com sucesso, mas que apresentam comportamentos diferentes na hora de buscarem seus objetivos. 

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Dos treze casos avaliados, apenas quatro não apresentaram nenhuma espécie de resistência e mantiveram o foco na direção das metas propostas. Três mulheres desistiram por não acreditarem na própria capacidade e optaram por permanecer na zona de conforto para não ter que mexer em questões que geram desconforto emocional ao se confrontarem com questões psicológicas adormecidas do id que começam a vir à tona no processo de psicanálise.

Seis mulheres oscilaram entre querer empreender e fantasiar que estavam empreendendo, pois em diversos momentos apresentaram resistência com indicações que estavam fugindo da mentoria. Assim, esqueciam de cumprir compromissos e tarefas, demonstrando relutância em quebrar condutas errôneas apontadas em relação ao seu empreendimento. 

Uma relação final entre psicanálise e empreendedorismo feminino

Segundo Freud, nem tudo que é inconsciente é obrigatoriamente reprimido. A repressão foi usada por ele como protótipo de defesa, para depois se tornar apenas uma das modalidades de mecanismos de defesa. Aqui, observamos em vários momentos que algumas mulheres utilizaram como mecanismo de defesa diversas desculpas sem coerência, tais quais:

  • desorganização de vida,
  • mal aproveitamento do tempo,
  • e esquecimentos.

Essas mulheres fizeram isso como se tivessem medo de assumir o papel de protagonistas da própria história. Contudo, estavam esperando um outro personagem qualquer para assumir as responsabilidades. O comportamento varia entre grupos de pessoas, como se a mente de um mesmo grupo estivesse dentro de uma operação psíquica que fizesse desaparecer da consciência um conteúdo que elas não gostariam de ver. 

Algumas mulheres não se dão conta dos acontecimentos a sua volta e não fazem questão de fazer esforço para lutarem pelo que desejam. A grande maioria delas nem sabem o que desejam. Em alguns casos, podemos levantar a questão da escotomização, assim chamada por fazer analogia com as zonas cegas da retina denominada “escotomas”. Esse mecanismo, segundo alguns autores, se daria num plano quase consciente. “Olho, mas não enxergo, se enxergo não quero ver”. Assim, acontecimentos óbvios não são vistos por uma decisão voluntária.

Consequências de escolher não enxergar

Foi percebido em alguns casos a autopiedade, caracterizada por lamúrias e queixumes como mecanismo de defesa. A pessoa relembra o tempo inteiro situações passadas colocando-se sempre na posição de vítima, encobrindo recordações mais difíceis de virem à tona. Com esse posicionamento, a mulher não se enxerga como alguém responsável pelo seu crescimento. 

Algumas mulheres apresentaram tipos sociais de negação da realidade, entre eles:

  • escapismo,
  • adiamento de compromissos,
  • recusa de enfrentamentos desagradáveis,
  • e criação de doenças imaginárias para fugir de responsabilidades.

Assim, essas mulheres criaram falsas situações “mais importantes” para não enfrentar aquilo que é “mais real”. O negador mente para si próprio, prometendo que da próxima vez será diferente. 

A criação mental de um modelo de empreendedora de sucesso sem a correspondente ação realizadora do ato de fazer todos os passos que devem ser feitos para alavancar um empreendimento é um mecanismo de negação típico de quem não quer enfrentar a realidade. 

Finalmente, as palavras finais sobre empreendedorismo feminino

Empreender é um desafio enorme, que requer muito mais do que ter uma empresa e lucrar com isso. Trata-se de uma carreira que requer preparo emocional, clareza de propósito, autorresponsabilidade, resiliência e motivações estimulando o organismo em direção a uma meta significativa.

Deve existir na mulher o desejo genuíno de crescer pessoalmente e como empresa, além da disponibilidade para aprender, foco e disciplina. Sem isso, as ditas empreendedoras são nada mais do que mulheres “brincando de lojinha”. Assim, seu trabalho é reflexo de um conforto adormecido no id, oriundo daquele tempo em que eram crianças e poderiam brincar de vida real. 

Esperamos que tenha gostado desse artigo sobre empreendedorismo feminino de acordo com uma abordagem psicanalítica. Para aprender a abordar temas espinhosos da teoria psicanalítica assim como nossa aluna Renata, matricule-se em nosso curso. A formação em Psicanálise Clínica EAD fará a diferença não só em termos de aprendizado, mas também de evolução profissional.

O trabalho original foi escrito pela concluinte Renata Miranda, e os direitos do mesmo ficam reservados à autora.

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