Neste artigo, vamos percorrer os fundamentos da estrutura do aparelho psíquico segundo Freud, explorando como o inconsciente influencia o comportamento humano e como conceitos como associação livre, clínica da fala e complexo de Édipo ajudam a compreender o funcionamento da mente. A proposta é apresentar uma nova visão de mundo a partir da psicanálise, respeitando a linguagem e os fundamentos originais do autor.
Início da estrutura do aparelho psíquico
Corolários dão lugar a novas concepções. E isso aconteceu no século XIX através de um passo significativo dado por Sigmund Freud em seus estudos e insights clínicos.
Sua desconfiança sobre a estrutura e funcionamento do inconsciente trouxe ao questionamento, pesquisas, formulações, médicos e pesquisadores – contemporâneos à sua época – com adições, e também, discordâncias contribuintes sobre o assunto.
Porém, tais concepções também cederam lugar às dicotomias e dilemas acerca da cientificidade da psicanálise. Pois muito se indagava sobre a forma como a Psicanálise se enquadrava como ciência: natural ou humanística.
Esse lugar de ocupação (qualquer que o fosse) era inconcebível para a ciência tradicional, que supunha para as conjecturas freudianas como suposições fundamentais, onde tudo encontrava seu espaço determinado numa forma sistemática, abrangente e arbitrária.
O inconsciente, suas normas e efeitos sobre o comportamento humano, ou seja, o fator humano passou a ser concebido (dentro dos moldes à época) na investigação científica. O que na verdade causou surpresa. Pois, até então, o inconsciente não era tido como objeto de estudos na tradicional metodologia científica.
O inconsciente como instância psíquica
Segundo as formulações sobre a estrutura do aparelho psíquico e também através da técnica psicanalítica, o inconsciente é concebido – não apenas conceitualmente ou descritivamente, mas como uma instância de dinâmica mental – como sendo um repositório de elementos psíquicos reprimidos por uma força que se opõe.
Onde, estes, “residem” com outros elementos psíquicos que são passíveis de serem “vistos” sem julgamentos.
Nessa estrutura do aparelho psíquico: inconsciente, pré-consciente e consciente, podemos perceber o percurso feito pelos elementos psíquicos onde, dependendo da instância em que se encontram, ora se delineiam como materiais reprimidos, “palpáveis” (conscientes) e iminentes para a consciência (Pcs.).
Devido a essa latência, e também à tecnologia das representações verbais residuais – outrora percepções –, a princípio, tais elementos se tornam iminentes para a forma consciente.
Neste circuito dos elementos psíquicos, Freud (em suas matizes terapêuticas) destaca a importância de se escutar o paciente através da associação livre. Onde o analista, por meio de uma atenção isométrica, realizaria os devidos reparos sem qualquer tipo de critério crítico.
Associação livre e clínica da fala
Isso porque os elementos reprimidos, sim, apareciam na hipnose de pacientes suscetíveis a tal prática com suas devidas relutâncias. Porém, existem também aqueles pacientes não-suscetíveis à hipnose e que, por isso, eram submetidos à clínica da fala.
Onde esta também buscava respostas através das verbalizações residuais. E isto contando inclusive com a escuta do inconsciente do analista.
Ou seja, todo esse percurso é transitável, com “passagem de ida e volta”, de modo que, assim como os elementos psíquicos foram armazenados no inconsciente, eles também são passíveis de recuperação dentro deste mesmo circuito.
Id, ego e a repressão como origem das neuroses
Esse trânsito na estrutura do aparelho psíquico também se traduz em disputas da instância Id contra o ego. Como por exemplo, os impulsos sexuais habitantes do Id e reprimidos pelo ego a partir de percepções do mundo externo pelo ego como uma espécie de regulador da Id.
Muitas vezes (ou na maioria delas, segundo Freud), repressões estas que dão origem às neuroses.
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Para estas ações do psiquismo, Freud sistematizou a sexualidade em conceitos e fases que determinam uma estrutura de desenvolvimento psicossexual.
Um dos conceitos que podemos citar é que a sexualidade, como uma espécie de unidade-mor do indivíduo, se trama desde os anos iniciais, preconizando desdobramentos em termos de fases não lineares desse desenvolvimento.
Complexo de Édipo e moralidade
Já em termos de fases podemos destacar, dentre outras, o complexo de Édipo, onde há uma disputa entre o menino e seu pai em relação à figura da mãe.
Durante essa fase, o menino aprende e apreende alguns valores sociais do pai para, então, colocar esses valores em prática e “conquistar” o amor de sua mãe. Após um determinado tempo, o menino desiste desse litígio e leva consigo esses valores para suas interações sociais no mundo externo, assim aperfeiçoando-os.
Ao sistematizar a sexualidade, Freud criou (ou descobriu) uma tecnologia muito sofisticada do inconsciente que permite a descoberta da origem de determinadas sintomatologias que, na verdade, são advindas de intercorrências de natureza sexual.
Superego e a busca pelo equilíbrio
Em sua vastidão repositória de combustível para o psiquismo, seja em energia psíquica, pulsões (a saber: Eros, a pulsão da vida, e Tanatos, a pulsão de morte) e o objeto-mor: princípio do prazer, a Id é a principal idealizadora da satisfação e do prazer.
A Id tem o ego como contraponto em suas idealizações. Este tem o papel fundamental de agente regulador entre as percepções de realidade e os princípios do prazer provenientes da Id.
Para o devido funcionamento do psiquismo, o ego busca equilíbrio entre as demandas da Id e os princípios de realidade do próprio ego. Na busca pela satisfação, o mesmo tenta adequar tais demandas da Id dentro dos requisitos da realidade.
Inconsciente, limites e infinitude
Outra instância parecida com o ego é o superego, que aparece durante o complexo de Édipo com suas internalizações – por parte do indivíduo – da figura de autoridade.
O que faz com que o indivíduo seja remetido a processos internos de culpa em seus desejos de fazer ou não ter feito algo que desejava, intermediado ou “julgado” pelo ego como errôneo.
Resultando assim numa espécie de ego “mais racional” e acusador no controle dos impulsos buscadores do prazer e satisfação da Id. Depreendendo mecanismos de moralidade, ideais e mais consonância com materiais sociais e culturais do meio em que vive.
Sendo, portanto, a Id permeada em sua totalidade pelo inconsciente, e o ego e superego possuindo algumas características do inconsciente nesta segunda tópica do aparelho psíquico apresentado por Freud.
Considerações finais sobre a estrutura do aparelho psíquico
Se fosse para entendermos o todo, então o que vimos acima no texto, ou o que vemos ao longo de um século, desde sua gênese até a psicanálise contemporânea, não conseguiria preencher, simultaneamente, todas as bibliotecas existentes. Não explica nem dez por cento do que é o inconsciente.
Assim como o universo, na sua incomensurável diversidade e na sua infinitude, o inconsciente não pode ser explicado a níveis exatos e tampouco ser quantificado. O que Freud tenta nos mostrar é que existe um objeto em nosso âmago passível de muita desconfiança, pesquisas, debates, explorações e continuidade.
O inconsciente, portanto, tem mecanismos, determinados padrões e algumas respostas. Um pouco a nos oferecer, porém jamais uma definição.
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Daniel Silva. Professor de Matemática e Biologia. Pós graduado em Docência e Prática de Ensino em Matemática pela Faculdade Digital Descomplica e Licenciado em Matemática pela UNIRIO. Email para contato: [email protected]
