Fluxo de pensamento

Fluxo de pensamento: significado em literatura e psicologia

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O conceito de “fluxo de pensamento” é muito usado em diversas áreas do conhecimento. Contudo, as palavras “fluxo” e”pensamento” são fáceis de entender quando usadas individualmente, porém ficam mais complicadas quando usadas em conjunto. Assim, se você não tem noção do que é fluxo de pensamento, continue a leitura que iremos te ajudar nesse sentido.

O que é fluxo de pensamento?

Em linhas gerais, definimos fluxo de pensamento como a maneira como os pensamentos fluem na mente quando estamos conscientes. Contudo, essa definição não é nada trivial.

Assim, ainda que a ideia fique confusa quando analisamos o termo palavra por palavra, vale analisar o que ele evoca na nossa mente. É bem provável que o termo “fluxo” te faça lembrar da correnteza de um rio, por exemplo. Já “pensamento” nada mais é do que aquilo que passa pela sua cabeça a todo momento.

Duas formas de pensar sobre o conceito

Seguindo essa ideia de imaginar o fluxo de pensamento como uma correnteza daquilo que se passa na nossa cabeça a todo o momento, há como analisar esse conceito de duas maneiras. A primeira será explorada a partir da perspectiva da Psicologia e a segunda a partir das lentes da Literatura.

Fluxo de pensamento para a Psicologia

Para analisarmos o conceito segundo a Psicologia, nos apoiaremos nas ideias de William James. Isso porque esse pensador da área contribuiu muito para o entendimento da consciência humana ao densevolver a sua ideia de “fluxo de pensamento”, o qual também pode ser chamado de “fluxo de consciência”.

Quem foi William James

William James foi o psicólogo norte-americano precursor do Pragmatismo e da Psicologia Funcional. Assim, ele defendeu em sua carreira que essa área do conhecimento deve ser fundamentada num método experimental. Ademais, vale dizer ainda que ele foi o irmão do grande romancista Henry James.

Fluxo de pensamento para William James

Agora que você sabe um pouco sobre a vida do psicólogo, vamos apresentar as ideias de James a respeito do fluxo de pensamento.

Para isso, vamos retomar a ideia de imaginar o conceito como sendo uma correnteza daquilo que se passa na nossa cabeça a todo o momento.

James, de certa forma, concordou com ela. Isso porque, para ele, parece que os nossos pensamentos surgem juntos, avançando de forma constante. Assim, é fácil pensar na imagem do rio que propomos no início.

Pensamentos nunca são os mesmos para James

Vale dizer que, para o psicólogo, não é possível que uma pessoa tenha o mesmo estado mental em dois momentos diferentes.

Pode-se relacionar a sua ideia à do filósofo Heráclito, que dizia que ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio. Assim, para James, os pensamentos são exclusivos, não tendo pares idênticos, o que faz a consciência ser cumulativa e não repetitiva.

A consciência opera de forma lógica

Além disso, é importante dizer que para o psicólogo, o fluxo de pensamento só traz o que foi selecionado pela consciência. Isso porque ela age de maneira lógica: escolhe o que é relevante para o ser humano ser capaz de chegar a conclusões de maneira racional.

Isso não ocorre por acaso; há uma razão biológica por trás: as pessoas precisam sobreviver. O ser humano precisa ser capaz de refletir sobre a vida e encontrar formas de se adaptar ao ambiente que o cerca. Em vista disso, é necessário que a consciência opere de maneira organizada a fim de nos habilitar a viver de forma segura.

Importância dos estudos de James

Apesar de termos apresentado em grosso modo as ideias do psicólogo, dá para perceber que o seu estudo sobre a consciência humana importa muito para a sua área. Afinal, o conceito de fluxo de consciência ajuda a entender melhor o funcionamento da mente humana, servindo como base para mais estudos sobre o tópico.

Fluxo de pensamento para a Literatura

Vamos voltar à nossa ideia de fluxo de pensamento desenvolvida no começo do texto: que ele é uma correnteza daquilo que se passa na nossa cabeça a todo o momento.

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A literatura reflete esse turbilhão que se passa na mente humana por meio da técnica chamada “fluxo de consciência”. Vamos falar mais dela a seguir.

Definição do conceito para a área

A técnica “fluxo de consciência” propõe que uma pessoa faça um mergulho na mente humana ao ler um texto. Assim, ela parece ter a sensação de estar inserida no ato de pensar de um personagem. É como se tivesse entrado no rio impetuoso da mente de alguém e se deixasse levar pela correnteza.

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    Benefícios da técnica

    O escritor que usa o fluxo de consciência abre mão de certos recursos textuais a que estamos acostumados, como a sequência lógica, os marcos temporais, a pontuação e os parágrafos. Por essa razão, ele intensifica no leitor a sensação de ser levado pelo ritmo de um rio de pensamentos.

    Para o escritor, esse recurso pode ser muito útil para transmitir o que deseja passar para o leitor, seja sensações ou ideias.

    Dificuldades que a técnica pode trazer ao texto

    É bem verdade que, para quem não está acostumado com o fluxo de consciência, essa técnica pode dificultar a compreensão do texto. Isso porque o leitor acaba perdendo referências com as quais ele estava acostumado, como a sequência lógica e as pontuações, por exemplo.

    Formas de se habituar com a técnica

    Se esse for o seu caso, sugerimos que você se abra para a experiência. Assim, busque escritores que fazem uso dessa técnica e se habitue a ler os seus textos. Afinal de contas, com o tempo você começará a achar natural entrar na mente do personagem, diminuindo a sua dificuldade de se deixar ser levado pelos seus pensamentos.

    Diferentes autores que fizeram uso do fluxo de pensamento

    James Joyce

    James Joyce é um famoso escritor irlandês do século XX, que ganhou bastante proeminência por suas obras “Ulisses” (1920), “Dublinenses” (1914) e “Finnegans Wake” (1939).

    Joyce marcou seu nome na literatura como um dos principais escritores que fizeram uso da técnica do fluxo de consciência. Assim, por essa razão, muitos consideram suas obras difíceis de ler. Contudo, ainda assim, são consideradas verdadeiras jóias raras do cânone mundial.

    Ademais, precisamos mencionar que “Ulisses” é uma das obras mais ilustrativas da presença do fluxo de consciência em James Joyce Joyce. Nesse livro, você consegue entrar de forma bastante efetiva na mente das personagens e acompanhar todo o seu emaranhado de pensamentos.

    Virginia Woolf

    A outra escritora da nossa lista é Virginia Woolf. A inglesa faz parte dos principais nomes do modernismo do século XX. Algumas de suas principais obras são “Mrs Dalloway” (1925), “A viagem” (1915) e “Noite e dia” (1919).

    Virginia Woolf é outra representante da literatura mundial que usa a técnica do fluxo de consciência. Portanto, fica muito claro nas suas obras a recorrente sensação de entrar na mente de seus personagens.

    Um bom exemplo do fluxo de pensamento em Virginia Woolf é o romance Ao Farol (1927). Nesse romance, o narrador onisciente quase que se confunde com a cabeça dos personagens.

    Clarice Lispector

    Vamos agora para uma escritora brasileira. Lispector foi uma das representantes da terceira fase do Modernismo no país. Algumas de suas principais obras são “A Hora da Estrela” (1977), “Felicidade Clandestina” (1971) e “A Paixão Segundo G.H.” (1964).

    Como você pode ver, o cânone do nosso país também conta com obras em que seus autores utilizaram o fluxo de consciência. Lispector muitas vezes entremeava a narração em suas obras com o que se passava na mente de suas personagens.

    O conto “Viagem a Petrópolis” da escritora é um excelente exemplo da presença do fluxo de consciência em Clarice Lispector. Ele está presente no livro “A legião estrangeira” (1999).

    Considerações finais

    Como você pode ver, o fluxo de pensamento tem muito a ver com a investigação do que se passa na cabeça das pessoas tanto na Psicologia quanto na Literatura. Assim, se essa é uma curiosidade sua, não deixe de fazer o nosso curso de Psicanálise 100% online. Afinal, nós te damos toda a base teórica de que precisa para analisar a mente do ser humano.

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