lagarta que vira borboleta

Lagarta que vira borboleta: uma metáfora da vida

Posted on Posted in Conceitos e Significados

Neste trabalho, desenvolveremos a metáfora da lagarta que vira borboleta pode ser uma ótima metáfora para nossas vidas. Uma aventura alquímica repleta de luz e escuridão, onde uma lagarta, reconhecendo algo faltante em si, percebe toda a sua alegria de outrora transformada em tristeza, toda doçura em rudeza, todo amor em raiva e toda razão em incompletude.

Utilizaremos a abordagem metafórica na metáfora da lagarta que vira borboleta, pois visa à disseminação da possibilidade real de transformação interior para o público infanto-juvenil, que lidam com conflitos relacionados às transformações fisiológicas e mentais, muitas vezes sem o respaldo psicoemocional da estrutura familiar. A fim de viabilizar o resultado desse processo de transformação, utilizaremos, durante toda a narrativa, a linguagem simbólica relacionada à alquimia, no contexto anagógico que trata da transformação pessoal, com enfrentamento direto das sombras, um mergulho na NIGREDO.

Entendendo a metáfora da lagarta que vira borboleta

Buscando, assim, demonstrar como a lagarta, na metáfora da lagarta que vira borboleta, consegue passar por todo esse processo de transformação em borboleta, através de uma jornada em busca daquilo que nem ela mesma sabe de que se trata, apenas reconhece como uma falta. Na primeira parte do trabalho, abordaremos o desenvolvimento inicial da lagarta, seu crescimento, as interferências do ambiente e toda a angústia vivida por ela. Em seguida, focaremos em como essa lagarta decide entender essa escuridão, resolvendo abraçá-la antes que fosse consumida em si mesma. Para atingir aos objetivos propostos, a metodologia empregada foi um aprofundamento na Psicologia Analítica, proposta por Carl Gustav Jung, que permeia conceitos alquímicos, simbólicos e, por vezes, espirituais. É importante ressaltarmos que Jung nos considera como seres integrais, possuindo corpo, mente e espírito. Dessa forma, a narrativa proposta será construída com a estrutura da personagem que, neste caso, é Táta, a lagarta.

Posto isso, o simbolismo será apresentado de forma prática, com o processo de calquímica vivido pela personagem principal e, por isso, não serão expostos e sistematizados como uma publicação científica. Escreveu Carl Jung: “Há um preconceito generalizado segundo o qual a análise é uma espécie de “cura” a que alguém se submete por um determinado tempo, e em seguida é mandado embora curado da doença. Isto é um erro de leigos na matéria, que nos vem dos primeiros tempos da psicanálise… A vida tem que ser conquistada sempre, e de novo.” (JUNG. C. G. A Natureza da Psique).

Era uma vez uma lagarta que se chamava Táta. Táta vivia em um jardim muito bonito, com lindas flores coloridas e muito cheirosas, que espalhavam seu perfume por toda parte. Outros animais também viviam neste jardim, e Táta era uma lagarta feliz. A família de Táta era grande, com muitos tios e primos. Táta se divertia bastante com todos eles. Brincavam de esconde-esconde, de pega-pega e de mímica. Táta era ótima nas brincadeiras de mímica.

Ela era uma lagarta muito amada e querida por todos. Era uma boa aluna e sempre tirava 10 em ciências, pois adorava quando Doca, a minhoca, sua professora, fazia experiências na sala de aula. Táta gostava de ver como as coisas se transformavam em outras. No laboratório da sala de aula, existiam várias coisas interessantes, e ela achava bem curioso ter aquela colher de pau enorme na mesa, pensava se aquilo era realmente usado no laboratório. – “Dona Doca deve ser uma bruxinha mexendo seu caldeirão com essa colher!”, pensava ela sorrindo. Apesar de todo o amor que recebia, algo incomodava Táta. Parecia que estava faltando alguma coisa que nem ela sabia o que era. – “Esse incômodo deve ser porque não tenho irmãos. Sim, deve ser isso!”, pensou. Mesmo tentando justificar esse “vazio” com a ausência de um irmão, ele ainda causava um desconforto, uma certa angústia. Mesmo assim, Táta sempre tentava esquecer esse incômodo. – “Isso é coisa da minha cabeça. Vou deixar pra lá!”, decidiu.

Ainda sobre a metáfora da lagarta que vira borboleta

No dia seguinte, Táta voltou à escola. Gostava de lá. Tinha um aluno novato que fazia toda a turma sorrir, o tatuzinho Janjão. Ele parecia até um comediante, vivia fazendo piadas e brincando com todos. Mas, Táta percebia que até Janjão às vezes tinha alguns probleminhas, pois vez ou outra se enrolava todinho em si mesmo, ficando como se estivesse apagadinho, numa tristeza que dava dó. – “Vai ver ele também sente esse “vazio”, deve ser normal. Mas, mesmo se for normal, será que é certo sentir isso?”, pensou enquanto olhava para Janjão. E lá ia Táta, outra vez de encontro ao seu “vazio” sem nome.

O tempo foi passando e Táta foi crescendo até se tornar uma lagarta robusta. Conversava com todos e estava sempre de bom humor. Mesmo assim, se sentia só. Tentava esconder aquele “buraquinho” que causava tanto incômodo com qualquer coisa que, como num passe de mágica, fosse se encaixar ali, naquele espaço. Pensava que era como um quebra-cabeças que veio com defeito, faltando uma peça. – “Sou mesmo muito estranha. Olhe só, todos ao meu redor parecem estar felizes e só eu me sinto triste e incompleta.

O que será realmente esse “vazio” que sinto? Será que algum dia conseguirei preencher este espaço?”, pensava ela sem esperanças. A comunidade da lagarta, que acompanhava essa inquietação de Táta desde pequenina, já não suportava vê-la daquela maneira, aquilo não podia ser normal. Os pais de Táta chamaram o médico do jardim, Dr. Louva-a-deus, que procurou, procurou, examinando aqui e acolá e não achou nada! Contudo, receitou um remédio e disse que a lagarta não tinha nada, mas precisava se ocupar, rezar mais e tomar o remedinho que ele prescrevera todas as noites, para que ela pudesse dormir bem.

Táta comprou o remédio e tomou do jeitinho que o médico disse, mas não era isso que buscava, ela se sentia um pouco anestesiada, meio estranha, e até brincava dizendo que estava parecendo os zumbis que via nos filmes da televisão. – “Deve ter algo mais”! Não quero viver assim, escrava de remédios. Onde já se viu isso?”, pensou indignada. A lagarta pensou em focar sua energia na outra recomendação do médico e decidiu ocupar mais o seu tempo. Mergulhou profundamente no trabalho e nos estudos, mas estava cada vez mais cansada e infeliz.

Os dias foram passando e nada! Táta começou a acreditar que também não devia ser essa a resposta que buscava. – “Será que existe uma causa para isso? Será uma maldição? Meu Deus, como não pensei nisso antes, fui amaldiçoada! Deve ser porque não vou à igreja… Ouvi certa vez de Ana Joaninha, que se a gente não rezasse, ia para o inferno. Bom, vou resolver isso nesse domingo. Chegarei bem cedo e prestarei bastante atenção em tudo o que for falado.”, ponderou.

Táta percebeu que iniciar esse contato maior com Deus ajudou sim. Entendia agora que existem muitas coisas que não se aprende na escola, mas ainda não havia conseguido preencher seu “vazio”. – “Talvez seja apenas o lugar, vou tentar outra igreja.”, disse ainda com esperança. Táta buscava Deus fora, esquecendo-se que Deus estava dentro dela! E assim foi, pipocando de igreja em igreja, variando de religião em religião, até que desistiu de procurar e se frustrou ainda mais.

Leia Também:  O Poder da Persuasão: 8 dicas efetivas

A autoajuda em reuniões

Começou a frequentar reuniões de autoajuda, mas, de alguma forma, nada tampava aquele “buraco” interior. – “Devo estar ficando louca! Tenho tudo o que uma lagarta poderia querer, e não me sinto feliz. Sinto-me ingrata e acredito não merecer estar aqui nesse mundo.”, refletiu enquanto saltavam algumas lágrimas aos olhos. Enquanto a lagarta pensava sobre sua vida e seus problemas, já sem energia e desencantada da vida, recebeu uma ligação de um “amigo” que não via há tempos. Era Joel, o besouro rola-bosta que a convidava para uma festa no clube do jardim, afinal ouviu de Geralda, a formiga sobre toda a tristeza que a lagarta estava passando. – “Aquela formiga fofoqueira… O que ela tem a ver com isso?”, resmungou. Táta relutou, deu mil desculpas, mas Joel acabou convencendo a lagarta de que a festa seria uma boa coisa para animá-la. Combinaram de se encontrar lá mesmo, na porta do clube. Táta se arrumou, passou perfume e até usou um batom que ganhou da sua avó, e seguiu para o local combinado, mas na hora marcada o besouro não apareceu. – “Besouro sem palavra! Bom, como já estou aqui, vou entrar!”, pensou ela enraivecida. E lá se foi, porta adentro do salão.

O local estava movimentado, tinham muitos animais diferentes e os pedidos eram servidos por Mara, a aranha marrom, muito ágil com suas 8 patas. Táta observava tudo pelo cantinho do salão, um pouco envergonhada por estar ali sozinha. Eis que um animal que Táta nunca havia visto antes, apareceu. – “Olá! Meu nome é Zé Lacraia e gostaria de te pagar uma bebida. Você parece muito tímida e isso vai te ajudar a se soltar, venha!”, afirmou Zé Lacraia para Táta que aceitou o convite, confiando no desconhecido. Táta aceitou e bebeu 1, 2, 3, 4 drinks até perder a conta. A lagarta estava completamente fora de si, ria desordenadamente e seu raciocínio estava lento e superficial. Em um dos drinks oferecidos por Zé Lacraia, viu que ele havia colocado alguma coisa no copo, mas como ele era legal, não deu importância. E assim foi até que perdeu a consciência. Quando acordou, estava em um beco, onde havia apenas a porta dos fundos do lugar onde a festa aconteceu. – “Como pude?

Dormir assim, aqui na sarjeta! A festa acabou e Zé Lacraia me deixou aqui! Eu confiei nele.”, disse enfurecida! Táta recolheu o pouco da dignidade que ainda reconhecia em si e voltou para a sua casa, em prantos! – “O que as pessoas vão pensar de mim agora?”, disse ela chorosa, enquanto corria para sua casa. O “vazio” aumentou ainda mais e o desejo de ir em busca do preenchimento desse espaço também, mas a esperança de qualquer mudança bem-sucedida havia se esvaído com a última lágrima. – “Coitada da lagarta.”, pensou Ana, que via Táta passando apressada pela rua. Dona Ana chamou a lagarta já dizendo: – “Querida, eu sei que ninguém muda ninguém. Por isso, vou te dar apenas um conselho: busque fazer terapia, vai te ajudar, assim como ajudou muito a Bela Libélula!” – “Como ousa, Dona Ana? Eu não preciso dessas bobagens!”, disse Táta seguindo seu caminho, sem sequer se despedir. Andando meio sem rumo, Táta teve uma ideia brilhante!

O vazio na metáfora da lagarta que vira borboleta

Resolveu que iria de encontro ao “vazio”, interrogá-lo. – “Pronto! É isso que farei! Vou colocar esse “vazio” contra a parede e ele não me escapará! Sabendo como ele é poderei achar a peça que falta!”, afirmou confiante. Táta escolheu encarar aquilo que tanto a incomodava e que agora estava lhe causando dores de cabeça, além de um grande desânimo com as coisas da vida. – “Cheguei ao meu limite! Ou eu acho isso e resolvo de vez esse problema, ou não conseguirei seguir adiante. Não dou mais um passo enquanto não resolver esse mistério!”, resolveu. O jardim Com essa chacoalhada em suas ideias, a lagarta saiu em busca da resposta para este dilema existencial. – “Quem será que coordena o jardim? Será que é um jardineiro só? Será que ele gosta de todo mundo aqui ou dá castigos se nos comportamos mal? Não me lembro de ter me comportado tão mal assim…”, refletiu Táta sem chegar a nenhuma conclusão. Táta despediu de seus pais, colocou uma mochila com coisas básicas para uma semana e partiu. – “Uma semana é tempo suficiente para eu achar essa peça.

Não posso ter deixado cair tão longe daqui!”, pensou. Táta andou, procurou, perguntou para os animais que cruzavam seu caminho e nada. Estava tão cansada de procurar em todos aqueles lugares que não tinha se dado conta de procurar no lugar mais óbvio. – “Essa não, que mancada! É isso! Como não procurei lá antes?”, disse Táta surpresa consigo mesma. A lagarta, enfim percebeu que a tão sonhada pecinha poderia estar em alguma parte dentro dela, perdida, esquecida guardada em qualquer lugar. – “Sabia que dentro de todas os animais tinha um baú com esse tipo de coisa perdida, como um guarda-volumes, afinal de contas, Dona Doca disse que era de um lugar que ficava dentro de cada um de nós que tirávamos as ideias das brincadeiras e que era de lá que os sonhos apareciam! Como farei para achar esse baú?”, pensou ela. – “Ah! Se os sonhos vêm de lá, vou tentar dormir um pouco, para seguir o sonho e chegar ao guarda-volumes. Será que lá é organizado em ordem alfabética? Facilitaria bastante se fosse…”, suspirou. Táta começou a sentir esperança, apesar de pensar que seguir o sonho seria como achar o pote de ouro no final do arco-íris.

    NÓS RETORNAMOS PARA VOCÊ



    Quero informações para me inscrever na Formação EAD em Psicanálise.

    Procurou ao redor uma planta confortável para ser seu travesseiro. Não sabia por quanto tempo iria dormir, então precisava ser um folha bem macia. Percebeu que todas as plantas tinham algo que parecia estar fora do lugar também. Algumas tinham manchinhas amarelas, outras estavam secas demais, outras com um leve bolor, outras comidas… – “Interessante, nunca tinha reparado no jardim dessa forma. Agora que eu percebi que eu mesma comi essa folha antes, e ela estava deliciosa! Bom, ficarei com esta outra aqui, ela servirá bem para o que preciso.” Essa nova forma de enxergar as folhas do jardim sensibilizaram a lagarta.

    Ela percebeu que cada folha tinha sua serventia, ora servia de alimento, ora folhas mais altas protegiam outras de pegar sol e, por isso, havia bolores nas que estavam mais baixas. Viu que os bolores não eram assim, tão feios, e também tinham um papel ali. Percebeu que, mesmo que algumas folhas tivessem pintas amarelas, a planta não deixava de ser planta, e brilhava verdinha em todo o conjunto. Chegou até a salivar vendo quão suculentas eram as folhas. Então, Táta pensou, enquanto se deitava: – “Bom, se as plantas conseguem viver com seus problemas e ainda assim permanecem bonitas e verdinhas, será que consigo fazer o mesmo com os meus problemas?”

    Leia Também:  Estoicismo: significado da filosofia e exemplos atuais

    O inferno na metáfora da lagarta que vira borboleta

    Sem diferentes opções em mente para achar o tal “vazio”, Táta se rende ao processo e, já deitada, respira fundo algumas vezes para se acalmar. Percebe na metáfora da lagarta que vira borboleta que os batimentos do seu coração aceleraram um pouco e, um rápido pensamento passa por sua cabeça na tentativa de fazê-la desistir. Mas, ela estava firme no propósito de sair em busca da pecinha que resolveria todos os problemas e logo tratou de mandar o pensamento embora. – “Cheguei até aqui e vou até o fim!”, afirmou para si mesma. E assim, entre respirações profundas e cada vez mais suaves, Táta adormeceu. – “Mas que lugar é esse? Não vejo nada, está tudo escuro! Onde será que consigo acender a luz?”Táta disse para si mesma, em alta voz. Andando mais um pouco, tropeçando em algumas coisas aqui e acolá que ainda não conseguia ver e entender, Táta consegue passar por uma porta estreita. – “Ufa!

    Agora consigo enxergar um pouco melhor!” Pensou. Olhando encabulada para aquele lugar, percebeu nas prateleiras mais altas, algumas caixas com etiquetas que traziam uma espécie de identificação do que havia dentro. Uma delas, em particular, lhe chamou atenção. Nela, estava escrito: “GROSSERIAS”. Quando Táta abriu esta caixa algo de estranho aconteceu. Táta reviveu a última “grosseria” que havia sido arquivada em sua memória. Era aquele momento em que Dona Ana, a joaninha, lhe dera o conselho de procurar ajuda terapêutica. – “Nossa, como fui rude! Ela estava apenas preocupada porque se importa comigo, só queria ajudar e eu nem ouvi o que ela tinha a dizer! Mas, tudo bem! Se não fosse isso eu não teria saído enraivecida e não estaria aqui agora.” Nesse momento Táta entendeu que está tudo bem em sentir raiva. Até se deu os parabéns por ter usado a força da raiva como impulso para buscar, de fato, algo que a tanto tempo a incomodava. A lagarta na metáfora da lagarta que vira borboleta estava agora desarmada, já havia entendido que não era vítima da punição de um jardineiro cruel ou dos outros animais que ela julgara ser incompreendida.

    Percebeu que as coisas que aconteciam tinham uma consequência, como se fosse uma reação de algo que aconteceu antes. – “Agora entendi aquilo que Dona Doca disse na escola outro dia, quando falou que ‘para cada ação acontece uma reação’. Essa minhoca é mesmo sabida das coisas!”, refletiu surpresa com a professora. Táta continuou andando, mexendo, vasculhando, e encontrou coisas que nunca imaginara que faziam parte dela, mas nada da tal pecinha. Até que, passando o beiral da porta de uma sala enorme e bem decorada viu que lá no cantinho tinha um baú. Sentiu um pouco de medo, mas depois de ter enfrentado tantas coisas, não podia hesitar. – “Se, para cada ação tem uma reação correspondente, caso eu consiga achar a peça lá dentro, vou entender por que eu a deixei guardada, apesar de desconfiar que eu guardei para que viesse até aqui e descobrisse essas coisas sobre mim. Talvez, se eu não estivesse me vendo por dentro dessa forma, eu não conseguiria aprender essas coisas… Que baú empoeirado! Vou soprar um pouco.” Disse ela.

    Uma outra surpresa

    Enquanto a poeira se dissipava no ar, a lagarta teve outra grande surpresa na metáfora da lagarta que vira borboleta. Viu-se refletida no baú. Ficou tão intrigada e emocionada ao mesmo tempo, que até chorou. Táta estava começando a entender que ela precisava sempre olhar para si para mudar dentro dela mesma as coisas que, de certa forma, a incomodavam. Virando o baú com muito cuidado, Táta encontra a fechadura. – “Que fechadura bonita, parece um cálice! E não está trancado. Que bom!”, comemorou. Ao abrir o baú, Táta não conseguiu ver nada dentro, pois estava tudo muito escuro, completamente escuro. Resolveu então se esticar, projetando o corpo um pouco mais para dentro e, de repente, caiu no baú. – “Que baú grandeee!” Disse ela caindo. Chegando ao fundo do baú, Táta percebe que não conseguiria sair dali e o medo novamente se faz presente. – “Eu vou morrer aqui. Bom, já que terei que morar aqui, o jeito é conhecer o local.”, suspirou. E lá se foi Táta, explorar o seu mais profundo interior, encarando o medo da morte de frente. Enquanto isso, do lado de fora no jardim, algo também acontecia com a lagarta. O seu corpo já não era mais peludo e comprido, estava coberto por uma espécie da casquinha dura que a protegia dos predadores, ainda grudada na folha que serviu de travesseiro.

    Na metáfora da lagarta que vira borboleta, o céu enquanto explorava o fundo do baú, Táta refletia sobre tudo o que estava acontecendo. Sua vida antes parecia organizada, mas não estava. Agora, que tudo parecia uma desordem total estava, na verdade, se organizando. Ela estava vivendo um grande paradoxo entre ordem e desordem. – “Mesmo que tudo pareça uma bagunça, sinto-me mais tranquila. Aquele “vazio” de antes parece estar menor. Será que é porque eu tenho como objetivo a ideia firme de encontrá-lo?”, pensou. A lagarta começava a ter consciência do pulsar da vida. Esse movimento entre ordem e desordem presente em tudo, que criava e destruía ideias e ideais. Percebia que precisava dar mais atenção e amor para algumas coisas em sua vida e, sentia-se mais fortalecida e gentil consigo mesma. Buscava aquela pecinha que sempre faltou a vida toda e esse encontro representava para Táta a sua cura. Poderia fazer o que quisesse com aquela peça, afinal de contas, estaria completa. Táta se lembrou de outro episódio de sua vida, agora um momento onde ela fora extremamente bondosa, dando de comer para lagartinhas carentes.

    Fez até bolo de laranja naquele dia! Recebeu como pagamento: sorrisos, muito amor e uma imensa paz interior. – “Talvez eu nem precise tanto dessa pecinha. Naquele dia eu até me senti completa…”, disse ela. Táta começou a temer que, talvez, poderia estar colocando em um objeto algo que, na verdade, dependia apenas dela. Estaria ela trocando o mundo real pelo que achava ser o ideal de um conto de fadas? Ignorando esse pensamento, continuou em sua busca, pois ainda estava muito obstinada com a ideia de que precisava da peça para resolver esse dilema. A lagarta começou a refletir sobre o que mudaria em sua vida ao encontrar a tão sonhada peça do seu quebra-cabeças. Pensou que poderia sorrir bastante, pois seria mais feliz, teria mais amigos, viajaria pelo jardim, frequentaria festas, pularia de paraquedas para chegar ao céu e, assim, pintaria um arco-íris, esse tipo de coisa. Dessa forma, os pensamentos embrutecidos da lagarta vão se lapidando em pensamentos mais polidos na metáfora da lagarta que vira borboleta.

    O encaixe no quebra-cabeças na metáfora da lagarta que vira borboleta

    Táta percebeu que já havia feito muitas coisas que ela só julgava serem possíveis de realizar ao encaixar a peça do quebra-cabeças em seu interior. Descobriu que já tinha muitos amigos e que eles se preocupavam com ela, que já tinha saído sozinha de casa para ir em uma festa, que estava viajando pelo jardim e estava mais feliz com tudo o que estava acontecendo naquela aventura. Faltava pintar o arco-íris no céu, mas isso seria a primeira coisa que tentaria se saísse daquela jornada, prometeu para si mesma. – “Será que essa cura depende mesmo de uma coisa de fora? Será que eu mesma não poderia construir essa pecinha? E mais! Será que eu posso fazer várias peças, cada uma de cor diferente?

    Leia Também:  Sobre o Amor: 10 coisas que a ciência comprovou

    Assim, num dia em que eu estiver zangada, vou querer usar a peça vermelha e ela poderá me ajudar a sair do incômodo. Por outro lado, num dia em que algo me entristecer, eu colocarei uma azul, e a usarei para ajudar a lidar com a tristeza. Primeiro, acho que ia chorar bastante, mas depois me acalmaria. Poderei usar a força dessa pecinha para pedir ajuda profissional, ou só um ombro amigo. Quem sabe?

    Acho que gostarei mais se puder fazer isso.”, falou aliviada. E assim, sem perceber, Táta ia renascendo. “Matava” um pensamento ultrapassado, que já não fazia mais sentido, e estruturava outro, mais límpido e fiel à imagem que verdadeiramente queria para si. Estava num firme processo de cura, unindo-se cada vez mais à sua essência, compreendendo a si mesma, inclusive diante dos momentos difíceis de tristeza, medo ou raiva. Os dias foram passando e Táta estava cada vez mais envolvida em como podia enfrentar os sentimentos que tentava esconder de si mesma e das pessoas, por medo de não ser amada. Até que… – “Meus Deus! É isso! A pecinha que faltava era exatamente essa! Eu me escondi de mim mesma! Achei, achei a peça do quebra-cabeças!”, comemorou a lagarta! Táta, na metáfora da lagarta que vira borboleta estava muito feliz e toda aquela euforia causou algo em seu corpo que ela nunca havia sentido antes. Parecia que ela estava acordando daquele sono profundo e sentiu uma vontade quase que descontrolada de se espreguiçar.

    Abrindo seus olhinhos devagar, percebeu-se de volta ao jardim e, como quem acorda de um maravilhoso sonho, lamentou. – “Que pena, foi apenas um sonho! Mas que sonho legal, agora eu posso voltar para a minha casa. Preciso contar a todos o que aconteceu aqui.”, disse. Espreguiçando-se um pouco mais, Táta percebeu que seu corpo estava diferente e que agora possuía lindas asas amarelas. – “Mas… olhem só! Eu tenho asas! E são tão lindas! Que maravilha!”, comemorou a lagarta, iniciando seu primeiro voo. A lagarta, na metáfora da lagarta que vira borboleta pensando que ia morrer se descobriu borboleta. Ela então entendeu que estava pronta para o que quer que a vida lhe apresentasse, podendo “morrer” em várias instâncias e renascer em seguida. A borboleta então, entendendo que podia fazer várias transformações de acordo com o que ia surgindo nas correntezas do céu do jardim, descobriu o segredo da vida seguindo seu caminho pelo céu azul e, por onde passava, formava-se um arco-íris de cores tão vivas quanto a felicidade que estava sentindo naquele momento.

    Um sábio conselho

    Hoje em dia, por onde Táta passa leva um sábio conselho para quem se interessar em ouvir: – “Ouçam bem meus queridos, e peguem o que lhes fizer sentido! Precisamos encontrar a coragem de sermos nós mesmos, porque somos todos parte deste lugar sagrado que o jardineiro nos deu. Hoje em dia eu sei que sou completa e que não me falta peça alguma e descobri que o Deus que eu buscava fora, na verdade, habita dentro de mim. Com isso, sou capaz de reconhecê-lo em cada um de vocês com muito amor, respeito, alegria e paz! Que todos vocês também possam viver a sua integralidade!”, despediu-se Táta com uma satisfação imensa em seu coração. Será o fim, ou apenas um novo começo? Conclusão A metáfora da borboleta traz alguns elementos alquímicos que podem ser aplicados em nossas vidas.

    Os pensamentos embrutecidos da lagarta vão se lapidando em pensamentos mais polidos trazendo a simbologia do chumbo sendo transformado em ouro, onde o objetivo final é a formação da pedra filosofal, sendo entendida como o grau mais elevado de evolução de si mesmo. Em alguns pontos da narrativa percebe-se como a comunidade do jardim atuando na tentativa de manter a lagarta no padrão da “brancura”, da rejeição das crises existenciais, da ALBEDO medicalizada ou narcotizada. Contudo, na visão da personagem, essa não é a melhor conduta. O vazio existencial da lagarta representa o início da necessidade de confrontar as suas próprias sombras, mergulhando na NIGREDO do seu ser. Esse processo, no caso da lagarta, se iniciou pela constante manifestação de sintomas emocionais, até que ela decide, conscientemente, por enfrentar essa escuridão dentro de si mesma.

    Ela mergulha então, em introspecção, em seu próprio Pleroma, repleto de possibilidades, das quais constrói as que mais a libertam da estrutura externa, criando uma fidelização em si mesma, fixando novas memórias através de um novo estado de vibração sináptica. Esse crescimento e robustez de pensamentos e novos ideais, foi possibilitado quando a lagarta entrou na fechadura em forma de cálice. O cálice, ou crisol, é um símbolo alquímico de um recipiente onde acontecem as transformações necessárias, ou seja, pode ser analogamente entendido como nosso próprio self.

    Conclusão

    Enquanto a lagarta se deixava mover pelos seus afetos pessoais, seus julgamentos eram sempre subjetivos, porque considerava impossível tudo o que não parecia valer para o seu caso. Era incapaz de entender que algumas coisas se aplicam para uns, e outras, para outros.

    Argumentos e afetos alternados nesse processo, permitem a transcendência desses opostos pela confrontação em que a lagarta se encontra. Essa tensão carregada de energia permite que ela desloque sua libido, suspendendo os apostos e construindo um novo nível de ser, a borboleta, que é capaz de suportar as oscilações durante o voo da vida, sem perder sua essência livre e fiel a si mesma.

    A borboleta, agora bem resolvida, pois já havia se solvido várias vezes, quebrando muitos de seus paradigmas, vence muitas batalhas internas e traz em mente que, uma vez transformada em borboleta, sempre será borboleta, sendo incapaz de retornar àquela condição pretérita do ser! E assim, a borboleta segue rumo ao seu processo de construção de si mesma sempre se fortalecendo, trazendo luz ao conceito de RUBEDO!

    Referências bibliográficas

    JUNG, C. G. A Natureza da Psique. Rio de Janeiro: Editora Vozes. 5ª Ed. 2000.

    JUNG, C.G. Obras Completas de C. G. Jung – Volume XI/2 Interpretação Psicológica do Dogma da Trindade.

    JUNG. C. G. O Homem e seus Símbolos. JUNG. C. G. Psicologia e Alquimia.

    JUNG. C. G. Psicologia do Inconsciente. JUNG. C. G. O Livro Vermelho. Rio de Janeiro: Editora Vozes. 4ª Ed. 2008. MutusLiber – O livro mudo da alquimia (sem autor definido).

    Este texto sobre a metáfora da lagarta que vira borboleta foi escrito por Renata Araújo C. Barros.

    Deixe um comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado.