A Psicanálise é um método eficaz para auxiliar os indivíduos em luto a navegarem pelo processo emocionalmente intenso e transformador.

Luto: A Psicanálise como espaço acolhedor

Publicado em Publicado em Psicanálise

O luto se não trabalhado favorece que a pessoa se sinta desconectada, perdida, pois, se autossabota e não deseja explorar seus sentimentos e nem deseja a sua transformação pessoal.

Ao enfrentar os desafios emocionais do luto de maneira profunda e reflexiva, os pacientes têm a oportunidade, não apenas de se recuperar, mas também de crescer emocionalmente e construir uma nova relação com o objeto perdido.

Assim, a psicanálise não apenas fornece uma compreensão teórica do luto.

Ela também oferece um método terapêutico eficaz para auxiliar os indivíduos a navegarem por esse processo emocionalmente intenso e transformador.

A condução do luto na análise

Na análise possibilitaremos aos analisandos explorar os sentimentos relacionados à perda.

Também aprenderão a lidar e compreender os significados da perda para o si, identificando padrões repetitivos de comportamento que podem estar dificultando a superação do luto.

O psicanalista procurará conduzir as sessões de forma que o analisando desenvolva mecanismos saudáveis para lidar com sua dor.

É importante que o paciente invista sua libido em outro objeto que o permita seguir em frente.

Ele será ajudado pelo psicanalista que através da compreensão do sujeito e a compreensão das estruturas de personalidade, o implicará dinamicamente no fazer psicanalítico.

Cabe ao psicanalista avaliar os afetos identificados no setting e através da associação livre, da escuta, analisando por meio de intervenções interpretativas.

O manejo da análise fornece sentido à fala do analisando, facilitando o escoamento de conteúdos relacionados aos lutos quer sejam conscientes ou inconscientes.

Setting psicanalítico como espaço seguro

Importante dizer que o fazer psicanalítico para garantir um ambiente seguro não se reduzirá a uma técnica interpretativa, mas, a recuperar uma história, possibilitando ao analisando simbolizações estruturantes.

Especialmente quando se fala de luto, o psicanalista não se aterá apenas a oferecer um espaço para que o paciente verbalize as suas experiências, mas, dará oportunidade no manejo, para que ele possa reformulá- las.

Na medida em que o paciente fala, estabelece-se um vínculo entre analista e analisando, então, os conteúdos que estavam foram do setting manifestam-se nele.

Neste processo a “transferência” é fundamental.

Á medida que o paciente vai expondo suas angústias em relação ao objeto perdido e o psicanalista vai se tornando veículo de “cura”.

QUERO INFORMAÇÕES PARA ME INSCREVER NA FORMAÇÃO EM PSICANÁLISE

Erro: Formulário de contato não encontrado.


A transferência no luto

Através do conhecimento proporcionado ao analisando, dando outros significados aos mesmos afetos.

As palavras que desvelam o desconhecido que habita o paciente, são palavras cifradas e enigmáticas que demandam uma qualidade de escuta diferenciada.

Aprendemos com Freud que o luto é o afeto correspondente à melancolia, que indica o desejo impossível de recuperar o que foi irremediavelmente perdido.

Sabemos que o luto é um processo individual e que não há tempo definido para superá-lo.

É importante que o indivíduo se respeite e se permita sentir as emoções da perda em seu próprio ritmo.

O sentimento da perda

Sabemos que cada objeto perdido guardará uma natureza e um significado que são ímpares, únicos e que proporcionarão para as enlutado diferentes perspectivas de vivenciar a perda e elaborá-la.

Uma perda pulsional da libido, ao que Freud se refere como se houvesse um buraco na esfera psíquica.

Neste sentido a psicanálise oferece um espaço bastante seguro e acolhedor para que o analisando possa através do processo terapêutico elaborar o luto de forma saudável.

Por exemplo a negação, obviamente, pretende proteger a pessoa da dor insuportável da perda, mas também pode prolongar o processo de adaptação emocional de forma positiva.

O processamento das emoções

Quando em análise a pessoa traz à consciência essas defesas, o que pode fazê-la reconhecer quanto esses mecanismos a impedem de processar completamente suas emoções.

A psicanálise oferece a seus pacientes um espaço de descobertas importantes, salutar e bastante seguro.

Com o apoio da psicanálise e de uma rede de apoio social, é possível superar o luto e seguir em frente com a vida.

Freud nos lembra que a morte é inconcebível e que continuaremos a existir como observadores mesmo que a tentemos imaginar.

Nosso inconsciente nos faz crer que somos imortais, por isso preferimos não falar sobre esta temática.

A duração do luto

Em Luto e Melancolia o período de luto é o tempo em que o sujeito sofre pela perda do objeto amado e está sob o golpe desta separação.

Trata-se do tempo durante o qual o sujeito reinveste sua libido em seu sofrimento.

Sugere-se que o luto não é só um evento, o luto é um modo de subjetivação, é um modo de relação com o outro permanente.

Quando enlutados há um rebaixamento da autoestima, porque nos sentimos abandonados e impotentes diante desta condição.

Quando ocorre a perda do objeto algumas pessoas reagem a isso com um quadro de melancolia, provavelmente devido a uma predisposição patológica.

Já no luto, espera-se que, passado algum tempo, recupere-se o interesse pela vida sem necessidade de qualquer interferência terapêutica.

Na melancolia estamos lidando com uma perda de objeto que pode ou não ser consciente, mas referente ao luto normal esta perda é totalmente consciente.

O enfrentamento da realidade

A ambivalência em relação ao objeto perdido é outro aspecto que diferencia os dois quadros.

O processo de luto se realiza através do teste de realidade, que ao evidenciar reiteradamente que o objeto não mais existe, exige que a libido se desprenda do objeto perdido.

Desprender-se do objeto perdido não é tarefa fácil.

O sujeito tende a se agarrar insistentemente a seus investimentos libidinosos.

As exigências do teste de realidade só podem ser realizadas gradativamente e com muito gasto da potência de existir o que faz com que se prolongue a existência do objeto perdido no psiquismo.

O luto poderá ser vencido mais facilmente se o sujeito puder contar com o trabalho de um psicanalista.

Cujo qual contribuirá para que o enlutado ressignifique suas experiências.

Sua visão sobre a vida, sobre a morte e as relações com o mundo dos objetos, ratificando a elaboração de sua subjetividade e fortalecendo seu EGO para enfrentar as demandas consequentes do luto.

Este artigo foi desenvolvido através do Trabalho de Conclusão de Curso de Formação em Psicanálise Clínica da aluna Mirian Annita Pereira.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *