pais tóxicos

Pais tóxicos: superproteção e a formação do ego

Posted on Posted in Conceitos e Significados

Considerado a parte consciente da mente humana e os pais tóxicos, o ego é responsável pelo pensamento, atenção, memória e juízo crítico, sendo conhecido também como o mediador entre os desejos do primitivo ‘id’ e do repressor ‘superego’. Sua formação é um processo que inicia nos primeiros anos de vida como fruto das experiências, hábitos e valores morais absorvidos nas relações sociais, principalmente, com os pais que possuem papel decisivo neste processo, segundo Freud. Pais tóxicos podem influenciar na formação do ego ao protegerem, excessivamente, seus filhos.

Menos limites, mais frustações e os pais tóxicos

Compete aos pais ensinarem regras e limites aos filhos, entretanto, está cada vez mais difícil dizer ‘não’, o que tem produzido uma geração de jovens com dificuldade para lidar com frustrações. Os desafios da vida começam cedo. A partir dos 2 anos de idade a criança começa a perceber que é um indivíduo separado da mãe e o aprendizado pela repetição inicia-se no ambiente de convívio.

A influência dos pais e do meio socioeducativo está intimamente ligada ao que Freud denominou ‘formação ideal do ego’. A repetição de hábitos pela criança é consequência do primeiro contato com o mundo exterior. Essa identificação se refletirá na construção do ‘ego’. A formação do ‘ego’ vem antecedida pela existência do ‘id’, porção inconsciente da mente humana presente desde o nascimento e que inclui os instintos primitivos de sobrevivência, satisfação das necessidades e desejos.

Quanto mais jovem é a criança, maior será a dificuldade para resistir às tentações pois, segundo estudos neurocientíficos, as áreas cerebrais responsáveis pelo planejamento e ajuste das emoções, como o córtex pré-frontal, só concluem seu desenvolvimento pleno na adolescência.

Pais tóxicos e a superproteção

É possível observar que aspectos biológicos e sociais são forças motrizes que interferem na construção da mente humana até que o indivíduo possa atingir a maturidade, caracterizada pela capacidade consciente de domínio do comportamento e impulsos. A maturidade pode ser ameaçada pela superproteção dos filhos e incapacidade de impor limites, o que geram ‘crianças mimadas’, como são conhecidas popularmente.

Existem alguns fatores que podem justificar este comportamento dos pais. A inserção da mulher no mercado de trabalho, por exemplo, fez com que a escassez de tempo seja compensada pela necessidade de agradar os filhos a fim de amenizar a ausência, segundo especialistas.

Outro fator é a diminuição no número de filhos. O foco dos pais é direcionado para um ou dois filhos, em média, na atualidade. Numa família mais numerosa, como era comum antigamente, as crianças precisavam dividir a atenção dos pais com mais irmãos.

Mais tempo na frente das telas

O avanço da tecnologia também tem demonstrado ser um fator contribuinte na hora de impor limites. Ao permitirem que os filhos fiquem por longos períodos na frente do celular, tv ou computador, os pais perdem a oportunidade de participarem mais ativamente da educação da criança. 

Durante a formação do ego, o narcisismo dos pais – caracterizado pela visão renovada de uma vida sem restrição – é importante para que a criança aprenda o mecanismo de autoproteção. Porém, no decorrer da vida, algumas situações vão exigir limites no comportamento da criança, o que confronta-se com a superproteção dos pais. Isso dificulta a consolidação do ego na criança e sua capacidade futura para discernir frente os conflitos para buscar uma resolução de forma independente.

O que Freud chamara de “influência crítica” é de suma importância na construção do ego infantil que necessita da ambivalência entre prazer e desprazer, mediados pela “consciência moral”. Essa moralidade advém da repressão dos pais ao gerar uma “consciência culpada” na criança pelo medo do castigo e perda do amor dos pais. Estas são fases normais do processo de desenvolvimento e formação do caráter do indivíduo.

Dizer “não” dá trabalho

Mas ao que parece, são os pais que têm receio de perderem o afeto dos filhos hoje em dia. Dizer ‘sim’ é mais fácil do que dizer ‘não’. Quando a criança ouve o ‘não’, ela vai querer saber o motivo e isto demanda tempo dos pais para explicar o motivo.

É Em consequência da falta de limite das crianças e formação de um ego enfraquecido, vem a baixa tolerância frente às decepções e a dificuldade para lidar com a vida real que está repleta de demandas e problemas cotidianos como filas, trânsito, horários, respeito hierárquico e que, portanto, exigem maturidade e resiliência das pessoas.

Leia Também:  Paul Morphy, o gênio do xadrez e suas neuroses

Com a superproteção, os pais têm reforçado a sobreposição do id em relação ao ego em formação, gerando uma debilidade nos jovens para lidar com frustrações e obstáculos.

Conclusão sobre pais tóxicos

Sabe-se que educar um filho não é uma tarefa fácil mas é de extrema importância que os pais foquem a atenção da educação no reforço de pontos positivos como a paciência, respeito mútuo, bons exemplos e autonomia na resolução de problemas do dia a dia. Certamente essa atitude beneficiará a relação entre pais e filhos, bem como, destes últimos com o mundo que é cheio de desafios.

Este artigo sobre pais tóxicos foi escrito por STELA MARIS MACIEL, jornalista, especialista em fisiologia humana; estudante e amante da psicanálise.

2 thoughts on “Pais tóxicos: superproteção e a formação do ego

  1. Muito bom artigo, parabéns! Não quer ter trabalho com filhos? Não sabe dizer,não! É simples, não faça filhos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.