Papel do Psicanalista: qual é, quais atribuições?

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Vamos abordar o papel do psicanalista. O que faz este profissional, em relação aos seus pacientes e em relação à interpretação e atuação na sociedade?

A técnica da psicanálise consiste em associar livremente, pois assim o paciente analisando supera suas resistências e, dessa forma, os conteúdos do inconsciente são trazidos à consciência.

 

Criar a transferência com sendo um papel do Psicanalista

Para Freud, a mola mestra da psicanálise é a transferência, que pode ser positiva ou negativa. É através dela, da inserção do psicanalista na rede de representações do paciente, que pode ser dado o prosseguimento à análise, por meio de interpretação e construção, que é a atividade do analista de completar o que foi esquecido pelo paciente. Um papel do psicanalista.

Com a transferência, a doença se transforma em neurose de transferência. E eliminando essa neurose, a doença será extinta. A entrevista na psicanálise se dá através do que Freud chamava de tratamento de ensaio, onde ele decidia se aceitaria ou não o paciente.

Lacan, posteriormente, falou de entrevistas preliminares, e estas antecediam o paciente deitar-se no divã. As entrevistas preliminares cumprem as seguintes funções:

  • Implicar (envolver) o sujeito no sintoma, para que se configure um sintoma analítico;
  • Retificar a demanda, transformando a demanda de amor ou de cura em demanda de análise;
  • Colocar o sujeito a questionar-se sobre seu sintoma, histericizando seu discurso (enigma a ser decifrado); e
  • Elaboração, por parte do analista, de uma hipótese diagnóstica.

É o fim dessas entrevistas preliminares/ desse tratamento de ensaio, que cumprem a função de estabelecer um corte, marcando o início do discurso analítico.

A consciência e direcionamento desse processo é um papel do psicanalista.

 

As entrevistas preliminares para demarcar as funções Analista e Analisando

Nessas entrevistas, o sujeito também deve associar livremente. Mas o discurso não será interpretado enquanto análise. Nesse momento, o analista fala o mínimo possível, apenas o suficiente para que o sujeito prossiga em seu discurso. Deverá ser dessa forma, pois o objetivo nesse momento é a questão diagnóstica.

Deixa-se o paciente falar livremente para que uma hipótese possa ser formulada acerca da estrutura do sujeito (neurose, perversão, psicose…) e também por que é o próprio paciente quem introduz os significantes que irão guiar sua análise. É nesse momento que o analista decide se irá ou não acatar aquela demanda de análise.

 

Compreender o inconsciente do paciente e o seu próprio: uma tarefa do Psicanalista

Nós somos os psicanalistas; nosso ofício é uma arte, que exige muita dedicação e estudos constantes. Sem medicamentos, curamos as pessoas, sem nem tocá-las. Devemos ter consciência que cada paciente nosso é um ser humano único, oriundo de um ambiente familiar, exclusivamente seu, e que se desenvolveu em condições ímpares.

Para a psicanálise, o inconsciente é um sistema em constante evolução e investido de energia psíquica. Ele é o grau preparatório do consciente e é o verdadeiro psiquismo real, segundo Freud.

O inconsciente é a estrutura psíquica que compreende os impulsos e sentimentos que o indivíduo não tem consciência. Ele é desconhecido, mas partes dele podem passar para a pré consciência e se manifestar na consciência.


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O papel do Psicanalista é interpretar o material apresentado pelo paciente

O psicanalista trabalha com:

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Deve-se observar os atos falhos, pois o inconsciente aparece em erros e falhas cotidianas e isso deve ser levado em consideração, em se tratando de análise, pois é papel do psicanalista.

São vários os tipos de atos falhos:

  • na linguagem (fala, escrita, leitura);
  • na memória (esquecimentos);
  • no comportamento (cair, quebrar, derrubar, tropeçar, ações desastradas…).

Ato falho é melhor compreendido se citarmos a frase da personagem Chaves : “Foi sem querer, querendo”.

É exatamente isso que um ato falho representa; Foi sem querer, conscientemente falando, mas foi querendo, por um olhar inconsciente. Pois se investigarmos psicanaliticamente, cumprindo nosso papel do psicanalista, veremos que o erro é um acerto, do inconsciente.

 

Os transtornos psíquicos: uma missão para o Psicanalista

Segundo Freud “Os processos psíquicos são, em si mesmo, inconscientes e os processos conscientes são atos isolados, frações da vida psíquica total. Os processos da vida psíquica inconsciente, são dominados, na maior parte, pelas tendências que podem ser qualificadas de sexuais, no sentido restrito ou lato do termo.

Este último pressuposto é, na realidade, a característica fundamental da psicanálise, que consiste, essencialmente, na tentativa de explicar a vida inteira do homem e não só aquela privativa ou individual, mas também a pública e a social, recorrendo a uma única força que é o instinto sexual ou libido, no sentido técnico deste termo.”

Freud escreveu sobre duas tópicas, sendo a primeira sobre a distinção entre consciente, pré-consciente e inconsciente e a segunda sobre a distinção entre id, ego e superego.

A primeira tópica aparece pela primeira vez no livro “A interpretação dos sonhos.” O inconsciente abrange os elementos psíquicos cuja acessibilidade à consciência é muito difícil ou impossível.

No pré-consciente, os elementos são acessíveis à consciência. E no consciente está tudo que for consciente em determinado momento. As experiências conscientes vencidas são gravadas no pré-consciente e temos acesso fácil a elas.

O pré-consciente pode excluir elementos indesejáveis ao consciente e esses elementos irão para o inconsciente, onde uns poderão ser acessados através da psicanálise.

Na segunda tópica, Freud propôs a divisão em Id, Ego e Superego. Onde o Superego é o mediador de quaisquer conflitos, pois de um lado está o Id ( impulsos instintivos) e de outro o Ego( que é a parte do Id que está em contato com o mundo externo).

O Superego entra como grupo de funções psíquicas ligado às aspiraçōes ideais.

É papel do psicanalista fazer uma leitura do discurso do paciente e analisar em qual sistema ou instância corresponde cada fala, para assim auxiliar o analisando em sua análise.

Sobre a Autora: Karla Oliveira (kaiol23517@gmail.com), Psicanalista e psicoterapia,  Rio de Janeiro. RJ

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