síndrome de Peter Pan

Síndrome de Peter Pan: sintomas e tratamentos

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Geralmente, quem apresenta a Síndrome de Peter Pan apresenta alguns sintomas. O medo de crescer e de assumir responsabilidades são alguns deles! Neste texto, você aprenderá um pouco mais sobre ela e sobre como tratar o problema!

A literatura associa a síndrome de Peter Pan ao medo de compromisso em alguns indivíduos que parecem se recusar a entrar de vez na vida adulta. Assim, o Complexo de Peter Pan se manifesta no desejo de não querer crescer, ou seja, continuar se comportando como criança.

A síndrome de Peter Pan parece atingir principalmente os homens e, geralmente, este transtorno se manifesta entre 20-25 anos.

Apesar deste intervalo de idade ser comum, podemos pensar em idades mais baixas (final da adolescência) ou até idades mais adultas. Assim, faz sentido associar o transtorno a um personagem masculino. Enquanto é possível perceber um desenvolvimento normal do intelecto, parece haver um bloqueio da maturação emocional.

Mais importante que o nome, é entendermos a síndrome de Peter Pan como uma recusa a crescer.  É um sintoma ou manifestação, pode ter diferentes causas. Pode ser:

  • um mecanismo de defesa do ego: o ego tem uma parte inconsciente e protege o sujeito por meio de racionalizações, projeções, negações etc., para evitar o desprazer;
  • uma dificuldade de integração social que faça o sujeito isolar-se em um universo infantilizado, que lhe pareça mais protetivo (as causas para isso podem ser timidez excessiva, ter sido vítima de bullying etc.);
  • um evento da infância, como um trauma;
  • a existência de uma mãe superprotetora, a quem o adulto ainda se liga emocionalmente;
  • entre outras causas.

E esse comportamento pode ocorrer com homens e mulheres, embora em mulheres seja chamado de síndrome de Sininho, a personagem feminina de Peter Pan. A forma de operacionalização é semelhante em homens e mulheres, embora alguns autores prefiram diferenciar (por preciosismo ou para mostrar que as causas sejam diferentes).

O que significa a ideia de síndrome?

No caso da Síndrome de Peter Pan, pode haver um mecanismo de defesa do ego, idealizando a infância como uma idade feliz ou protegida, o que acarreta no jovem adulto um receio de “crescer”. Este é o exemplo de uma das razões possíveis para este temor em crescer, este temor de ter uma vida digamos “independente”.

Mas é preciso sempre olhar o caso de cada analisando. Afinal, embora a manifestação da síndrome de Peter Pan seja comum (medo de assumir a responsabilidade por sua vida adulta), as causas que motivam esta síndrome podem ser muito diferentes.

Não tem como dizer que todas as síndromes funcionam de forma igual, são muitas as síndromes. Cada autor pode designar uma manifestação psíquica como uma síndrome, outro autor pode discordar da denominação.

Normalmente as pessoas usam a palavra “síndrome” para designar algum resultado (produto, conjunto de sintomas) de processos psíquicos. A síndrome seria um ponto de partida visível para buscar alguma causa não aparente.

Sobre a defesa do ego, pense o que é ego como sendo uma elaboração, diferente da pulsão ou libido que move o id.

O ego tem:

  • uma parte consciente, como quando sabemos sobre o que estamos pensando agora, sobre sua concentração ao ler este artigo, e
  • outra parte inconsciente, ou seja, o sujeito tomando certas atitudes ou pensamentos meio que “sem saber”, no “piloto automático”, coisas que lhe ajudem a evitar um desprazer.

Ser adulto obviamente pode ter uma dimensão de desprazer: o trabalho, as responsabilidades em relação às outras pessoas e a si mesmo. É desafiador.

Na síndrome de Peter Pan, o sujeito pode estar focando esse lado de desprazer da idade adulta e, como contraponto, encontra um cenário mais idílico da infância, à qual se prende, inconscientemente.

Talvez exista também uma dimensão narcísica na síndrome de Peter Pan. Não querer crescer é, também, não querer se arriscar, não querer aprender. O narcisismo significa um ego que se fecha em si mesmo e se julga autossuficiente, impedindo situações que poderiam fortalecer o ego de forma mais “saudável”.

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Em clínica, o importante é o analisando ou a analisanda ver-se que está se protegendo em demasia do mundo exterior ao se prender a comportamentos de uma idade anterior. E, depois, o percurso da livre associação na terapia poderá indicar possíveis razões na história do sujeito ou possíveis formas de procedimentos mentais inconscientes que possam levar a isso.

De onde vem a síndrome de Peter Pan?

Quem deu o nome de “síndrome de Peter Pan” para o problema foi o psicanalista americano Daniel Urban Kiley. Inclusive, ele escreveu um livro que leva esse título, no qual explica melhor o problema.

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    Ele escolheu o nome em referência ao personagem literário criado por JM Barrie – um menino que se recusava a crescer. A história que você provavelmente já conhece foi popularizada por Walt Disney por meio de filmes para crianças.

    Embora a classe médica não considere o problema como uma patologia clínica, trata-se de um transtorno do comportamento.

    Comportamento

    Quer tenham 25, 45 ou 65 anos, sejam solteiros ou estejam em um relacionamento, o medo do compromisso é o sintoma que mais caracteriza os homens imaturos.

    Eles geralmente preferem se refugiar em um mundo imaginário rodeado de brinquedos e bonecas. Também há aqueles que mantém uma obsessão por videogames e desenhos animados, o que não seria problema se também não deixassem de assumir suas responsabilidades.

    Na verdade, é difícil para esses homens aceitarem a realidade da vida adulta em várias instâncias distintas. Essa dificuldade indica o quão grande é seu desconforto e sua ansiedade em crescer. Consequentemente, a persistência em um comportamento infantil de modo geral e nos relacionamentos que essas pessoas mantêm pode levá-las à depressão.

    O exemplo mais citado é do cantor Michael Jackson, que apresentava características de alguém que sofria da síndrome de Peter Pan. Um desses indícios parte do fato de que o cantor construiu um parque temático privado em sua própria fazenda, chamada Neverland (Terra do Nunca). Caso não saiba, esse é o mesmo nome do país imaginário da história de Peter Pan.

    Sintomas da síndrome de Peter Pan

    Os sintomas da síndrome ou complexo de Peter Pan são numerosos, mas Dan Kiley apresenta sete principais em seu livro “A síndrome de Peter Pan: os homens que se recusaram a crescer” publicado em 1983.

    Fobia de compromisso

    Um dos sintomas mais reveladores do desenvolvimento dessa síndrome é a fobia de compromisso, mas esse não é o único.

    Paralisia emocional

    Trata-se da incapacidade de expressar as emoções que sentem sem saber como defini-las ou expressá-las desproporcionalmente por meio de riso nervoso, raiva, histeria.

    Gerenciamento pobre do tempo

    Achando-se jovens, pessoas que sofrem com a síndrome adiam as coisas para mais tarde. Fazem isso a ponto de acabarem agindo apenas nos casos de uma emergência e não têm consciência da morte. Mais tarde, homens assim podem se tornar hiperativos no intuito de compensar o tempo perdido procrastinando.

    Relacionamentos superficiais e breves

    Essa dificuldade de aprofundar os relacionamentos, também conhecida como impotência social, ocorre apesar do medo da solidão e da necessidade de laços duradouros.

    Algumas outras características em pessoas com a síndrome são:

    • a incapacidade de reconhecer e assumir suas responsabilidades. Colocar a culpa em outra pessoa é algo sistemático;
    • a dificuldade em assumir relacionamentos afetivos duradouros, porque isso envolve assumir a responsabilidade pela manutenção da própria vida e da vida de outra(s) pessoa(s);
    • o sentimento de raiva em relação à mãe, o que leva à uma procura por se libertar da influência materna- contudo, sem conseguir. Percebendo que eles estão fazendo a mãe sofrer, desenvolvem um sentimento de culpa como consequência;
    • o desejo de estar perto do pai – até chegar ao estágio de idolatria da figura paterna – sempre em contraponto com a constante necessidade e aprovação e amor;
    • alguns tipos de problemas sexuais, já que sexualidade não lhes interessa muito e, em geral, as experiências sexuais ocorrem mais tarde.

    Por fim, homens assim também podem adotar uma atitude para camuflar melhor sua imaturidade e seu medo de serem rejeitados. Dessa forma, eles tendem a pensar que seu parceiro deve amá-los com amor materno incondicional.

    No entanto, um Peter Pan não precisa apresentar todos esses sintomas ao mesmo tempo. Há diferentes graus para considerar e, não raro, é difícil identificar em qual deles a pessoa se encaixa.

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    A síndrome de Peter Pan

    Ser afetado por esse transtorno não impede que esses adultos com comportamento infantil levem uma vida que pareça “normal” . Os Peter Pan são seres sociáveis porque têm facilidade de se cercar de amigos graças ao seu humor e à imagem de cômico ou de bom amigo que refletem naturalmente.

    Dessa forma, imitando os que estão ao seu redor, também podem evoluir em um ambiente familiar “tradicional”. Ou seja, eles podem ter emprego, filhos, estar casado, ser casado etc. No entanto, essas relações e conquistas podem ser experimentadas simplesmente como uma mímica e não por vontade genuína. Levando de alguma forma uma “vida dupla”, pessoas assim têm mais dificuldade para valorizar o mundo adulto e o ambiente em que estão.

    Além disso, não estando em sintonia com o seu dia a dia, só se sentem realmente à vontade na sua bolha. Quando se isolam, aumenta o fosso entre a realidade e a sua imaginação. Em um grau mais avançado da síndrome, esses indivíduos fugirão de todo engajamento com outras pessoas e não aceitarão nenhuma responsabilidade.

    Como explicar o desenvolvimento desta síndrome e quais as suas causas?

    A pessoa que sofre com esse comportamento se refugia em um mundo imaginário para escapar das responsabilidades dos adultos. São homens que não querem crescer.

    Contudo, este desejo de não crescer e a vontade de prolongar a infância não são sintomas sem causa. Eles podem ser explicados pela ausência de uma etapa de vida que é fundamental para o desenvolvimento e equilíbrio de cada ser humano.

    Na verdade, em vez de passar pelos vários estágios psicológicos e fisiológicos que ocorrem normalmente entre a infância e a idade adulta, as pessoas com a síndrome de Peter Pan parecem não passar pela adolescência.

    A explicação para esse pulo entre uma etapa e outra se dá por traumas emocionais sofridos durante a infância. Alguns problemas observados com frequência são:

    • falta de amor da família,
    • um lar compartilhado por parentes com algum tipo de vício,
    • uma família em que um dos responsáveis pelo adolescente é ausente,
    • a morte de um ente querido.

    Principalmente no caso dos indivíduos sob a responsabilidade de alguém com vícios ou ausente, a criança pode ter que tomar a cargo de certas tarefas domésticas. Um exemplo disso são os filhos mais velhos que aprendem a cuidar de seus irmãos menores, assumindo então a responsabilidade do outro.

    Considerações finais sobre a Síndrome de Peter Pan

    A cura da síndrome de Peter Pan é possível, mas negar o problema costuma ser um impasse para o tratamento. Portanto, é necessário que a pessoa doente reconheça o próprio distúrbio de comportamento. Em seguida, será possível tratar a pessoa com psicoterapia.

    Com vontade de mudar de vida, fica mais fácil encontrar as causas desse transtorno. Consequentemente, o responsável pelo tratamento consegue encontrar meios para trabalhar na raiz do problema.

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    One thought on “Síndrome de Peter Pan: sintomas e tratamentos

    1. muito bom e didático. explicou de forma prática como se desenrola a síndrome e seus transtornos.
      Parabéns!

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